Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 18 de Novembro de 2017






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Previsão para taxa de juro ao fim de 2016 cai para 13,75%, traz Focus

SÃO PAULO  –  (Atualizada às 9h18) Depois de não alterar a projeção para o juro básico da economia em 2016 por oito semanas consecutivas, os economistas de mercado reduziram a aposta em 0,50 ponto percentual. Esse movimento ocorre justo no momento em que o Banco Central (BC) reforça a mensagem de que não deve cortar o juro tão cedo por causa dos riscos de aumento da inflação.

No relatório Focus divulgado hoje, a mediana das estimativas para a Selic ao fim deste ano saiu de 14,25% para 13,75%. Para o fim de 2017, permaneceu em 12,50%. Entre os analistas Top 5, aqueles que mais acertam as previsões, a mediana das projeções passou de 14,25% para 13,25%. Esse grupo também reduziu a expectativa para a Selic ao fim do próximo ano, de 12% para 11,75%.

Essa esperada queda de juro pode responder à revisão para o dólar no fim de 2016, que saiu de R$ 4,15 para R$ 4. Um real mais apreciado tende a dar alívio para a inflação. No Focus de hoje, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu, pela quarta vez seguida, indo de uma alta de 7,31% para 7,28%.

Essas revisões ocorreram ao mesmo tempo que o BC divulgou o Relatório de Inflação do primeiro trimestre, na quinta-feira passada. Nele, a autoridade diz textualmente que não há espaço no momento para baixar os juros. Nas projeções do BC, a inflação segue acima da meta, embora a taxas abaixo das previstas pelo mercado. Para 2016, o BC prevê IPCA de 6,6% (contra 6,2% antes). O risco de estourar o teto neste ano foi calculado em 55%. Para alguns analistas, a elevação da estimativa do BC para o avanço do IPCA e a mensagem de que o juro não será reduzido ocorreram justamente porque as expectativas de mercado para a inflação seguem deterioradas. A previsão para o IPCA em 12 meses, por exemplo, só há pouco deixou de estar acima do teto da meta. No Focus de hoje, ficou estacionada em 6,48%.

PIB

Pela 11ª vez consecutiva, os analistas consultados pelo BC reduziram a estimativa para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, desta vez de queda de 3,66% para contração de 3,73% neste ano. No caso de 2017, a projeção foi revista pela terceira vez, de expansão de 0,35% para 0,30%.

O relatório Focus mostrou ainda a projeção de um recuo de 5,80% na produção da indústria neste ano, dado revisado de uma queda de 4,40% esperada anteriormente para o mesmo período. Para o próximo calendário, quando se espera certa recuperação, a estimativa saiu de crescimento de 0,85% para elevação de 0,69%.

Valor Econômico – 04/04/2016

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FGV: Inflação abranda no fim de março em todas as capitais analisadas

SÃO PAULO  –  O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) desacelerou nas sete capitais que compõem o indicador na passagem da terceira para a medição final de março, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

A menor taxa foi registrada em Salvador, onde o IPC-S saiu de alta de 0,37% para 0,15% no período. Em seguida, apareceram Brasília (0,40% para 0,23%), Recife (0,59% para 0,34%), Belo Horizonte (0,63% para 0,45%), Rio de Janeiro (0,50% para 0,49%), São Paulo (0,77% para 0,64%) e Porto Alegre (0,75% para 0,70%).

Na média das sete capitais, o IPC-S foi de alta de 0,61% para elevação de 0,50% da terceira para a quarta quadrissemana de março.

Valor Econômico – 04/04/2016

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Governo quer elevar impostos em 2017

Mesmo na remota hipótese de o Congresso Nacional aprovar a recriação da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), o governo vai tentar aumentar impostos, sobretudo os que incidem sobre a renda, a partir de 2017. As propostas deverão ser encaminhadas ao Congresso Nacional ainda neste semestre, segundo tem dito o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa.

Os estudos vão na direção de tornar a tributação pelo Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) mais progressivo, mirando nas rendas mais elevadas. A ideia é criar mais faixas e alíquotas.

As modificações deverão atingir ainda as pessoas jurídicas mas, também nesse caso, o alvo são as altas rendas. O governo vai cobrar mais das pessoas que recebem salário como se fossem empresas.

Há, também, uma medida que em tese não é destinada a aumentar a arrecadação, e sim a melhorar o ambiente para os negócios. A proposta de reforma do PIS/Cofins, discutida há alguns anos pelo governo, está praticamente pronta. Esse é o tributo mais complexo do sistema brasileiro, e a proposta simplifica a forma como ele é calculado. Alguns setores afirmam, porém, que terão aumento da carga com a mudança.

