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Tera-feira, 21 de Novembro de 2017






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Empresários explicam por que defendem saída de Dilma

O apoio praticamente unânime dos empresários industriais à saída da presidente Dilma Rousseff (PT) do comando do país nasceu no seu primeiro mandato e mistura razões ideológicas e pragmáticas. De um lado, o setor empresarial viu crescer uma gestão “mais estatizante” do que a do antecessor Luiz Inácio Lula da Silva; de outro, eles avaliam que as decisões e falhas de política econômica contribuíram para levar o país à maior recessão de sua história em um ambiente no qual os espaços de interlocução com o governo diminuíram muito.

Além da nova orientação político-econômica adotada na gestão Dilma, se comparada à de Lula, o setor empresarial também mudou e cultivou contradições que hoje compõem o quadro de desgaste da relação com o governo. Diferentemente de outros momentos em que a indústria teve um papel político importante – como no apoio ao golpe civil-militar de 1964 e à eleição de Fernando Collor de Mello em 1989 -, o “setor empresarial” é hoje um bloco muito menos homogêneo.

As mudanças engendradas desde os anos 90 tornaram o Brasil uma economia mais globalizada, mais financeira, mais diversificada setorialmente e mais concentrada em grandes empresas e grupos. O produtor de carne também fabrica sapatos, o banco também atua na mineração e na energia. Hoje, parcela importante da indústria quer mais abertura comercial, enquanto outros setores resistem e pedem proteção. Por erro de diagnóstico, na visão de alguns, por interesse político, na percepção de outros, as medidas para o setor produtivo usaram o atendimento de demandas setoriais para mitigar os efeitos desastrosos do câmbio fora do lugar e da falta de um projeto de longo prazo.

Sete empresários da indústria e da infraestrutura e cinco analistas econômicos e políticos conversaram com o Valor ao longo das duas últimas semanas para traçar o cenário de quando, como e por que se deu a mudança da posição dos empresários em relação ao governo petista. “Dilma jamais angariou a simpatia do empresariado”, resume um industrial.

Os empresários comparam diretamente as personalidades de Dilma e Lula e suas equipes de governo, e a presidente perdeu em todos os sentidos. Enquanto Lula foi descrito como carismático e negociador, ela foi considerada inflexível e arrogante. A presidente, diz um líder da indústria, “se acha dona da verdade, e nunca se preocupou em manter um real diálogo com o setor empresarial”. Na sua opinião, o comportamento de Dilma foi decisivo para o afastamento que se criou em relação ao setor produtivo. Ele conta que Lula retornava uma ligação mais rapidamente que Fernando Henrique Cardoso. E Dilma? “Nunca retornava.”

Dilma foi eleita sob o mito de boa gestora, o que se mostrou falso, diz um dos industriais, em uma avaliação partilhada por outros cinco empresários. A péssima gestão, diz um deles, também está relacionada à baixa qualidade de sua equipe de ministros. “No primeiro mandato de Lula, o governo tinha [Antonio] Palocci, [Henrique] Meirelles, Marcos Lisboa”, lembra um dos entrevistados. “Isso é simbólico. O Palocci era um grande articulador. Ele voltou com a Dilma, e isso fez diferença no começo”, acrescenta. “Se o Palocci tivesse permanecido no governo Dilma, certamente não haveria a nova matriz econômica”, diz um analista político.

A corrupção aparece entre as críticas dos empresários, mas não como uma marca da presidente. Ela é vista como honesta, mas eles acham que seu erro foi ser complacente com os desmandos feitos na Petrobras.

Embora a personalidade de Dilma tenha contribuído para o distanciamento, são nas ações do governo que os empresários identificam momentos decisivos para o “divórcio”. O primeiro foi a campanha pela redução do spread bancário e o corte acentuado da taxa Selic, que entre agosto de 2011 e outubro de 2012 recuou expressivos 5,25 pontos percentuais. Enquanto os juros caíam, a aprovação da presidente subia – foi de 48% de ótimo e bom para 64% ao longo desse período (veja quadro acima).

Na sequência, o governo anunciou e colocou em prática a redução do preço da energia elétrica, obtida com uma renegociação forçada dos contratos com as geradoras do insumo. Quando a conta de luz 20% mais barata chegou às famílias, em março de 2013, a popularidade batia recorde: 65% de aprovação.

Nos dois episódios – corte dos juros e queda no preço da energia -, o governo atendeu a reivindicações feitas pelas mesmas entidades que hoje mantêm o “pato” nas ruas. Inicialmente, a campanha “Não vou pagar o pato”, encampada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), era contra o peso dos impostos e a recriação da CPMF, mas tornou-se também símbolo da luta pelo impeachment.

No corte de juros e na redução da energia, porém, parte do setor produtivo, no lugar de aplaudir, criticou e acendeu a luz de alerta. Para uma parcela dos empresários, Dilma e sua equipe avançaram o sinal sobre regras básicas do capitalismo, dando um tom mais “estatizante” à condução da economia. No primeiro, ela teria forçado uma redução na margem de lucro usando os bancos públicos como instrumento de pressão; no outro, quebrou contratos, ao antecipar o vencimento de concessões já firmadas. “Ali cresceu a ideia de que o governo Dilma não tinha respeito pelos contratos e regras”, diz um analista da cena político-econômica do país.

