Sindicato Nacional da Indústria de
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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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Competitividade virá na abertura comercial

Mesmo com a resistência de alguns setores da economia, representantes do mercado almejam maior abertura comercial do Brasil, ação considerada fundamental para o avanço da competitividade.

À frente das operações do Citi no Brasil, Hélio Magalhães lembrou na última sexta-feira que o País representa 1,2% das trocas comerciais no mundo, ainda que seja responsável por 3% do Produto Interno Bruto (PIB) global. “O País está totalmente fora do mercado internacional”, avaliou o executivo.

O ex-ministro da Casa Civil durante o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Pedro Parente, e atual presidente do conselho de administração da BM&FBovespa, defendeu, na ultima sexta-feira, a abertura comercial do Brasil.

O ex-ministro foi assertivo ao abordar o assunto: “o câmbio mais favorável não é o suficiente se os países que competem com o Brasil estão fazendo mais do que a gente”. Parente afirmou que a ampliação do comércio com outras nações, partindo da redução de barreiras tarifárias, traria grandes ganhos para produtores e empresários brasileiros. “Essa maior abertura não depende de recursos orçamentários, não há motivo para não fazê-la”, disse.

Na visão de Magalhães, do Citi Brasil, vários tratados de comércio estão se transformando em blocos, como o Acordo Transpacífico [TPP]. “E esse movimento vai, sem dúvida, complicar a situação do Brasil”, comentou. Além do aumento da participação em acordos de comércio exterior, ele ressaltou a importância da simplificação tributaria e da ampliação de investimentos em infraestrutura.

Para incrementar os embarques do País, Gustavo Bueno Norberto, gerente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), destacou o trabalho da agência. “Temos um programa completo para exportação, que prepara as empresas para todas as etapas do processo, desde o planejamento estratégico ate as partes logística e jurídica”, afirmou.

Já a diretora executiva do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos (Cebeu), Cassia Carvalho, contou que o Cebeu está trabalhando para promover um acordo de comercio entre brasileiros e norte-americanos. “Os dois países se beneficiariam bastante com esse tratado”, assegurou.

Infraestrutura

A melhora da produtividade do País também foi sublinhada pelos entrevistados, que pediram mais investimentos em infraestrutura.

“A qualidade de rodovias, ferrovias, portos, transporte aéreo ainda não é boa, principalmente porque temos um problema de ausência: não é que o porto está velho, não existe um porto; não é que a ponte vai cair, não existe a ponte”, disse Mark Essle, sócio da AT&Kearney.

Usando índices internacionais que medem a competitividade dos países a partir da base econômica, do ambiente institucional e da produtividade operacional, Essle afirmou que o resultado do Brasil e pior que os registrados por países desenvolvidos, como Estados Unidos e Alemanha, e nações emergentes, como China, África do Sul, Rússia e Índia.

Fernanda De Negri, diretora de estudos e políticas setoriais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou que a indústria de transformação é o setor com avanço mais lento de produtividade no Brasil. “Se tivéssemos a estrutura produtiva das empresas da Alemanha, nossa produtividade cresceria 60%. Se fossem trazidas empresas alemãs para a estrutura brasileira, haveria crescimento de mais de 400% na produtividade brasileira. Isso mostra que o problema vai além da estrutura.”

Uma das saídas para resolver o problema de competitividade no Brasil, apontou Parente, “e melhorar o ensino e o preparo dos jovens”. “Ainda temos falta de mão de obra em áreas que pedem maior especialização”, complementou.

Os entrevistados pelo DCI participaram do evento de abertura do programa +Competitividade Brasil, coordenado pela Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham).

Além do estímulo a uma maior inserção do Brasil no comercio exterior, a iniciativa da Amcham tem como bases a promoção de leis trabalhistas mais modernas, a simplificação tributária, o fomento de infraestrutura voltada para o crescimento e incentivos por talentos humanos. A instituição vai incentivar o fechamento de acordos internacionais, o incremento de mecanismos de promoção e cooperação e a simplificação de processos.