Tudo isso, evidentemente, não leva em consideração o quadro político e a possibilidade de afastamento da presidente Dilma Rousseff. A equipe econômica vem trabalhando em ritmo acelerado para apresentar ao Congresso Nacional as medidas de ajuste nas contas públicas que considera necessárias, ainda que a possibilidade de aprovação delas, no momento, seja muito baixa.

São ideias válidas mesmo num cenário pós-impeachment, conforme indicou Barbosa em reunião na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), na semana passada. Ele afirmou que os problemas fiscais do País não serão eliminados num passe de mágica “por qualquer que seja a solução política encontrada para o problema atual”, e que o desafio é enfrentar a rigidez das despesas e recuperar as receitas do governo.

As alterações em estudo poderão resultar em aumento da arrecadação, segundo informou o ministro. Mas o governo só poderá contar com o dinheiro extra a partir de 2017, porque o princípio da anterioridade, previsto na Constituição, diz que os aumentos de impostos só poderão entrar em vigor no ano seguinte à sua aprovação pelo Congresso Nacional.

Os estudos para mudanças no IRPF foram iniciados no ano passado. Pressionado pelo PT, que queria medidas para tributar o chamado “andar de cima”, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, chegou a confirmar mudanças no Imposto de Renda, que acabaram não sendo encaminhadas.

Para fechar as contas neste ano e no próximo, o governo quer mesmo é a volta da CPMF. Por se tratar de uma contribuição – e não de imposto –, ela pode começar a ser cobrada 90 dias após a aprovação. Assim, a expectativa é que haja ingresso de R$ 10 bilhões ainda em 2016.

Carga menor. Barbosa tem utilizado dados da arrecadação federal, que está em queda, para rebater a ideia de que não há mais espaço para aumentar tributos. Dados do Tesouro Nacional mostram que as receitas primárias (não financeiras) do governo federal foram equivalentes a 21% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, um nível próximo aos 21,5% do PIB de 2002. Isso, depois de ter atingido um pico de 23,6% do PIB em 2010, um ano de forte crescimento.

“Sim, a carga tributária baixou”, disse o economista José Roberto Afonso, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV). “Por que devemos mexer na receita antes de tentar mexer no gasto?”, questionou.

Aumentar as alíquotas do IRPF, disse Afonso, não atingirá os maiores salários do País, porque as pessoas de alta renda recolhem como pessoas jurídicas. “Alcançará basicamente só servidores e funcionários de empresas estatais e multinacionais, com um ganho provável pequeno e cada vez menor de arrecadação.”

Ele observou, também, que a CPMF é o mais regressivo dos tributos. “Quem quer melhorar a progressividade do sistema tributário brasileiro deveria começar rejeitando a CPMF”, afirmou.

Para analistas de orçamento da Câmara dos Deputados, utilizar os dados da arrecadação dos últimos anos para justificar aumentos de impostos é algo questionável. Isso porque o recolhimento de receitas foi provocado principalmente pela retração da atividade econômica e, possivelmente, porque empresas estão deixando de recolher tributos para fazer caixa.

Em tese, a carga deveria ter aumentado no ano passado, quando foram revertidas diversas desonerações tributárias adotadas a partir de 2008. Porém, o que se viu foi uma queda de 0,5 ponto porcentual de PIB nas receitas primárias do governo central.

A hipótese de as empresas estarem trocando empréstimos bancários pelo dinheiro que seria utilizado para pagar tributos foi admitida pelo ministro da Fazenda na reunião da CAE.

Ele disse que o governo tenta minimizar esse problema oferecendo mais linhas de crédito, sobretudo as destinadas ao capital de giro.

O Estado de S.Paulo – 04/04/2016

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Diagnóstico errado agrava problemas

O Brasil tende a ser acostumar com períodos de bonança, assim como outros países emergentes, e acaba tendo dificuldade para perceber a aproximação de épocas de retração, alerta o economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn.
Pior ainda, quando identificada a queda, ela resulta frequentemente em diagnósticos errados. No fim do governo Lula e durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, houve estímulos que não trouxeram resultados esperados e elevaram gastos públicos.

Na avaliação do economista, é preciso um debate sério e um acordo sobre o tamanho que o Estado deve ter. “Se a sociedade tem hoje ojeriza a aumentar imposto, então tem de ter ojeriza ao excesso de gastos”, avisa.

