Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Tera-feira, 21 de Novembro de 2017






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Avanços na OMC

O diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, estimou que o comércio internacional terá incremento de R$ 1 trilhão quando o acordo global aprovado na conferência realizada em Bali, na Indonésia, em dezembro de 2013, estiver implementado. Esse volume representa crescimento de pouco menos de 10% nas transações comerciais internacionais, que giram em torno de US$ 13 trilhões.

A maior parte do aumento, segundo a OMC, beneficiará os países em desenvolvimento (US$ 730 bilhões). O acordo foi ratificado ontem pelo Brasil, o 72º país a fazer a adesão. Para entrar em vigor é necessária a ratificação por dois terços dos 162 membros da OMC (108 países).

O tratado foi aprovado pela Câmara dos Deputados em fevereiro e pelo Senado em março deste ano. O objetivo do acordo é diminuir os custos e o tempo que a mercadoria fica na fronteira, “tempo morto” que onera as transações mundiais. Segundo Azevêdo, o custo das trocas comerciais deve cair 14,5% na média mundial.

“O exportador brasileiro vai ganhar duas vezes: na redução dos custos e do tempo para o produto sair do Brasil e também, de maneira semelhante, na entrada do país de destino. Os produtores brasileiros que usam insumo importado também vão se beneficiar porque o custo da transação vai diminuir”, ressaltou o embaixador

Para Azevêdo, a estabilidade política é ingrediente importante para a retomada do crescimento. “Quanto mais rápido o Brasil sair deste momento de turbulência, melhor para a economia.”

Correio Braziliense – 30/03/2016

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BC americano sugere cautela para elevar taxas

A incerteza que cerca a economia global elevou os riscos para a economia americana, o que justificaria um ritmo mais lento de alta dos juros nos EUA. Essa foi a avaliação de analistas de mercado com relação às declarações da presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, ontem, no Clube Econômico, em Nova York. Para Yellen, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) deve ter cautela para aumentar os juros, hoje entre 0,25% e 0,5% ao ano.

— Os acontecimentos no exterior sugerem que o cumprimento de nossas metas de emprego e inflação provavelmente vão exigir uma trajetória um pouco menor para a taxa de juros em relação ao esperado em dezembro (quando o Fed elevou os juros pela primeira vez em uma década) — disse Yellen. — Devido aos riscos para o panorama, considero apropriado que o Comitê proceda cautelosamente no ajuste da política monetária. Essa cautela é especialmente justificada porque, com os juros muitos baixos, a capacidade do Fomc de usar a política monetária convencional fica limitada.

As declarações de Yellen agradaram ao mercado: o Dow Jones, principal índice da Bolsa de Nova York, fechou em alta de 0,56%, enquanto o S& P 500, mais amplo, avançou 0,88%. Já a Nasdaq teve valorização de 1,67%.

O Globo – 30/03/2016

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Piora externa gera efeito cascata no Uruguai

A desaceleração econômica global, sobretudo na vizinhança, atingiu em cheio o Uruguai. O país sofre com a queda de suas exportações, vê o influxo de turistas de Brasil e Argentina se reduzir e tem sua moeda, o peso, se desvalorizar frente ao dólar. Com isso, houve um efeito negativo em cascata na economia: o déficit fiscal aumentou, a inflação disparou a dois dígitos, o crescimento econômico neste ano será pífio e o desemprego está em alta, dizem analistas.

O PIB (Produto Interno Bruto) do país, que desde 2004 jamais crescera abaixo de 3,3% ao ano, aumentou somente cerca de 1,3% em 2015 e deve ter alta 1,1% neste ano, estima o Banco Central. Já analistas falam em alta de 0,5% em 2016.

As exportações uruguaias, por sua vez, caíram 11,6% em 2015, para US$ 8,967 bilhões. “Esse resultado era esperável, dado o contexto externo e regional adverso, caracterizado pela queda dos preços das commodities, a desaceleração da China, a estagnação na Argentina e a recessão no Brasil”, disse o governo uruguaio em seu Informe Anual de Comércio Exterior.