“Os empresários se voltam contra o governo quando acaba o dinheiro. Mudam quando acabam as benesses”, diz empresária

“Os empresários se voltam contra o governo quando acaba o dinheiro. Isso não é ideológico. Eles mudam mesmo de lado quando acabam as benesses. Simples assim. A Dilma assinou o seu destino quando quis reduzir os juros e o spread bancário. Foi ali que começou. A indústria já estava sofrendo, mas é quando ela mexe com os bancos que a campanha contra ela começa”, avalia uma empresária. Ela é contra o impeachment, embora considere que a situação do país chegou a tal desgaste que é preciso fazer algo e por isso defende novas eleições, antes que a recessão se aprofunde ainda mais. Na sua avaliação, Dilma é mais estatizante e menos maleável do que Lula, o que também contribuiu para que se formasse opinião negativa sobre a presidente. Para a empresária, Dilma é boa técnica.

Segundo um economista que já teve trânsito no governo, o mal da presidente foi acreditar que “o Datafolha era a voz de Deus”. Nos dois episódios em que Dilma interveio (os juros e energia), ela se deixou levar pela visão de curto prazo da sociedade e adotou medidas populistas. “Você pode baixar os juros quando as condições fiscais permitem”, lembra ele. Apesar do governo ter feito um correto ajuste fiscal em 2011, já em 2012 começaram as alquimias, que cresceriam ano a ano e dariam o argumento para o pedido de impeachment da presidente na versão conhecida como “pedaladas fiscais”.

Dois dos empresários identificam na própria indústria a visão de curto prazo que a presidente e sua equipe manifestaram. Mesmo sabendo do pouco fôlego e do caráter distorcivo que um subsídio pode exercer sobre o conjunto da economia, líderes de empresas pedem por ele e o aceitam. “Mas é um erro achar que, ao aceitar um benefício, o setor retribuirá com apoio político a quem o concedeu”, pondera outro economista. Para ele, que passou pelo governo na gestão de Lula, o PT alimentou essa ilusão.

Entre o fim do segundo mandato de Lula e o primeiro de Dilma, diferentes planos e medidas de apoio à indústria foram adotados. Eles incluíram o corte no preço da energia, a redução dos juros, crédito subsidiado, redução do Imposto sobre Produtos Industriais (IPI), regras de conteúdo local, compras governamentais por preços superiores aos do exterior, desoneração da folha de pagamento, aumento das alíquotas de importação, entre outros.

Em 2011, lembra um analista político, houve um movimento de aproximação com empresários. Em maio, entidades empresariais e sindicais entregaram ao vice-presidente Michel Temer o documento “Brasil do Diálogo da Produção e do Emprego”, em evento no Moinho Santo Antônio, em São Paulo. Depois, várias daquelas propostas foram encampadas no Plano Brasil Maior. Também em maio, Dilma instalou a Câmara de Competitividade, presidida por Jorge Gerdau. “Há uma disposição de negociar e atender às demandas mais amplas. Por que dá errado?”, questiona o analista. Ele pondera que a crise internacional (que se mostrou mais forte que o esperado) pode ter sido uma das causas do “fracasso”, mas lembra que as ligações intersetoriais são hoje mais complicadas do que no passado. A indústria, que historicamente pediu redução dos juros, hoje tem parte de seu capital nas mãos do setor financeiro. Além disso, pondera um economista, o lucro financeiro é parte importante do resultado das empresas produtivas. “E a queda da taxa básica de juros afeta seu lucro”, diz. Para os dois, essas contradições ainda foram pouco entendidas pelos formuladores de políticas públicas.

Com a falta de resultado das políticas mais amplas, o governo apelou para o fiscal para compensar ou incentivar setores. Na falta de um programa de longo prazo, mas preocupado com sua reeleição, espalhou benesses de curto prazo usando o caixa do governo, diz um analista. No conjunto, as despesas do governo federal com subsídios e subvenções (para agricultura, programa Minha Casa, Minha Vida, fundos regionais e indústria) aumentaram de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 para mais de 1% do PIB no ano passado, uma conta que passa de R$ 60 bilhões ao ano e não inclui as renúncias fiscais.

“Enquanto fazia tudo isso, a participação da indústria de transformação no PIB caía de 15% para 10%. Foram medidas inócuas, erradas”, diz um empresário do setor de infraestrutura. O governo usou uma série de instrumentos que podem ser considerados bons, como a desoneração da folha de pagamentos, as isenções tributárias e os financiamentos do BNDES, reconhece um industrial do setor de commodities. “Mas em algum momento começou a percepção de que, embora tivesse pontos positivos, o plano era tendencioso”, diz ele, apontando como desvirtuamento a escolha dos campeões nacionais e o relacionamento com as empreiteiras, além da ideia de perpetuação do que deveria ser temporário.

