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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






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Continuam aprovando medidas contra o ajuste, diz Mansueto

A evolução recente das contas públicas coloca o Brasil no pior dos mundos: os resultados de curto prazo são ruins e tendem a piorar e não há nenhuma sinalização que permita enxergar qualquer avanço em um horizonte mais longo, avalia o especialista em contas públicas Mansueto Almeida.

Para ele, o déficit primário de R$ 25,1 bilhões em fevereiro não chegou a surpreender, apesar da magnitude, já que a receita está em queda livre e o espaço para corte de despesas é cada vez menor. O investimento, por exemplo, continuou baixo, em R$ 3,2 bilhões, mas subiu 7% em relação a fevereiro de 2015.

A possibilidade de déficit de R$ 96,7 bilhões em 2016, assim, não só é realista como pode ser otimista. O problema, diz, é que a flexibilização da política fiscal não foi, até agora, acompanhada de medidas de ajuste das contas no longo prazo, enquanto o Congresso continua a passar medidas que agravam a situação. “Todos falam em ajuste fiscal, mas estamos aprovando medidas contra”. Nas condições atuais, diz, a dinâmica da dívida é insustentável. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O resultado de fevereiro foi muito negativo, mas estava nas suas contas. Por quê?

Mansueto Almeida: Os dados do Siafi já mostravam queda muito grande da receita, de mais de R$ 50 bilhões em relação a janeiro, enquanto a retração da despesa tinha sido muito menor, de R$ 13 bilhões. Então o número não foi surpresa, mas há dois pontos. Ao contrário de 2015, o investimento, apesar de baixo, quase não caiu entre janeiro e fevereiro. Vai ser cada vez mais difícil cortá-lo porque essa foi uma das duas grandes contas em que governo mais economizou ano passado.

Valor: Qual foi a outra?

Mansueto: A outra foi o abono salarial, que caiu ano passado, mas por causa da modificação no cronograma de pagamento. Agora, a alta de quase 140% no mês. E do lado de custeio não tem mais espaço para corte. Em Saúde e Educação, embora esteja gastando acima do mínimo constitucional, é difícil repetir a economia do ano passado, até porque o Orçamento de 2016 já veio com cortes relevantes em alguns programas, como o Ciência sem Fronteiras.

Valor: Então a meta de déficit, de até R$ 96,7 bilhões, é realista?

Mansueto: Não tem como estabilizar o resultado com queda real da receita da ordem de 12%, porque qualquer redução adicional da despesa é muito improvável. O Orçamento já contempla crescimento de quase R$ 100 bilhões do gasto obrigatório. É muito difícil melhorar o dado do curto prazo, nesse ponto o Nelson Barbosa tem razão. E esse déficit ainda exige crescimento nominal da receita de R$ 60 bilhões, conta com bastante receita extraordinária.

Valor: Pode ser ainda pior?

Mansueto: Sim, até porque os Estados e municípios começaram ano passado com superávit primário alto e o resultado foi diminuindo. Esse ano, vão ter crédito novo para gastar e redução do serviço da dívida. Então vai piorar governo central e governos regionais. Ter um déficit de 2% do PIB não está descartado. Estamos no pior dos mundos. Vamos ter contínua piora dos resultados e nenhuma sinalização positiva no longo prazo. É urgente resolver a questão fiscal. Pela situação de hoje, trajetória da dívida é insustentável.

Valor: A renegociação abre espaço para piora das contas estaduais?

Mansueto: No curto prazo, é piora líquida e certa. Agora, no longo prazo, o plano de ajuste depende do crescimento da economia. Com nova padronização do cálculo de gasto com pessoal, que vai incluir terceirizados, por exemplo, quase todos os Estados vão estar desenquadrados na Lei de Responsabilidade. Mas o ajuste exigido vai ser gradual, baseado na receita corrente líquida, quando ela voltar a crescer. Até lá, a situação vai piorar. Mas o ponto é que, pelo menos os Estados que tiverem redução da dívida não vão poder conceder aumento real nos próximos dois anos. Para o governo federal, não tem trava. O limite para a despesa vai ser estabelecido de forma nominal em proporção do PIB, que pode ser superestimado. As medidas, como apresentadas, não equilibram o fiscal.

Valor: Faltam reformas?

Mansueto: Exatamente. A estratégia [do ministro da Fazenda] é não sacrificar mais o curto prazo e melhorar o longo prazo. Ele está afrouxando, mas não está conseguindo nada na outra ponta.