Foi a primeira queda nas vendas externas desde 2009, em meio à crise financeira global.

Mostra do menor dinamismo do mercado interno, as importações também caíram em proporção similar – 11,3% em relação a 2014, para US$ 8,547 bilhões, excluindo-se petróleos e derivados.

Os menores recursos obtidos com exportações, além da desaceleração econômica, provocaram uma piora nas contas públicas do Uruguai. A receita do governo central caiu em 0,6% do PIB em 2015, dando continuidade a uma piora que já vinha ocorrendo nos últimos anos.

O déficit fiscal, que em 2013 estava na casa dos 2%, subiu a 3,5% em 2015, o maior em 13 anos. Para este ano, alguns analistas esperam que atinja a marca de 4%.

“A desaceleração econômica foi mais rápida do que o governo esperava, e houve manutenção do nível de gastos”, disse ao Valor Santiago Rego, economista da consultoria CPA Ferrere, em Montevidéu. “Isso gerou preocupações das autoridades, e foi preciso fazer correções no lado fiscal.”

A desaceleração econômica global, além disso, reduziu o fluxo de investimentos, piorando ainda mais a situação fiscal.

Rego explica que, para minimizar o rombo nas contas, o governo promoveu no ano passado altas nas tarifas públicas, como eletricidade, água e transporte.

Essas medidas, porém, tiveram um efeito perverso. Em um contexto de forte desvalorização do peso frente ao dólar, a inflação uruguaia fechou 2015 em 10,5%. Pela primeira vez desde 2003, o país tem inflação anual de dois dígitos.

A depreciação da moeda uruguaia foi de mais de 60% desde 2013. O dólar saiu de 18,50 pesos naquele ano para 33 pesos hoje.

“A inflação ultrapassou 10%, causada pela alta do câmbio e das tarifas publicas”, diz o economista Aldo Lema, da Vixion Consultores, em Montevidéu. “Dada a situação fiscal, as tarifas não podem ser reduzidas, mesmo em um contexto de petróleo mais baixo e maior disponibilidade elétrica.”

A depreciação do câmbio, além disso, pode piorar ainda mais a situação das contas públicas. Segundo Lema, 40% do endividamento uruguaio é hoje indexado ao dólar. Isso singnifica, diz ele, a que a proporção da dívida frente ao PIB, hoje se aproximando dos em 70%, deve subir ainda mais.

Na opinião de Lema, “está claro que o cenário para o Uruguai em 2016 é de estagnação com piora do emprego”. A taxa, que já vem subindo, no ano passado fechou em 7,7% e neste ano pode chegar a 8,5%.

A aprovação ao presidente Tabaré Vázquez, apesar disso, mantem-se em um nível tido como “razoável” – 35%, segundo pesquisa Equipos de início de março.

Valor Econômico – 30/03/2016

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Opinião

Por Mauro Laviola

Efeito Orloff nas negociações Mercosul-União Europeia

Recentes visitas dos presidentes da Itália e da França à Argentina tiveram o mérito de recolocar o país presidido por Mauricio Macri no centro das atenções europeias. Tais visitas ocorreram em momento oportuno, o da esperada retomada dos entendimentos das negociações birregionais que vêm se arrastando há mais de uma década. As efetivas medidas do novo governante argentino, visando recompor a economia interna e as relações internacionais do país, parecem ter desfeito a incógnita de participação efetiva do país no acordo, não obstante tenha integrado a oferta do Mercosul aprovada no final de 2015. Em apenas três meses, Macri deu início ao processo de reverter a agenda eminentemente doméstica, adotada desde o início do século pelos mandatários anteriores, para uma efetiva abertura ao exterior.

Por outro lado, o acordo com o Mercosul parecia ter perdido relevância na agenda europeia por força de problemas econômicos, financeiros e políticos que vêm assolando aquela Comunidade – concentração nas negociações do TTIP com os EUA, assistência financeira alemã a governos deficitários, novos vínculos com a economia chinesa e a necessidade de encontrar solução para os problemas com a Rússia e a Ucrânia.