Caso se façam reformas, como a da Previdência, os resultados virão rapidamente na forma de retomada de investimentos. A paralisia, por outro lado, além de elevar os problemas sociais, pode levar o país a ficar vulnerável a uma crise mais grave.

Ilan Goldfajn foi diretor do Banco Central no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Permaneceu no cargo até meados de 2003, já no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Não só no Brasil, nas economias emergentes tende-se a achar que o boom é permanente e que a queda é temporária, quando na verdade o ideal é pensar o contrário: que os períodos de vacas gordas não vão ser para sempre e que as quedas, quando vêm, exigem ajuste.”

É possível contar com mudanças de política econômica neste ano?
Não se sabe, pois há dificuldades políticas e fiscais. As medidas que precisam ser tomadas não são populares. Há uma grande incerteza.

É possível reverter o deficit primário?
Há possibilidade de reduzir, mas não há condições de mudar tudo de um ano para o outro, devido à queda da arrecadação, às despesas obrigatórias que sobem. É possível ir melhorando devagarzinho.

Em qual ritmo?
O melhor possível. Precisamos chegar a um superavit primário de 2% a 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Hoje temos um deficit de cerca de 1,5%. Então, estamos falando de um ajuste de 4% do PIB. O mais rapidamente que pudermos chegar, lá será melhor.

Qual o horizonte razoável para fazer isso?
Pelo menos dois ou três anos.

O ajuste realizado no ano passado é considerado por críticos como a razão para a economia ter desandado. Qual sua avaliação?
Acho que isso é culpar o médico pela doença, que vem lá de trás e ninguém faz nada. O paciente chega muito debilitado e o médico consegue fazer com que ele reaja. Mas acabam culpando o profissional por ele não ter feito a pessoa sair saltitando. A gente tem de culpar é a falta de prevenção anterior. O ajuste no ano passado foi imperfeito, porque falta apoio político, força para tomar as medidas necessárias. Não vai ser fácil andar para frente.

O ajuste fiscal precisa vir pelo lado da despesa, da receita ou de ambos?
O lado da despesa é o que precisa ser trabalhado com maior cuidado. Você não consegue fazer tudo de uma vez. Uma reforma da Previdência mexe com o lado da despesa, ainda que tenha impacto só daqui a 20 ou 30 anos. É possível que precise de uma medida de curtíssimo prazo pelo lado da receita para ajudar, na transição, a levar esse deficit de 1,5% a um superavit de 2,5%. É muito difícil conseguir apoio para isso, porque a sociedade está um pouco cansada de pagar para resolver o buraco do governo.

Mesmo um eventual novo governo teria dificuldades?
Teria mais chance de conseguir, mas não acho que é fácil.

A Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) seria uma alternativa razoável?
Nenhum imposto é razoável, mas talvez seja necessário.

A reforma da Previdência, mesmo que só tivesse impacto daqui a 20 ou 30 anos, teria resultado positivo?
Teria impacto imediato na confiança, porque a dúvida é a trajetória ao longo do tempo. Se você tem medidas que fazem a trajetória ser boa no futuro, elas têm impacto no presente. Às vezes não precisa fazer os cortes no dia ou na hora, precisa é indicar uma trajetória favorável. Isso aumenta a confiança, faz as pessoas investirem, o PIB volta a crescer e você já tem uma trajetória melhor.

Neste ano e no próximo, poderia haver uma volta do investimento por uma reversão de expectativas?
A chave da mudança é a capacidade de aprovar ajustes. Qualquer governo, a qualquer momento, se mostrar que há capacidade de fazer ajuste, de criar consenso, faz a diferença. Há outras reformas além da previdenciária: criação de teto para despesas, tributária, política. E, fazendo isso, os investimentos vêm rápido. A mudança de confiança é muito rápida. Não significa que os problemas não vão mais existir.

Por que a resposta dos investimentos é imediata?
Estamos há 13 trimestres com queda de investimentos. Você tem hoje uma posição de muita gente de parar e esperar o melhor momento. À medida que houver um alívio, que ficar menos incerto, isso pode destravar rapidamente. Há um estoque reprimido de investimentos que está à espera de uma solução.

Podemos ter queda do PIB no próximo ano?
Sim, mas acho que teremos dois anos de queda e o próximo, mais ou menos zerado.
A conjuntura internacional pode colaborar?
Ela está colaborando agora, pois há expansão monetária, com juros baixos no mundo. Isso traz certo alívio, com fluxo de capital para países emergentes, inclusive o Brasil. Esse é o cenário favorável hoje. À medida que a economia global vai melhorando, você sai dessa situação de emergência, os juros vão subindo, você tem menos estímulo para o Brasil. Isso favorece aqui um dólar mais fraco, juro mais baixo. É claro que, com a economia melhorando, eventualmente crescimento vai melhorar e a demanda, também.