Valor: Um novo governo pode ir em frente com essa agenda?

Mansueto: Vai depender muito se o PMDB vai ter força política para criar coalizão pró-reforma, o que hoje é incerto. Há indicativo dessa agenda? Não. Um exemplo concreto: semana passada, a Câmara aprovou por 402 votos nova emenda constitucional que aumenta vinculação na Saúde. Só houve um voto contra. Todos falam em ajuste fiscal, mas estamos aprovando medidas contra.

Valor Econômico – 30/03/2016

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IGP-M de março desacelera 0,51% ante 1,29% em fevereiro

 SÃO PAULO – O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) desacelerou de 1,29% em fevereiro para 0,51% em março, divulgou nesta quarta-feira, 30, a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado do IGP-M de março ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, que iam de 0,20% a 0,58%, e acima da mediana encontrada, de 0,45%.

Entre os três indicadores que compõem o IGP-M, o IPA-M saiu de 1,45% em fevereiro para 0,44% em março. Na mesma base de comparação, o IPC-M passou de 1,19% para 0,58%. O INCC-M acelerou de 0,52% para 0,79%.

A variação acumulada do IGP-M no ano é de 2,97% e, nos 12 meses até março, de 11,56%.

IPA

Os preços dos produtos agropecuários no atacado subiram 1,63% em março, após registrarem alta de 2,37% em fevereiro, informou a FGV. Já os preços de produtos industriais tiveram deflação de 0,04% ante alta de 1,07% na leitura anterior.

Os preços dos bens intermediários tiveram variação negativa de 0,93% no terceiro mês do ano ante avanço de 1,16% em fevereiro. Já a variação dos bens finais foi positiva em 1,52%, após elevação de 1,43% no mês anterior. Na margem, os preços das matérias-primas brutas desaceleraram de 1,83% para 0,82%.

O Índice de Preços ao Produtos Amplo (IPA) apresentou avanço de 0,44% em março depois de acelerar 1,45% em fevereiro. O IPA acumula aumentos de 3,07% no ano e de 13,03% em 12 meses.

Estadão Conteúdo/DCI – 30/03/2016

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Governo central tem maior déficit primário desde 1997

BRASÍLIA  –  O governo central registrou déficit primário de R$ 25,070 bilhões em fevereiro, o pior resultado para o mês na série histórica iniciada em 1997. O governo central reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central (BC).

O saldo negativo é quase o dobro da média estimada por 12 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, que projetavam déficit primário de R$ 13,4 bilhões do governo central em fevereiro. Esse resultado corresponde à diferença entre receitas e despesas, sem contar o pagamento de juros da dívida pública.

Com o rombo em fevereiro, o resultado do bimestre passou a ser deficitário em R$ 10,273 bilhões — que também é o pior resultado da série histórica. Em 12 meses, a situação também não é nada fácil. O resultado negativo, corrigido pelo IPCA, somou R$ 131,85 bilhões (2,22% do PIB).

Diante do quadro de dificuldades para cumprimento das metas fiscais, a equipe econômica encaminhou na segunda-feira ao Congresso Nacional um projeto de lei para alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016. O governo pediu uma redução de R$ 24 bilhões para R$ 2,756 bilhões na meta de superávit primário do governo central.

Além disso, com a alegação de necessidade de manter investimentos para ajudar na retomada da economia, também foi solicitado um abatimento de R$ 99,45 bilhões, o que permitiria um déficit de R$ 96,65 bilhões neste ano.

Segundo os números divulgados nesta terça-feira, o desempenho do resultado do governo central de fevereiro é reflexo de um déficit do Tesouro Nacional de R$ 14,790 bilhões, déficit de R$ 17 milhões do Banco Central e déficit de R$ 10,262 bilhões da Previdência Social.

Investimento

Os investimentos do governo federal somaram R$ 9,583 bilhões no bimestre. A cifra é inferior aos R$ 11,196 bilhões apurados no mesmo período de 2015. Os valores incluem os gastos com programas como o de Aceleração do Crescimento (PAC) e Minha Casa, Minha Vida.

No PAC, os desembolsos no bimestre foram de R$ 6,961 bilhões – resultado 6,8% inferior aos que foi apurado no mesmo período de 2015, quando foram registrados R$ 7,468 bilhões. No caso do Minha Casa, Minha Vida, o investimento foi de R$ 1,249 bilhão, 54,6% menor que em 2015.

