Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Sbado, 18 de Novembro de 2017






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Recessão mais profunda leva analistas a projetar desaceleração do IPCA no Focus

A estimativa dos economistas para a inflação deste ano recuou pela terceira semana consecutiva, segundo o boletim Focus, do Banco Central. Essa queda ocorre após a prévia de março ter ficado bem abaixo do esperado e acompanha uma piora na projeção para a atividade econômica do país em 2016.

A mediana das estimativas para o IPCA saiu de 7,43% para 7,31%. Há um mês estava em 7,57%. A projeção em 12 meses também cedeu, de 6,60% para 6,48%. A projeção para 2017 seguiu em 6%.

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15 de março subiu 0,43%, de 1,42% no mês anterior, bem abaixo da média esperada, de 0,55%, e também do piso das estimativas, de 0,51%. O IPCA-15 também mostrou grande descompressão em serviços, cuja alta recuou de 1,26% para 0,29%.

Outro fator que deve baixar a pressão sobre os preços é o dólar, que foi revisto para baixo pela sexta semana seguida, de R$ 4,20 para R$ 4,15 ao fim de 2016. Para o fim de 2017, a previsão foi de R$ 4,30 para R$ 4,20. Com as expectativas de inflação caindo, as projeções para a Selic seguem em 14,25% em 2016 e 12,50% em 2017.

Entre os analistas Top 5 que mais acertam as projeções no médio prazo, a previsão para o IPCA de 2016 caiu de 7,46% para 7,18%. Para 2017, seguiu em 6,20%. Quanto à Selic, eles elevaram a expectativa para 2016 de 14% para 14,25% e reduziram a de 2017 de 12,50% para 12%.

A recessão deve continuar se aprofundando, na visão dos economistas que contribuem para o Focus. A mediana das estimativas para o PIB de 2016 foi de recuo de 3,60% para retração de 3,66%. A alta do PIB em 2017 passou de 0,44% para 0,35%. As projeções para a produção industrial saíram de 4,50% para 4,40% em 2016.

 Valor Econômico – 29/03/2016

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IPCA longe da meta até 2020

A mediana das expectativas de inflação para 2016 recuou pela terceira semana consecutiva e chegou a 7,31%, conforme dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). Apesar da queda, as estimativas dos analistas consultados pela autoridade monetária ficam acima do teto da meta, de 6,5%. Para 2017, os especialistas esperam que a carestia tenha alta de 6%, percentual que corresponde ao intervalo máximo de variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) definido pelo Conselho Monetário Nacional.

As projeções dos economistas apontam que o governo não conseguirá levar a inflação para a meta, de 4,5%, pelo menos até 2020. Em 2018, os analistas estimam que o IPCA chegará a 5,41% e, nos dois anos seguintes, terá alta de 5%. Com o custo de vida em alta, os brasileiros terão de conviver com uma taxa básica de juros (Selic) em dois dígitos pelo mesmo período: 14,25%, neste ano; 12,5%, em 2017%; e 11,50%, em 2018. Para 2019, a expectativa é de Selic em 11%.

Correio Braziliense – 29/03/2016

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Inflação pelo IPC-Fipe fica em 0,92% na terceira prévia de março

SÃO PAULO  –  A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) teve uma ligeira desaceleração, de 0,94% para 0,92%, da segunda para a terceira medição de março. Apesar de despesas importantes terem subido menos, como habitação, outras aumentaram mais, como alimentação, impedindo um recuo maior do índice.

Dos sete grupos que compõem o IPC-Fipe, quatro tiveram altas menos marcadas entre a segunda e a terceira pesquisa de março: Habitação (0,71% para 0,54%), Despesas pessoais (1,55% para 1,38%), Saúde (0,65% para 0,59%) e Vestuário (0,97% para 0,83%).

Apesar da desaceleração do índice de preços, Despesas pessoais e Habitação ainda foram responsáveis, juntos, por 0,36 ponto percentual, ou 39%, da taxa do período.