Para outro empresário, já após o mensalão, o governo começou a atender as demandas no “varejo”, em detrimento de negociações mais amplas com a indústria. Ele lembra que os primeiros sinais de maior intervenção na economia começaram com Lula (um exemplo é o marco regulatório do pré-sal). “Mas essa política se exarceba com Dilma. É com ela que fica nítida a visão de que ter um Estado grande era parte da agenda.”

No início, essa política de atendimento setorial não teve caráter eleitoral, na opinião desse empresário. Ela teve origem na percepção de que algum nível de intervenção do Estado era necessário, mas, ao ser colocada em prática, ela abriu espaço para que os grupos organizados “fizessem a festa”. “Como consequência da colcha de retalhos”, diz, “o governo ficou sem política”.

Na sua opinião, o setor automotivo se apoderou de parcela expressiva dos incentivos federais. O setor foi beneficiado com a redução do IPI para automóveis, com o financiamento subsidiado para caminhões (o PSI, no âmbito do BNDES), o fim da Cide sobre combustíveis, o Inovar-Auto e a taxação extra dos veículos importados.

“Para um economista que já teve trânsito no governo, o mal da presidente Dilma foi acreditar que “o Datafolha era a voz de Deus”

“Faltou ao governo sofisticação para entender o que estava acontecendo no mundo e no Brasil. A indústria sempre teve vocação de curto prazo e ela se aproveitou mesmo do que lhe foi oferecido”, diz um dos empresários. Aqui ele faz uma “autocrítica”. “O governo fez mal em oferecer, e a indústria fez mal em aceitar. Faltou liderança à indústria, faltou uma atuação mais firme e coordenada das representações do setor”, avalia ele.

Outro economista que acompanhou as peregrinações do PIB ao Ministério da Fazenda – onde os empresários eram recebidos – lembra que mais de 30 empresários aplaudiram a presidente de pé em maio de 2014, no Planalto, quando foi anunciado que a desoneração da folha de salários seria uma política permanente. “Essa era uma relação cheia de contradições”, diz ele, falando de conflitos entre setores e da diferença entre apoiar uma medida e dar suporte ao governo.

Além de criar uma conta fiscal que agora terá que ser paga por toda a sociedade, a política de apoio e intervenções setoriais (como a da energia em 2013) provocou um desarranjo entre os preços relativos, que retornou depois na forma de mais inflação. Contribuiu para essa desarmonia o “congelamento branco” imposto aos preços dos combustíveis para segurar a inflação, lembram os empresários. Esse controle se deu antes da queda artificial dos preços da energia (que oficialmente é planejada com a MP 579, de setembro de 2012). Com os combustíveis, Dilma explicitou a tentativa de controle artificial da inflação via preços administrados, sendo que Guido Mantega era presidente do conselho da Petrobras e ministro da Fazenda.

O câmbio foi outro preço deixado fora do lugar e que afetou fortemente a competitividade da indústria. Incentivar o consumo – com redução de impostos e com crédito subsidiado – com câmbio em R$ 1,60 é criar emprego na China, diz um empresário do setor de máquinas. Ele diz que o começo da reação do governo (ainda no Lula 2) à crise internacional foi correta, mas depois ele insistiu na tese de subsidiar a demanda e errou.

O crescimento de 7,5% do PIB em 2010 criou a ilusão de que estava tudo bem, mas aí o consumo “vazou para o exterior”, diz esse empresário. No primeiro mandato de Dilma, enquanto as vendas do varejo aumentaram 17%, a produção da indústria encolheu 3,7%. E o déficit comercial da indústria foi a mais de US$ 55 bilhões em 2014. “O desencanto vem dessa situação. O que conta para o empresário é o bolso, não é a ideologia”, diz ele.

Em 2009, ano recessivo, e 2010, último ano de Lula, a margem líquida de 68 empresas não financeiras de capital aberto (excluídas Petrobras, Eletrobras e Vale) foi de 9,9%. No ano passado, ela foi de apenas 3,6%. Enquanto a receita líquida aumentou 82% nesse período, o lucro encolheu 34%, segundo dados elaborados pelo ValorData, com base em informações do Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. Olhando para as mil maiores empresas do país, incluindo não apenas empresas de capital aberto, o resultado é muito mais sugestivo do que move o desejo de mudança dos empresários. A margem de lucro líquido passou de 20,3% em 2010 para o terreno negativo em todos os anos de Dilma, até atingir 34,6% de margem negativa em 2014, último ano para o qual existem esses dados já calculados, também pelo ValorData.

“A impressão é que, por maiores que tenham sido os benefícios setoriais obtidos, a indústria como um todo só fez encolher e os lucros minguarem. Os empresários estão buscando maneiras de conseguir voltar a rentabilizar seus negócios”, resume um dos economistas, acrescentando que, como o fiscal está péssimo, não só não há perspectivas de novas vantagens como há ações claras no sentido de tirar o que a indústria já tem. “É um enredo simples”, acrescenta.