Receitas e despesas 

Impactada pela baixa atividade da economia, a receita líquida total do governo central teve uma queda real de 1,4% no primeiro bimestre na comparação com o mesmo período de 2015, somando R$ 191,325 bilhões. Em termos nominais, houve avanço de 9%.

Já a despesa total registrou uma elevação real de 5,7% no acumulado dos dois primeiros meses do ano (ou crescimento de 16,8% em termos nominais), atingindo R$ 201,599 bilhões.

Considerando apenas o mês de fevereiro, a receita líquida total do governo central teve uma queda real de 13% ante mesmo mês de 2015 e uma retração de 4% considerando valores nominais, somando R$ 67,397 bilhões, enquanto as despesas subiram no mês 8% em valores reais e 19,2% em termos nominais, totalizando R$ 92,467 bilhões.

Os gastos com abono salarial e seguro-desemprego somaram R$ 13,191 bilhões no primeiro bimestre, o que representa uma elevação 81,9% ante mesmo período do ano anterior. Somente em fevereiro, essa despesa foi de R$ 6,504 bilhões, uma alta de 160,7% na comparação com o mesmo mês de 2015.

Para o ano, a equipe econômica prevê que as despesas com abono salarial e seguro-desemprego devem somar R$ 59,866 bilhões.

Valor Econômico – 30/03/2016

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Plano econômico envolve medidas que parecem contraditórias, diz Barbosa

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou nesta terça (29) que o maior desafio econômico do governo é o reequilíbrio fiscal, mas que o país depende de medidas de estabilização no curto prazo, o que exige mais gastos.

O plano de Barbosa envolve conciliar medidas “aparentemente contraditórias”, em suas palavras, durante sua fala em audiência pública da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), do Senado.

Abandonar a meta de poupança deste ano, estabelecida por lei, é um dos projetos que o governo já enviou para o Congresso para não paralisar obras em curso e destinar recursos para saúde e defesa, além de absorver frustrações de receitas.

Com a medida, que abre espaço para um deficit de quase R$ 100 bilhões para este ano, o governo espera terminar 2016 com uma retração de 3,1% do PIB. As estimativas de mercado apontam para um encolhimento de 3,7% da atividade econômica.

A medida, defende Barbosa, vai evitar paralisia da economia, o aumento de mais impostos, estabilizar o nível de emprego e de renda. No entanto, um terceiro ano de deficit nas contas públicas vai ampliar a dívida pública e os gastos do governo com juros.

Para enfrentar esse dilema, o governo joga para frente uma solução. Barbosa defendeu para senadores que é necessária uma reforma fiscal de longo prazo, com regra de controle do gasto público, objeto de outro projeto do governo que espera aval do Congresso.

CRESCIMENTO

Caso o plano econômico do combalido governo Dilma prospere, Barbosa afirma ser possível que a economia volte a crescer em 2017.

Segundo ele, a inflação deve terminar este ano abaixo de 7%. “É uma possibilidade que deixou de ser remota e passou a ser provável.”

PREVIDÊNCIA

Barbosa reforçou que, para fazer um ajuste fiscal efetivo, é necessário mexer nos gastos obrigatórios, aqueles definidos pela Constituição ou por lei, como benefícios previdenciários.

“Não é um processo automático a análise das regras de despesas obrigatórias, é complexo, mas nem por isso deve deixar de ser feito.”

Segundo os dados apresentados por Barbosa a senadores, apenas 8,3% das despesas previstas no Orçamento não são despesas obrigatórias e podem ser controlados pelo governo sem a necessidade de autorização do Legislativo. O restante é gasto obrigatório.

Folha de S.Paulo – 30/03/2016

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BC prevê piora da inadimplência das empresas e revisa projeções

O Banco Central (BC) prevê novos aumentos na inadimplência bancária para empresas, em um ambiente de contínua deterioração no mercado de crédito, com alta nos juros e menor apetite de bancos para emprestar e dos clientes para se endividar.

Esse quadro, num período de recessão, levou a autoridade monetária a rebaixar a sua projeção de crescimento do mercado de crédito em 2016, de 7% para 5%. Confirmado o prognóstico, será o pior ano para o crédito desde 2007, início da série histórica.

A inadimplência total nos empréstimos para as empresas fechou fevereiro em 2,8%, a maior taxa registrada nas estatísticas atuais. O número tende a piorar, segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel.