Na outra ponta, com avanços mais expressivos, Alimentação passou de 1,37% para 1,67% de aumento, sendo responsável por outro 0,41 ponto (45%) da inflação de 0,92% do IPC-Fipe, além de Transporte (0,40% para 0,43%) e Educação (0,15% para 0,16%).

O índice mede a variação dos preços de uma cesta de produtos e serviços consumidor por famílias com renda até dez salários mínimos na cidade de São Paulo.

Valor Econômico – 29/03/2016

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Cálculo do valor da energia elétrica entra na pauta

Sob forte influência do impeachment, Câmara dos Deputados e o Senado Federal pautaram para esta semana nove projetos com impacto econômico que têm alta ou muito alta probabilidade de se tornarem leis nos próximos 180 dias, segundo levantamento do grupo Estudos Legislativos e Análise Política do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap/Ello) para o Valor Política.

Com o governo concentrando seus esforços para tentar barrar o impeachment, os principais itens da agenda são de autoria do próprio Poder Legislativo. O Executivo tem quatro projetos em pauta, três deles de abertura de créditos orçamentários, e uma medida provisória (MP) em discussão no Senado e que está próxima de caducar, para usar o FGTS como garantia contra atrasos pela população de baixa renda no programa Minha Casa, Minha Vida.

As novidades da agenda estão por conta do próprio Congresso. A Câmara pautou, com alta probabilidade de virar lei, quatros propostas já aprovadas pelos senadores e que tiveram regime de urgência aprovado pelos deputados. Uma das iniciativas, parte das discussões sobre o pacto federativo, altera a forma de cálculo do valor da energia elétrica produzida em usinas, para fins de repartição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

O projeto compensa os municípios que sediam usinas hidrelétricas e que perderam receita com a queda do preço da energia devido as mudanças no setor elétrico em 2013. A proposta, diz o autor, senador Fernando Bezerra (PSB-PE), não alterará o valor pago pelos consumidores.

Também com urgência aprovada na semana passada, os deputados votam em plenário projeto que cria um marco regulatório para a cadeia produtiva de integração agropecuária. Este tipo de contrato é usado em larga escala, mas sem legislação específica.

A Câmara discute ainda projeto para instituir a Política Nacional de Orientação, Combate e Controle dos Efeitos Danosos do Sol à Saúde, com medidas de incentivo ao uso de protetores solares, e a proposta que torna obrigatória a publicação do teor de lactose no rótulo dos produtos (inclusive no leite). Os quatro itens vão à sanção se aprovados sem modificações.

No Senado, de autoria do deputado Mauro Mariani (PMDB-SC), consta projeto para autorizar o Microempreendedor Individual (MEI) a utilizar sua residência como sede do estabelecimento quando não for indispensável a existência de local próprio para o exercício da atividade. O texto, já votado pelos deputados, também vai à sanção se aprovado.

Já na seara dos projetos pautados pelo governo, além da MP que autoriza o uso de recursos do FGTS, estão outras três medidas provisórias para abertura de créditos extraordinários para os ministérios da Saúde, Trabalho, Cidades, Justiça, Cultura, Defesa, Integração Nacional e Turismo, além de pagamentos de encargos financeiros da União no valor de R$ 40,3 bilhões.

O maior montante (R$ 37,5 bilhões) é referente ao pagamento das “pedaladas fiscais” no fim do ano passado, quando o governo, pressionado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), resolveu quitar os repasses ao FGTS, ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal usados para custear programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida e que estavam atrasados.

Valor Econômico – 29/03/2016

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Ajuste se dará pelo aumento da receita

O governo prevê que todo o ajuste das contas públicas nos próximos anos será feito com o aumento das receitas. O projeto de lei que altera a meta fiscal deste ano, encaminhado pelo governo ao Congresso Nacional, foi elaborado com a estimativa de que a despesa da União se manterá constante de 2016 até 2018, no nível mais elevado da história, em proporção do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto haverá um aumento da arrecadação de 1,6 pontos percentuais do PIB.

Pelos cálculos do governo, as receitas da União neste ano ficarão em 22,59% do PIB. No próximo ano, a projeção é que elas aumentem para 23,59% do PIB e para 24,19% do PIB em 2018. Assim, a arrecadação total da União subiria 1,6 pontos percentuais do PIB em apenas dois anos.

