Sindicato Nacional da Indústria de
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Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017






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Governo acelera pacote de ‘bondades’

Na frente econômica para segurar a continuidade do mandato da presidente Dilma Rousseff, o governo resolveu agir e viabilizar medidas que já tinham sido anunciadas, mas não tinham saído do papel. Seguindo recomendação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe econômica prepara outras ações ‘positivas’ para colocar na rua com o intuito de mostrar que o governo não está parado à espera do impeachment.

O grande anúncio desta quarta-feira, 30, foi o lançamento da terceira etapa do Minha Casa Minha Vida, com as regras que já tinham sido divulgadas em setembro de 2015. A cerimônia, no entanto, serviu de pretexto para o que se transformou num ato contra o afastamento da presidente.

O Ministério da Fazenda também editou medida provisória (MP) que permite o uso do FGTS como garantia ao crédito consignado. A medida, com impacto estimado em incremento de R$ 17 bilhões nas operações com desconto na folha de pagamento, tinha sido anunciada há dois meses no escopo do pacote de crédito de R$ 83 bilhões. Mas enfrenta dificuldade em ser implementada.

Para agradar aos governadores, o governo também liberou mais recursos para a compensação dos Estados pela Lei Kandir que desonerou o ICMS das exportações. O valor liberado foi de R$ 1,95 bilhão. Estava prevista no orçamento apenas a desoneração do ano passado, mas o governo pediu, no projeto de revisão da meta encaminhado ao Congresso, espaço fiscal para cobrir a compensação deste ano também. Esse dinheiro, no mesmo montante que foi liberado ontem (relativo ao ano passado), vai poder ser abatido da meta fiscal deste ano, que prevê um rombo maior para acomodar despesas adicionais que o governo vai fazer para estimular a economia.

Outras medidas estão no “forno” assegurou um interlocutor da área econômica. “O governo não vai ficar parado esperando o impeachment como o Collor. Vai tomar todas as medidas que julgar necessárias dentro da responsabilidade fiscal”, afirmou.

Minha Casa. Dilma vinha adiando o lançamento da nova etapa por falta de recursos para bancar o grande volume de subsídios. Ontem, ao discursar, ela defendeu os gastos públicos como a vitrine de seu governo. “Nós temos orgulho de subsidiar porque sabemos que a conta do bolso do trabalhador e da trabalhadora brasileira, do morador das áreas rurais desse País, dos quilombolas, dos extrativistas, a conta não fecha, se o governo não for capaz de devolver recursos tributários para garantir isso que é uma questão fundamental, não só de segurança, mas de melhoria das condições de vida”, afirmou. “Porque dinheiro público para o povo brasileiro não pode resultar em muquifo, tem de resultar em casa decente, de qualidade.”

A presidente recuou na meta de construir 3 milhões de moradias até o fim de 2018.

Agora, a meta é contratar 2 milhões de unidades. Serão investidos, segundo o governo, cerda de R$ 210,6 bilhões nos próximos dois anos, dos quais R$ 41,2 bilhões serão do Orçamento Geral da União (OGU). O restante sairá do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Dilma disse que a nova etapa do MCMV deve ser “instrumento” de recuperação da economia brasileira, com geração de novas vagas de trabalho. “Nós queremos que a economia brasileira retome o seu caminho. Para isso, sem estabilidade política nós não chegaremos lá”, afirmou a presidente.

Consignado. As outras medidas de ontem foram propagandeadas logo pela manhã pela equipe do Ministério da Fazenda. “A iniciativa busca trazer meios para que os empréstimos consignados, operações de crédito que apresentam menores taxas de juros, venham a atender de forma mais significativa os trabalhadores do setor privado, já que atualmente essa modalidade tem se restringido quase que exclusivamente aos servidores públicos e pensionistas do INSS”, explicou o órgão, em nota. O conselho curador do FGTS, porém, ainda precisa regulamentar a medida para definir as taxas de juros e o número máximo de parcelas que poderá ser vinculado ao FGTS. A Caixa, que é o banco operador do fundo, vai desenvolver os procedimentos operacionais para permitir a transação.

