Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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NTN-B antecipa queda da inflação

Uma espécie de convergência entre o cenário traçado pelo Banco Central para a inflação e as expectativas do mercado financeiro parece começar a se desenhar. Enquanto o BC elevou para níveis considerados mais realistas sua projeção para o IPCA em 2016, a inflação implícita das NTN-Bs, títulos públicos atrelados ao IPCA, vem em trajetória firme de queda, o que aproximou as duas estimativas de forma não vista desde o começo do governo Dilma.

Analistas veem nesse movimento uma correção dos dois lados: enquanto o BC tem que assumir em suas projeções a deterioração das expectativas ocorrida no começo deste ano e as surpresas negativas com a inflação corrente em janeiro, o mercado assume que exagerou lá atrás. Ainda que não seja possível atribuir essa convergência à melhora da credibilidade da política monetária, esse movimento ajuda o Banco Central no esforço de retomar a confiança. “É muito cedo para falar em retomada de confiança, mas é um ponto positivo nessa direção”, afirma o diretor de Tesouraria do Santander Luiz Masagão.

O BC elevou no Relatório de Inflação do primeiro trimestre a projeção para o IPCA em 2016 de 6,2% para 6,6%. Já a NTN-B com vencimento em janeiro de 2017 embutia uma inflação ao redor de 7%. Um trimestre atrás, essa taxa estava em 9,07%. No primeiro trimestre do ano passado, quando o BC estimava uma inflação de 4,9% para este ano, as NTN-Bs projetavam 6,87%. “Havia uma visão unânime no mercado de que a inflação superaria o teto da meta este ano, o que justificou uma disparada na inflação implícita das NTN-Bs”, explica Masagão, do Santander. “Mas as coletas de preço vieram mais baixas, o dólar cedeu e o mercado começou a antecipar uma correção, que demora mais tempo a ser acompanhada por economistas.”

Ele destaca que, enquanto a pesquisa Focus tende a ser mais “engessada”, uma vez que a mudança de modelos de inflação depende de ajustes em diversas variáveis por tempo prolongado, investidores reagem mais rapidamente, tentando pegar o início do movimento. “A [inflação] implícita tende a andar na frente. Nossa expectativa é que a Focus acompanhe o movimento do mercado”, diz.

A queda da inflação implícita vem ocorrendo desde meados de fevereiro, mas ganhou velocidade no começo de março. E a surpresa com o comportamento do câmbio teve influência direta. “O mercado esperava um dólar perto de R$ 4,40 e R$ 4,50 este ano, mas está vendo uma cotação ao redor de R$ 3,60”, diz Ricardo Rossi, analista de renda fixa da Votorantim Corretora. “É uma queda importante, que coloca em dúvida a projeção de inflação dos analistas”, afirma, lembrando que sua projeção ainda aponta para um IPCA ao redor de 7% no fim deste ano.

Rossi entende que essa mudança no câmbio reflete tanto a melhora das condições globais de liquidez como também das perspectivas para os fundamentos domésticos. “Claro que para ficar confiante em uma inflação dentro da meta é preciso que haja uma agenda de reformas. Mas já há razão para considerar que as [taxas de inflação] implícitas estavam exageradas”, diz.

Para o sócio gestor da Modal Asset, Luiz Eduardo Portella, há uma questão técnica a ser considerada. Cresceu a demanda por juros prefixados, derrubando essas taxas – este ano, o contrato de DI de janeiro para 2017 cedeu 1,90 ponto percentual -, enquanto o juro da NTN-B não caiu na mesma intensidade, porque perdeu parte de seu apelo com a mudança no cenário de inflação. Como a inflação implícita é calculada a partir da diferença dessas duas taxas, ela diminuiu de forma expressiva.

Rossi, da Votorantim, destaca ainda como elemento importante nessa reavaliação do cenário de inflação a mudança de postura do BC. Em janeiro, uma reviravolta abrupta na comunicação da autoridade monetária afetou em cheio as expectativas. No primeiro dia da reunião de política monetária, usando como argumento um relatório negativo divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Tombini, esvaziou as expectativas de aumento de juros. O receio de que a manobra tivesse caráter político levou os agentes a considerar um corte de juros no curto prazo e, assim, pioraram as projeções para o IPCA. No dia seguinte à decisão do Copom de manter a Selic, a inflação implícita da NTN-B para 2017 bateu a máxima de 9,6%.

