Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






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Indústria do aço deve demitir mais 11.332 no 1º semestre

A indústria brasileira do aço vive a pior crise da sua história. No acumulado 2014 e 2015, 29.740 colaboradores foram demitidos e a previsão é que neste 1º semestre outros 11.332 sejam dispensados. A produção brasileira de aço bruto deve fechar o ano 1% menor do que em 2015, totalizando 32,9 milhões de toneladas, segundo previsão do Instituto Aço Brasil. Já as vendas internas de produtos siderúrgicos tem previsão de queda de 4,1%, chegando a 17,4 milhões de toneladas. O consumo aparente de aço no País deve ser de 19,4 milhões de toneladas, o que representa redução de 8,8% na comparação com o ano passado.

Os indicadores refletem a convergência de fatores conjunturais e estruturais que já levaram o setor a paralisar ou desativar 74 unidades de produção, sendo quatro altos fornos. No plano conjuntural, o cenário político-econômico nacional foi determinante para que os grandes setores consumidores de aço: automotivo, construção civil e de máquinas e equipamentos registrassem quedas sucessivas em seus resultados, encolhendo substancialmente o mercado interno de aço. No plano estrutural, a manutenção das assimetrias competitivas evidencia ainda mais as dificuldades que a indústria nacional tem historicamente de concorrer com o importado.

A exportação seria um caminho para melhorar o grau de utilização de capacidade instalada, hoje, da ordem de 60%, mas o setor convive com excedentes de capacidade internacional que ultrapassam 700 milhões de toneladas e levam a práticas desleais de comercio e preços depreciados. Com a queda dos preços internacionais do aço, o resultado do faturamento das exportações em dólares de 2015 foi 3,3% menor, o que significa que o aumento em volume das exportações não trouxe ganhos ao setor em receita.

É fundamental que, nesse contexto, o governo analise o retorno do apoio direto à exportação com a reintrodução ao Reintegra em patamares que compensem efetivamente os resíduos tributários.

Fonte: Aço Brasil

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Retomada do setor automotivo ocorrerá no quarto trimestre, prevê Anfavea

Resultados de vendas absolutas no mês de março ficaram abaixo da expectativa com o agravamento da crise econômica (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A indústria automobilística deve retomar o crescimento a partir do quarto trimestre deste ano, com a expectativa de melhora da economia, estima Luiz Moan Yabiku Júnior, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

“Torço para que as questões políticas sejam rapidamente resolvidas e que parem de contaminar a economia, sem partidarismo, sem ideologia. Todos nós temos que pensar no país”, declarou durante o 7º Fórum da Indústria Automobilística, na capital paulista.

Moan, que deixa o cargo na Anfavea no próximo mês, disse ter consciência de que faria a gestão da associação durante um período de crise, uma vez que os altos e baixos do setor costumam ser cíclicos. “Já tínhamos ultrapassado, em termos de crescimento, sete anos. Mas não podia imaginar uma crise tão profunda como estamos vivendo”, .

Os resultados de vendas absolutas no mês de março ficaram abaixo da expectativa com o agravamento da crise econômica, afirmou. Segundo ele, o setor deverá fechar com 20% a 25% de aumento em relação a fevereiro, um desempenho ruim – em fevereiro, o feriado do carnaval e o menor número de dias úteis reduzem as vendas. “Nós erramos a previsão. A projeção incluía aumento na media diária [de vendas], o que não aconteceu”, explicou.

A projeção de crescimento de 8,1% nas exportações está mantida. A renegociação do acordo comercial com a Argentina, que vence em junho, leva expectativa ao mercado. “Queremos um acordo de longo prazo e que gere previsibilidade para ambos os lados. Neste momento, não sabemos qual o desfecho dessa negociação, estamos trabalhando para um acordo de livre comércio”, declarou. O mesmo é esperado para o México, cujo acordo vence daqui a um ano e meio.

Quanto ao emprego, Moan garantiu que as indústrias associadas têm buscado a manutenção dos postos de trabalho. Em fevereiro, 42 mil funcionários foram colocados no regime do Programa de Proteção ao Emprego (PPE), lay off ou férias coletivas. Foram demitidos 15 mil trabalhadores.