Estados. A liberação de R$ 1,95 bilhão como ressarcimento da Lei Kandir fez parte das negociações feitas pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, com os governadores. Segundo apurou o Estado, eles pediram a liberação dos recursos para ajudar até que os projeto de alongamento da dívida com a União seja aprovado pelo Congresso.

Esse dinheiro é referente ao ressarcimento de 2015. O atraso na liberação dos recursos é uma queixa recorrente entre governadores. Desse vez, o governo não só liberou mais rapidamente, como também garantiu a compensação da Lei Kandir de 2016, o que não estava previsto na lei orçamentária. Para garantir esses recursos adicionais, a equipe econômica incluiu no projeto de lei que altera a meta fiscal uma cláusula que permite o abatimento da compensação da lei Kandir do ano de 2016.

O Estado de S.Paulo – 31/03/2016

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BC muda estratégia com swaps e estoque recua

O Banco Central (BC) reduziu ao longo de março o estoque de swaps cambiais em US$ 5,64 bilhões. Com isso, o BC deve iniciar o mês de abril ainda com um montante de pouco mais de US$ 102 bilhões nesse derivativo – volume que leva em consideração tanto o que o BC deixou de renovar quanto a venda de swaps reversos, que têm efeito contábil de reduzir esse estoque. Trata-se de uma variação ainda pequena, mas que confirma uma mudança de estratégia da autoridade monetária no sentido de aproveitar o momento favorável ao real para diminuir esse estoque, apontado por analistas como fonte de custo fiscal para o governo.

O BC vendeu em swaps reversos – aqueles em que a operação corresponde à compra de dólares no mercado futuro – o equivalente a US$ 2,48 bilhões no mês. Esse foi o maior volume ofertado desse contrato desde outubro de 2012, quando foram negociados US$ 4,4 bilhões. Ao mesmo tempo, os resgates de swap tradicional- papéis que têm efeito de venda de dólares no mercado futuro – somaram US$ 3,17 bilhões, 31% do total dos vencimentos do mês.

Não é possível fazer hoje projeções sobre quando o BC conseguiria reduzir de forma mais expressiva o estoque de swaps. Primeiramente porque, do lado das atuações via swap reverso, o BC tem agido de forma errática, de acordo com condições diárias de mercado, o que impede qualquer tipo de estimativa sobre seu resultado futuro. “As atuações do BC devem se tornar cada vez mais discricionárias”, diz o diretor de câmbio da Intercam, Jaime Ferreira.

Além disso, profissionais de mercado consideram improvável que o Banco Central mantenha o mesmo ritmo de rolagem observado no mês de março, podendo inclusive acelerá-lo. No caso do swap cambial reverso, o ritmo das colocações tem sido determinado pela demanda do mercado.

Depois de não vender o lote integral de 20 mil contratos desse tipo ofertado no leilão realizado ontem, o BC reduziu o volume e ofertará 17 mil contratos hoje. A operação poderá somar até US$ 850 milhões.

Trata-se de uma redução importante em relação ao pico mensal de US$ 114,9 bilhões alcançado em março de 2015, mas insuficiente para tirar o estoque de um nível elevado quando comparado ao padrão histórico. Assim, a expectativa de analistas é que o BC aproveite o cenário de menor pressão sobre o dólar, diminuição da demanda por “hedge” (proteção) cambial e maior liquidez global para acelerar a redução do estoque.

Até fevereiro, o BC vinha renovando integralmente os vencimentos dos meses seguintes. Nesse período, o dólar ainda estava bastante pressionado, operando acima de R$ 4, e o mundo passava por um período de maior aversão a risco. Além disso, o debate em torno do impeachment da presidente Dilma Roussef havia perdido força, elevando o nível de ceticismo entre os agentes e a busca por ativos seguros, como a moeda americana.

Esse cenário exigia a manutenção da oferta de liquidez no mercado, sob risco de a pressão no dólar empurrar a inflação ainda mais acima dos 10% ao ano. Mas a reviravolta do lado político, com o retorno das apostas na troca de governo, e o aprofundamento do afrouxamento monetária em economias centrais mudaram o jogo. Mesmo o Federal Reserve (BC dos EUA), que subiu juros em dezembro, abrandou o tom, levando o mercado a especular sobre a chance até mesmo de não haver novas altas do juro americano neste ano.