Mas, em fevereiro, Tombini retomou um discurso mais cauteloso e afirmou que “não há espaço para flexibilização monetária”, frase incorporada pelo Relatório de Inflação. “A mensagem de manutenção de juros, sem dúvida, ajudou nesse movimento de queda da implícita”, afirma Rossi.

“Embora seja inegável que o cenário de inflação esteja melhorando, principalmente por causa do câmbio mais valorizado, vale a pena aguardar mais um pouco para mexer nos juros”, afirma o economista-chefe da Garde Asset Management, Daniel Weeks. “Ele ainda tem uma briga a vencer com a Focus mas já está fazendo efeito sobre a implícita. Se ele cortar agora, pode atrapalhar esse processo.”

Valor Econômico – 01/04/2016

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Diretor do Banco Central descarta novo programa de swaps

O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Altamir Lopes, afirmou ontem que a autoridade monetária não tem planos de fazer um novo programa de swaps.

Lopes ressaltou que a decisão de utilizar as operações de swap reverso, equivalente a uma compra futura de dólares, foi aproveitamento do BC de uma janela de oportunidade e que o banco também vislumbrou chance de reduzir posições.

Segundo ele, continuar ou não rolando swaps vai depender do contexto geral, já que o comportamento é diário. Lopes disse que a autoridade monetária trabalha com o câmbio “como está”. “Trabalhamos com um câmbio mais estável este ano, ao contrário do que o observado em 2014 e 2015. Isso favorece o alcance dos objetivos da política monetária”.

Subsídios estáveis

As empresas que contraírem empréstimos e financiamentos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) continuarão a pagar 7,5% ao ano. O Conselho Monetário Nacional (CMN) manteve, ontem, a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que permanece no maior nível em quase dez anos.

A cada três meses, o CMN fixa a taxa para o trimestre seguinte. O conselho é formado pelos ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, do Planejamento, Valdir Simão, e pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

“A meta de inflação segue a mesma e o risco se manteve nos níveis de dezembro. Não houve variação nos fundamentos que justificaria uma alteração na TJLP”, comentou o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Manoel Pires.

O reajuste da TJLP diminui as pressões sobre o Tesouro Nacional, que gastará menos para cobrir a diferença entre a taxa subsidiada e os juros de mercado. Em janeiro de 2013, a taxa tinha sido reduzida para o menor nível da história, em 5% ao ano, como medida de estímulo à economia. A taxa aumentou para 5,5% ao ano em janeiro de 2015, 6% em abril, 6,5% em julho, 7% em outubro e, por último, 7,5% em janeiro deste ano.

Criada em 1994, a taxa é definida como o custo básico dos financiamentos concedidos ao setor produtivo pelo BNDES. De acordo com o Ministério da Fazenda, o valor da TJLP leva em conta dois fatores: o centro da meta de inflação, atualmente definido em 4,5%, mais o Risco Brasil.

DCI – 01/04/2016

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Governo mantém taxa de juros de longo prazo em 7,5%

O governo decidiu manter em 7,5% ao ano a taxa de juros de longo prazo cobrada pelo BNDES em seus empréstimos.

A decisão, esperada pelo mercado, foi tomada nesta quinta (31) pelo CMN (Conselho Monetário Nacional, composto por Banco Central e os ministérios da Fazenda e do Planejamento).

Quanto mais distante a TJLP estiver da taxa Selic, que hoje está em 14,25%, maiores são os custos do governo em equalizar esses juros.

Isso porque o BNDES, ao balizar seus empréstimos pela TJLP, cobra juros inferiores àqueles que paga para se financiar.

A taxa de 7,5% está em vigor desde dezembro. “O cenário macroeconômico não se alterou de forma que justifique a mudança da TJLP”, afirmou o secretário de Política Econômica da Fazenda, Manoel Pires.