Os investimentos por parte das associadas, que se comprometeram a investir R$ 85 bilhões no período de 2012 a 2018, também seguem mantidos. “Não houve recuo. Há preocupação com o cenário de médio prazo, mas não há duvidas no longo prazo. Quando o mercado retomar, quem cortar investimento estará fora do jogo”, disse Moan. (Agência Brasil)

Fonte: Estado de Minas

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Empresário diz que Dilma não tem mais como governar

“É como um vaso que quebrou em milhões de pedacinhos.” Essa é avaliação que Josué Gomes da Silva, presidente da Springs Coteminas e filho do antigo vice-presidente José Alencar (1931-2011), faz do governo da presidente Dilma Rousseff. “A Dilma perdeu as condições de governar o Brasil.” Para ele, por um conjunto de circunstâncias, o governo não será capaz de restabelecer “a autoridade, a confiança e o respeito indispensáveis para aprovar as medidas necessárias para tirar o país da paralisia. E, na opinião do empresário, a economia não chegou ao fundo do poço.

Gomes da Silva só entrou para a política após a morte do pai. Filiou-se ao PMDB em outubro de 2013 e foi candidato ao Senado por Minas Gerais. Teve 42% dos votos e perdeu para o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB), que ficou com 53%. O empresário apoiou Dilma abertamente na reeleição, em 2014.

A despeito de julgar que sua incursão na política tenha sido bem sucedida, apesar da derrota, Gomes da Silva disse que seu lugar é no “empresariado, na indústria”. Para ele, o atual modelo político oferece pouco espaço para renovações. Mas, se houver reformas importantes, aposta na atração de nomes interessantes para o quadro político. “É urgente reduzir o custo das campanhas”, apontou.

Na opinião de Gomes da Silva, o melhor caminho para levar o Brasil até 2018 de forma organizada é o fim do governo Dilma e uma nova eleição. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisa processo que pode cassar a chapa eleita no ano retrasado, o que pode levar a uma eleição presidencial direta, se a chapa for condenada este ano, ou indireta, em 2017. Na sua opinião, o judiciário e as demais instituições “saberão tomar as medidas corretas” e precisam sair desse processo fortalecidas.

Outro caminho seria uma renúncia coletiva, como sugerida pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO). Na opinião de Gomes da Silva, Dilma não entrega a gestão por ver o processo como uma briga política “tremendamente” injusta.

Sem recobrar a confiança, aponta que dificilmente quadro econômico negativo se reverte – ao contrário, se aprofunda. “Não tem bala de prata.” Aprovar a reforma da previdência, por exemplo, seria uma forma de dar um sinal de solvência fiscal para o futuro e que os mercados poderiam antecipar.

Quando Nelson Barbosa assumiu o Ministério da Fazenda, na opinião de Gomes da Silva, o discurso estava na direção correta. Mas, era preciso cortes rígidos.

O empresário argumenta que há consciência sobre o que é necessário, mesmo dentro da atual base política. Ele destacou o programa do PMDB, “Ponte para o Futuro”, que teve como mentor o vice-presidente Michel Temer, como um conjunto de medidas para reverter a desconfiança dos agentes econômicos, mas de viabilidade política duvidosa.

“Há consenso quanto às medidas indispensáveis para reversão do quadro. O que o falta é um ambiente político que propicie a implementação destas medidas”, enfatiza. Por isso, acredita que só uma solução rápida para o agravado quadro político tenha o “condão” de mudar os rumos da economia. “O momento é sério demais. Há muita indignação e uma descrença generalizada na classe política do país.” O receio do empresário é que nem mesmo o impeachment aplacaria a população. Ele não vê o processo como golpe, mas vê risco de produzir apenas efeitos de curto prazo.

O empresário é cético em relação ao impeachment, por entender que as pedaladas fiscais não justificaria o fim da mandato. A gestão de Dilma pode ter exagerado nas ditas “pedaladas”, mas não as inventou, argumenta. Sem contar que, para Gomes da Silva, a população não entende o tema. “Não é por isso que o povo está nas ruas.”

Segundo ele, sem uma solução rápida para o quadro político, a dívida pública poderá alcançar 75%/80% do PIB. Nesse caso, diz ele, ” estaremos transformando o quadro adverso conjuntural em um quadro estrutural complicadíssimo que exigirá muitos anos para consertar”. Gomes da Silva prevê piora na inflação, o que teria efeito negativo sobre o ambiente social. “Temos de ter coragem de começar a falar para a população que esse ajuste não será fácil.”