Nesse cenário, o BC viu chance de reduzir de forma mais consistente o estoque de swaps. Para alguns analistas, a urgência da autarquia em diminuir esse estoque também decorre de críticas ao impacto fiscal do uso desse instrumento, em um momento de preocupação com as contas públicas.

Em 2015, o ajuste dos swaps cambiais tradicionais vendidos pelo BC gerou prejuízo de R$ 89,66 bilhões. Esse rombo impactou diretamente a conta de juros nominais, que saltou de R$ 311,38 bilhões em 2014 para R$ 501,79 bilhões no ano passado. Os juros nominais apropriados entram na conta do resultado nominal, que por sua vez altera a relação dívida bruta sobre PIB – um indicador monitorado pelas agências de classificação de risco.

O swap cambial ofertado pelo BC permite a troca de fluxos de caixas entre a autoridade monetária e o mercado financeiro. No caso dos swaps tradicionais, o BC se compromete a pagar a variação do câmbio e uma taxa de juros em dólar (cupom cambial) e, em troca, recebe do mercado a variação do juro básico. No swap reverso, que equivale à compra de dólar futuro, o BC recebe a variação do dólar mais a taxa de cupom cambial, e paga ao mercado o juro do período de vigência dos contratos.

O BC brasileiro é o único no G-20 a utilizar esse tipo de derivativo para intervir no câmbio. De forma geral, outros bancos centrais atuam no mercado cambial por meio de venda de reservas internacionais ou de outros tipos de derivativos. De qualquer forma, as liquidações das intervenções na maioria dos países se dá em moeda forte (dólar ou euro), enquanto no caso do swap brasileiro se dá em moeda local.

Esse tipo de instrumento foi utilizado pela primeira vez em 2002, em meio à disparada do dólar e à limitação de uso das reservas internacionais, que estavam em queda livre à época. Nos anos seguintes, com a moeda americana em baixa, o BC passou a ofertar swaps reversos. Em 2008, o BC retomou com mais frequência o uso dos swaps tradicionais, diante da alta do dólar por causa da crise financeira global.

Em anos posteriores, o BC alternou o uso de swaps tradicionais e reversos. Mas, em 2013, o dólar entrou em rápido processo de alta, com a expectativa de fim dos estímulos monetários nos EUA. A demanda por proteção contra as oscilações cambiais levou o BC a anunciar, em agosto daquele ano, um programa de oferta sistemática de “hedge” cambial, que incluía leilões diários de swaps tradicionais. Esse programa foi renovado por duas vezes e, em março do ano passado, foi encerrado. Desde então, o BC vinha fazendo apenas as rolagens integrais dos lotes a vencer. Neste mês, o BC tornou a mudar sua estratégia, retomando as vendas de swaps reversos.

Para o mercado, é uma alteração importante na estratégia de gerenciamento da liquidez, já que pela primeira vez desde que começou a ofertar sistematicamente swaps, em 2013, o BC dá indicações claras de que pretende finalmente desmontar o estoque nesses contratos. Para tanto, não se limitou a fazer compras futuras de dólares. A autoridade monetária reduziu seguidas vezes os lotes ofertados em leilões de rolagem, com vias de acelerar a diminuição de sua posição vendida na moeda americana.

Caso o dólar siga próximo do patamar atual, próximo a R$ 3,60, a expectativa é que o BC possa até acelerar o resgate dos swaps, também porque eventuais altas da cotação a partir desses níveis seriam mais limitadas e, portanto, com menor impacto inflacionário.

Para o especialista em câmbio da Icap, Italo Abucater, a estratégia do BC de reduzir o estoque de swaps é apropriada, já que a pressão sobre o dólar parece menor. “Além disso, o BC acaba amortecendo qualquer movimento mais especulativo, principalmente porque o real tem se apreciado mesmo com o fluxo negativo.” Dados do BC mostraram ontem que o fluxo cambial ficou negativo em US$ 2,573 bilhões em março, até o dia 24. No mesmo período, o real se valorizou 8,82%. No ano, as saídas superam as entradas em US$ 10,392 bilhões. Ainda assim, o real acumula ganhos de 7,53%.