Do lado dos gastos, o governo projeta que eles se manterão constantes, em 22,54% do PIB (neste total estão incluídas as transferências constitucionais para Estados e municípios, que são uma despesa da União). Se as transferências forem descontadas, o gasto total ficará em torno de 19,1% do PIB, como havia anunciado anteriormente o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Esse é o nível da despesa da União mais elevado da história.

Evitar que as despesas da União cresçam em ritmo mais forte do que o PIB é o máximo que o governo Dilma Rousseff considera como factível para os próximos anos, de acordo com a projeção apresentada. Com esse “esforço de ajuste”, o gasto se manteria estabilizado até 2018.

Como o governo projeta uma elevação do superávit primário do setor públicos nos próximos dois anos, se a despesa se mantiver constante, a economia para pagar um pedaço dos juros da dívida pública será obtida unicamente pelo aumento da arrecadação.

A meta fiscal para este ano prevista no projeto de lei do governo dificilmente será aprovada porque ela está em aberto. O superávit primário de R$ 2,756 bilhões para o governo central (que compreende o Tesouro, a Previdência Social e o Tesouro), que consta do projeto, poderá ser reduzido em R$ 99,4 bilhões. Haverá ainda outro desconto decorrente da frustração da receita da União com a nova renegociação das dívidas de Estados.

O custo da renegociação das dívidas estaduais, no entanto, não foi especificado. Não é possível saber, portanto, qual é o déficit máximo que o Congresso autorizará a União a fazer neste ano. No ano passado, o Congresso rejeitou uma proposta do governo que também não especificava o tamanho do déficit potencial.

Os parâmetros macroeconômicos utilizados para fazer as projeções de receitas e despesas e definir a meta fiscal voltaram a não ter relação com as estimativas feitas pelo mercado. Quando o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy tomou posse a primeira coisa que fez foi adotar parâmetros macroeconômicos mais ajustados às expectativas dos agentes econômicos.

Para este ano, o governo adotou uma expectativa de queda de 3,1% do PIB, enquanto o mercado está projetando retração de 3,66%, de acordo com o boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central. O mercado projeta inflação de 7,31% e o governo de 7,44%. Para 2017, a projeção do governo é de um crescimento do PIB de 1%, enquanto o mercado projeta 0,35%.

Valor Econômico – 29/03/2016

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Para analistas, déficit primário atingiu R$ 13,4 bi em fevereiro

Janeiro parece ter sido um ponto fora da curva e o governo voltou a registrar déficit primário em suas contas em fevereiro, segundo economistas. De acordo com a estimativa média de 12 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, o governo central (Tesouro Nacional, BC e Previdência) registrou déficit primário de R$ 13,4 bilhões em fevereiro, resultado pior do que o observado em igual mês do ano passado, quando a diferença entre receitas e despesas não financeiras foi negativa em R$ 7,4 bilhões.

O resultado também praticamente reverte o saldo positivo observado em janeiro, quando o superávit foi de R$ 14,8 bilhões. As estimativas para o número, que o Tesouro Nacional divulga hoje, variam de saldo negativo de R$ 3,4 bilhões a R$ 20,4 bilhões.

Em 12 meses, o resultado seguirá bastante negativo, com estimativa de déficit de R$ 112,5 bilhões no período. Amanhã, o Banco Central publica o resultado primário do setor público consolidado, que inclui as contas dos Estados e municípios. A expectativa de nove economistas é que os governos regionais tenham registrado superávit no mês passado, o que levará o resultado consolidado a ser negativo em R$ 9 bilhões. Em 12 meses, contudo, as estimativas são de que o setor público tenha déficit de R$ 109,1 bilhões, o equivalente a 1,8% do PIB.