A taxa leva em conta a meta de inflação, fixado em 4,5%, e um prêmio de risco.

BALANÇO

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) registrou lucro líquido de R$ 6,2 bilhões em 2015, uma queda de 29,7% em relação aos R$ 8,6 bilhões do ano anterior, informou o banco em comunicado na segunda-feira (28). A perda com ações da Petrobras foi o principal responsável pela queda.

O banco informou ainda que houve aumento de 39,6% no resultado de intermediação financeira (empréstimos que o BNDES concede), alcançando R$ 18,691 bilhões.

Folha de S.Paulo – 01/04/2016

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Juros sobem após relatório de inflação

O mercado de juros captou a mensagem do relatório de inflação e diminuiu as apostas em um corte de juros no curto prazo, o que se traduziu em aumento das taxas. A ideia de algum alívio monetário segue nos preços, mas claramente foi transferida para, pelo menos, o fim deste semestre.

Assim que o mercado iniciou os negócios, sob o efeito do recado do BC de que “não há espaço para flexibilização monetária”, os DIs passaram a subir, redesenhando o cenário para o rumo da política monetária. Segundo cálculos da gestora Quantitas, os juros passaram a projetar um corte total de 0,61 ponto da Selic até o fim do ano, ante 0,94 ponto na quarta-feira.

O contrato para janeiro de 2017 subiu de 13,76% para 13,885% no fechamento do pregão regular, enquanto o DI para janeiro de 2018 avançou de 13,46% para 13,72%.

Para o economista-chefe da Mauá Capital, Alexandre de Ázara, o BC demonstra que atuará de forma oportunista para aproveitar o movimento de desinflação em curso. “Com isso, eu acho que o BC vai ganhar a guerra da inflação”, afirma. Ele diz que a leitura do relatório deu ainda mais confiança à sua projeção de inflação de 6,5% no fim de 2016 e de 5,5% para 2017. Nesse cenário, ele considera que o BC começará a reduzir a Selic em outubro, em 0,5 ponto e depois fará um novo corte de 0,75 ponto percentual em dezembro. “Dada a queda da inflação, o juro real permanecerá ao redor de 7,7%, que está bem acima do juro de equilíbrio”, afirma. A partir daí, a necessidade de aperto monetário passa a ser menor, o que abriria espaço para mais duas doses de corte de taxa de 0,75 ponto, levando a Selic para 11,50% ao ano.

Ele acredita que, dado o sinal de cautela emitido pelo BC, o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Tony Volpon, poderá manter seu voto em alta de juros na próxima reunião. “Acho que esse seria o voto que o BC estaria fazendo caso o cenário externo não estivesse ajudando”, afirma. “Por isso, não vejo esse voto como um desafio ao BC nem algo que incomode os demais diretores.”

Para o Itaú Unibanco, o relatório reforça o cenário de que o Copom deve reduzir os juros apenas no segundo semestre deste ano. “A recessão prolongada e o câmbio mais estável devem contribuir para uma gradual redução das expectativas de inflação, o que abrirá espaço para esse ciclo de corte de juros mais adiante”, aponta o banco em relatório, prevendo a Selic em 12,75% ao ano no fim de 2016.

Visão semelhante tem o gestor de multimercados da JPP Capital, Joaquim Kokudai, que também vê espaço para corte de juros apenas no segundo semestre. Para ele, como a inflação é impactada pela evolução do câmbio, a variável-chave para a determinação de quando o juro começará a ser reduzido ainda é o comportamento do dólar. Apesar de a cotação já ter caído mais de 10% neste ano, as expectativas seguem voláteis, o que inspira mais cautela por parte do BC, afirma.

“A prudência de um juro estável, até clareza da convergência da inflação, ainda é necessária”, afirma. Kokudai avalia que a perspectiva de corte da Selic no segundo semestre se mantém porque se isso não ocorrer o juro real ficaria ainda mais alto, penalizando mais as já fracas expectativas para a economia em 2017.