“Há empresas que terão mais capacidade de reação. Mas a média da economia vai piorar e disso não tenho dúvida.” Ele não vê perspectiva de crescimento, pelo menos, nos próximos dois a três anos.

Gomes da Silva afirma que a Springs Coteminas tem conseguido passar bem pela crise, inclusive no mercado doméstico, onde a alta do dólar tirou competitividade de importados. Sem contar que para as exportações, a desvalorização do real traz margem de rentabilidade. “Vamos superar nossas metas com facilidade”, disse. A companhia teve receita líquida de R$ 2, 27 bilhões no ano passado e espera crescer até 20% neste ano.

Atualmente, contou que perde o sono como empresário na hora de decidir como gerir o crédito ao varejo. “Esse setor costumeiramente trabalha com ciclos longos, de 90 dias, para recebimento. Tudo isso, nos deixa mais conservadores e isso é ruim. Estamos perdendo energia empreendedora no Brasil.”

Do restante, defende soluções simples. O governo tem que se preocupar, na opinião dele, apenas com os grandes temas macroeconômicos e não interferir muito. “Estou me tornando um grande liberal. Pero no mucho, né?!”, diverte-se um pouco. O limite do liberalismo, defendeu, é a garantia de condições isonômicas de competição do empresário nacional – seja para proteger o mercado interno ou para estimular exportação.

Gomes da Silva, que foi por alguns meses membro do conselho de administração da Petrobras, faz um “mea culpa” por ter defendido a política do conteúdo nacional. “Hoje eu estou convencido de que quase tudo que o governo põe a mão estraga. E isso não é só no Brasil, não.”

Valor Econômico – 28/03/2016

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Indústria brasileira vive clima de desalento

A produção industrial brasileira acumula queda de 8,7% nos últimos 12 meses até janeiro. É o maior recuo desde novembro de 2009, de acordo com dados da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física Brasil (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora em janeiro tenha ocorrido um leve crescimento de 0,4% em relação a dezembro de 2015 – interrompendo um ciclo de sete meses seguidos de quedas –, não há esperanças de uma recuperação consistente para o ano.

Com isso, a expectativa de analistas é que prossigam o fechamento de empresas em diversos segmentos da economia e as demissões de trabalhadores.

Na opinião de Pedro Wongtschowski, presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), entidade que reúne vários dos maiores industriais do País, “o cenário da indústria para os próximos dois anos depende muito do que vai ocorrer com a economia” ao longo do ano.

Estudo recente do Iedi constata que a indústria brasileira teve o pior desempenho entre as principais economias globais no quarto trimestre de 2015.

A produção nacional recuou 12,4% na comparação com igual período do ano anterior, desempenho muito inferior ao da produção mundial, que registrou crescimento de 1,9%.

A produção da Rússia, país que também passa por grave crise econômica, teve queda de 5,7% no quarto trimestre. No Chile, houve recuo de 1,5%, e na Argentina de 0,9%. O México apresentou crescimento de 2,2%. Na América Latina como um todo, a queda foi de 4%.

EMPRESA AINDA DEVE SALÁRIOS

Os 770 trabalhadores da Metalúrgica de Tubos de Precisão (MTP), fechada há pouco mais de um ano em Guarulhos (SP) ainda esperam pelo pagamento integral dos salários, diz o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Josinaldo José de Barros. “A empresa estava pagando em parcelas, mas parou.”

A MTP fornecia peças para fabricantes de automóveis e de motocicletas, segmentos cujas vendas despencaram. Barros, contudo, também credita o fechamento “a problemas de gestão”. A empresa está na cidade há pelo menos 50 anos e já passou por vários proprietários.

A gigante no ramo de autopeças Delphi fechou duas fábricas no ano passado, em Mococa (SP) e Itabirito (MG), e este ano encerra a transferência da unidade de Cotia (SP)para Piracicaba (SP). Ao todo, 1,7 mil trabalhadores perderam o emprego. O grupo ainda tem 11 unidades fabris no País.

NA PROEMA, PEDIDOS CAÍRAM 50%

Quando a Justiça aceitou o pedido de recuperação judicial da Proema, fabricante de autopeças, a fábrica de Diadema e uma de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, já estavam fechadas. O grupo tinha entre os clientes a Fiat, GM, Honda e Mercedes-Benz.

Faturava R$ 500 milhões por ano, mas desde 2014 as encomendas caíram mais de 50%. Os 750 funcionários foram demitidos sem receber as rescisões. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, a dívida salarial soma R$ 35 milhões. O diretor da Proema não foi localizado.