Para Carolina Sato, economista da MCM Consultores, o resultado de janeiro foi ajudado pela receita de R$ 11 bilhões com o pagamento de parte do bônus de outorga pela concessão das hidrelétricas, receita extraordinária que não se repetiu em fevereiro. Pelo contrário, a arrecadação do mês passado trouxe nova surpresa negativa, ao recuar 11,5%, em termos reais, sobre o mesmo mês de 2015. Em 12 meses, a queda se aprofundou, de 5,8% até janeiro para 6,6% em fevereiro.

Com essa frustração, diz Sato, a MCM projeta déficit primário de R$ 14,8 bilhões em fevereiro, resultado que “apaga” todo o saldo positivo de janeiro.

Fabio Klein, economista da Tendências Consultoria, estima que a diferença entre receitas e despesas do governo central foi negativa em R$ 12,2 bilhões em fevereiro, e também aponta a intensa retração do recolhimento de tributos e impostos como base da sua projeção. Segundo ele, o resultado ruim também não permite vislumbrar nenhuma melhora no horizonte de curto prazo. O número esperado para fevereiro, diz ele, é consistente com a estimativa de déficit de 1,5% do PIB em 2016.

Ontem, o governo enviou projeto de lei para o Congresso que reduz a meta de superávit primário do ano para R$ 2,8 bilhões, com possibilidade de abatimento de R$ 99,5 bilhões. Na prática, portanto, o governo central poderá, se aprovado o projeto, terminar o ano com saldo negativo de R$ 96,7 bilhões nas contas.

Sato, da MCM, espera resultado ainda pior. Para ela, o governo deve encerrar o ano com déficit de R$ 119 bilhões, projeção que a consultoria já tinha em seu cenário mesmo antes do anúncio de revisão da meta. Segundo ela, o mais comum, ao longo de 2016, devem ser resultados negativos como o de fevereiro, e não positivos como visto em janeiro, principalmente depois que o ministro da Fazenda sinalizou certa flexibilização da política fiscal.

Para os governos regionais, diz Sato, a estimativa é de pequeno superávit em fevereiro, o que levará o setor público consolidado a registrar déficit de R$ 13,3 bilhões. “Há ainda as diferenças de metodologia entre o Banco Central e o Tesouro sobre como contabilizar subsídios e subvenções, por exemplo”, diz ela, o que explica os resultados distintos. No ano, a economista estima que os governos regionais terão resultado positivo de cerca de R$ 600 milhões, em linha com a nova meta proposta para as contas dos Estados e municípios.

Valor Econômico – 29/03/2016

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Perder dói muito mais que deixar de ganhar, diz Renato Meirelles

A ausência de uma parcela da população nas manifestações contra o governo de Dilma Rousseff não significa que ela esteja satisfeita. Ao contrário. O índice de rejeição da presidente de cerca de 80% mostra: o país não está dividido exatamente quanto a esse aspecto. A divergência reside nos motivos para o desagrado, diz o presidente do Instituto Data Popular, Renato Meirelles. Enquanto parte das classes A e B olha com desconfiança para programas sociais da última década e meia, o estrato social intermediário, onde se encontram 54% dos brasileiros, se ressente de “um passo atrás” nas conquistas e exige justamente o aprofundamento dessas políticas. “Perder dói muito mais do que deixar de ganhar”, diz Meirelles.

Com diagnóstico baseado em números coletados ao longo de sua experiência no Data Popular, onde entrou como estagiário e trabalha desde a inauguração do instituto, em 2001, Meirelles, 38 anos, enxerga no país hoje mais do que crise econômica ou política, uma crise de perspectiva. O cidadão – especialmente o da classe C – não vê esboço de futuro para depois do furacão por falta de projetos e de lideranças no espectro político.

O governo não consegue mais promover a melhoria da qualidade de vida dessa parcela da população e a oposição está cega para as demandas de mais igualdade de oportunidades desse mesmo público. Por trás da divisão, diz, cresce um pensamento fascista.

Para ele, os políticos não acompanharam a evolução do país. Pensam de forma analógica diante de um eleitor digital – que não quer apenas ouvir, mas também falar. “Achar que a população brasileira vai aceitar tranquilamente cortes orçamentários que, de alguma forma, prejudiquem os mais pobres, é ser ingênuo”.