Valor Econômico – 31/03/2016

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Focus ainda mostra projeção de alta de 6% para IPCA em 2017

Pelo que se observa apenas no boletim Focus, do Banco Central, o recente movimento de melhora das expectativas inflacionárias para 2016 não se replica no ano seguinte. Enquanto a projeção mediana para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano recuou 0,28 ponto desde 4 de março, para 7,31%, a previsão para 2017 seguiu imóvel, em 6% – nível que passará a ser o limite superior do regime de metas a partir do próximo ano.

No grupo das cinco instituições que mais acertam projeções no curto prazo, o chamado “Top 5”, houve pequena alta na mediana para 2017, que hoje conta com avanço de 5,75% do indicador oficial de inflação, acima dos 5,53% estimados há um mês. No “Top 5” de médio prazo, a expectativa para o ano que vem caiu 0,3 ponto em quatro semanas, mas ainda está acima do consenso, em 6,2%.

Para economistas, questões como o elevado grau de indexação da economia, a resistência do IPCA em níveis acima de 5,5% nos últimos seis anos e sobretudo a incerteza política, que afeta diretamente a trajetória do câmbio, ainda impedem revisões oficiais mais benignas para a inflação do próximo ano. Quando o ajuste recessivo em curso no mercado de trabalho surtir efeito maior sobre os preços, porém, é possível que as projeções cheguem mais perto de 4,5%.

Essa é a opinião de Fabio Romão, da LCA Consultores, para quem o impacto da recessão sobre os preços ficará mais claro na passagem do primeiro para o segundo semestre, período sazonalmente mais favorável para a inflação. “Acho complicado o IPCA chegar a 4,5% em 2017, mas em algum momento do segundo semestre devemos ver revisões para baixo nessa estimativa”, diz. Ele prevê alta de 5,1% do índice no próximo ano. Nesse momento, afirma, projetar número muito abaixo disso para 2017 pode parecer “otimista demais”.

A MCM Consultores tem avaliação menos otimista para o ano que vem. Para a instituição, o Banco Central ainda deve piorar suas expectativas para o ano que vem. Em estudo que tenta antecipar as novas previsões a serem divulgadas pelo BC no Relatório Trimestral de Inflação de março, a MCM estima que, considerando 4 de março como provável data de corte, a estimativa da autoridade monetária o IPCA em 2017 deve passar de 4,8% para 5,3%, no cenário de referência, e de 4,9% para 5,7%, no cenário de mercado.

Segundo a consultoria, a projeção maior no cenário de referência se justifica pela piora das expectativas inflacionárias do mercado entre o relatório de dezembro e o atual. Já no cenário de mercado, a previsão mais elevada se deve à mudança do juro básico: no cenário de referência, a taxa Selic fica estável em 14,25% ao ano. No de mercado, é reduzida até 12,25%, conforme a mediana do Focus apontava até a data de corte. “Portanto, apesar da melhora das projeções para 2016, nossas estimativas apontam para uma deterioração da inflação em 2017, o que deveria impedir a autoridade monetária de cortar a Selic”, diz a MCM.

Luis Otavio de Souza Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, avalia que as condições para que o BC reduza os juros em um ponto até o fim de 2016 estão “bem encaminhadas”, e foram corroboradas pelos últimos dados divulgados de inflação abaixo do esperado e desemprego acima do previsto. As perspectivas menos pressionadas para o IPCA deste ano ainda não se refletiram nas projeções para 2017, no entanto, devido à indefinição política, afirma o economista. “Com o dólar no patamar atual, se houver definição de qual vai ser o governo no segundo semestre, é provável que haja redução mais forte das expectativas”, diz Leal. “É totalmente factível termos inflação de 5,5% em 2017, convergindo ao centro em 2018.”