A Maxion, que produz rodas automotivas em Guarulhos (SP) há 57 anos, vai desativar a linha produtiva até o fim do ano. A fábrica já empregou 3 mil pessoas, informa o Sindicato dos Metalúrgicos, e hoje tem 500. A entidade negocia um pacote salarial para as demissões. A empresa alega que vai transferir apenas algumas linhas.

‘NÃO HÁ SINAL DE MELHORA’

Nos últimos 20 meses, a fabricante de implementos rodoviários Randon operou nove meses com semana de quatro dias na fábrica de Guarulhos (SP), inaugurada em 1965. Também houve quatro períodos de férias coletivas de 10 a 30 dias e emenda em todos os feriados.

“Como não vemos um cenário de recuperação, não vimos alternativa a não ser paralisar a produção”, diz Daniel Ely, diretor de RH. As áreas de entrega de produtos e comercial serão mantidas. O grupo também tem fábricas em Caxias do Sul (RS), Joinville (SC) e na Argentina.

No início de 2015 a Randon tinha 400 funcionários em Guarulhos, e agora tem 130. O Sindicato dos Metalúrgicos negocia com a empresa o pagamento de seis salários extras e benefícios para o pessoal que será demitido em abril, mas diz que a empresa resiste em aceitar a proposta.

O Estado de S.Paulo – 28/03/2016

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Sete Lagoas vira retrato da crise com fechamento de empresas e desemprego

Município que está entre os 10 maiores de Minas sintetiza o impacto de fornos parados e da baixa na produção da indústria, que desemprega e afeta, em cadeia, o comércio e os serviços

 Luciane Evans

Fornos industriais abafados, galpões sem demanda até mesmo para aluguel e restaurantes tradicionais de portas fechadas mudam a rotina de uma das maiores cidades de Minas Gerais, polo da produção fabril do estado e símbolo da diversificação da economia. Sete Lagoas, distante 70 quilômetros de Belo Horizonte, conhecida pela antiga atividade guseira (matéria-prima da fabricação de aço), seu cinturão de fornecedores de peças automotivas e por abrigar modernas linhas de montagem de caminhões e veículos de defesa, retrata, hoje, o agravamento da crise brasileira. A retração tem origem na turbulência mundial de 2008.

Como um grande dominó na cidade, o freio imposto às indústrias, que demitiram 3 mil trabalhadores nos últimos dois anos, afetou toda a cadeia de produção siderúrgica e automotiva, provocando, agora, efeitos no comércio e no setor de prestação de serviços. São segmentos pesados da economia de Minas, que encolheu 4,9% no ano passado, medidos pelo Produto Interno Bruto (PIB, o conjunto da produção de bens e serviços), segundo levantamento da Fundação João Pinheiro. Nono PIB de Minas, Sete Lagoas vive o drama do alto desemprego e da baixa geração de vagas, em meio à busca de negócios que tentam sair do fundo do poço.

A reportagem do Estado de Minas colheu relatos dos moradores do município, depois que a mais tradicional indústria guseira, a Siderúrgica Noroeste, há 58 anos no ramo, paralisou suas atividades. O EM foi até á usina e encontrou os fornos parados e metalúrgicos de braços cruzados. Na data marcante, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) havia desligado a energia por falta de pagamento. Inconformado, o metalúrgico Walter Mariano Guimarães, de 65 anos, se perguntava onde procurar emprego.

“Estamos há cinco meses sem receber. Trabalho aqui há 21 anos e nunca vi algo assim. Antigamente, saíam daqui 15 carretas com ferro-gusa por dia e, atualmente, não tem havido mais nenhuma”, lamentou. O proprietário da empresa, Wagner Soares de Matos, diz que os 200 trabalhadores da siderúrgica estão sem receber porque a empresa não tem receita para efetuar os pagamentos. “A crise brasileira arrebatou toda a indústria do aço, que é a nossa principal cliente”, reclama.

Além da turbulência no segmento que lidera a carteira de pedidos, os setores automotivo e da construção civil também enfrentam queda na produção. “Ao mesmo tempo, o nosso custo aumentou demais. A conta de luz passou de R$ 180 mil para mais de R$ 300 mil”, diz Soares de Matos. A Siderúrgica Noroeste, que produzia 9 mil toneladas de gusa por mês, está parada há mais de 40 dias. “É a usina mais antiga de Minas em produção baseada no carvão vegetal. Estava em negociação com a Cemig. Agora, estou atrás de investimento para retomar o funcionamento”, afirma o proprietário.