DCI – 18/04/2016

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Bônus estrangeiros ganham impulso com medidas do BCE

Desde que Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), anunciou planos para começar a adquirir dívida corporativa na Europa, os maiores ganhadores do mercado são títulos que ele não comprará.

Os ganhos dos títulos denominados em euros emitidos por empresas estrangeiras aceleraram neste mês e agora apresentam rendimento superior ao dos papéis de empresas da zona do euro, desde a declaração de Draghi, no dia 10 de março. Ambos os tipos deram um salto depois que o BCE afirmou que começaria a comprar dívida emitida por empresas com sede na zona da moeda única.

O rali para os títulos tem sido alimentado pela especulação de que uma avalanche de aquisições do BCE levará os investidores a abandonar a dívida corporativa doméstica por notas estrangeiras, segundo analistas do ING Groep e da Mitsubishi UFJ Securities International. A dívida de fora da zona do euro também oferece “yields” (rendimentos) mais elevados.

“O efeito de deslocamento continuará sendo enorme”, avalia Jeroen van den Broek, diretor de estratégia de crédito e pesquisa do ING para mercados desenvolvidos em Amsterdã.

“E se você estiver procurando um pequeno diferencial, as empresas de fora da zona do euro continuam fornecendo mais que os nomes europeus”, afirma o especialista do ING.

O BCE planeja começar a comprar dívida com grau de investimento emitida por empresas não bancárias por volta do fim do atual trimestre. O total de aquisições poderia ser de aproximadamente € 4,5 bilhões por mês, ou € 54 bilhões por ano, com base na mediana de quatro estimativas compiladas pela Bloomberg. As empresas da zona do euro venderam € 105 bilhões em dívida com grau de investimento no ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Um porta-voz do BCE, com sede em Frankfurt, não quis comentar o tamanho das aquisições planejadas a serem feitas.

Os títulos denominados em euros de companhias estrangeiras, como General Electric, AT&T e BP, tiveram retorno de 1,7% desde o dia do anúncio de Draghi, com base em dados de índices do Bank of America Merrill Lynch. A taxa se compara com 1,6% das notas locais.

As notas estrangeiras rendem em média 1,12% frente a 1,02% para a dívida local em euros, mostram os dados. Normalmente, os investidores exigem um prêmio por possuir dívida não doméstica. A brecha poderia se ampliar porque as aquisições do BCE poderiam deprimir os rendimentos sobre os papéis da zona do euro, disse Lars Dueser, analista de crédito da Mitsubishi UFJ Securities.

Um risco para as notas não locais é que os custos baixos do crédito da região possam provocar uma avalanche de emissões e pressões sobre os preços. O FedEx, a Fomento Económico Mexicano e a Fluor venderam seus primeiros papéis denominados em euros desde o anúncio do BCE.

Preferir bônus estrangeiros também poderia fazer com que os investidores percam uma possível disparada dos preços da dívida de emissão local se o BCE implementar mais medidas, disse Paola Binns, gestora de carteiras da Royal Asset Management, que administra cerca de 86 bilhões de libras (US$ 120 bilhões). “Os bancos centrais têm muita flexibilidade e poder”, disse ela. “É perigoso jogar contra as medidas deles”, diz a gestora.

O BCE começou a comprar títulos com garantias hipotecárias em 2009. A média de yields despencou de cerca de 4% antes da crise financeira de 2008 para 0,2%, com base em dados de índices do Bank of America Merrill Lynch. Agora, o banco central é dono de cerca de um terço do mercado, segundo Joost Beaumont, estrategista de renda fixa do ABN Amro Bank. Os títulos têm garantia do emissor e um conjunto de ativos designado.