André Singer, professor do Departamento de Ciência Política da USP e pesquisador do Centro de Estudos da Cidadania (Cenedic), também da USP, trabalha em um projeto de pesquisa chamado “Lulismo e alianças de classe em meio à crise capitalista”. Realizado com base em entrevistas com atores econômicos, ele produziu o paper “Cutucando onças com varas curtas”, em que traz sua leitura sobre o “ensaio desenvolvimentista no primeiro mandato de Dilma Rousseff (2011-2014)”. Singer, que foi porta-voz da Presidência da República entre 2003 e 2007, com Lula, também se pergunta e procura mapear por que os “industriais abandonaram a coalizão produtivista quando ela estava sendo atendida pelo governo”.

Singer considera a hipótese de que, na partida, “a burguesia industrial pede ofensiva estatal contra os interesses estabelecidos, pois depende de política pública que a favoreça. Para isso, alia-se à classe trabalhadora. No segundo ato, os industriais ‘descobrem’ que, dado o passo inicial de apoiar o ativismo estatal, estão às voltas com um poder que não controlam, o qual favorece os adversários de classe (…). No terceiro episódio, a burguesia volta-se ‘contra seus próprios interesses'”, ideia que Singer destaca ter sido inspirada em livro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, “Empresário Industrial e Desenvolvimento Econômico”, de 1964. O recuo seria estratégico. Ele ocorre no presente para não ser maior (ou total) no futuro. Ao final, o cientista político chama atenção para o fato de que “ao cutucar onças, a presidente deveria ter considerado os instrumentos que teria à mão para reagir quando viesse o bote do contra-ataque.”

Na visão de outro cientista político, a variável econômica que tem mais impacto eleitoral é o desemprego. Para ele, a presidente nunca teve uma visão de futuro, sempre agiu no curto prazo. E com essa visão, seu projeto acabou por destruir a economia para manter a taxa de desemprego baixíssima e ganhar a eleição.

Dois setores afetados diretamente pelo aspecto estatizante de Dilma – elétrico e de petróleo e gás – identificaram mudanças na postura do governo no ano passado. Um executivo do setor de petróleo avalia que “a ficha caiu em 2015”.

“Enquanto fazia tudo isso, a participação da indústria no PIB caía de 15% para 10%. Foram medidas inócuas, erradas”, afirma empresário

Primeiro, o próprio setor precisou unificar suas demandas. Antes, explica o empresário, cada um queria 65% de conteúdo local para a peça que produzia e muitos diziam acreditar que o país poderia comportar quatro estaleiros. “Com o barril a US$ 100, tudo passa, tudo se paga.” Para ele, com a crise da Petrobras – em parte pelo cenário externo que derrubou os preços do barril do óleo, mas muito pelos desmandos e corrupção revelados pela Operação Lava-Jato – ficou evidente a necessidade de recalcular o setor. “Quando acabou o dinheiro fácil da Petrobras, ficou claro que aquele modelo estava esgotado”, resume.

E, para surpresa desse executivo, a própria Dilma reconheceu que era preciso mudar. Depois de oito anos sem ser recebido no Palácio do Planalto (“que falava apenas com a Petrobras”), o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) foi recepcionado por Dilma. A preparação do encontro foi tensa. “No pior cenário, imaginávamos que ela nos colocaria para fora depois de dez minutos; no melhor, nos atenderia o tempo todo de cara amarrada. No fim, ela nos ouviu durante duas horas e, na sequência, mudanças começaram a ser feitas”, conta um dos organizadores do encontro.

As alterações passaram tanto pela mudança nas regras de conteúdo local quanto pela prorrogação do Repetro, extensão dos prazos de exploração dos campos concedidos na chamada Rodada Zero e chegaram até o apoio do Planalto à regra que flexibiliza a exigência de que a Petrobras seja operadora única do modelo de partilha, em um projeto do senador José Serra (PSDB).

No setor elétrico, além do realismo tarifário de 2015 – a correção dos preços e a adoção do modelo de bandeiras tarifárias levaram a um aumento médio de 60% na energia ao consumidor ao longo do ano -, o bom desenho do leilão de energia realizado no fim do ano (todas as 29 usinas foram arrematadas) e a solução negociada para o risco hidrológico (conhecido como GSF no setor) são apontados, pelo setor, como sinais positivos de mudança.

Mesmo reconhecendo a nova postura do governo em 2015, empresários desses setores dizem que ela veio tarde demais para recompor a confiança. Por isso, querem a saída da presidente Dilma da Presidência. “Não sabemos se será permanente [a nova postura]”, diz um deles.

Um dos empresários lembra que a chegada de Joaquim Levy ao Ministério da Fazenda foi bem recebida e veio como esperança de que o governo poderia consertar erros do primeiro mandato e construir uma política econômica mais consistente. “Com ele, houve uma sutil retomada na confiança, uma esperança de que o fiscal poderia ser consertado”, diz ele. “Quando o PT começou a queimar o Levy, aí a debandada se consolidou. A presidente se reelegeu enganando a população, e se inviabiliza tentando enganar os empresários”, resume.

Para esse industrial, o divórcio definitivo veio em 2015, após tantas idas e vindas e quando a própria presidente não deu o suporte necessário ao seu ministro.