No Mercosul, ao contrário, a aproximação comercial com os europeus adquiriu, nos últimos tempos, caráter prioritário pelos governos do Brasil, Paraguai e Uruguai, agora mais do que reforçado pela nova postura argentina e consolidando posição comum dos quatro sócios originais.

Mais prático será cuidar da competitividade para que o possível acordo com a UE não agrave mais ainda nossos problemas

Contudo, a visita a Buenos Aires da coordenadora diplomática da União Europeia, a italiana Frederica Mogherini, deixou transparecer às autoridades locais o forte empenho da Comunidade em acelerar entendimentos com o Mercosul, consubstanciados numa efetiva troca de ofertas, até o momento em “banho-maria”. As recentes reformas argentinas na área administrativa das importações e a disposição de saldar seus débitos internacionais, ainda que de forma parcial, avalizam a disposição do país de retornar às relações externas confiáveis e garantir juridicamente os investimentos externos europeus.

Porém, nem tudo são flores, pois, segundo o mestre Cartola “as rosas não falam, simplesmente exalam perfume”. Após a desejada troca de ofertas é que começa, efetivamente, a negociação propriamente dita envolvendo temas mais importantes do que as eliminações tarifárias, tais como: regras de origem, barreiras não tarifárias, normatizações sanitárias e fitossanitárias, serviços, compras governamentais e investimentos, entre outros. Os compromissos decorrentes do documento de Bali sobre facilitação de comércio certamente integrarão o rol substantivo do acordo.

São temas mais palatáveis para os europeus, exceto no que tange ao efetivo desmantelamento das tarifas europeias e dos preços referenciais incidentes sobre os produtos agropecuários, além do cancelamento dos subsídios agrícolas e, principalmente, nos famigerados “padrões privados” que tendem a infernizar a vida dos exportadores que almejam acessar aquele mercado.

Assim, há duas questões básicas em jogo. Do lado europeu, especula-se qual será o conteúdo da proposta sobre bens agropecuários que equilibrem a oferta do Mercosul próximo a 90% do valor de comércio, com ênfase na desoneração dos bens industrializados. Especula-se, também, que a pressa europeia para trocar ofertas até junho deste ano está centrada na coordenação das negociações no Mercosul, que está por conta do Uruguai neste primeiro semestre, uma vez que, na segunda metade do ano, a presidência pro tempore caberá à Venezuela, que está fora do acordo.

Diplomatas brasileiros asseguram que não haverá transtornos porque aquele país delegará poderes de coordenação para o sócio seguinte, no caso a Argentina. Ver para crer.

Certamente o ponto mais crítico dessas negociações está centrado na atual e futura situação da economia brasileira. Nos últimos anos observa-se, além do desmantelamento macroeconômico, uma crise de competitividade do produto industrializado brasileiro em face do agravamento persistente do chamado custo Brasil. Sem desoneração da cadeia produtiva voltada às exportações, a eterna carência de financiamentos às vendas externas, o persistente atraso na inovação tecnológica, logística ineficiente e resquícios burocráticos persistentes estão condenando o país a estacionar seu comércio externo nos míseros 1% em relação às transações globais.

A queda nos preços das commodities, a vultosa crise fiscal, o recrudescimento inflacionário, os índices negativos de desempenho da economia e o rebaixamento do grau de investimento brasileiro pelas agências de classificação de risco, completam um painel alarmante para as empresas brasileiras sujeitas à acirrada competitividade que um acordo dessa natureza impõe à economia do país.

Nesse cenário, torna-se absolutamente crítico o engajamento permanente do setor empresarial brasileiro no acompanhamento dessas negociações. Internamente também, com o firme empenho de atuar nas diversas esferas públicas para que o país reduza a brecha competitiva que o separa do mundo desenvolvido e, até mesmo, de vizinhos em franco desenvolvimento.