O principal fator responsável pela desaceleração do IPCA a um patamar ao redor de 5% no próximo ano será o desaquecimento mais forte do mercado de trabalho, que terá efeito maior sobre os preços em 2017, afirma Cristiano Oliveira, economista-chefe do banco Fibra. Mesmo que o PIB volte a crescer no ano que vem, explica Oliveira, a taxa de desemprego reage com defasagem ao ciclo econômico e, por isso, o contingente de desempregados ainda será bastante alto no período.

Aliado ao aumento do desemprego, a apreciação mais rápida que o previsto do câmbio também terá papel na moderação da inflação. O cenário político, avalia Oliveira, está ajudando o real a ganhar força sobre o dólar, mas o movimento ocorreria de qualquer forma, em função do ajuste nas contas externas e da perspectiva de um maior relaxamento das condições monetárias pelo Fed.

Valor Econômico – 31/03/2016

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BC revisa PIB de 2016 de queda de 1,9% para retração de 3,5%

SÃO PAULO  –  O Banco Central (BC) revisou sua estimativa para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 de queda de 1,9% para contração de 3,5%, de acordo com informações do Relatório Trimestral de Inflação de março. Em 2015, o PIB recuou 3,5%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa retração mais acentuada, diz o BC, incorpora a evolução recente dos indicadores da atividade econômica.Com exceção do setor externo, todas as demais estimativas, de oferta e demanda, pioraram entre o relatório divulgado em dezembro de 2015 e o apresentado nesta quinta-feira.

Depois de queda de 6,2% em 2015, o PIB da indústria deverá recuar outros 5,8% neste ano, terceira queda anual consecutiva. Antes, a previsão era de retração de 3,9% para o período.

O BC prevê recuos de 8% para a produção da indústria de transformação e de 4,7% para a indústria extrativa, destacando-se o impacto da queda na produção de minério de ferro, devido à paralisação da atividade da Samarco, em Mariana (MG).

A produção da construção civil deverá diminuir 5% no ano, evolução consistente com patamares reduzidos de indicadores de confiança dos consumidores e de empresários do setor. A distribuição de eletricidade, gás e água deverá crescer 1%, após recuo de 1,4% em 2015.

Ainda no lado da demanda, o BC revisou a queda do setor de serviços de 1,2% para 2,4% em 2016, com destaque para as projeções de contrações nos segmentos comércio (-7%), transportes, armazenagem e correio (-5,6%) e outros serviços (-3,1%). Em 2015, o setor encolheu 2,7%.

Já a agropecuária deve crescer 0,2% em 2016, menos que o 0,5% estimado anteriormente. Em 2015, houve expansão de 1,8%.

No lado da demanda, o BC prevê queda de 3,3% para o consumo das famílias e de 0,7% para a demanda do governo. Antes, previa recuo de 2,2% e alta de 0,4%, respectivamente. No lado das famílias, o recuo é “consistente com a distensão no mercado de trabalho, dos rendimentos reais, e com o crescimento modesto esperado para o mercado de crédito”. A queda no consumo do governo vem do ajuste fiscal.

Nos investimentos, a situação também piorou. O BC revisou a redução da formação bruta de capital fixo de 9,5% para 13%, terceiro recuo anual sequido. “A retração é influenciada, em parte, pelo corte de gastos públicos, pelo reduzido nível de utilização da capacidade instalada da indústria e pelo nível deteriorado da confiança dos empresários. Esse resultado é compatível com o desempenho negativo estimado para a construção civil e para a absorção de bens de capital”, diz o BC em seu relatório.

Valor Econômico – 31/03/2016

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Corte atinge Educação em cheio

O governo publicou ontem à noite, em edição extra do Diário Oficial, o decreto de programação orçamentária e financeira para 2016, que distribui entre os ministérios o corte de R$ 21,2 bilhões anunciado na semana passada. A nova tesourada afeta em cheio as pastas da Educação, da Defesa, da Saúde, e de Minas e Energia, conforme dados do Ministério do Planejamento.

