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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






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Minério de ferro fica acima de US$ 60 com dados da China

Preços sobem há três dias; avanço este ano chega a 39%

O minério de ferro continua agradando aos que apostam na alta dos preços. Golpeada nos últimos três anos, a matéria-prima voltou a custar mais de US$ 60 por tonelada depois que a divulgação de dados da China se somou aos sinais de possível recuperação da maior economia da Ásia e que a expansão das margens das siderúrgicas locais estimulou o aumento da demanda.

Nesta quarta-feira, o minério com 62% de conteúdo entregue a Qingdao, na China, subiu 2,1%, para US$ 60,48 a tonelada, maior nível registrado desde 8 de março, segundo a Metal Bulletin. Os preços subiram por três dias, levando o avanço deste ano a 39%. Trata-se de uma recuperação em relação a 2015, quando o valor de referência caiu 39% devido ao excedente global e ao enfraquecimento da demanda por aço na China.

A matéria-prima registra uma alta surpresa em 2016 após as autoridades chinesas sinalizarem que estão preparadas para estimular o crescimento econômico do país, as siderúrgicas aumentarem as aquisições mesmo em meio ao aumento dos estoques portuários e o avanço dos preços do aço. Dados divulgados nesta quarta-feira mostraram que as exportações totais da China deram o maior salto em um ano, sinalizando que a segunda maior economia do mundo pode estar se estabilizando.

‘Mais dispostas’

As ações das mineradoras subiram. A Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, chegou a subir 8,4% em São Paulo, sua maior alta intradiária desde outubro. A Rio Tinto chegou a 6,9% em Londres após subir em Sidney ao maior nível desde novembro. As ações da Cliffs Natural Resources, maior produtora da América do Norte, subiram 6,8%, maior nível desde setembro.

— Como as margens estão muito elevadas atualmente, as siderúrgicas têm um incentivo para formarem estoques de aço — disse Zhao Chaoyue, analista da China Merchants Futures em Shenzhen. — Elas estão mais dispostas também a aceitar preços mais elevados para o minério de ferro.

As siderúrgicas da China, que respondem por cerca de metade da produção global, vêm aumentando a produção após a desaceleração do Ano-Novo Lunar, em fevereiro, enquanto os preços das propriedades em algumas cidades maiores aumentaram. O aumento dos preços do aço melhorou suas margens de lucro, revertendo o aperto do ano passado.

Índice de lucratividade

A barra de reforço, usada na construção, subiu 32% na China em 2016 após cinco anos de perdas. Em Xangai, os contratos futuros fecharam nesta quarta-feira no nível mais elevado desde junho. Os contratos futuros das bobinas laminadas a quente também subiram neste ano. Isso ajudou a elevar o índice Bloomberg Intelligence China Steel Profitability ao maior patamar em quase cinco anos.

As aquisições internacionais de minério de ferro da China subiram 6,5%, para 242 milhões de toneladas, nos três primeiros meses do ano, segundo dados aduaneiros divulgados nesta quarta-feira. É provável que mais siderúrgicas da China retomem a produção à medida que as margens melhorarem, contribuindo para os volumes de importação de minério de ferro deste mês, disse o Citigroup em um relatório. Os dados de crescimento econômico do primeiro trimestre, assim como a produção industrial, incluindo a produção de aço bruto, deverão ser divulgados na sexta-feira.

A recuperação do minério de ferro é a consequência de um ambiente macroeconômico mais favorável, com menor aversão ao risco e um dólar mais fraco, segundo Artur Manoel Passos, economista do Itaú Unibanco em São Paulo, que estima que os preços médios serão de US$ 46 neste ano com o aumento do volume excedente. Segundo ele, a alta é insustentável. O economista projeta que a oferta global abundante poderá se expandir.

Uma maior oferta das minas de baixo custo pode estar a caminho neste semestre. A australiana Fortescue Metals Group, quarta maior exportadora do mundo, disse na quarta-feira que poderá superar seu guidance de embarques anuais depois que seus carregamentos tiveram uma alta de 6% no período de três meses até março. O projeto Roy Hill, da bilionária australiana Gina Rinehart, em Pilbara, também está ampliando a produção neste ano rumo à meta anual de 55 milhões de toneladas.

— Nós continuamos a esperar que ambos os mercados de minério de ferro e de aço tenham grandes excedentes neste ano — disse Caroline Bain, economista de commodities da Capital Economics. — Esperamos que os preços do minério de ferro e de aço voltem a cair drasticamente à medida que nos aproximamos da segunda metade do ano.

Fonte: G1

Redação On abril - 14 - 2016
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