Um indicador antecedente, afirmou, é o aumento da inadimplência entre 15 e 90 dias, no pagamento de empréstimos das pessoas jurídicas. O índice passou de 3,5% para 4% entre janeiro e fevereiro nas operações com recursos livres, maior percentual da série estatística que começa em 2011. As modalidades com maior atraso são aquelas mais vinculadas à atividade econômica, como o capital de giro e a aquisição de bens.

No caso das pessoas físicas, a inadimplência mostra estabilidade em 4,3%, o que resulta numa taxa média de atraso de 3,5% para o mercado como um todo. O índice entre 15 e 90 dias manteve-se em 6,2%.

No crédito direcionado, onde o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) domina, a inadimplência das empresas subiu a 1%, maior da série. Já os atrasos entre 15 e 90 dias, mostram recuo de 0,7 ponto percentual, para 1,2% da carteira.

No BNDES a inadimplência está em 0,9%, com alta de 0,4 ponto nos últimos 12 meses. A taxa no banco de fomento é historicamente baixa em função das punições severas, como a proibição de novas contratações, para os inadimplentes.

Os juros cobrados das empresas, considerando-se recursos livres, subiram no mês passado para 31,9%, patamar recorde, de 31,7% na abertura do ano. Em 12 meses, a alta chegou a 5,8 pontos percentuais. Com recursos direcionados, houve queda de 0,5 ponto no mês passado, para 11,8% ao ano. A carteira do BNDES, que responde por 40% do crédito direcionado, seguiu encolhendo. Em fevereiro, a redução foi de 1%, a R$ 626,748 bilhões, enquanto as concessões caíram 21,7%, para R$ 4,614 bilhões.

Em fevereiro, o estoque de crédito no sistema financeiro caiu 0,5%, a R$ 3,184 trilhões, vindo de uma retração de 1,1% em janeiro. De acordo com Maciel, os dados de fevereiro mostram a interrupção da expansão do mercado crédito. A queda mensal em janeiro é comum, mas em fevereiro não é. A última retração foi vista em fevereiro de 2009 (-0,03%) e, antes disso, apenas em 2000.

De acordo com Maciel, três fatores explicam esse comportamento. Primeiro a sazonalidade do ciclo econômico que é mais fraco no começo do ano. Segundo, a própria dinâmica da atividade e, também, um impacto modesto da apreciação cambial que atinge modalidades referenciadas em moeda estrangeira, como a carteira do BNDES.

Os juros das operações seguiram em alta, atingindo recorde de 31,8%, puxados pelo crédito livre. As pessoas físicas pagaram, em média, 68% ao ano. Essa taxa é distorcida por modalidades como cheque especial, com juros de 293,9% ao ano, maior da série que começa em julho de 1994, e cartão de crédito rotativo (447,5%).

No segmento de pessoas físicas, a modalidade que cresce é o crédito consignado, com alta de 0,8% no mês, e avanço de 8% em 12 meses. O financiamento à compra de veículos continua fora dos planos. O estoque cai por 14 meses seguidos e tem baixa de 13,5% em 12 meses, somando R$ 157,4 bilhões.

A tomada de crédito para a compra da casa própria continua, mas em ritmo duas vezes menor que o observado em anos anteriores. Essa modalidade, considerando-se recursos direcionados, avançou 0,5% no mês e teve alta de 13,5% em 12 meses. Os juros cobrados estavam em 10% ao ano, ante 8,9% no fim de 2014. Em 2013, essa taxa era de 7,6%.

Em fevereiro, nem bancos públicos, nem privados ampliaram a carteira de crédito, quadro raro de ser observado. As instituições públicas viram o estoque cair 0,3%, para R$ 1,796 trilhão, primeira baixa desde outubro do ano passado. Já os privados nacionais reduziram a carteira em 0,7% e os estrangeiros diminuíram em 0,5%.

Para o ano, o BC estima que os bancos públicos aumentem a carteira em 8%, ante estimativa anterior de 9%. No ano passado, a carteira dessas instituições cresceu 10,9%. Em 12 meses até fevereiro houve alta de 9,3%.

Os bancos privados nacionais devem ter novo ano de redução de carteira, agora estimada em 1%, depois de retração de 0,8% em 2015. A projeção anterior indicava alta de 2% em 2016. Em 12 meses, já há um recuo de 1,6%. Os privados estrangeiros tiveram a previsão de crescimento reduzida de 8% para 4%, após alta de 6,9% em 2015. Em 12 meses, houve alta de 5%.