Âncora da cadeia de fornecedores de peças automotivas de Sete Lagoas, a fábrica de caminhões e comerciais leves da Iveco, pertencente ao grupo Fiat, que foi inaugurada em 2000, é considerada a mais moderna do país. Com a crise econômica, que afetou o setor automotivo, a unidade, com capacidade para produzir 70 mil unidades por ano, demitiu cerca de 700 funcionários em 2015 e, neste ano, já foram, até o início de março, 220 dispensados, de acordo com levantamento do sindicato local dos metalúrgicos.

O nocaute dado pela crise brasileira e internacional no setor de ferro-gusa acertou Sete Lagoas em cheio. Responsável por 65% da produção do gusa em Minas, o que já a consagrou, em outros tempos, como polo da matéria-prima na América Latina, a cidade vive atualmente o pior momento da sua história, com 60% das usinas paradas. Das 22 siderúrgicas instaladas, apenas nove estão em funcionamento.

Cenário nebuloso

Nos últimos dois anos, seis empresas do segmento fecharam as portas e, de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, aproximadamente 3 mil pessoas perderam o emprego. A tendência, segundo o presidente da entidade, Ernane Geraldo Dias, é de aumento drástico desses números nos próximos meses. Ele observa que as nove empresas em funcionamento produzem “de forma precária”. Dos 37 fornos que a cidade abrigava, há apenas 13 em operação.

“A crise de 2008 (a turbulência financeira mundial irradiada das bolsas de valores) nos prejudicou demais, uma vez que muitos países deixaram de importar o gusa. A cidade foi retomando aos poucos, mas, em 2014 e 2015, a situação que já estava ruim piorou”, diz Ernane Dias, ao definir o momento como o pior da história do setor. “Além da crise brasileira, o nosso produto está competindo com o ferro-gusa da China e da Ucrânia, que chegam ao mercado brasileiro a preços menores que o produto nacional”, compara.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Sete Lagoas, Flávio Fonseca, lembra que a atividade guseira tem sazonalidade própria, mas foi abalada pela crise da economia brasileira e mundial. “O grande problema é que, de um tempo pra cá, o nosso custo interno (de produção no Brasil) está exacerbado”, avalia.

Ele ressalta que são muitos os fatores que impactam nas siderúrgicas, porém, o pior deles é a crise econômica pela qual passa o Brasil. “O preço do ferro-gusa está caindo no mercado internacional, o que prejudica as nossas exportações. Somando-se a isso, os custos internos, como folha de pagamento, o valor do carvão (principal matéria-prima para a produção do gusa) e a conta de energia são gastos que vêm crescendo progressivamente”, ressalta.

Dificuldade até para fazer bicos

“Não tenho dinheiro para pagar as contas, nem para comprar o que comer”, reclama o metalúrgico Jair Marques Ferreira, de 61 anos. Morador de Sete Lagoas, Ferreira trabalhava na produção de ferro-gusa desde 1979, e, no ano passado, a empresa Fergubras, da qual era empregado, fechou as portas. Sem conseguir se recolocar no mercado, hoje ele passa dificuldades. Segundo o sindicato local dos Metalúrgicos, em um ano, quase 1 mil trabalhadores das siderúrgicas perderam o emprego. Somente em 2016, cerca de 300 foram demitidos. “Muitos estão na Justiça para conseguir receber, pois saíram das empresas sem os seus direitos quitados”, afirma o presidente do sindicato, Ernane Dias.

Quem está em busca de emprego na cidade lembra que durante muitos anos não faltavam vagas para metalúrgicos. “Geralmente, o perfil dos empregados nas siderúrgicas é de homens entre 40 e 45 anos, com experiência na área. O salário gira em torno de R$ 1,4 mil”, informa Ernane Dias. Com o fechamento de empresas, no entanto, quem foi demitido não consegue se recolocar. “Nem bico estou conseguindo. Para me alimentar, tenho contado com a ajuda do auxílio que meu filho, com problemas neurológicos, recebe. Caso contrário, não teria o que comer”, conta Jair Ferreira.