Quando os juros vão subir nos Estados Unidos?
Acho que haverá um aumento mínimo neste ano, de 0,25 mais 0,25 ponto, totalizando meio ponto. É um aumento mínimo, mas seguro. Isso já está precificado. O que não está precificada é a possibilidade de três ou quatro aumentos.

E a inflação aqui?
A inflação está caindo nos cenários mais prováveis. É claro que, nos cenários extremos, se tiver o dólar disparando de novo, isso não acontece. Se houver uma crise, uma falta de confiança, isso pode acontecer. Também em caso de paralisia. Se você não faz nada, fica sujeito a esses acidentes.

Há espaço para queda de juros neste ano?
Acho que sim. Se a inflação continuar caindo, no segundo semestre, o Banco Central vai baixar a Selic. A inflação já foi 11% no ano passado. Se ela for na direção que a gente está esperando, que é perto de 7%, vai ser uma tentação enorme baixar os juros num país que está em recessão. Voltar ao centro da meta vai demorar um pouquinho mais.

O BC deveria ser mais conservador e mostrar que tem um compromisso maior com a meta de inflação, mantendo os juros altos?
Ele já vai fazer isso no primeiro semestre.

A decisão de não subir juros no início deste ano foi correta?
Foi, mas não foi bem comunicada. Deu impressão de uma decisão de última hora, mal explicada.

E o começo das quedas em 2011, foi correto?
Foi um pouco precipitado.

Foi isso que levou a inflação a um patamar alto?
Nos últimos anos, a gente conviveu com uma inflação mais alta do que deveria, mas o problema não foi a política monetária, foram os congelamentos (de preços administrados), que geraram expectativa ruim.

Quando a situação começou a desandar?
No segundo governo Lula, já se começa a ter distorções, intervenções. A coisa foi aumentando e culminou nos últimos anos, no governo Dilma.

Faltou vigilância do mercado da sociedade?
A sociedade, no começo, no boom de commodities, que foi até 2010, apoiou porque o dinheiro estava vindo, os recursos eram abundantes, então ninguém via defeito. Qualquer política nessa situação parece boa. E então você começa a ter políticas ruins, porque o resultado não muda muito, só se altera a longo prazo. A partir de 2010, teve um certo diagnóstico errado do porquê de a economia estar desacelerando e um voluntarismo não só do governo, mas da sociedade: vamos fazer alguma coisa, dar mais dinheiro aqui, desonerar ali. Tudo isso foi um voluntarismo de reação ao fim do boom. Reagindo errado, com um diagnóstico equivocado, há resultados ruins. Estamos pagando hoje.

O erro foi não perceber o fim do boom?
Sim. Achou-se que era uma situação temporária, que estava faltando estímulo, faltando demanda, e que empurrando um pouquinho ela viria.

Isso é uma doença frequente no Brasil, não?
Não só no Brasil, nas economias emergentes tende-se a achar que o boom é permanente e que a queda é temporária, quando na verdade o ideal é pensar o contrário: que os períodos de vacas gordas não vão ser para sempre e que as quedas, quando vêm, exigem ajuste.

O governo lançou um pacote de estímulo com incremento de linhas de crédito. Há demanda para isso?
No momento, não. O que há é a situação de esperar para ver, portanto, há menos demanda por crédito. Oferta e demanda caíram, mas não há carência.

Então as medidas são inócuas?
Acho que, se você tentou e não deu certo, ao tentar de novo, é difícil esperar um resultado diferente.

Das despesas do governo, 91,5% são obrigatórias. Como se resolve isso?
Será preciso mudar as leis, rediscutir se o Estado tem a capacidade de fazer tudo o que promete. O ideal é fazer escolhas: o que a gente acha que será o melhor uso dos recursos do Estado. Isso envolve rediscussão de benefícios, gastos, e adequação à receita que existe. Se a sociedade tem hoje ojeriza a aumentar imposto, então tem de ter ojeriza ao excesso de gastos.

Correio Braziliense – 04/04/2016

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Indicadores apontam trimestre muito fraco

A série de indicadores industriais ruins divulgados semana passada, que culminou com a queda de 2,5% da produção em fevereiro sobre janeiro, feitos os ajustes sazonais, apontam uma atividade econômica ainda muito enfraquecida no primeiro trimestre deste ano, como já esperado. O patamar de produção voltou ao do início de 2004 e corrobora a previsão do Banco Central de uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) industrial, de 5,8%, até maior que a estimada pelo mercado, de 4,88%.