Formado em Publicidade, Meirelles arrisca palpites de economista. E considera o Fla x Flu político e ideológico prejudicial para a economia – agora e no pós-crise. Para ele, não existe saída “sem fortalecimento do mercado interno, e não existe fortalecimento do mercado interno, sem melhorar a educação e sem oferecer emprego ou condições de empreender”.

Meirelles considera que a Operação Lava-Jato tem o mérito de promover “uma saudável e oportuna” discussão sobre a corrupção no país, mas teme que o eventual viés político de algumas decisões do juiz Sergio Moro gere questionamentos capazes de comprometer os resultados. “Não tenho bandido de estimação. Roubou, tem que ser preso”, disse, na entrevista que concedeu ao Valor na quarta-feira da semana passada. Leia a seguir os principais trechos:

Valor: A classe C participa das manifestações contra o governo?

Renato Meirelles: Quando olhamos os números do Datafolha sobre o perfil sociodemográfico de quem foi às manifestações a favor do impeachment, claramente tinha um perfil mais rico, mais escolarizado, mais masculino e mais velho que a média da população. Sete de cada dez pessoas que foram às manifestações não votaram na presidente Dilma no segundo turno. Efetivamente existe uma grande mobilização da parcela mais rica da sociedade em oposição ao governo. Isso diminui a importância das manifestações? De jeito nenhum. Tem muita gente na rua e são as maiores manifestações da história, mas os números mostram que é uma parcela que já está descontente com a situação política há muito tempo. Não significa que a classe C não esteja descontente com a economia. Está. Mas não entende o que vai além do processo de catarse, de insatisfação com o governo.

Valor: A classe C tem uma adesão mais pragmática?

Meirelles: Acho que tem. Mas existe uma dificuldade de alguns agentes políticos entenderem as diferenças dos 80% da população que avaliam o governo como ruim ou péssimo. Desses, 36% não gostam da Dilma e também não gostam do Prouni, do Fies, do Mais Médicos, das cotas nas universidades, ou seja, de um conjunto de políticas públicas que fizeram na última década o Brasil viver um processo de redução da desigualdade.

Valor: É isso que faz com que uma boa parte da classe C não esteja presente nas manifestações?

Meirelles: A ausência de uma visão clara sobre para onde vamos e sobre a garantia da manutenção de políticas públicas de um Estado que promova igualdade de oportunidades e que reduza a desigualdade social sem dúvida tira muitas pessoas da classe C da passeata. De um lado organiza mais a classe A e B, a parcela que há tempos não estava satisfeita com os rumos do país, mas afasta o eleitorado médio. Se 36% odeiam a Dilma e tudo o mais, 44% dos brasileiros que estão insatisfeitos com a Dilma avaliam mal o governo justamente porque ele não ampliou o Fies, o Prouni, não promoveu aumento real do salário mínimo, não cumpriu promessas de campanha, de redução de desigualdade que, no limite, fizeram Dilma ganhar a última eleição presidencial. Isso numa eleição em que 73% dos brasileiros queriam mudança. É impossível entender o que acontece hoje sem voltar um ano e meio atrás, quando a oposição conseguiu perder uma eleição em que 73% dos eleitores queriam mudança.

Valor: Por que isso ocorreu?

Meirelles: Porque a oposição não dialogou com o pensamento majoritário da sociedade brasileira, que defende um Estado presente na promoção do bem-estar social e na redução da desigualdade.

Valor: É a luta de classes típica?

Meirelles: Acredito que as pessoas cada vez mais querem um Estado mais eficiente e que entregue serviços públicos com qualidade – o que já aparecia em 2013. Elas não querem um Estado pequeno. Querem um Estado presente, vigoroso, eficiente e presente.

“Há quem use o discurso da meritocracia, mas é incapaz de enxergar a busca da igualdade de oportunidades como um valor”

Valor: O discurso predominante de quem está contra o governo parece um tanto diferente, não?