Em fevereiro, Domingos Fêlix Neto, de 57, também entrou para a estatística do desemprego. Ele conta que trabalhava há três anos na Siderpam e que, nos últimos meses, já não recebia o salário em dia. “Desde dezembro não recebíamos”, diz. Acostumado a arranjar emprego com facilidade nas siderúrgicas da cidade, tendo, inclusive, passado por quatro empresas, Neto afirma que, neste ano, a situação mudou. “Já espalhei currículo, estou tentando de tudo o que aparecer, mas ainda não consegui”, lamenta.

Fonte: Estado de Minas

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WEG compra fabricante de motores americana

SÃO PAULO  –  A montadora de máquinas e equipamentos WEG anunciou nesta segunda-feira a compra da fabricante americana de motores elétricos Bluffton Motor Works. O valor pago na transação não foi revelado, mas não representa investimento relevante, de acordo com comunicado da empresa.

A Bluffton Motor Works é uma companhia com sede na cidade de Bluffton, em Indiana, nos Estados Unidos. Foi fundada em 1944 e é especializada na manufatura de motores elétricos fracionários (comerciais ou “rolled steel”). A sede da empresa ocupa uma área de 37 mil metros quadrados e tem aproximadamente 400 colaboradores.

A companhia atende clientes do setor de processamento de alimentos e bebidas, fabricantes de máquinas industriais, equipamentos para comércio e serviços, bombas e ventilação, entre outros. No ano passado, a receita líquida da Bluffton foi de US$ 64 milhões.

“Essa aquisição é estratégica para ampliar e dar mais agilidade à atuação da WEG no maior mercado mundial de motores elétricos fracionários. Além disso, trará uma importante ampliação de linhas de produtos que complementará nossa plataforma de manufatura para a América do Norte”, afirma o diretor-superintendente da WEG Motores, Luis Alberto Tiefensee, no comunicado.

(Juliana Machado | Valor)

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Medida que eleva teto do Simples está parada e pode atrasar planejamentos

Além do ajuste fiscal, medidas de incentivo às empresas seguem paradas no Legislativo. Um deles, o Projeto de Lei Complementar (PLC) 125 de 2015 (Crescer Sem Medo) que eleva o teto de enquadramento no Simples Nacional, tramita no Senado Federal desde o final do ano passado.

Para que entre em vigor em 2017, este precisa ser sancionado até o dia 31 de dezembro de 2016. Antes de ir à sanção, o PLC tem que ser aprovado no Senado e voltar à Câmara dos Deputados.

Segundo especialistas, a demora na votação pode atrapalhar os planos de investimentos de algumas empresas, em caso de recuperação da economia em 2017.

“A primeira coisa que faz um empresário investir é o mercado. A carga tributária vem em segundo plano para calcular a margem de lucro, por exemplo. Porém, se a economia começar a se recuperar no próximo ano, o aumento do teto do Simples pode fazer diferença nos planejamentos”, comenta o economista Silvio Paixão, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

Se aprovado, o Crescer Sem Medo irá permitir que os negócios com faturamento anual de até R$ 14,4 milhões sejam tributados pelo Simples. Atualmente, este limite é fixado em R$ 3,6 milhões.

Silvio Paixão explica que postergar a aprovação do PLC faz diferença para as empresas que poderiam aderir ao regime simplificado já no próximo ano. “Estou falando de um segmento que já fez cálculos e que conclui que a adesão ao Simples vai reduzir custos”, esclarece o professor.

Melhor ambiente

Gabriel Hernan Facal Villarreal, sócio-fundador do escritório Villarreal Advogados Associados, avalia ainda que a elevação do limite do Simples poderia criar um ambiente melhor para as empresas passarem pela crise, principalmente aquelas que se enquadrarão no regime após a sanção do PLC – como os negócios cuja a receita anual bruta se situa entre R$ 3,6 milhões e R$ 14,4 milhões. De maneira geral, essas companhias são tributadas pelo Lucro Real ou pelo Lucro Resumido.

Villareal explica que, em muitos casos, a passagem dessas para o Simples deve reduzir bastante as despesas com a Previdência Social.

“No Simples, tanto faz eu ter 1 ou 100 empregados. Eu vou pagar a mesma alíquota sobre o faturamento. Para muitos negócios, a transição pode ser vantajosa”, comenta ele.

Por permitir a diminuição de gastos, o advogado diz que o Crescer Sem Medo tem potencial de estimular a atividade econômica e a formalização da mão de obra no País.