Na indústria, os sinais são de novas quedas à frente, pois o setor que fornece insumos para os demais segmentos – o de bens intermediários – recuou 2% em fevereiro sobre janeiro, eliminando a recuperação ensaiada em dezembro e janeiro. Esse setor costuma dar os primeiros sinais, tanto de recuperações quanto de quedas. O primeiro bimestre encerrou com uma produção, em média, 2,2% menor que a do quarto trimestre de 2015, o que reforça a avaliação de nova queda expressiva do PIB do primeiro trimestre deste ano.

Além do IBGE, outros indicadores mostraram uma indústria combalida, como o recuo no consumo de energia elétrica, no faturamento real, no emprego, no rendimento médio real do trabalhador e na massa salarial, quando fevereiro é comparado com o mesmo período do ano passado.

Entre os dados, os mais contundentes talvez sejam os da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sobre a demanda de energia no setor em fevereiro. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 7,2%. No corte por segmentos, há recuos muito mais expressivos que a média, indicando o quanto as fábricas estão ociosas. No setor de extração de minerais metálicos a queda de 19,4% responde aos efeitos do acidente da Samarco, em Mariana. Em outros, o recuo vem da recessão. É o caso do setor têxtil, que demandou 17% menos energia que em fevereiro do ano passado. O setor automotivo consumiu 13,4% menos.

A contínua queda de produção tem mantido a indústria com uma ociosidade grande. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que a utilização da capacidade instalada no setor foi de 77,6% em fevereiro, enquanto a Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou uso de 73,1% em março. As pesquisas têm diferenças metodológicas, mas apontam na mesma direção.

Em seu levantamento, a CNI informou também que o faturamento da indústria recuou 9,9% em termos reais em fevereiro e no primeiro bimestre a queda é de 12,3% sobre 2015. Em vários setores, o recuo supera muito a média do setor, como no automotivo (-33,3%), vestuário (-22,4%), móveis (-22,5%), metalurgia (-16,9%), etc. Esses dados têm se refletido sobre o emprego, onde a indústria vem fazendo um longo ajuste.

Dados do comércio e dos serviços também não trazem alento. O consumo de energia nesses dois setores teve a maior queda em 12 anos em fevereiro (menos 4,8%). O índice de confiança do comércio caiu 1,7 ponto, o do consumidor recuou 1,4 em março, e o de serviços ficou estável. Todos continuam perto das mínimas históricas.

Para Vinícius Botelho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), a retração da indústria em fevereiro, feitos os ajustes sazonais, veio dentro do esperado, e não invalida a percepção de que as quedas do setor serão menores nos próximos meses.

Segundo ele, indicadores qualitativos como o Índice de Confiança da Indústria (ICI) – que subiu 0,4% em março – são consistentes com a ideia de que a retração do setor será menor daqui para frente. “Os estoques estão melhorando lentamente, mas melhorando, o que indica que em algum momento deste ano a indústria sentirá seu fundo do poço”, comentou o economista, para quem a redução de 6% a 7% prevista para o PIB industrial neste ano pode ser um pouco menor.

A combinação dos dados da produção com os de volume exportado e importado indicam que sem o comércio exterior o resultado da indústria teria sido ainda pior. No primeiro bimestre, o volume exportado de bens manufaturados aumentou 15,6% sobre igual período do ano passado, mas a produção total da indústria de transformação caiu 11% na mesma comparação. Já a importação de matérias-primas e bens intermediários caiu 27% em volume, enquanto a produção local de intermediários ficou 10% menor.

Valor Econômico – 04/04/2016

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Instituições têm só 3% do sistema financeiro

As cooperativas de crédito ainda ocupam uma fatia pequena na “pizza” do sistema financeiro brasileiro, de apenas 3%. Mas a cada dia estão ficando mais parecidas com grandes bancos, ofertando toda gama de produtos financeiros, registrando lucros na casa do bilhão e ocupando espaços antes restritos a grandes bancos nacionais ou internacionais.

Em maio, a Sicredi, uma das maiores do País e que no ano passado lucrou R$ 1,4 bilhão, vai inaugurar uma agência de 750 metros quadrados em plena Avenida Paulista, um dos endereços mais caros do País. Também neste ano, o logotipo da Sicredi passou a ser visto nas rodadas do Campeonato Brasileiro de Futebol – a cooperativa patrocina diversos clubes de menor porte.