Valor Econômico – 30/03/2016

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Analistas veem ‘golpe na LRF’ e temem que contrapartidas sejam derrubadas

Apesar da avaliação positiva dos Estados, analistas receiam os efeitos da nova “rolagem da dívida”. Eles temem que as contrapartidas exigidas pelo governo federal não sejam atingidas e que a situação fiscal dos Estados se deteriore ainda mais.

José Roberto Afonso, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV) e professor do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), diz que o aumento de gastos pelos Estados e o déficit fiscal já estão “contratados”. “O que mudará é contra quem os Estados se endividam. Hoje é contra servidores, fornecedores e depositantes na Justiça. Passará a ser contra o Tesouro Nacional”, diz. “Na essência, essa é uma proposta que pouco tem de fiscal. É uma tentativa desesperada do governo Dilma Rousseff de comprar o apoio dos governadores.”

O aumento de despesas dos Estados, inclusive de pessoal, foi “contratado” entre 2011 e 2014, diz Afonso, quando o governo federal flexibilizou regras, concedeu garantias e até recursos via bancos estatais para aumentar o endividamento dos governos estaduais, sem evitar que expandisse aqueles gastos. “Os Estados já vêm em situação pré-falimentar há meses, quando não anos em alguns casos.” O que importa discutir agora, diz ele, é se essa proposta do governo federal vai assegurar que medidas sejam tomadas para efetivamente corrigir os desvios e evitar que voltem a se repetir no futuro. “Isso é que não está claro. Porque, antes de tudo, o governo federal é quem tem que tomar a dianteira desse processo. Precisa exigir o ajuste no presente, porque foi ele próprio que patrocinou o desajuste no passado.”

Para Amir Khair, especialista em contas públicas, as exigências fiscais do governo federal para o alongamento da dívida dos Estados não terão vida longa. “Isso vai cair. Se não cair na votação da lei cairá depois, na prática.” Para ele, ao fim de dois anos, os Estados terão uma estrutura mais inchada, propiciada por essa folga extraordinária nas despesas. “O governo federal cedeu porque está muito fraco. A renegociação é um golpe duro na LRF.”

O governo, diz Khair, já não tem mais moedas de troca. “Os Estados estão mais interessados na redução de 40% durante o período de 24 meses. Isso dá um refresco a eles, que estão com a arrecadação despencando, mas vai ajudar a elevar o endividamento do setor público como um todo e os Estados não terão tanta necessidade de fazer resultado primário.”

Khair diz que essa e outras medidas do governo federal não irão contribuir para a recuperação econômica. “O mais importante é restabelecer o investimento privado, mas as medidas do governo não são capazes de dar confiança para isso. Os Estados reduziram investimentos e podem aumentar este ano, em relação ao ano passado. Mas o governo federal cortará gastos com investimentos.”

Valor Econômico – 30/03/2016

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Indicador de confiança do comércio recua em março

Após dois meses seguidos de alta, o nível de confiança do empresário varejista recuou neste mês. O indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV) caiu 1,7 ponto em relação a fevereiro e ficou em 67,1 pontos, o quarto menor valor da série iniciada em março de 2010. Na comparação com março do ano passado, houve queda de três pontos. Para Aloisio Campelo, superintendente-adjunto de ciclos econômicos da FGV, o cenário de turbulência política impede qualquer avanço expressivo na confiança do setor, que registra contínua queda das vendas e das margens de lucro.

A queda de confiança entre os varejistas ocorreu nos dois horizontes de tempo da pesquisa. O Índice da Situação Atual (ISA), que retrata a percepção dos empresários em relação ao momento atual, recuou 1,2 ponto, registrando 62,3 pontos, quarto menor valor da série. Essa piora foi puxada pelo quesito que mede o grau de satisfação com o volume de demanda atual, que caiu 6,5 pontos em março.

O Índice de Expectativas (IE) caiu 2 pontos, chegando a 73,3. A maior contribuição foi dada pelo indicador que capta o grau de otimismo com as vendas nos três meses seguintes, que recuou 2,5 pontos em relação ao mês anterior.

A edição de março da Sondagem do Comércio da FGV coletou informações de 1.208 empresas entre os dias 1º e 22 deste mês.

Valor Econômico – 30/03/2016

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Eventual governo do PMDB não vai cortar o social, diz Moreira Franco

O PMDB “está à esquerda” na área social e não pretende cortar os benefícios que estão em vigor, disse Moreira Franco, um dos principais aliados do vice Michel Temer, que pode chegar à presidência em caso de impeachment de Dilma Rousseff.