Já o economista do Banco Pine Marco Caruso, acredita que a Selic deve seguir estável em 14,25% ao ano até dezembro. “Existe um ‘pass-through’ das expectativas de inflação da Focus para a inflação projetada pelo BC. É difícil de mensurar, mas de acordo com nosso modelo, esse é o motivo do aumento do IPCA esperado para este ano”, diz. O BC elevou sua projeção para o IPCA em 2016 de 6,2% para 6,6% no RI.

O economista diz que a insistência do mercado em ver a queda da Selic neste ano se deve em muito à perda de credibilidade do BC na condução da política monetária. “Os documentos, os discursos podem vir ‘hawkish’, mas sempre vai haver dúvida sobre se essa comunicação vai se sustentar”, afirma.

Valor Econômico – 01/04/2016

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Em seu modelo, autoridade ainda considera superávit

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o Banco Central (BC) considerou, em suas projeções para a trajetória dos preços neste ano, um superávit primário para o setor público em 2016 de 0,5% do PIB, mesmo após decisão do governo de pedir ao Congresso a redução da meta fiscal. Para 2017, o BC trabalha com um superávit primário de 1,3% do PIB.

Em projeto de lei encaminhado ao Congresso em 22 de março, o governo pediu que a meta de superávit primário do setor público consolidado fosse reduzida de 0,5% para 0,15% do PIB, com a possibilidade de ser reduzida em até R$ 99,4 bilhões por conta de frustrações de receitas e investimentos considerados prioritários.

Com essa proposta, o governo indicou que trabalha, na verdade, com déficit primário que poderá chegar a 1,55% do PIB neste ano. Assim, se todo o desconto previsto para a meta for realizado, o déficit primário em 2016 será maior do que o de 2015, excluindo-se o pagamento as “pedaladas fiscais”. Porém, no relatório, o BC não tomou conhecimento da decisão do governo.

No ano passado, o comportamento do BC foi diferente. Na ata da reunião de junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) informou que considerava, nas projeções sobre a inflação, o superávit primário de R$ 66,3 bilhões em 2015 e de 2% em 2016. Na ata da reunião de 29 de julho, o Copom passou a considerar o superavit de 0,15% do PIB em 2015 e de 0,70% do PIB em 2016. A nova meta fiscal tinha sido anunciada pelo governo em 22 de julho e só foi aprovada em dezembro.

Valor Econômico – 01/04/2016

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Fazenda terá adjuntos para defesa da concorrência e regulação

O Ministério da Fazenda terá um secretário-adjunto para cuidar de defesa da concorrência e outro para cuidar da regulação. Os cargos deverão fazer parte da nova estrutura da Secretaria de Política Econômica (SPE), que vai abarcar os quadros da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), em vias de extinção.

As mudanças farão parte de um decreto que deve ser publicado nos próximos dias. Os nomes dos adjuntos ainda estão em discussão. Segundo o secretário Manoel Carlos de Castro Pires, da SPE, a nova organização vai otimizar os trabalhos das duas secretarias. “Nós teremos ganho de escala com essa fusão”, disse Pires ao Valor, referindo-se à união das secretarias. “Será uma nova SPE que vai analisar com cuidado regulação econômica e aspectos concorrenciais.”

O secretário-adjunto de concorrência vai organizar os estudos sobre competição em setores da economia e prover informações para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Banco Central. “Vamos manter a rotina de fazer as análises para o Cade para municiá-los com as informações necessárias para eles tomarem decisões”, afirmou Pires.

Já o adjunto de regulação deverá promover análises sobre setores regulados. Pires lembrou que a Seae costuma fazer muitas análises sobre avaliação de impactos regulatórios às agências setoriais e ressaltou que essa atividade vai prosseguir. “Todas as agências, quando emitem nova norma regulatória, pedem à Seae para se manifestar e isso será mantido.”

Pires revelou que a secretaria está participando da reformulação do marco regulatório de telecomunicações e que atuou na mudança na regulação de petróleo e gás junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP) e ao Ministério das Minas e Energia, na virada do ano.

Devido a essas mudanças, o secretário avalia que terá trabalho dobrado na próxima reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em meados deste mês, em Washington. Além de participar da agenda internacional da SPE, que envolve debates na área macroeconômica, deverá ter reuniões com investidores para promover os programas de desenvolvimento de infraestrutura no Brasil.