A queixa empresarial mais constante com relação à carência do Brasil em negociações mais amplas de livre comércio é pertinente, porém insolúvel enquanto perdurar as amarras vigentes no Mercosul. Mais prático será cuidar seriamente da competitividade nacional para que o possível acordo com a União Europeia não agrave ainda mais nossos problemas.

Será que, para que isso ocorra teremos que dispensar o sabor dos vinhos de Mendoza e passarmos a degustar a nova vodka argentina?

Mauro Laviola é empresário, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e integra o Conselho de Relações Internacionais da Firjan e o Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp.

Valor Econômico – 30/03/2016

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Já a China tenta conter reajustes de salários

Os rápidos avanços salariais na China, que começaram após a crise financeira mundial de 2009, estão perdendo fôlego com a desaceleração da economia. Isso cria problemas para o governo, que tenta estimular o consumo doméstico.

O aumento na renda dos trabalhadores migrantes cairá para menos de 7% neste ano, contra de 7,2% em 2015, segundo 9 de 12 economistas consultados pela Bloomberg News neste mês. O resultado sai após um comunicado da província de Guangdong, maior exportadora chinesa e um dos locais mais buscados pela mão-de-obra de origem rural, de que congelará o salários mínimo por dois anos.

Um aumento mais lento dos custos trabalhistas poderá tornar as empresas chinesas mais competitivas, além de ajudar os empregadores a enfrentar as reformas estruturais que, prometem os líderes do Partido Comunista, enxugará o excesso de capacidade na segunda maior economia do mundo. O governo anterior defendia os aumentos salariais como forma de fomentar a demanda doméstica.

“As pragmáticas autoridades monetárias chinesa reconheceram os limites de coisas como aumentos do salário mínimo”, disse Louis Kuijs, economista-chefe para Ásia na Oxford Economics, em Hong Kong. “Não é possível esperar que o crescimento dos salários persista, se as condições dos negócios e a evolução dos lucros esfriaram.”

Empregos, renda e o “novo normal” de crescimento econômico mais lento eram alguns dos itens no topo da agenda da reunião do Congresso chinês, realizado no início deste mês em Pequim.

Mesmo com a remuneração mais baixa dos trabalhadores, economistas ainda preveem um aumento do desemprego na China neste ano. A taxa de desemprego urbano deve subir para entre 5,3% e 5,5% em 2016, acima dos cerca de 5,1% no ano passado, disseram 7 dos 12 economistas consultados.

“A despeito do discurso sobre um novo normal, a promessa implícita é que as coisas vão melhorar”, disse Pauline Loong, diretora-gerente da Asia-Analytica Research, em Hong Kong. “Veja, porém o crescimento dos salários – isto é, o seu não crescimento. Num momento de queda nos lucros, até mesmo dos grandes bancos, onde está o espaço para elevar salários? Nem as grandes empresas estatais estão ganhando dinheiro.”

O previsto esfriamento do mercado de trabalho é notável, porque o contingente de mão de obra chinesa vem encolhendo, algo que, em outras circunstâncias, levaria as empresas a terem de pagar mais para atrair trabalhadores.

O crescimento dos salários tem sido pressionado por congelamentos salariais, mais recentemente, em Guangdong, província mais populosa na China, com 107 milhões de pessoas e uma economia de US$ 1,1 trilhão. O governo local disse em fevereiro que manterá o salário mínimo congelado por dois anos para ajudar as empresas a cortar custos trabalhistas.

Os salários médios mensais de 277 milhões de trabalhadores migrantes chineses cresceram em média 7,4% no ano passado, para 3,072 mil yuans (US$ 473), portanto mais lentamente do que o avanço de 9,8% em 2014 e 13,9% em 2013, segundo dados oficiais.

“As quedas nas exportações e na atividade de construção civil manterão os salários comprimidos”, disse o economista Harrison Hu, diretor do Royal Bank of Scotland. “Reduzir os custos das empresas é agora prioridade”.