Entre os sete empresários ouvidos pelo Valor, há uma convicção majoritária de que a presidente perdeu a capacidade de comandar o país. Para a maioria (mas não todos), a ingovernabilidade atual e os riscos que ela traz (entre eles o de mais desemprego, mais fechamento de empresas, explosão da dívida pública etc.) dão legitimidade ao processo de afastamento da presidente. Dos sete, três preferem uma saída pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com a convocação de novas eleições, mas dois deles acham que o país não tem tempo para esperar. Apenas um entre os sete defende que a mudança seja pelo voto da população, para que não fiquem dúvidas quanto à legitimidade do novo governo.

Mesmo parcimoniosos no uso da palavra impeachment, os outros seis rejeitam a hipótese de que o apoio – explícito ou implícito – à saída da presidente seja mais tarde inscrita na história como mais um apoio dos empresários a um “golpe contra a democracia”. “A situação é hoje muito diferente da de 1964. A população está nas ruas e a gestão da presidente dá razões legais ao processo de afastamento”, pontua um dos empresários. “O peso da queda na autoestima da população com a manutenção da presidente, depois de tudo que se viu, seria muito mais custoso para a democracia”, avalia outro empresário.

A convicção de que a saída de Dilma é a melhor opção neste momento não significa clareza quanto ao futuro do país sob o comando do vice-presidente. “O ministro [Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal] refletiu um pouco a desesperança ao indagar, diante da foto das lideranças do PMDB. É isso que nos espera?”, pergunta um dos industriais. Mas ele prefere essa solução à manutenção do governo Dilma, se ela evitar seu impeachment com meros 172 votos no plenário. “Não há governo possível”, diz.

Outro industrial está mais confiante. “Temer comandará o país com base de pelo menos 342 deputados. Ele sai com esse saldo político para iniciar a transição”, pondera, enquanto outro executivo de sua empresa lembra que Itamar Franco fez o Plano Real após assumir a Presidência no lugar de Collor, alvo de impeachment. Um dos economistas lembra que Temer é próximo de Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Alguns empresários desse grupo criticam o comportamento de suas entidades empresariais, entre elas a própria Fiesp e a imagem do pato. Acham que muitas lideranças se deixaram levar pelo interesse político e abdicaram de mediar os diferentes interesses setoriais da indústria nos governos do PT. “Que visão de país a indústria tem? Estamos parados nas décadas de 60 e 70. O que vamos propor a um eventual governo de transição?”, pergunta um dos empresários. (Colaboraram Cláudia Schüffner e Heloisa Magalhães, do Rio).

Valor Econômico – 15/04/2016

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Com nova gestão, Abdib busca maior integração do setor

Após mais de um ano sem presidente-executivo e em meio a um conturbado cenário econômico e político brasileiro, a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib) volta à cena. Vem repaginada, sob o comando de Venilton Tadini, cuja trajetória de carreira começou na própria entidade em 1980. Egresso do Banco Fator, do qual é acionista e onde esteve durante os últimos 20 anos, o economista tem a missão de implementar uma nova fase de atuação, a terceira, da Abdib.

No Brasil dos dias atuais, que caminha para quase 8% de retração acumulada do PIB em dois anos, e com a participação da indústria de transformação diluída a menos de 10%, a retomada do crescimento, na sua visão, passa, essencialmente, por investimentos na infraestrutura. Para o executivo, isso vai ocorrer por dois caminhos – o comércio exterior, que já vem respondendo com a vantagem proporcionada pelo câmbio no aumento das exportações, e grandes projetos de obras e concessões de infraestrutura.

Formalmente, Tadini chegou à Abdib três meses atrás, após passar por um processo de escolha envolvendo headhunter, mesmo com sua vasta experiência. Todavia, oficialmente, assumiu o cargo ontem à noite. Os primeiros 100 dias foram gastos na realização de um novo diagnóstico para definir como a entidade irá se posicionar de agora em diante.

Na área que é o foco da Abdib, o investimento em infraestrutura sofreu o impacto da crise fiscal e econômica do país e da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, que investiga contratos de obras da Petrobras. Isso criou um ambiente de incertezas para os investidores, atingindo muitos grupos – como grandes construtoras e empreiteiras, que expandiram seu campo de atuação, tornando-se concessionários de serviços.

Hoje, há uma paralisia grande de projetos, principalmente nos estados e municípios. No governo federal ainda há os programas de concessão – PIL 1 e 2. “Não é o melhor cenário para investimentos e os investidores internacionais se mostram menos atraídos pelo país”, disse. Apesar de haver um conjunto de oportunidades em vários segmentos, dada a defasagem de infraestrutura, como em saneamento, portos, rodovias e ferrovias, lista. “É preciso voltar a ter uma análise mais sistêmica dos projetos estruturantes”, destaca.

Apesar de tudo isso, Tadini avalia que o Brasil trilhou um caminho que permitiu a estruturação de projetos de concessões de infraestrutura. “Houve avanços em certas áreas”, disse o executivo, citando o papel exercido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas não se pode ficar dependente apenas dessa fonte de financiamento.