O limite para empenho para a Educação foi reduzido em R$ 4,3 bilhões, o maior corte entre os ministérios. A Defesa teve redução de R$ 2,8 bilhões; Saúde, de R$ 2,4 bilhões; e Minas e Energia, de R$ 2,1 bilhões. Esse é o segundo contingenciamento anunciado em pouco mais de um mês. O primeiro, feito em fevereiro, foi de R$ 23,4 bilhões. A Advocacia Geral da União, a Vice-Presidência e o Itamaraty saíram ilesos. O teto de gasto para emendas parlamentares coletivas encolheu R$ 732,7 milhões.

Considerando o limite para o empenho previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovada em dezembro pelo Congresso, a soma dos dois cortes afetou de forma mais incisiva o Ministério de Minas e Energia, que teve redução de R$ 5,3 bilhões, ou 79% do previsto na LOA. O teto passou de R$ 6,7 bilhões para R$ 1,4 bilhão. A Secretaria de Aviação Civil também sofreu corte e 54%, ou R$ 1,4 bilhão no teto, que passou de R$ 2,6 bilhões para R$ 1,2 bilhão.

Nos Transportes, a diminuição foi de 45%, com o limite de gastos passando de R$ 9,2 bilhões para R$ 5 bilhões. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e a Secretaria das Mulheres, Igualdade Social e Direitos Humanos, apesar de não possuírem orçamentos bilionários, também sofreram cortes expressivos, de 41% e 40%, respectivamente. O limite do Mdic passou de R$ 1,1 bilhão para R$ 674 milhões. Já o da Secretaria das Mulheres encolheu de R$ 358,2 milhões para R$ 214 milhões.

Impeachment

Lutando de todas as formas para ter apoio suficiente no Congresso para barrar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o governo poupou todas as emendas individuais de parlamentares do novo corte no Orçamento. Para manter o limite de R$ 6,65 bilhões para essas emendas, a equipe econômica teve que cortar na própria carne e ratear esse contingenciamento entre os ministérios.

De acordo com o secretário do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira, o contingenciamento valerá enquanto o governo não conseguir aprovar no Congresso o projeto que muda a meta fiscal deste ano de superavit de R$ 24 bilhões para apenas R$ 2,8 bilhões. A proposta, no entanto, permite uma série de abatimentos que podem resultar em um deficit de R$ 96,6 bilhões em 2016.

No ano passado, depois das acusações de pedaladas fiscais, o governo foi proibido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de contar com uma meta fiscal que ainda não tenha sido aprovada pelo Congresso, daí a necessidade de congelar gastos. O contingenciado de fevereiro já era considerado insuficiente para o cumprimento da meta de superavit primário deste ano. No primeiro bimestre, o governo central já acumula deficit de R$ 10,273 bilhões. Nos últimos 12 meses, o saldo negativo é de R$ 131,85 bilhões.

Antes do anúncio dos cortes, o governo já havia limitado o empenho de despesas por duas vezes: em janeiro, a 1/18 do permitido na Lei Orçamentária Anual (LOA), limite que foi apertado para 3/18 em fevereiro.

Correio Braziliense – 31/03/2016

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‘Governo precisa reconhecer que seu tempo passou’, diz CEO da WTorre

O setor da construção sairá arrasado da crise, mas deverá ver o surgimento de “novos competidores e novas atitudes”, segundo Paulo Remy Gillet, CEO da WTorre.

Remy, que chegou a participar de um dos protestos na avenida Paulista, diz acreditar que o governo Dilma está perdido e que, caso caia, seu sucessor terá mais condições de aprovar mudanças.

A WTorre foi citada marginalmente por delatores na Lava Jato, mas a empresa diz que não tem envolvimento, que nada ficou provado e que não faz obras públicas.

A empresa demitiu 27% de sua força de trabalho em quase dois anos devido à crise e hoje está com os projetos do setor imobiliário, como shoppings e galpões, parados.

Folha- O setor vai sair da crise escangalhado?

Paulo Remy – Escangalhado seria um adjetivo carinhoso. Eu diria que sai arrasado. Acho ruim, mas vejo oportunidades. Sem o nosso setor não dá para viver. Você pode viver sem setor de alimentos orgânicos ou tratores com GPS, mas sem a indústria da construção civil não dá.