Valor Econômico – 30/03/2016

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Opinião

O desafio chinês e a economia mundial

Martin Wolf

A tentativa de transição econômica da China tem profundas implicações, não apenas para a nação emergente como para o resto do mundo. No curto prazo, o desafio é administrar as consequências do que poderá ser um acentuado abrandamento da atividade econômica chinesa. No longo prazo, trata-se de como lidar com a integração de uma potência financeira na economia mundial. Na realidade, porém, o que acontece no curto prazo também moldará o longo prazo.

A mais recente Pesquisa Econômica da Índia fornece uma taxonomia instigante de crises. O impacto externo de uma crise depende, diz a PEI, de se ela ocorre em países sistemicamente importantes, se é o resultado de contração fiscal ou privada e de se as moedas dos países afetados apreciam-se ou depreciam-se.

O que pode essa análise ter a ver com a China? A resposta é que trata-se de um país sistemicamente importante que sofre de elevado endividamento das empresas em rápido crescimento. Isso pode resultar em uma parada súbita no investimento e em rápida depreciação.

A economia mundial, ainda em dificuldades diante dos efeitos das crises financeiras, poderá não conseguir enfrentar uma crise chinesa. A última vez que uma potência financeira hegemônica emergiu, o mundo sofreu a Grande Depressão. Precisamos fazer melhor desta vez

Uma forte desaceleração assim não é de todo impossível. A combinação de um aumento, em última instância insustentável, na dívida empresarial com a dependência da demanda por taxas de investimento ultraelevadas cria vulnerabilidade.

À medida que a economia desacelera para um crescimento abaixo de 7% ao ano, taxas de investimento próximas de 45% do Produto Interno Bruto (PIB) não fazem mais sentido econômico. O setor privado também é responsável por cerca de dois terços do investimento. Assim, as forças de mercado poderão impor um ajuste doloroso.

Poderíamos contemplar duas respostas do governo: um enorme aumento dos déficits orçamentários, como nas crises financeiras ocidentais, e uma política monetária mais agressiva. Mas um câmbio menor também poderia ser bem-vindo, como uma forma de compensar as pressões deflacionárias domésticas. No Fórum de Desenvolvimento da China, realizado em Pequim neste mês, Zhou Xiaochuan, presidente do Banco Popular da China, indicou ser razoável consumir as reservas cambiais acumuladas em enorme (e não planejada) escala.

Mas deve haver algum limite para isso. Controles sobre a saída de capitais também poderiam ser apertados, mesmo que isso vá contra os planos chineses de abertura da conta de capital.

Embora a economia chinesa esteja esfriando, as políticas monetária e de crédito estejam sendo afrouxadas e a taxa de câmbio esteja em queda, tal crise ainda não se manifestou. Os principais motivadores das saídas de capital também parecem ser o pré-pagamento de empréstimos em moeda estrangeira e a reversão de operações de “carry trade”, em parte desencadeada pela percepção de um maior risco de desvalorização do renminbi. Então, embora mostre-se enfraquecido, o crescimento da demanda certamente não entrou em colapso. Até aqui, tudo bem. Mas essa história ainda não acabou.

A economia mundial não está em posição de absorver outro grande choque deflacionário. A possibilidade de que tal choque seja proveniente da China ao longo dos próximos anos é real. Mas surge também um problema de longo prazo: como integrar a China no sistema financeiro mundial.

A experiência sugere que a simultânea liberalização e abertura de sistemas financeiros frágeis frequentemente termina em enormes crises. Se o país em questão é sistemicamente importante, tais crises serão mundiais. Taxas de câmbio flutuantes podem atenuar o impacto. Mesmo assim, uma crise em uma economia sistemicamente importante terá efeitos enormes.

Por essa razão, a abertura do sistema financeiro chinês ao mundo deve ser considerada uma questão de interesse mundial. Um documento recente do Banco da Reserva da Austrália ilustra alguns riscos. Um aspecto significativo é o potencial para um vasto aumento dos fluxos bidirecionais de investimentos de capital, que ainda são modestos de e para a China.