“A agenda que vinha sendo tocada com organismos internacionais está em processo de construção e vamos mantê-la. Teremos a reunião no FMI e no Banco Mundial e vamos participar, devemos encontrar investidores e falar sobre macroeconomia.”

A nova estrutura vai significar a retomada do desenho institucional da SPE na década de 90. Na época, a secretaria foi desmembrada com a criação da Seae, que passou a atuar mais ativamente na defesa da concorrência com a confecção de milhares de pareceres para os casos de fusões, aquisições e cartéis que o Cade julgava.

Essa configuração durou desde a aprovação da lei antitruste de 1994 (Lei 8.884) até a mais recente legislação sobre o assunto, a Lei 12.529, de 2011, que criou o SuperCade e retirou a participação ativa que a Seae tinha nos pareceres para os processos em julgamento. Agora, o desmembramento está em fase final de reversão com a absorção da Seae pela SPE. “Será uma nova formatação, assim como foi nos anos 90, mas tudo o que a Seae fazia será mantido”, diz Pires.

Valor Econômico – 01/04/2016

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FI- FGTS deve reconhecer perda de R$ 1,7 bi

O FI-FGTS — fundo criado pelo governo para investir em infraestrutura com recursos dos trabalhadores — deverá reconhecer prejuízo de R$ 1,7 bilhão no resultado de 2015. Do total, R$ 1 bilhão se refere a investimentos na Sete Brasil Participações e R$ 700 milhões na Energimp. O assunto será discutido pelo comitê gestor do FI na próxima quarta-feira.

Os valores fechados do provisionamento serão conhecidos em maio, quando será divulgado o balanço do FI- FGTS. As duas empresas estão com sérias dificuldades financeiras, com poucas chances de recuperação.

Criada com empenho do governo federal para contratar sondas para a Petrobras, a Sete Brasil também foi flagrada no escândalo de corrupção investigado na Operação Lava- Jato. A Energimp é uma geradora eólica, localizada no Ceará, e faz parte do grupo Impsa, que entrou em recuperação judicial na Argentina.

RENTABILIDADE ABAIXO DE 5%
Segundo fontes ligadas ao FIFGTS, assim como os demais investidores na Sete Brasil, o fundo de investimentos será obrigado a reconhecer a perda. Já começou a fazer isso em 2014, quando deu baixa de R$ 374 milhões investidos na empresa.
No caso da Energimp, o FIFGTS tem duas alternativas: ou reconhece o prejuízo de R$ 700 milhões ou aporta mais R$ 1 bilhão para colocar a empresa de pé e tentar posteriormente vender a participação no mercado. Essa solução, no entanto, dificilmente será adotada, porque o FI teria que assumir a gestão da empresa.

Com as baixas, a rentabilidade do FI- FGTS deve ficar abaixo de 5%, a menor desde a sua criação em 2007. Em 2008, ano da crise financeira internacional, a rendimento médio da carteira ficou em 5,01%. Em 2009 foi de 6,66%. Em 2010, de 5,51%. No ano seguinte, o rendimento aumentou para 7,63%. Em 2012, foi de 7,22%. Em 2013 seu melhor rendimento, de 8,22%. Em 2014, o percentual foi de 7,05%.
A crise na economia também vai afetar o desempenho do Fundo em 2015.

Por lei, o FI- FGTS deve perseguir uma rentabilidade média de 6% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR) e não poderá ficar abaixo do rendimento da conta vinculada ao FGTS, que é de 3% ao ano, mais a TR. Os recursos aplicados pelo fundo vêm de parte do lucro do FGTS ( aplicados anteriormente em títulos públicos). O fundo foi criado no bojo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como uma alternativa de funding para o setor de infraestrutura (rodovias, portos, ferrovias, energia) e de melhorar as receitas do FGTS.

CAIXA: AJUSTE NÃO É PERMANENTE
Procurada, a Caixa Econômica Federal, gestora do FI- FGTS, informou em nota que, pela característica do investimento em projeto de infraestrutura, o retorno é de longo prazo.