A Sicredi também está empreendendo um crescimento para toda a região Nordeste. Até o fim do ano, a cooperativa terá agências em 20 Estados brasileiros.

Agências. Essa expansão por todo o País já faz das cooperativas de crédito a segunda maior rede de agências do País, atrás apenas do Banco do Brasil, segundo dados do Banco Central. Se postos de atendimento e caixas eletrônicos forem incluídos na conta, a importância das cooperativas fica um pouco reduzida, mas mesmo assim elas ainda ocupam o sexto lugar.

De acordo com estudo realizado pela consultoria alemã Roland Berger, as cooperativas de crédito têm hoje potencial para se tornarem um antídoto à grande concentração bancária no País, que ficou ainda maior depois que o HSBC foi comprado pelo Bradesco, em 2015.

Até o fim deste ano, há a expectativa de que o americano Citibank deixe o varejo brasileiro – entre seus potenciais compradores destacam-se dois bancos já bastante fortes no mercado, como o Itaú e o Santander. Hoje, o domínio que instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander têm do setor é considerado mais forte na comparação com o resto do mundo.

Aposta. Embora a concorrência no mercado esteja cheia de “pesos-pesados”, o presidente da Sicredi, Edson Nassar, diz que há muito espaço a ser ocupado pelas cooperativas. “Temos 97% do mercado a conquistar”, diz Nassar, em referência à fatia de 3% das instituições no sistema financeiro.

A Sicredi não está sozinha na busca de uma atuação mais abrangente. Desde que o Banco Central (BC) permitiu que as cooperativas de menor porte deixassem de ser exclusivas de uma categoria, a Confresol tem investido para conquistar clientes fora do setor agrícola, sua origem. A Confesol tem hoje convênio com o Banco do Brasil e a Rede 24 horas para que seus clientes possam efetuar saques em caixas eletrônicos.

Para ficarem cada vez mais comparáveis aos bancos, as cooperativas também oferecem investimentos. A mais clássica é o RDC, uma espécie de depósito a prazo remunerado que oferece entre 10% e 12% de remuneração por ano, em média. O presidente da Unicredi, Léo Trombka, diz que a cooperativa só não oferece caderneta de poupança.

Limitações. Quanto mais clientes conquistarem, mais as cooperativas vão conseguir ampliar sua capacidade de emprestar dinheiro, hoje ainda limitada em função do volume de ativos. Os recursos para concessão dos financiamentos hoje vêm basicamente dos depósitos, do volume de capital próprio dos associados e de linhas repassadas por bancos, entre eles o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O Estado de S.Paulo – 04/04/2016

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Dívida é herança da crise que abalou resultados de 2015

O endividamento elevado será a “herança maldita” de 2015 para as companhias brasileiras de capital aberto. Num ano em que o lucro das empresas com ações negociadas na bolsa encolheu 29%, a dívida financeira líquida das companhias cresceu 24%, em relação a 2014, superando a cifra do meio trilhão de reais, aos R$ 539 bilhões.

A amostra não considera os dados de Petrobras, Vale e Eletrobras, que pelo gigantismo, distorcem a análise. Com as três companhias, incluindo a petroleira, que é a segunda empresa mais endividada do mundo, a dívida líquida das empresas atingiu R$ 1,1 trilhão, 30% acima dos R$ 822 bilhões no ano anterior.

Apesar de 2016 ter começado com um arrefecimento do dólar, como resultado do agravamento da crise política interna e da indicação dos Estados Unidos de uma alta de juros mais gradual, e com aumento do preços das commodities, a dívida elevada em 2015 deverá ser carregada pelas empresas neste ano. A inadimplência tende a seguir alta, num momento que as empresas contam com menos alternativas de refinanciamento e reduzido fluxo de caixa.

Considerando as duas estatais e a mineradora, a alavancagem total das empresas de capital aberto, medida pela relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), chegou a 5,1 vezes ao fim de 2015, contra 4 vezes em 2014. Sem as três gigantes, o indicador atingiu 2,6 vezes, alta de 0,4 ponto na base anual.

“Setores com alavancagem maior tiveram impactos mais severos. Tiveram um Ebtida menor para pagar dívida mais cara”, observa o estrategista do banco Votorantim, André Parize.

A relação entre dívida e patrimônio líquido das empresas atingiu 90,3% e 72,3%, nas duas bases, em patamares bem acima dos históricos. Em 2010, o indicador estava em cerca de 40%.