Meirelles: O discurso das passeatas está longe de ser o discurso majoritário. Todas as pesquisas do Data Popular, quantitativas e qualitativas, mostram as pessoas insatisfeitas com a ineficiência do Estado, mas querem a existência do Estado. Por uma razão simples: são elas que usam a escola pública, o serviço público. Graças à presença do Estado que o Brasil tem 9 milhões de universitários a mais nos últimos dez anos. Isso não se deu pela iniciativa privada, mas pelo Prouni e pelo Fies.

Valor: A participação da iniciativa privada é acessória…

Meirelles: Sim, como braço do poder público. O caso do Prouni é o exemplo clássico. Quando pessoas falam que todos que recebem Bolsa Família são ladrões e venderam seu voto, quando começa a existir um conjunto de preconceitos de gênero, classe e cor, boa parte da classe C, majoritariamente negra e com maior presença no Nordeste, pensa: “eu posso estar muito irritado com o governo, acho que o Brasil não está no rumo certo, mas não me identifico com isso”. O que preocupa é que na esteira da briga política começa a crescer um pensamento fascista.

Valor: O sr. identifica esse tipo de pensamento?

Meirelles: Claramente. Um ódio, uma intolerância na discussão sobre a corrupção, que é fundamental para o país, mas que está tapando a discussão real do que é um Estado que promova igualdade de oportunidades, redução da desigualdade. Isso coloca o ajuste fiscal, que é necessário, apenas sob uma ótica financista. O preço, por exemplo, de diminuir o acesso à universidade em um país desigual como o nosso é muito grande.

Valor: Essa divisão está comprometendo o futuro social e econômico?

Meirelles: É impossível pensar em um Brasil pós-crise sem uma gestão mais eficiente dos recursos do Estado, sem combater fortemente a corrupção e os desvios de dinheiro público, mas também sem que se mantenha e se fortaleça o conjunto de políticas públicas que reduziram a desigualdade, aumentaram o mercado interno, criaram milhões de empregos e fizeram com que mais de 10 milhões de pessoas se formassem na universidade.

Valor: E quanto à crítica de que esse modelo estaria esgotado?

Meirelles: Minha tese é que para sair da crise temos que aprender com o maior país capitalista do mundo, os Estados Unidos, que superaram 1929 aumentando o mercado interno, gerando emprego e incentivando a economia. Todos concordam que é impossível ser forte e competitivo sem que todas as crianças estejam na escola. Tirar verba do Bolsa Família significa que um monte de criança vai deixar a escola. É justo a sociedade pagar esse preço para sair da crise?

Valor: É essa a cabeça da classe C?

Meirelles: Para responder a isso tenho que voltar um pouco na natureza das crises. Primeiro, por que a corrupção ganhou essa proporção no debate político? Todos os brasileiros passaram a ser mais éticos? Obviamente, não. Fizemos uma pesquisa no Data Popular sobre corrupção cotidiana. Só 3% dos brasileiros se consideram corruptos, mas mais de 70% já tiveram alguma atitude corrupta: subornar um guarda, guardar lugar na fila… Mas a corrupção passou a ser vista como a causa, a raiz da crise.

Valor: E ela é?

Meirelles: Obviamente, não. As pessoas acham que a gasolina aumentou por causa da corrupção da Petrobras, que a energia elétrica subiu por conta dos desvios dos políticos. A corrupção é um câncer, precisa ser combatida, mas não é a causa da crise. Uma maioria dos brasileiros, 99%, acham que estamos em crise; desses 55% consideram que essa é a maior crise econômica que o país já viveu. Sabemos que não é. Tivemos crises com desemprego acima de 20% e inflação de 80% ao mês sem o Brasil ter um centavo de reserva internacional. Por que essa visão? Primeiro porque metade dos brasileiros não era consumidor, não era adulto na época da hiperinflação. Segundo porque, em uma geração, é a primeira vez que o brasileiro tem sensação de perda. Perder dói muito mais que deixar de ganhar.

Valor: E dentro desse universo de novos consumidores, tem o que se tornou adulto e o que era consumidor marginal, a classe ascendente…

Meirelles: Claro. E que agora está sofrendo. Perguntamos que outras crises existem além da econômica. E 95% acreditam que o Brasil vive uma crise de perspectiva.