E as empresas que cometeram crime?

Não quero fazer julgamento. Minha preocupação é que a gente saiba separar o joio do trigo. Se não, daqui a pouco não tem mais construtora.

Dá para ter obra sem propina?

Tem que dar. Corrupção é coisa que tem que ser desinventada. É competição desleal. Mas temos que tomar cuidado para não generalizar e deixar que o que algumas construtoras fizeram seja transferido para o setor como um todo.

Não pode virar a fórmula: construtor mais obra é igual a corrupção.

A W.Torre fez o estádio do Palmeiras. O concorrente fez o Corinthians. Quando vê o dele na Lava Jato, o que pensa?

Fico triste. É frustrante. Você está trabalhando, lutando. Do nada, aparece um que fez ao dobro do seu preço, num lugar a esmo, para atender situações políticas. Se você não fez nada errado, pode dormir tranquilo. Hoje, ninguém pode dizer que eu estou envolvido nessas coisas. Pode até dizer que perdi muito dinheiro, que deixei de participar, mas pelo menos estou tranquilo.

Virão novos nomes ao setor?

Outras construtoras nascerão se tivermos um mercado com demanda, exportação, investidor, governo querendo construir. O ato de construir é milenar, mas pode haver uma nova construtora. Virão novos nomes, novos competidores e novas atitudes.

Como está a empresa?

Eu vivo do mercado imobiliário e não tem um mercado imobiliário hoje. Tem o mercado de infraestrutura, onde estamos jogando todas as fichas. Estamos concorrendo na PPP de iluminação pública de São Paulo, olhando oportunidades das novas privatizações. Estamos na área de óleo de gás.

Fomos para um setor que ainda tem obra, porque na infraestrutura a visão é de longo prazo.

Como está a disputa com a arena do Palmeiras?

Existe uma arbitragem. Estamos discutindo. Agora as coisas estão encaminhadas. O Palmeiras entendeu que o modelo de negócios que nós propusemos a eles ninguém propôs no mercado.

O país tem liderança hoje?

A sociedade está vivendo um dos piores momentos de liderança. A Presidência é uma das ausências de líderes. Quando você tem um baixíssimo índice de aceitação, sua liderança está comprometida. Mas faltam também lideranças empresariais.

A Fiesp está posicionada.

Fazer barulho não acrescenta. Quero saber qual é a proposta. Não sou crítico ao presidente da Fiesp, mas critico essa coisa de “pus um pato, fiz campanha”. Qual é a proposta? Comer o pato no molho? Contratar cinco notáveis e fazer uma proposta de reforma tributária? Ele fez? Mandou para o Congresso? Todo mundo culpa deputado, mas entidade de classe pode mandar projeto de lei.

O que acha que vai acontecer?

O governo atual infelizmente se perdeu. Há momentos em que os grandes líderes têm que reconhecer que seu tempo passou.

Seria a renúncia?

O termo renúncia ou impeachment será irrelevante. O mais importante é você reconhecer que está na hora de recuar seu exército, se reorganizar e voltar daqui a alguns anos. Minha única preocupação é que a gente se reorganize na forma da lei e das instituições. Se a presidente vai renunciar, está previsto na Constituição. Se não renunciar, nós cidadãos podemos pressionar o Congresso e fazer um impeachment. Impeachment não é golpe. Está previsto na Constituição, desde que seja dentro das regras do jogo. Se tivermos um governo de transição bem costurado, com um norte, sem interesse em 2018, teremos uma grande oportunidade. Tem que ser um governo que pare para resolver os problemas imediatos. O problema é aprovar no Congresso. Um governo de transição bem estruturado consegue aprovar com velocidade.

O sr. trabalha com forte cenário de saída da presidente.

Estou trabalhando com o cenário do mercado. Não posso trabalhar com outro. Temos que olhar para frente, em como vamos resolver o problema de amanhã de manhã. O mundo atual não é para ser olhado em 20 anos. Temos que pensar nos próximos dois anos.