Os investidores que antecipam efeitos similares no mercado de dívida corporativa já ajudaram a impulsionar os preços para as notas com probabilidades de se qualificar para serem adquiridas pelo BCE. Isso está fazendo com que a administradora de recursos Saida Eggerstedt considere mais favoravelmente os papéis não locais do que os títulos de empresas da zona do euro.

“As empresas não financeiras da zona do euro parecem bastante caras”, afirma Eggerstedt, que ajuda a administrar cerca de € 29 bilhões em títulos corporativos na Deka Investment, em Frankfurt. “Grande parte dos ganhos projetados nas avaliações já foi precificada”, diz.

Valor Econômico – 18/04/2016

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Alta de juros nos EUA deve piorar situação de emergentes

A mais recente demonstração de paciência do Federal Reserve, o banco central americano, deu a muitas economias de mercados emergentes um certo respiro. Mas crescem os temores de que não haverá espaço de manobra o suficiente para minimizar o impacto nesses países de uma próxima rodada de aumento dos juros nos Estados Unidos.

Ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais de países emergentes que se reuniram em Washington nos últimos dias para a reunião do Fundo Monetário Internacional disseram que estavam se preparando para enfrentar volatilidade renovada no mercado financeiro. Os economistas acreditam que o Fed deve voltar a elevar os juros na sua reunião marcada para meados de junho.

“Isso vai acontecer e as economias emergentes devem estar preparadas”, disse o ministro da Fazenda do México, Luis Videgaray, em entrevista ao The Wall Street Journal. “Nós temos nos preparado, mas ainda assim haverá impacto.”

Em dezembro, o Fed elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a primeira alta em sete anos, e sinalizou mais quatro aumentos ao longo de 2016. A medida contribuiu para a volatilidade financeira global e desencadeou saídas de capital de mercados emergentes em direção a países considerados mais seguros.

No mês passado, após meses de agitaçãonos mercados, o Fed recuou em suas projeções para apenas duas altas nos juros este ano, citando riscos apresentados por “desenvolvimentos econômicos e financeiros globais”. Isso acalmou os investidores e fez com que vários voltassem para economias emergentes.

“No começo do ano, havia esse sentimento de que o Fed seguiria adiante a todo custo”, diz Videgaray. “Eles dependem de dados e parte dos dados que eles analisam se referem à economia global e isso se tornou muito claro em fevereiro. Isso tranquilizou muita gente.”

No México, uma volatilidade nos fluxos financeiros no início do ano combinada com os baixos preços do petróleo derrubou o valor do peso mexicano para recordes históricos de baixa em relação ao dólar em fevereiro. Isso levou a uma rara ação coordenada pelo governo, que anunciou corte de gastos equivalentes a 0,7% do produto interno bruto junto com uma inesperada alta dos juros pelo banco central. Desde então, a moeda se estabilizou e a inflação tem se mantido dentro da meta do banco central.

Ainda assim, Videgaray diz que continua muito cauteloso quanto à próxima ação do Fed. “A ameaça mais importante que enfrentamos hoje é a alta volatilidade e a fragilidade dos fluxos financeiros.”

Raghuram Rajan, presidente do Banco Central da Índia, disse que a pausa do Fed “ajudou a tirar um pouco da pressão”. Agora, ele disse em entrevista ao WSJ, a questão é: “Os outros países são capazes de usar o tempo bem ou os problemas estão além de qualquer ação” que possam tomar?

“Se estamos simplesmente reinflando os preços dos ativos para vê-los cair mais adiante depender de se […] estamos usando esse tempo para fazer coisas boas: trazendo o investimento de volta, obtendo crescimento numa base mais sustentável”, ele disse.

Uma das maiores preocupações no mundo em desenvolvimento é a escassez de crédito. Após anos de crescimento na concessão de financiamentos, o ciclo virou e o crédito está recuando, afirmou o economista Joseph Lupton, do J.P. Morgan Chase & Co.

“A grande questão é quanto estrago isso vai causar à medida que nos movemos por esse ciclo”, disse ele. Segundo o economista, a história mostra que os resultados são variados, mas em grande parte não são bons para o desenrolar de cenários de grande alavancagem.