O que falta também para os investimentos deslancharem é, fundamentalmente, um ambiente político favorável, que recoloque a infraestrutura na agenda. O país ainda patina muita nessa área: investe apenas 2,5% do PIB. O ideal seria ao menos dobrar o índice.

Sobre o governo que vai emergir após a votação do impedimento da presidente Dilma Rousseff, aprovado por uma comissão da Câmara Federal, o executivo é econômico na avaliação. “Seja qual for o resultado o importante será a composição de forças no Congresso e se essa correlação de forças será suficiente para fazer os ajustes necessários”, diz.

Apesar de alguns avanços, país precisa voltar a ter análise mais sistêmica dos projetos estruturantes

Com cerca de 90 associados, alguns deles envolvidos na Lava-Jato – casos de Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez, Schahin, Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, entre outros -, a Abdib, em sua nova fase, está adotando um código de conduta baseado em princípios listados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Todos os associados e novos entrantes terão de assinar. “Não é para inglês ver. Para ir para o céu tem de morrer. Vai ter política de consequência”, afirmou Tadini.

Segundo ele, o modelo irá também receber contribuições de associados que “tiveram problemas e reviram” suas práticas de compliance. Este é um dos pontos-chave da nova fase da associação do setor, que ganhou dez novos associados, depois de perder vários nos últimos tempos.

Esta é a terceira passagem de Tadini pela Abdib, onde iniciou a carreira após concluir a faculdade de Economia na Universidade de São Paulo (USP): assumiu o chefia do departamento de economia. Na época, década de 80, a Abdib reunia basicamente as empresas de bens de capital e engenharia e montagem, no âmbito da política de desenvolvimento da indústria nacional via substituição de importações. Aquela foi a primeira vez que passou por um processo seletivo para emprego. A segunda ocorreu 36 anos depois, quando um headhunter o procurou para assumir o cargo de presidente.

O desafio de representar tantos atores e por vezes com conflitos de interesse – fabricantes de máquinas, empreiteiras, concessionárias, instituições financeiras, escritórios de advocacia e consultorias – o estimulou.

Nessa fase, que ele classifica como “nova fronteira da Abdib”, o objetivo é aumentar a eficiência e produtividade na infraestrutura, integrando o segmento. Para tanto, diz, é necessário atrair ainda mais atores, notadamente quem está na ponta – usuários de infraestrutura – e quem ajuda a estruturar e garantir os projetos – fundos e seguradoras e resseguradoras. A reunião de representantes de todos os possíveis agentes que possam participar de projetos torna mais fácil eliminar erros que travam os processos.

Um deles, diz, é a falta de projeto básico ou “pré-executivo” na construção, que gera uma série de aditivos. “Quando a seguradora vai ver o projeto é totalmente diferente do que ele segurou lá atrás”. Associaram-se recentemente à Abdib a seguradora Allianz, a estatal de abastecimento de água Sabesp, e a concessionária do aeroporto de Brasília Inframerica, entre outros.

Em sua trajetória, ocupou cargos no BNDES e Companhia Paulista de Desenvolvimento (CPD). No banco de fomento, ajudou a desenhar o programa de desestatização. “Individualmente, devo ter sido a pessoa que vendeu o maior valor de estatais, mais de US$ 20 bilhões”, orgulha-se.

Valor Econômico – 15/04/2016

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Volta cair confiança do empresário em abril, segundo a CNI

Em cenário de recessão e indefinição do ambiente político, a confiança do empresário brasileiro recuou em abril. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) voltou a cair, interrompendo trajetória de alta dos últimos meses. O dado ficou em 36,2 pontos, após uma queda de 1,2 ponto. O índice varia entre 0 e 100, com valores acima de 50 indicando confiança . O dado registrado de março para abril está muito abaixo da média histórica, de 54,4 pontos.

DCI – 15/04/2016

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BNDES amplia orçamento para financiar tratores em R$ 300 milhões

BRASÍLIA  –  O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou que ampliou o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (BNDES Moderfrota) para o ano agrícola 2015/2016, que se encerra em 30 de junho.

Com mais R$ 300 milhões, o orçamento do programa passou para R$ 4,04 bilhões, o que, segundo o banco, vai permitir mais fôlego ao financiamento de investimentos do setor rural brasileiro. De acordo com o banco, o aumento da dotação orçamentária do Moderfrota foi obtido após remanejamento de recursos de programas do BNDES e com base nas demandas de financiamentos protocolados pelos agentes financeiros credenciados pelo BNDES.

Do orçamento total, R$ 3,4 bilhões foram alocados para o Moderfrota com taxa de juros de 7,5% ao ano, voltado para micro, pequenos e médios produtores rurais (com receita operacional bruta de até R$ 90 milhões por ano). Os R$ 640 milhões restantes foram destinados ao Moderfrota com taxa de juros de 9% ao ano, destinado a produtores rurais ou cooperativas agropecuárias com receita operacional bruta acima de R$ 90 milhões ao ano.

Operado pela rede de agentes financeiros do BNDES (por meio de operações indiretas), o Moderfrota tem por objetivo financiar a aquisição, isolada ou associada a investimento, de tratores, colheitadeiras, plataformas de corte, pulverizadores, plantadeiras, semeadoras e equipamentos para preparo, secagem e beneficiamento de grãos.