“Assim, embora investimentos realizados há mais tempo já estejam em uma fase próxima à maturação, outros ativos mais recentes, ainda em estágio iniciais de implantação, também encontramse na carteira do Fundo, impactando em sua rentabilidade, especialmente nesta fase inicial onde apresentam altos investimentos (…) Neste sentido, estas variações podem vir a implicar ajustes adicionais aos já observados durante o ano de 2015 e refletidos até o momento na cota do FI- FGTS. Por fim, deve se ressaltar que tais ajustes não são permanentes e podem ser recuperados com a mudança de premissas que hoje afetam ou podem afetar a precificação destes ativos”, diz a nota da Caixa.

Segundo interlocutores, os investimentos na Sete Brasil e na Energimp são hoje os principais problemas do FI- FGTS. Mesmo as aplicações em empresas ligadas à Lava- Jato, como Odebrecht Transport (do grupo Odebrecht) e CCR (concessionária de rodovia, dos grupos Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa) estão dando o retorno esperado.

“Destacamos que até o momento o FI- FGTS apresenta retorno contábil anual, não auditado, de 6,8% e acumulado (2008 a 2015) de 68,74%, o que supera o seu benchmark de TR+ 6% no período, bem como representa mais de 200% da remuneração do FGTS neste período. Além disso, do valor investido, já retornaram ao Fundo como pagamento de amortizações, juros e dividendos e regastes, mais de R$ 11,9 bilhões, aproximadamente 50% do valor efetivamente desembolsado pelo seu cotista”, conclui a nota da Caixa.

O Globo – 01/04/2016

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Num mato sem cachorro

Eliane Cantanhêde – 01/04/2016

Se Dilma já deu o Ministério da Saúde para o deputado Marcelo Castro enfrentar zika, chikungunya, dengue e H1N1 quando o PMDB ainda era oficialmente governo, o que ela não dá agora para tentar amarrar o PP, o PR, o PSD e outros ao pé claudicante de seu governo? É um festival de ministérios, estatais e cargos de segundo e terceiro escalão, não mais pelo natimorto ajuste fiscal, mas para tentar evitar o impeachment.

Imagine-se como Dilma delegou para Leonardo Picciani um dos cargos mais sensíveis da República. “Querido, quem você tem aí para a Saúde?”. Ele, rastreando a bancada do PMDB: “Olha, presidenta, tem lá um tal de Mauro de Castro, ou Marcelo, não sei direito. Parece que tem diploma de médico”. E ela: “Feito!”.

O Aedes aegypti adorou, mas nem por isso Dilma garantiu o apoio do PMDB do Rio, que votou alegremente pelo rompimento com o governo. E quem anunciou a traição foi o pai do Piccianinho, Jorge Picciani. Agora, o constrangimento: Marcelo de Castro não serviu nem para matar mosquito nem para assegurar o PMDB do Rio, mas se agarra ao cargo como jabuticaba no pé, até que surja alguém de mais serventia.

Parece ficção, mas tem muito de realidade e vai se repetir dezenas de vezes no Planalto, transformado ora em feira, ora em bunker, ou num hotel não muito longe dali, onde funciona o feirão de cargos do ex-presidente Lula. O fato é que o PP, o PR e os partidos menores, mas tão gulosos, estão em alta em Brasília. Aliás, o voto é que está em viés em alta.

Quanto mais o dólar cai, sob a perspectiva de impeachment, mais o preço dos deputados e senadores do “centrão” e do “centrinho” dispara. É a lei do mercado: a oferta de votos contra o afastamento de Dilma está menor do que a demanda do Planalto. Logo, o negócio está o olho da cara. Ou é falta de vergonha na cara?
O risco é Dilma conseguir barrar o impeachment, mas arrastar um governo de xepa, com centenas de oportunistas, um ministro qualquer na Saúde para evitar mortes por dengue e microcefalia por zika, outro no Esporte passando ao largo da Olimpíada, um terceiro no Turismo quando milhões de estrangeiros desembarcarem para o maior evento esportivo da face da Terra. E com um bilhão de telespectadores no mundo mirando os jogos e o Brasil.