As firmas de mercados emergentes cujos lucros já não são suficientes para cobrir os juros de suas dívidas são particularmente vulneráveis, podendo pressionar governos a fazer resgates caros. O FMI estima que essas empresas possuam cerca de US$ 650 bilhões em dívida, quase 12% de todas as dívidas corporativas de mercados emergentes na amostra do fundo.

Alguns países têm trabalhado bastante para reajustar suas economias. A Indonésia, por exemplo, tem procurado aumentar o investimento em infraestrutura para estimular o crescimento. Ela também conseguiu cortar as taxas de juros sem causar uma grande desvalorização da sua moeda, oferecendo à economia mais espaço para crescer.

Outros países têm enfrentado mais dificuldades. O Brasil viu o real atingir seu valor mais baixo na história em relação ao dólar no ano passado, em parte porque o governo acumulou um dos maiores déficits fiscais do mundo. Esforços para melhorar a economia têm sido frustrados pela crise política que ameaça derrubar a presidente Dilma Rousseff.

O presidente do banco central, Alexandre Tombini, em declaração feita no comitê de política econômica do FMI, admitiu que “o atual cenário político” é um importante obstáculo.

Tombini também destacou o cenário recente mais favorável em mercados globais devido à última “reavaliação” do Fed e outras ações na China. Mas ele disse que “essa calmaria talvez não seja estável” com a perspectiva do Fed ainda divergindo de seus pares em dificuldades na Europa e no Japão.

Um sinal de esperança para as autoridades de mercados emergentes: por ora, os dirigentes do Fed parecem em sintonia com suas preocupações. A presidente do Fed Janet Yellen, tem enfatizado repetidamente que o estado da economia global deve influenciar as futuras decisões do banco sobre juros.

Isso lhe rendeu aprovação de vários formuladores de política em outros países e gerou alguma confiança de que os EUA não se esquecerão deles à medida que o Fed lentamente restringe sua política monetária. “Eles certamente estão prestando mais atenção e falando sobre prestar mais atenção, o que eu acho que é um passo muito bem-vindo”, disse Rajan.

Valor Econômico – 18/04/2016

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Crescimento é menor mas mostra recuperação

A economia da China cresceu ao ritmo mais lento desde 2009 no primeiro trimestre, mas um salto na dívida parece estar alimentando a recuperação da atividade industrial, do investimento e dos gastos das famílias na segunda maior economia do mundo.

São boas notícias no curto prazo, dizem economistas, mas muitos temem que isso possa marcar um retorno ao velho receituário utilizado durante a crise financeira, quando Pequim tirou sua economia de um período de desaceleração por meio de imensos estímulos, em vez de reformas estruturais.

Dados oficiais publicados na sexta-feira (15) mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 6,7% no primeiro trimestre na comparação com o ano anterior, ligeiramente abaixo dos 6,8% do quarto trimestre, como esperado.

No entanto, outros indicadores mostraram que os novos empréstimos, vendas no varejo, produção industrial e investimentos em ativos fixos ficaram acima do previsto.

Embora alguns analistas digam que os dados são evidências de que a desaceleração econômica atingiu o fundo do poço, alguns advertem que o primeiro trimestre de 2015 teve um início similarmente positivo para então desembocar em uma quebra das bolsas mais tarde no ano.

“O que isso mostra é uma estabilização da economia antiga”, disse Raymond Yeung do ANZ, citando a recuperação da produção industrial e do investimento em ativos fixos. “Eu continuaria cauteloso sobre o crescimento. O dado de 6,9% do ano passado foi sustentado por uma grande contribuição de serviços financeiros e o crescimento forte recente dos empréstimos e do crédito e a retomada recente de ofertas iniciais de ações sugerem que isso ainda pode ter uma grande contribuição”, completa.