Em nota, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, elogiou a medida. De acordo com ele, o anúncio ocorreu em um “momento ideal”, próximo da realização da Agrishow, uma das maiores feiras de agrícolas do mundo.

“Exaltamos este reforço de recursos com taxas competitivas, que será fundamental para estimular o investidor, alavancar as vendas do segmento e, consequentemente, aumentar a produtividade no campo por meio da utilização de máquinas novas e modernas”, disse Moan.

(Colaborou Luiz Henrique Mendes, de São Paulo)

Valor Econômico – 15/04/2016

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Mercado imobiliário busca saídas

As alternativas para o mercado imobiliário reagir, diante da mais grave crise política e econômica das últimas décadas, dominaram os debates da segunda edição do Summit Imobiliário promovido pelo Estado, em parceria com o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). No encontro, que reuniu empresários, investidores, estudiosos e representantes do setor público, o consenso foi de que não é hora de ficar parado e sim de buscar soluções e oportunidades.

Maior fundo imobiliário do mundo, o Blackstone, que vem aplicando recursos no Brasil desde 2012, anunciou que vai abrir este ano um escritório no País. “Há muitos desafios econômicos e políticos no Brasil no momento, mas esse tipo de ambiente normalmente cria oportunidades”, disse Kenneth Caplan, diretor global de investimentos do fundo.

O presidente da subsidiária local da Tishman Speyer, Daniel Cherman, lembrou que a empresa – há mais de 20 anos no Brasil, onde tem US$ 2 bilhões aplicados na área imobiliária – já passou por outras crises no País. Para ele, “o Brasil não vai sair do mapa do investidor global”.

Diretor-presidente da Lopes Consultoria de Imóveis, o executivo Marcos Lopes disse que “como corretor”, ele tem de ser “otimista”. E garantiu: “Quando houver um respiro de confiança, o mercado vai voltar com tudo”.

Palestrante no evento, Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador do Gávea Investimentos, disse acreditar numa melhora no médio prazo do desempenho do mercado imobiliário, às voltas com dificuldades que são “reflexo da situação econômica enfraquecida”. Mas, para ele, no curto prazo uma recuperação é difícil.

Nesse quadro de incertezas, o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary, defendeu o afastamento do atual governo como etapa essencial para a retomada da confiança. “Se a razão desse quadro caótico é política, a solução tem de começar na política.”

O Estado de S.Paulo – 15/04/2016

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Pequenas empresas e pessoas físicas resistem a tomar mais empréstimos

A maior desconfiança e incerteza política levam pessoas físicas e jurídicas a uma indisposição para tomada de crédito. Uma possível retomada pode começar em 2017, mas esse período de espera por soluções políticas pode ser fatal para pequenas empresas.

De acordo com um levantamento feito pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) e pela TNS Brasil, em março, 81% dos consumidores disseram não estarem propensos a fazer algum financiamento em 2016. O número representa uma alta de 20 pontos percentuais em comparação a 2014. As informações ainda mostram que, dos 19% que afirmam propensão a financiamentos, 58% utilizaria o recurso para financiar um carro e 54%, um imóvel.

Segundo Elizabeth Salmeirão, diretora de desenvolvimento de negócios da TNS Brasil, o ambiente de incertezas políticas é o principal motivo de indisposição à tomada de recursos.

“O momento é bastante crítico, com diversos cenários possíveis no País. Nós vimos que quase 40% dos brasileiros sequer sabem quando poderá ter uma melhora, e a gente tem um ambiente de espera de um mês, com situações que mudam a cada dia. O brasileiro está pessimista e incerto sobre o seu futuro, e isso, impacta diretamente os negócios e o crédito”, identifica a executiva.

Os dados da pesquisa apontam que 32% dos entrevistados não sabe quando a situação econômica do País vai melhorar significativamente, seguido por 24% que estão positivos para 2018, e 18% que apostam no primeiro semestre do ano que vem.

Os especialistas ainda ressaltam que, embora a expectativa para a decisão de continuar ou não o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (que deve ser votada pelo plenário no próximo domingo, dia 17) esteja “eufórica”, a espera pelo voto dos deputados ainda é só “uma primeira fase”.

“Enquanto nós não tivermos uma decisão bastante clara, não tem como pensar em melhora. Todo mundo pensa que domingo estará tudo resolvido, mas não estará, porque depois disso ainda enfrentaremos uma situação jurídica bem complicada” diz Érico Sodré Ferreira, presidente da Acrefi.

Depois da votação dos deputados, o senado terá até 11 de maio para votar e, após isso, a Constituição ainda prevê esse julgamento para acontecer em até seis meses.

Sodré ainda destaca que o cenário bancário de restrição ao crédito não mostrará nenhuma mudança.

“Tudo é só uma expectativa, porque a economia não mudou. Então, se você tem um risco de inflação alta que consumiu a renda, desemprego e endividamento crescendo e uma economia em baixa, é óbvio que você não vai incentivar o crédito. Essas medidas que o governo quer adotar para liberar crédito, talvez funcionem para Caixa, para o Banco do Brasil e BNDES, que dão recursos pra qualquer um, porque crédito com responsabilidade, não vai dar”, avalia ele.