O patrimônio líquido das empresas foi afetado em 2015 pela queda no lucro, por conta da redução da atividade econômica, pelo aumento do endividamento, devido à desvalorização do real em relação ao dólar e por baixas contábeis por redução ao valor recuperável dos ativos, o chamado “impairment”.

A Petrobras, por exemplo, viu sua dívida líquida em reais atingir R$ 392 bilhões ao fim de 2015, num aumento de 39% em relação a 2014, devido principalmente à valorização do dólar de 47% no ano. A alavancagem (dívida sobre Ebitda) da petroleira chegou a 5,21 vezes, contra 4,77 vezes ao fim do ano anterior.

“Isso ilustra bem o quanto a Petrobras precisa que os preços das commodities voltem para níveis mais altos”, afirmaram os analistas do BTG Pactual, em relatório posterior ao balanço.

A Vale anunciou, junto aos resultados anuais, medidas abrangentes para reduzir seu endividamento, dos US$ 25,2 bilhões ao fim de 2015, para US$ 15 bilhões em 18 meses. “Estamos ativamente explorando opções mais agressivas para desalavancagem, incluindo a venda de ativos ‘core’ [essenciais]”, anunciou o presidente da Vale, Murilo Ferreira.

Segundo o BTG Pactual, uma dívida na casa de US$ 15 bilhões reduziria a alavancagem da Vale abaixo de 3 vezes, considerando que o preço do minério fique acima de US$ 40 a tonelada.

Nesse cenário de deterioração do perfil de liquidez, e com o aumento do risco Brasil, após a perda do grau de investimento, as companhias terão em 2016 que renegociar dívidas num ambiente de escassez de crédito.

“Os segmentos corporativo e de pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam menor geração de caixa e aumento do custo de captação, tanto no mercado doméstico como no exterior e poderão ter maiores dificuldades de financiamento”, escreveu a Fitch Ratings, em relatório recente.

A agência de classificação de risco estima que o crescimento do crédito no Brasil deve permanecer baixo em 2016, “devido às severas condições econômicas, à modesta demanda por crédito e ao baixo apetite por risco dos bancos”, conforme o relatório.

Diante dessa realidade, as altamente endividadas Oi e Gol anunciaram a contratação da consultoria americana PJT Partners para assessorar na reestruturação financeira das empresas.

Com estrutura de capital considerada “insustentável” pela agência Moody’s, a companhia aérea de Constantino de Oliveira Jr. tenta evitar a recuperação judicial, reduzindo operações e renegociando dívidas – que totalizavam R$ 9,3 bilhões ao fim de dezembro. A Gol descartou a injeção de recursos por acionistas, apesar de ter fechado 2015 com patrimônio negativo em R$ 4,3 bilhões e relação dívida sobre Ebitda acima de 11 vezes.

Já a operadora de telefonia, em apuros financeiros agravados depois da frustrada tentativa de fusão com a TIM, faz parte do time de empresas que descumpriram cláusulas de dívidas, tendo que negociar acordo com credores para evitar o vencimento antecipado de títulos. Usiminas, JHSF e Copasa também estão no grupo dos que tiveram que obter o perdão de seus credores.

Para conceder o “waiver”, porém, os credores estão cobrando prêmios cada vez maiores, frente à maior percepção de risco. Junto com o prêmio, também têm exigido garantias adicionais para a manutenção das dívidas.

“A rolagem de dívida nesse ambiente em que estamos é cada vez mais cara”, diz o estrategista do Itaú BBA, Lucas Tambellini.

Último recurso das empresas, a recuperação judicial tem se tornado cada vez mais frequente. No primeiro bimestre deste ano, os pedidos de proteção legal contra credores mais do que dobraram, em alta de 116%, de acordo com dados da Serasa Experian.

Em outubro do ano passado, a gestora de investimentos em empresas tecnologia Ideiasnet anunciou a entrada em recuperação judicial da Officer, maior distribuidora de produtos de informática do país.

Valor Econômico – 04/04/2016

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Coluna

Medida incompleta e inoportuna

Em princípio, não está errada a ideia de permitir ao Banco Central (BC) captar depósitos remunerados voluntários das instituições financeiras, como mais um instrumento de política monetária. Muitos bancos centrais assim procedem. Apesar disso, o anúncio da medida pelo ministro da Fazenda trouxe sérias desconfianças sobre seu real propósito, que poderia ser apenas o de melhorar na aparência os números do endividamento público.