A Agência Nacional de Estatísticas disse em entrevista à imprensa em Pequim que, embora os principais indicadores econômicos tenham mostrado mudanças positivas, “a pressão negativa não deve ser subestimada”. A agência não distribuiu os dados do PIB na comparação trimestral como fazia no passado, dizendo que precisava de mais tempo para calculá-los. Os mercados financeiros globais reagiram bem aos números, mas as bolsas domésticas recuaram levemente, com analistas afirmando que os dados fortes sugerem a possibilidade de um ritmo mais lento de afrouxamento monetário.

Demanda

Pequim espera que uma recuperação – mesmo que alimentada pelo crédito – possa ser sustentada para evitar a necessidade de mais estímulos agressivos que possam reinflar bolhas de ativos e dificultar a requalificação de empresas chinesas para subirem na cadeia de valor. Os bancos chineses concederam 1,37 trilhão de iuanes (cerca de US$ 211,23 bilhões) em novos empréstimos líquidos em março, quase o dobro dos empréstimos de 726,6 bilhões de iuanes do mês anterior, sugerindo renovado apetite por investimento entre as corporações chinesas.

O crescimento das vendas do varejo acelerou para 10,5% em março de 10,2%, ligeiramente acima das expectativas, enquanto a expansão do investimento em ativos fixos subiu para 10,7% na comparação anual no primeiro trimestre de 10,2%, superando as expectativas do mercado de 10,3%.

O crescimento da produção industrial saltou 6,8%, de 5,4%, surpreendendo os analistas que esperavam aumento de 5,9% na comparação anual. Já a taxa oficial de desemprego continuou baixa em março, em cerca de 5,2%.

DCI – 18/04/2016

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Para ministro chinês, Trump pode tirar dos EUA a liderança global

O ministro das Finanças da China, Lou Jiwei, chamou Donald Trump, pré-candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, de um “tipo irracional” e disse que os EUA “não terão direito à liderança mundial” se adotarem as políticas de comércio com a China propostas por Trump.

Trump, que lidera as prévias do partido de oposição, defende a imposição de tarifas de 45% sobre os produtos importados da China, como uma forma de forçar o país asiático a mudar suas políticas de comércio exterior. Lou, conhecido na China por sua franqueza contundente, disse, em entrevista ao “The Wall Street Journal”, que tal tarifa violaria as regras da Organização Mundial do Comércio. Sob essas condições, disse, os EUA não teriam direito a exercer a posição de principal potência mundial.

Lou está certo quanto às regras de comércio, diz Jeffrey Schott, economista especializado em comércio exterior do Instituto Peterson para a Economia Internacional, um centro de estudos de Washington que defende o livre comércio. “Quase qualquer aumento generalizado de tarifas violaria as obrigações dos EUA para com a OMC”, diz ele.

Num comunicado de sua campanha eleitoral, Trump acusou a China de “violar totalmente os regras da OMC” e disse que os EUA foram incompetentes ao permitir isso e não conseguir impor à China “impostos e tarifas iguais ou maiores”. Se eleito presidente, disse Trump, a China “vai aprender a negociar justamente ou nós não vamos negociar de forma nenhuma” com o governo chinês.

Em seu governo, acrescentou, “todos os acordos de comércio e outros serão completamente renegociados”, de modo que os EUA se tornem “um beneficiário do comércio, e nós não sejamos mais considerados bobos”.

Questionado sobre a opinião da China a respeito da campanha eleitoral americana, tanto do Partido Republicano quanto do Democrata (do presidente Barack Obama), Lou disse que os americanos precisam reconhecer que os EUA e a China “são mutualmente dependentes” e ambos têm muito a perder no caso de um confronto econômico. “Nossos ciclos econômicos são interligados”, disse ele. “Temos mais coisas em comum do que diferenças que nos separam.”

Lou também disse entender que a retórica se torna acalorada numa campanha presidencial e que, geralmente, não reflete as políticas que o futuro governo vai adotar. Com o novo governo, disse ele, “os laços entre os EUA e a China devem ser mais ou menos como são hoje”.