Valor: O que isso significa?

Meirelles: Que ele não vê luz no fim do túnel. O problema então, não é a crise econômica, pois já tivemos crises como essa, o problema é não ver luz no fim do túnel; 89% dos brasileiros são incapazes de dizer o nome de alguém em condições de tirar o país da crise.

Valor: Isso não é só a classe C?

Meirelles: Não, é geral. A classe C é majoritária, pois é 54% da população. Logo, pensa assim também. Então, 89% acham que não tem ninguém capaz de tirar o país da crise. Dentro dos 11% que dizem algum nome, quem aparece na frente é o Papa Francisco. Quando um argentino é a melhor solução que o brasileiro enxerga… [risos].

Valor: Além da crise econômica, temos uma crise de liderança?

Meirelles: O brasileiro não enxerga essa liderança no governo nem na oposição. A oposição perdeu as eleições por ser incapaz de apresentar um projeto de futuro e tem uma enorme dificuldade de ganhar a classe C e D para o movimento pró-impeachment porque também é incapaz de dizer como vai ser o pós-impeachment. Hoje 92% dos brasileiros concordam com a frase “todo político é ladrão”. Os brasileiros podem até defender o impeachment porque estão de saco cheio do governo – assim como também muita gente da esquerda está -, mas não acham que é solução para a crise econômica, já que quem assumiria também é político e, se todos são ladrões… Quando a gente pergunta: “você acha que os políticos defendem o impeachment porque querem melhorar a vida das pessoas ou querem o lugar da Dilma?”, oito de cada dez falam que é porque querem o lugar dela. O brasileiro, classe C em especial, fica desiludido. Na ausência de um debate sobre o futuro do país, se coloca a corrupção como única temática, sem discutir problemas que realmente interessam. Isso afasta o eleitor médio de um debate saudável sobre a vida democrática e aumenta a crise de perspectiva, o descrédito com relação à classe política. Temos uma classe política analógica para um novo eleitor digital, que não quer só ouvir, mas quer falar, ser protagonista.

“O brasileiro pode ter dúvidas se o melhor é PSDB ou PT. Mas dois terços defendem Estado vigoroso, eficiente e presente”

Valor: O que interessa ao cidadão?

Meirelles: Questões de gênero e de construção de identidade interessam, assim como a promoção de igualdade de oportunidade. Como os políticos tratam disso? A esquerda fala sobre a importância da inclusão. Partidos mais ligados ao pensamento de direita, em meritocracia. Não se discute igualdade de oportunidade. Defendo a meritocracia, mas ela só existe quando todos partem do mesmo ponto. Pelo simples fato de ser homem, ganho 25% a mais do que uma mulher branca, de São Paulo, de 38 anos, que estudou o mesmo que eu. Por ser branco, ganho mais que um negro em iguais condições. Não tenho mérito em ganhar uma corrida de 100 metros se largo 50 metros à frente. A igualdade não está na chegada, está na saída.

Valor: O consumidor ascendente tem clareza disso?

Meirelles: Ele não tem a clareza teórica, mas prática. A palavra que resume isso se chama oportunidade. Parte considerável dos opositores da presidente simplesmente não consegue se conectar com o pensamento majoritário na busca por igualdade de oportunidade.

Valor: O sr. falou de fascismo…

Meirelles: Quando estudantes são agredidos porque estavam com uma bicicleta vermelha ou uma região inteira do país é discriminada por conta de sua opção de voto, você não pode ficar quieto. Tem muita gente a favor do impeachment pelo justo debate de que é impossível tolerar a corrupção no Brasil. Eu também acho. Não tenho bandido de estimação. Roubou, tem que ser preso. Mas para combater a corrupção é justo marchar ao lado de quem defende a volta da ditadura militar ou de quem defende agressão a alguém com camiseta da cor A ou B?

Valor: Qual é a gênese desse pensamento?