A prioridade de Dilma não é governar, é manter o governo a qualquer custo. O foco não é restaurar a economia aos cacos, corrigir as contas públicas, combater as doenças, cuidar de saúde, educação, turismo… Toda a energia está voltada para um único fim: salvar o mandato, com o bordão do “golpe”.

Apesar de todas essas evidências, claras como um dia de verão, há ainda muitas nuvens pairando sobre a sociedade brasileira e o Congresso, responsável constitucional para decidir se Dilma sai e Michel Temer entra, ou se tudo fica como está. O PMDB não ajuda muito a dirimir as dúvidas. Não bastasse um Eduardo Cunha réu no Supremo e um Renan Calheiros enfrentando sete inquéritos, há o fantasma da divisão interna que assombra o maior partido do país desde sempre.
Após o rompimento por aclamação (o voto a voto iria materializar a dissidência), veio o vexame e a humilhação, com Renan respaldando e os ministros do partido implorando para manter suas boquinhas. Kátia Abreu à parte – está na Agricultura menos pelo PMDB e mais por Dilma e pela representatividade no setor –, os outros cinco tremem até Dilma decidir: uni duni tê, quem fica é… você!

Se Dilma está nas mãos dos mais fisiológicos entre os fisiológicos, Temer foi solapado por Renan, o que só aumenta a dramaticidade da novela: se não une nem mesmo o PMDB, como o vice pode acenar com um “pacto nacional” em torno da transição e do enfrentamento da crise? A cachorrada se dá bem, mas o País está num mato sem cachorro.

O Estado de S.Paulo – 01/04/2016

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Queda do juro alimenta debate de ‘trégua cambial’ global

Marc Chandler, analista de câmbio do banco de investimento Brown Brothers Harriman, não poderia exibir maior desdém diante da ideia de uma declaração de trégua nas guerras cambiais, pelos principais BCs do planeta.

“Primeiro uma guerra é imaginada, e em seguida uma trégua imaginária é declarada. Mesmo?”, afirmou.

Reais ou imaginárias, as guerras de câmbio e as desvalorizações competitivas vêm sendo assunto fixo do mercado de câmbio há décadas, e recentemente se viram alimentadas pelos programas de relaxamento monetário dos bancos centrais de Estados Unidos, Japão e Europa.

Taxas de juros baixas e negativas são vistas como fatores de desvalorização de moedas, e com isso como maneira de ajudar a promover inflação mais alta e crescimento mais firme. O problema com essa abordagem é que, no caso do Japão e da Europa, as moedas na verdade vêm ganhando força.

Agora, os rumores giram em torno da reunião do G20, em fevereiro em Xangai, durante a qual líderes teriam falado sobre a necessidade de não promover competição cambial, e sobre se isso teria resultado em um acordo para estabilizar movimentos de câmbio, com o objetivo de acalmar o mercado.

Para os céticos como Chandler, as pessoas que defendem essa ideia observaram uma sequência de decisões surpreendentes da parte de BCs e construíram a única teoria plausível que poderia explicá-las como um todo: as instituições estão operando de forma coordenada.

“Há um ‘e daí?’, nisso tudo”, diz Simon Derrick, do banco BNY Mellon. “Nos últimos 12 ou 13 anos, as intervenções não provaram ter realizado grande coisa.”

Mas, como Derrick admite, no mundo do câmbio “é cada um por si”. As ações de um país podem ter consequências cambiais para outro. Isso já seria verdade em momentos normais. Em um clima de baixo crescimento e inflação em queda, a tendência se reforça.

EMERGENTES

Para Paul Lambert, da Insight Investment, embora a fraqueza do dólar crie oportunidades para investir em câmbio nos mercados emergentes não haverá grande convicção quanto a fazê-lo.

“Se os dados continuarem a melhorar, o BC dos EUA não terá como manter para sempre essa atitude branda”, diz. “Pode haver uma melhora digna de atenção nas moedas de risco, mas não haverá recuperação sustentada. O dólar passará por um período de fraqueza, mas não cairá”.

Folha de S.Paulo – 01/04/2016

Redação On abril - 1 - 2016
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