O cerne da questão é que a permissão para o uso pelo BC dos depósitos remunerados não deveria ser medida isolada, mas parte de mudanças mais amplas nas regras que disciplinam a apuração da dívida pública e o relacionamento entre a instituição e o Tesouro Nacional. Além disso, há dúvidas sobre a oportunidade da medida, no contexto de baixa credibilidade da política fiscal, após os abusos seriais de contabilidade criativa do período Mantega/Augustin.

Para assegurar que a taxa de juros de mercado fique próxima à meta de juros fixada pelo Copom, o BC vem se utilizando fundamentalmente das chamadas operações compromissadas. Quando há sobra de dinheiro no mercado, o BC vende títulos públicos de sua carteira, com o compromisso de recomprá-los numa data futura. Quando há falta de recursos no mercado, o BC faz a operação oposta, comprando papéis, com o compromisso de revendê-los numa data futura.

Manter o conceito de dívida bruta e trocar compromissadas por depósitos remunerados maquiaria o indicador

Nos últimos anos, o mercado monetário tem sistematicamente operado com sobra de recursos, o que fez com que o montante das operações de venda de títulos com compromisso de recompra tivesse um crescimento quase exponencial. Em 31/12/2015, o montante de tais operações era de aproximadamente R$ 1 trilhão. Os depósitos remunerados substituiriam parcialmente tais operações, também servindo para o BC regular a liquidez no mercado.

Do ponto de vista estrito da execução da política monetária, os depósitos remunerados no BC são uma opção quase tão boa quanto as operações compromissadas. De certa forma, com a medida proposta o Banco Central recuperaria a liberdade que dispunha antes da edição da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a partir da qual ficou proibida a emissão de títulos por parte do BC.

Ora, por que então se opor à medida proposta pelo ministro Nelson Barbosa? Há pelo menos dois senões a serem considerados. O primeiro tem a ver com a metodologia de apuração e divulgação do endividamento público usualmente empregado no Brasil. O segundo se relaciona à maneira pela qual se dá hoje o relacionamento financeiro entre o BC e o Tesouro.

Com relação à primeira questão, o cálculo da dívida bruta do governo não leva em conta os passivos do Banco Central, mas também não inclui a carteira de títulos do Tesouro Nacional em poder do BC, exceto aqueles vinculados às operações compromissadas. É um conceito híbrido e contraditório, pois, embora o BC não seja considerado parte do governo para fins de apuração do endividamento, as obrigações do Tesouro com o BC também não são consideradas no cálculo da dívida bruta, como se o BC e Tesouro se confundissem num ente só.

Mantendo-se este conceito, a substituição das operações compromissadas pelos depósitos remunerados levaria à redução da dívida bruta, indicador fiscal de grande relevância nas análises sobre a solvência do país, sem que tivesse havido nenhuma melhora nos fundamentos. Seria mera maquiagem do indicador.

Tal problema não ocorreria se adotássemos aqui a metodologia do FMI que inclui os títulos da carteira do BC no indicador de dívida bruta, o que é consistente com a ideia de considerar o BC como ente apartado do Governo para fins do cálculo da dívida. Neste caso, a substituição das compromissadas pelos depósitos remunerados em nada afetaria a apuração da dívida bruta. Assim, a permissão ao BC para captar depósitos remunerados voluntários deveria ser simultânea à mudança da metodologia de apuração da dívida bruta, com adesão plena às recomendações do FMI neste particular.

Quanto à segunda questão, a sistemática vigente de transferência de resultados entre o BC e o Tesouro e, principalmente, o de equalização semestral de perdas e ganhos cambiais entre os dois entes gerou um inchaço no balanço do Banco Central, aumentando os saldos da conta única e a carteira de títulos públicos no BC.

Por causa disso, a adoção pura e simples do critério do FMI para a dívida bruta levaria a uma distorção do indicador para o Brasil, quando comparado a outros países. Daí a necessidade de alterar a sistemática de transferência de resultados entre BC e o Tesouro de modo a evitar continuidade da criação desnecessária de saldos na conta única e o aumento da carteira de títulos no BC.

Ao mesmo tempo, para acertar os estoques, seria indispensável que o Tesouro resgatasse parte dessa carteira, utilizando-se de recursos da conta única e eliminando os excessos acumulados no passado, mas deixando com o BC um montante de títulos suficiente para lastrear a captação dos depósitos remunerados.

Gustavo Loyola, doutor em economia pela EPGE/FGV, foi presidente do Banco Central e é sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada, em São Paulo. Escreve mensalmente às segundas-feiras. gloyola@tendencias.com.br

Valor Econômico – 04/04/2016

Redação On abril - 4 - 2016
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