Responsável pelas diretrizes econômicas e políticas do PMDB, Moreira coordenou o “Ponte para o Futuro”, uma prévia do que seria um governo Temer na área econômica. Agora, ele pilota uma segunda edição do documento, focado nos programas sociais.

O ex-governador do Rio e ex-ministro de Dilma (primeiro na Secretaria de Assuntos Estratégicos, depois na Aviação Civil) disse à Folha que não está nos planos do partido –caso Temer chegue à presidência– cortar benefícios, como o Bolsa Família, o Pro-Uni ou o Pronatec.

“Ao contrário, queremos fortalecê-los”, disse ele, no dia em que o PMDB oficializou o desembarque do governo Dilma Rousseff.

Moreira afirmou que o PMDB é um partido de centro, “formado pela esquerda da direita e a direita da esquerda”.

“Na área social, estamos à esquerda e, na área econômica, nós não achamos que a ideologia possa substituir as quatro operações fundamentais [da matemática]”.

A frase é uma crítica indireta ao governo Dilma, que aumentou muito os gastos públicos nos últimos anos e tentou despistar o problema com manobras contábeis, as chamadas pedaladas fiscais.

Os subsídios concedidos às empresas, porém, têm a ressalva de Moreira.

“Algumas isenções [tributárias] cresceram de forma indiscriminada”, afirmou, sugerindo que elas, sim, poderão ser cortadas caso Temer chegue à Presidência.

LIBERAL

Depois do “Ponte” indicar uma preferência pela orientação liberal da economia em um eventual governo do peemedebista, há a expectativa de qual será a sinalização do partido na área social.

O tema é politicamente sensível, e o PT tem a primazia entre os movimentos sociais.

Segundo Moreira, a divulgação do documento foi adiada à espera de uma breve calmaria na política.

“Queremos que as nossas propostas sejam lidas com tranquilidade, não sob a tensão política, em que está todo mundo dividido, polarizado”, afirmou.

Em vez do Plano Temer 2 (apelido que recebeu a nova edição), o PMDB deu publicidade a um documento de 2002, quando Moreira convidou os economistas André Urani, Marcos Lisboa e Ricardo Paes de Barros a confeccionar o “Tirando o atraso: combate às desigualdades já”.

A estratégia era mostrar que o PMDB já pensa na área social e não quer pegar carona nos programas do PT. “Muitas das coisas que estavam lá foram incorporadas no governo Lula. A estrutura do Bolsa Família estava ali”, disse Moreira.

O conselheiro de Temer, cotado como um possível ministeriável, evita falar em nomes para um governo do vice.

Aliados de Temer defendem que Armínio Fraga ou Henrique Meirelles assumam o Ministério da Fazenda.

“Ainda não chegou o momento de cuidar disso”, desconversou Moreira.

Folha de S.Paulo – 30/03/2016

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Pessimista, Lula reconhece iminência de derrota, dizem interlocutores

SÃO PAULO  –  ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou pessimismo, nesta terça-feira (29), após o PMDB anunciar o rompimento com o governo da presidente Dilma Rousseff numa reunião que consumiu apenas três minutos.

Segundo interlocutores, Lula avalia que a única saída é investir no corpo a corpo, na negociação direta com os parlamentares, mas diagnosticou dificuldades de deter o impeachment de Dilma depois de assumir diretamente o papel de articulador do governo.

Nas conversas, deputados oferecem resistência ao apelo para que votem contra o impeachment da presidente. Essa rejeição preocupa Lula. Em alguns casos, a atuação dele como articulador dificultou a abordagem de parlamentares.

Ainda segundo aliados, Lula ficou assustado com a falta de defensores do governo na reunião do PMDB e está decepcionado com peemedebistas de quem esperava suporte, como o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o ex-governador Sérgio Cabral Filho.

Em busca de alternativas, petistas e representantes de movimentos sociais traçaram a estratégia de questionar na Justiça a legitimidade do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para presidir o processo de impeachment. Os apoiadores do governo entrarão com ações populares em diferentes estados do país. No Rio, a operação ficará a cargo do deputado Wadih Damous (RJ). “Haverá ajuizamento de ações populares em todos os estados. Não usaram essa estratégia para impedir que Lula seja ministro?”, afirmou.

(Folhapress)

Redação On março - 30 - 2016
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