Meirelles: É a intolerância de classe. De pessoas que falavam que os aeroportos tinham virado rodoviária, que acreditam que a sala de aula não deve ser compartilhada por negros. Pessoas que usam o discurso fácil e raso da meritocracia e são incapazes de enxergar a busca da igualdade de oportunidades como valor da sociedade. O Fla x Flu político está acabando com a chance de debate democrático sobre a crise econômica. Na permanência da Dilma, o Brasil vai continuar rachado diante da dificuldade de implementar um conjunto de reformas. Se a presidente cai e o vice Michel Temer assume, o [programa] “Ponte para o Futuro” – que é o projeto do PMDB para a solução da crise e que deixa o Aécio Neves à esquerda -, não enxerga que boa parte de quem odeia a presidente a odeia pelo pouco que ela fez de parecido com o “Ponte para o Futuro”. Achar que a população aceitará tranquilamente a desindexação do salário mínimo, mudança da idade da aposentadoria ou um conjunto de cortes orçamentários que prejudique os mais pobres é ser ingênuo. Desse descrédito da classe política surge o Moro, hoje um dos principais agentes políticos do Brasil.

Valor: Acha que ele é agente político?

Meirelles: Sem medo de errar. Ele promoveu um saudável e fundamental debate para a democracia brasileira sobre a importância da corrupção. Fez com que o brasileiro entendesse que corrupção tem dois lados, alguém que recebe e alguém que paga. E isso foi muito bom. Difícil é acreditar em uma faxina se em algum momento se questiona a isenção do juiz. Essa isenção começou a ser posta a prova na condução coercitiva do ex-presidente Lula. Imagina a quantidade de pessoas que começam a dizer ao Moro que bom seria se todos os políticos fossem iguais a ele, que já perguntaram se ele não gostaria de ser candidato à Presidência. Acredito que isso fez com que a postura de isenção, que poderia estar ocorrendo até então, tenha sido colocada em xeque.

Valor: A classe C consegue entender esse tipo de formulação?

Meirelles: O que a classe C entende é que está cada vez mais difícil confiar na classe política como agente de transformação. As crises de perspectiva e liderança afloram. Ela fica angustiada e imobilizada por não enxergar luz no fim do túnel. Isso prejudica em muito a economia. As pessoas correm menos atrás de crédito quando estão pessimistas. Consomem menos. Os brasileiros começam de fato a ficar preocupados com o rumo de suas vidas.

Valor: A desilusão dos brasileiros é mais forte na classe C?

Meirelles: A classe C está sentindo o passo atrás. Viajar de avião e parar de viajar, ter o filho no colégio particular e deixar de ter… É muito difícil para alguém que tome champanhe voltar para sidra. É difícil quem se acostumou com alcatra voltar para a salsicha e o ovo.

Valor: E já está voltando?

Meirelles: Do ponto de vista do consumo sim. De classe, não. Não posso dizer que a classe C diminuiu, mas o poder de compra dela, claramente. O número de novos estudantes na universidade já diminuiu. O retrocesso existe e tende a crescer. Seja pelo agravamento da crise ou pela solução política e econômica que desconsidere o que fez o Brasil crescer, que foi a promoção de igualdade social.

Valor: Educação é o grande problema do Brasil?

Meirelles: Não. Nosso grande problema é desigualdade. Educação é um dos fatores que leva à desigualdade. O brasileiro pode ter dúvidas se gosta ou não da Dilma. Pode ter dúvida se o que é melhor, esquerda ou direita, PSDB ou PT. Mas dois terços dos brasileiros defendem o Estado vigoroso, eficiente e presente na sociedade.

Valor: O sr. acredita que vá ocorrer impeachment?

Meirelles: Acho muito difícil [o presidente da Câmara] Eduardo Cunha, único brasileiro com rejeição maior que a da presidente Dilma, conduzir um processo de impeachment. Mas não tenho a mais vaga ideia se esse governo vai continuar ou não. Seja quem for o vencedor, deve chamar todos os lados para conversar. O pensamento fascista não pode contaminar o debate. Quando você só fala e não escuta, não consegue fazer com que o bom senso prevaleça.

Valor Econômico – 29/03/2016

 

 

Redação On março - 29 - 2016
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