Neste momento, os controles sobre saídas de capital permanecem apertados. Mas consideremos algumas magnitudes relevantes: a poupança anual bruta chinesa foi de aproximadamente US$ 5,2 trilhões em 2015, contra US$ 3,4 trilhões nos EUA; sua “base monetária ampla (M2)”, a medida mais ampla de oferta monetária, era de US$ 15,3 trilhões no fim do ano passado; e o estoque total bruto de crédito na economia ficou em torno de US$ 30 trilhões.

A China é a superpotência da poupança. Não é difícil imaginar uma enorme saída bruta, devido à diversificação de carteiras de investimentos e à fuga de capitais, caso os controles sejam abolidos. Contra tais vastas saídas em potencial, até mesmo as gigantescas reservas em moeda estrangeira de US$ 3,2 trilhões seriam rapidamente esgotadas. Embora também surgisse demanda de investidores externos por ativos chineses, a política doméstica e as mudanças institucionais necessárias para tornar isso uma realidade seriam, provavelmente, incrivelmente exigentes.

É provável, portanto, que o impacto da liberalização da conta de capital seria uma grande saída líquida de capitais da China, um câmbio mais fraco e um superávit maior em conta corrente. Menores investimentos reforçariam isso. É difícil imaginar como essa mudança poderia ser acomodada. Basta que pensemos nos possíveis impactos sobre os mercados de ativos, sobre as taxas de câmbio e sobre os saldos em conta corrente no restante da economia mundial.

Em seu discurso no Fórum de Desenvolvimento da China neste mês, Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, observou, e com razão, que “maior integração mundial traz consigo um maior potencial para contágios – através de efeitos comerciais, financeiros ou de confiança. À medida que a integração prossegue, é fundamental uma cooperação eficaz para o funcionamento do sistema monetário internacional. Isso requer ação coletiva de todos os países”. Neste momento, nada é mais importante do que a gestão cooperativa das tensões imediatas na economia chinesa e os desafios de longo prazo da integração financeira da China.

Se qualquer desses dois aspectos for mal gerenciado, isso poderá exercer pressão insuportável sobre nosso sistema econômico mundial integrado. A economia mundial ainda está em dificuldades para enfrentar as consequências das crises financeiras ocidentais. Ela poderá não conseguir absolutamente enfrentar uma crise chinesa. A última vez em que uma potência financeira hegemônica emergiu, o mundo sofreu a Grande Depressão. Precisamos fazer melhor desta vez. (Tradução de Sergio Blum)

Martin Wolf é editor e principal analista econômico do FT

Valor Econômico – 30/03/2016

Reino Unido testa aumento real do salário mínimo

“Sinto-me como se tivesse morrido e ido para o céu”, disse o ministro de Negócios, Inovação e Capacitação do Reino Unido em recente discurso, enquanto se prepara para comandar o mais rápido aumento do salário mínimo na história do país.

Pela nova política, que entra em vigor nesta sexta-feira, os salários dos trabalhadores de baixa renda subirão quatro vezes mais rápido que o salário médio neste ano.

O mundo estará observando. Governos em muitos países desenvolvidos estão recorrendo a políticas de salário mínimo para tentar atacar a desigualdade e o crescimento anêmico dos salários.

A estagnação dos salários nos últimos anos tem sido atribuída ao aumento da concorrência mundial, ao declínio nas negociações coletivas, a uma desaceleração do crescimento da produtividade e à maneira pela qual a tecnologia tem “esvaziado” algumas atividades de qualificação mediana.

Em resposta, a Alemanha introduziu, em 2015, seu primeiro salário mínimo na história; o premiê japonês, Shinzo Abe, defendeu aumentos de 3% ao ano para o salário mínimo num futuro próximo; e algumas cidades dos EUA, como Seattle, estão aumentando seus pisos salariais para US$ 15 por hora.

Países em desenvolvimento, como a Malásia, também estão usando salário mínimo para tentar redistribuir o crescimento de forma mais justa e incentivar as empresas a ascender na cadeia de valor.

“Os salários mínimos nunca foram tão populares. A próxima pergunta é: até onde poderemos elevá-los?”, questiona Richard Dickens, professor de economia na Universidade de Sussex.