Os especialistas enaltecem, no entanto, que diante de alguma certeza no cenário macroeconômico, a percepção do consumidor possa “mudar de ânimo”. “Se conseguíssemos a certeza de alguma mudança, talvez esse cenário não melhoraria porque é pouco tempo, mas também não pioraria; ele se estabilizaria. A crise tem uma parte emocional que influencia muito, então mesmo com a solução política, o emocional do brasileiro será impactado. Eu acho que é fácil pelo menos reverter essa percepção, dar uma melhorada nela, mas tem que ter uma mudança, porque o consumidor enxerga isso como algo favorável”, completa Salmeirão.

Pequenas empresas

Em relação à situação de crédito para micro e pequenas empresas, por sua vez, a expectativa se assemelha ao visto na predisposição de tomada de crédito das pessoas físicas.

De acordo com Marcelo Monteiro, diretor de novos negócios da PH3A, “o score [risco de crédito] dessas empresas é muito correlacionados ao score dos sócios da companhia”.

“Os bancos estão com olhos mais cautelosos pra esse segmento. E em um cenário em que as empresas, talvez, estejam dispostas a pegar empréstimos ou financiamentos, eu espero que elas só estejam procurando crédito se, de fato, for alguma real oportunidade de negócio que as permita investir e florescer. Se for pra resolver problema de passado, é um movimento que pode levá-la à situações ainda mais graves”, explica Monteiro.

“Normalmente, as pequenas empresas vivem apertadas. Quanto menor a empresa, maior é a fusão entre o empresário e a pessoa jurídica. Inclusive pequeno empresário, muitas vezes, acaba tomando empréstimo como pessoa física para fazer a gestão da empresa que tem”, complementa Sodré, presidente da Acrefi.

Salmeirão, da TNS Brasil, ainda lembra que o desenrolar geral da economia depende da capacidade política do País de desenvolver as medidas fiscais necessárias. Além disso, caso essa situação não ocorra, ou demore, impacta tanto pessoas físicas quanto as próprias companhias. “O crédito não está mais fácil de conseguir então, a não ser que você tenha todos os requisitos, você não consegue pegar o recurso, e a maioria se encontra nessa situação”, explica ela.

Segundo Monteiro, apesar da previsão de retomada para o começo de 2017, no entanto, o “momento de espera” de solução política, pode ser “fatal” para as pequenas empresas.

“Para aquelas que estão com fôlego curto, esses períodos muito longos de incerteza, são perigosos, porque elas já não têm muita estrutura pra sobreviver. Há um limite de corte de gastos que leva para um limite tão justo que quanto mais o tempo passa, maior a chance de mortalidade. O fator tempo é muito complicador e traz uma situação ruim pra esse setor”, comenta o executivo.

DCI – 15/04/2016

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Fechamento da fábrica da Arno em São Paulo vai afetar 450 funcionários

SÃO PAULO  –  O grupo francês SEB, dono da marca Arno e Panex no Brasil, informou nesta noite que o fechamento da fábrica de eletroportáteis da Arno no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo, vai afetar cerca de 450 funcionários. A fábrica emprega 625 pessoas.

A nova unidade que irá produzir os produtos da Arno está sendo construída em Itatiaia, no Rio de Janeiro, “já se encontra em fase avançada de construção e com inauguração prevista para novembro deste ano”, informou o grupo, em nota.

“A transferência [da produção] acontecerá de forma faseada, com previsão de início para novembro de 2016 e finalização em outubro de 2017”, informou a SEB, em nota.

A sede do Grupo SEB e as áreas de pesquisa e desenvolvimento, compras, marketing, comercial e financeira, permanecem em São Paulo. As demais unidades industriais, de São Bernardo do Campo (SP) e de Jaboatão dos Guararapes (PE), continuam a operar normalmente.

O grupo SEB, em seu balanço financeiro referente a 2015, informava que continuava a reorganizar sua base de produção no Brasil para melhorar a competitividade — classificou o pais como mercado desafiador e de ambiente monetário difícil.

No ano passado, as vendas globais da SEB somaram 4,77 bilhões de euros, alta de 12,1%.

Valor Econômico – 15/04/2016

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Salário de executivo tem perda real

O estudo da consultoria britânica Hays, em parceria com a ESPM, mostrou que 72% dos executivos tiveram aumento salarial de até 10% – abaixo do acumulado da inflação oficial, de 10,67%. Em 2014, 46% deles haviam tido perdas salariais.

Segundo a pesquisa, entre os executivos entrevistados que se mantiveram no emprego, sete em cada dez profissionais tiveram perda real de salário no ano passado.

O levantamento aponta que 20% de profissionais que atuam em cargos de média e alta gestão no Brasil chegaram ao fim de 2015 desempregados. O número é o mais alto da série histórica. Ao longo de 2015, 37,18% dos demitidos tinham idade acima de 51 anos.

DCI – 15/04/2016

Redação On abril - 15 - 2016
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