Lou é o mais alto membro do governo chinês a comentar sobre Trump. Em março, o premiê Li Keqiang, perguntado sobre a eleição nos EUA – embora não especificamente sobre Trump – disse que “era animada e atraía a atenção de muita gente”. O ministro das Relações Exteriores da China não responde a perguntas sobre Trump nem sobre qualquer outro candidato à Presidência dos EUA.

Neste ano, a China está liderando o G-20, cujos ministros das Finanças se reuniram na sexta-feira em Washington, durante o encontro promovido pelo Fundo Monetário Internacional. Muitos participantes exaltaram os sinais de estabilização da economia da China, mas manifestaram receio com a demora do governo chinês para promover reformas econômicas.

Lou, um dos que presidiram a reunião dos ministros das Finanças dos países do G-20, pediu paciência ao resto do mundo. “Na China, há grandes distorções em nosso sistema econômico”, disse.

Ele exortou os EUA a ampliar o investimento público e privado para dar impulso à economia americana e ampliar a contribuição do país ao crescimento econômico mundial. Lou argumentou que a China já fez a sua parte em 2009, durante a crise financeira global, ao lançar um grande programa de estímulo. Os gastos do programa, disse ele, ajudaram a sustentar o crescimento mundial.

“O esforço da China ajudou o mundo”, disse. “Agora, os EUA precisam fazer mais para ajudar o mundo” por meio de mais investimento. Ele disse que vem tentando convencer o governo americano a agir, “mas não temos visto muito progresso”.

Ele também encorajou os EUA a conduzir mais rapidamente a desregulamentação – mesmo conselho que os EUA vêm dando à China há anos – e citou a burocracia que atrasa projetos de construção nos EUA.

O secretário do Tesouro dos EUA, Jacob Lew, disse que o governo americano há muito desempenha papel importante no estímulo da economia doméstica e global.

Muitos na China argumentam que o programa de estímulo demorou muito e provocou uma enxurrada de empréstimos concedidos por bancos estatais. Esse crédito inflou a bolha do mercado imobiliário chinês e levou a um excesso de capacidade no setor industrial. Agora, a bolha imobiliária estourou e, como consequência do crédito fácil, a China está assolada por empresas ineficientes, às voltas com dívidas pesadas. Isso é também um dos principais motivos que levaram o crescimento anual da economia chinesa a desacelerar para menos de 7% do PIB, cerca de metade do recorde atingido em 2007.

A China acabou de começar a reduzir a alavancagem, disse Lou, e não pode gerar a demanda por commodities de que dependem os mercados emergentes. Isso deprimiu os preços das commodities e diminuiu as perspectivas de crescimento de países produtores de petróleo e minérios da América Latina, Ásia e África.

O G-20 divulgou um comunicado conjunto defendendo um uso maior de medidas fiscais, juntamente com política monetária e reformas básicas na economia, para estimular o crescimento mundial. Os países também condenaram o protecionismo e o uso de políticas cambiais “com propósitos competitivos”. Os líderes do grupo das 20 principais economias do mundo, que vem incentivando essas políticas há anos, vão se reunir em setembro na cidade chinesa de Hangzhou.

Lou apontou experimentos de reforma agrária como uma mostra de que a China está fazendo progresso. Na China, a terra pertence ao Estado, então os produtores não podem vender as propriedades que cultivam. Isso manteve muitos deles atados à terra e gerou um sistema agrícola ineficiente, formado por propriedades rurais minúsculas. No experimento, disse Lou, os produtores são encorajados a transferir e arrendar a terra ou usá-la para se financiar.

Lou também vem incentivando os governos locais a pagar suas dívidas. “Sou um homem de princípios”, disse ele, “mas sou também pragmático”.

Valor Econômico – 18/04/2016

 

Redação On abril - 18 - 2016
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