Essa é a pergunta que o novo salário mínimo britânico – que começa em 7,20 libras (cerca de R$ 37) por hora e chegará 9 l/h hora em 2020 – terá de responder.

Nick Boles, o ministro de Negócios, disse que será “um dos maiores aumentos no salário mínimo legal já dado por qualquer governo no mundo ocidental”.

Mas os conservadores nem sempre se sentiram dessa forma em relação ao salário mínimo. De fato, o partido se opôs à introdução dessa política no Reino Unido, em 1998, argumentando que destruiria empregos. “Nós trazemos ao nosso credo o fervor dos convertidos”, admite agora Boles.

Muitos economistas também mudaram de opinião. Manuais de economia costumavam dizer que, se os salários subirem acima do valor que criam para os empregadores, isso reduziria a demanda por mão de obra. Ou seja, que os salários mínimos custam empregos.

Mas as opiniões dos economistas estão agora mais variadas, em boa parte devido à experiência de países como o Reino Unido, que têm mantido aumentos ininterruptos do salário mínimo sem que isso tenha gerado prejuízo perceptível ao nível de emprego.

Os primeiros sinais na Alemanha também são positivos. Apesar do nervosismo de empresas quando da introdução do salário mínimo de 8,50 euros (cerca de R$ 30) por hora no ano passado, a taxa de desemprego continuou a cair e está agora num mínimo recorde.

“Minha opinião sobre a história do salário mínimo é que sempre ficamos surpresos sobre como parece ser possível empurrá-lo para cima sem prejudicar as perspectivas de emprego”, disse Alan Manning, professor na London School of Economics. “É claro que deve haver um ponto além do qual, se elevarmos demais o mínimo, surgirão efeitos adversos graves. Mas simplesmente não sabemos onde fica esse ponto”.

Em termos de cobertura, dados da OCDE analisados pela Comissão de Baixa Remuneração (LPC, órgão do governo britânico) mostra que cerca de 9% dos trabalhadores no Reino Unido ganham atualmente em torno de 5% do salário mínimo – uma proporção relativamente alta, em comparação com países similares, como Austrália, EUA e Canadá. Em 2020, sugere a análise do LPC, esse número aumentará para cerca de 18% -substancialmente maior do que em qualquer outro país da OCDE para os quais há dados.

“Nós estamos entrando em águas desconhecidas e simplesmente não sabemos [o que acontecerá]. Em alguns aspectos, é um experimento social”, diz o professor Dickens, também membro da Comissão de Baixa Remuneração, responsável por recomendar valores de salário mínimo ao governo.

A grande questão é saber se o Reino Unido conseguirá manter seu vigoroso histórico de empregos, especialmente para os trabalhadores menos qualificados, cuja contratação está prestes a ficar mais cara. Andrew Hilton, diretor do Centro para Estudos de Inovação Financeira, acredita que a política será “devastadora” para os empregos que exigem pouca ou nenhuma qualificação.

Este debate veio à tona recentemente também na Alemanha, devido ao temor de que o salário mínimo esteja alto demais para permitir que os refugiados recém-chegados encontrem emprego. Alguns políticos alemães pediram exceções ao salário mínimo para os refugiados com baixa qualificação.

No entanto, o professor Manning destaca que a modelagem elaborada para testar os experimentos com salário mínimo em cidades americanas como Seattle é animadora. Essas análises sugerem que os trabalhadores com baixos salários gastarão mais dinheiro na economia local, aumentando a demanda local e criando um círculo virtuoso para empregadores e empregados.

Ele diz que o Reino Unido está certo em experimentar – e contesta a ideia de que o país está “avançando aos tropeços rumo à borda de um precipício”.

“Podemos estar no escuro, mas nossa posição é muito mais parecida com estar no topo de uma colina arredondada e, se formos um pouco longe demais para baixo, podemos simplesmente retornar”, diz ele. “Nada aqui é irreversível”.

Valor Econômico – 30/03/2016

Redação On março - 30 - 2016
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