*

RAIO X
Paulo Remy Gillet, 50

Cargo
CEO e acionista da WTorre e membro do conselho de administração da Estapar

Trajetória
Formado em administração de empresas pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Foi um dos sócios fundadores da Galeazzi & Associados
Atuou como membro do comitê de investimentos da AIG Capital Partners

Folha de S.Paulo – 31/03/2016

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Confiança da indústria sobe em março mas ambiente ainda é de incerteza

SÃO PAULO  –  Influenciado pela continuidade na queda dos estoques, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) registrou alta de 0,4 ponto em março, ante o mês anterior, feito o ajuste sazonal, de acordo com sondagem da Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador subiu de 74,7 pontos para 75,1 pontos. A prévia da sondagem, divulgada na semana passada tinha mostrado uma alta maior, de 1,1 ponto.

Na comparação com o mesmo período do de 2015, ainda há queda, de 3,9 pontos, mas em menor proporção que nos meses anteriores. Em fevereiro, o recuo foi de 11,6 pontos.

Para a FGV, o resultado na comparação mensal consolida a tendência de relativa estabilidade do indicador. Em termos trimestrais, o índice teria recuado de 75,5 pontos na média do quarto trimestre de 2015 para 75,3 pontos no primeiro trimestre de 2016.

O aumento da confiança em março combina melhora das avaliações do setor sobre a situação atual e piora nas expectativas para os próximos meses. O Índice da Situação Atual (ISA) aumentou para 78,6 pontos, o maior desde abril de 2015, enquanto o Índice de Expectativas (IE) recuou para 72 pontos, o menor da série histórica.

“Apesar da ligeira alta da confiança em março, os resultados da Sondagem da Indústria continuam de certa forma dúbios, refletindo o ambiente de elevada incerteza econômica e política. A percepção em relação à situação atual melhorou em função da continuidade do movimento de ajuste dos estoques. Mas isso tem se mostrado insuficiente para promover um aumento do otimismo do setor em relação aos meses seguintes”, afirma Aloisio Campelo Jr., superintendente adjunto para Ciclos Econômicos da FGV-Ibre.

O levantamento também mostrou que a indústria continua muito ociosa, embora o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) tenha registrado relativa estabilidade em março, marcando 73,7%, 0,1 ponto percentual acima do mês anterior, quando havia registrado o mínimo histórico.

Valor Econômico – 31/03/2016

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Auditoria do TCU aponta falta de transparência no Sistema S

Auditoria da equipe de fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou falta de transparência no uso de recursos públicos em 141 entidades do Sistema S. O resultado foi aprovado em acordão apresentado pelo ministro-relator, Weder de Oliveira.

Segundo o ministro, cinco representações sem fins lucrativos – Senai, Sesi, Senac, Sesc e Senar – precisam assumir práticas que busquem a máxima transparência às informações contábeis. “Para o caso do Sistema S, que é financiado por recursos públicos, a transparência é um dever.”

O TCU reconheceu a importância das entidades do Sistema S na prestação de serviços de educação profissionalizante, saúde, lazer e cultura. Segundo Oliveira, o acompanhamento da aplicação dos recursos se mostra ainda mais necessária diante dos volumes movimentados. A receita das cinco instituições em 2015 foi de R$ 27,7 bilhões. Desse total, R$ 17 bilhões foram classificados como recursos públicos.

O levantamento indicou que 83% das entidades não possuem unidades de auditoria interna, apenas 51% contrataram auditorias independentes e 78% não possuem conselho fiscal próprio. Embora 87,9% das instituições divulguem informações contábeis trimestralmente, os dados são gerais e precisariam ser publicados de forma “mais desagregada” para viabilizar uma análise detalhada.

O TCU recomendou às entidades do Sistema S maior transparência em relação a orçamento, demonstrativos contábeis, processo licitatórios, contratos, gratuidade dos cursos, transferência de recursos, receitas e despesas e plano de cargos e salários. As entidades terão 180 dias para apresentar um cronograma de adoção, mesmo parcial, de medidas necessárias para implementar as sugestões.

Valor Econômico – 31/03/2016

Redação On março - 31 - 2016
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