Não faz diferença

Por outro lado, para os negócios que já são tributados pelo Simples, Villareal ressalta que o atraso na votação do Crescer Sem Medo não provoca grandes impactos, tendo em vista que a atividade econômica do País está recessiva.

“Para as empresas que estão crescendo, o atraso da aprovação é ruim, pois elas têm que subir um degrau muito grande entre o Simples e o Lucro Presumido ou Lucro Real. O PLC permite que essa transição seja feita de forma mais suave, pois prevê uma progressividade melhor de alíquotas”, afirma.

“Porém, sabemos que esse não é o caso da maioria dos negócios no Brasil os quais, na verdade, estão passando por dificuldades econômicas, por queda em no faturamento”, acrescenta Villareal.

Sem expectativa

Fábio Lunardini, advogado da Peixoto & Cury, acredita que o PLC 125 de 2015 não deve ser aprovado neste semestre. “O Congresso está totalmente travado pelo processo de impeachment. Até o meio desse ano não podemos contar com a aprovação”, considera.

Villareal traça a mesma avaliação e completa que se o Crescer Sem Medo não for sancionado neste ano, “será por motivos alheios ao projeto”. Ele diz que é de interesse político aumentar o teto do Simples, mesmo que a medida não se encaixe “muito bem no atual momento econômico”, onde o Ministério da Fazenda tenta implementar medidas para elevar arrecadação.

Apesar da elevação do limite do Simples implicar, em um primeiro momento, em “renúncia de receita”, no médio e longo prazo ele tem potencial para fomentar a atividade, reduzir custos e formalizar mão de obra, pontuam os especialistas entrevistados.

Emprego na pequena

O Sebrae divulgou na última sexta-feira que, dos 104,6 mil postos de trabalho fechados em fevereiro, 18,5% foram nos pequenos negócios. As micro e pequenas tiveram um saldo negativo de 19,4 mil empregos, enquanto que as empresas de médio e grande porte acumularam um saldo negativo de 93,8 mil postos de trabalho.

DCI – 28/03/2016

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Crise provoca o fechamento de mais de 4 mil fábricas em São Paulo em um ano

A crise que paralisa a economia brasileira deixa um rastro de empresas desativadas. Só no Estado de São Paulo, 4.451 indústrias de transformação fecharam as portas no ano passado, número 24% superior ao de 2014, quando 3.584 fabricantes deixaram de operar, segundo a Junta Comercial.

O quadro se estende por todo o País, formando um cemitério de fábricas de variados setores, muitas delas fechadas definitivamente, algumas em busca de alternativas para voltar a operar e outras à espera de compradores.

Muitos trabalhadores demitidos não receberam salários e rescisões. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre novembro e janeiro, a indústria brasileira fechou 1,131 milhão de vagas, número recorde para um trimestre.

“As fábricas fechadas e os empregos perdidos viraram pó; não há como reverter esse quadro nos próximos anos”, diz Fabio Silveira, diretor de pesquisas econômicas da consultoria GO Associados.

Algumas das fabricantes foram líderes em seus segmentos, mas não resistiram à queda da demanda e aos altos custos de impostos, energia, juros elevados e à falta de investimentos que secaram, em parte, em razão da queda da confiança no País, somado a erros administrativos e estratégicos.

A desativação de indústrias segue em níveis alarmantes neste ano. Um exemplo é o da cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, onde, só na semana passada, ocorreram anúncios de encerramento de atividades produtivas das metalúrgicas Eaton, Maxion e Randon.

“O mercado de implementos rodoviários teve retração de 50% e não há perspectivas de mudança de cenário no curto prazo”, informa Daniel Ely, diretor de Recursos Humanos da Randon, que atualmente emprega 130 pessoas, mas já teve mais de mil, segundo o sindicato local.

SEM EMPREGO E COM RECISÃO PARCELADA

Tradicional fabricante de produtos têxteis, a Polyenka, instalada em Americana (SP) há 45 anos, já foi uma das maiores empresas do ramo de filamentos de poliéster no País e chegou a empregar 2 mil pessoas no fim dos anos 90. Em janeiro, encerrou atividades e fez um acordo com os atuais 350 funcionários para parcelar o valor das rescisões.

A empresa estava em recuperação judicial desde 2006 e, segundo o advogado Geraldo Gouveia operava com “significativo prejuízo”, principalmente após a queda de 30% nas vendas registrada nos últimos meses.

“O principal insumo usado na produção (polímero químico) é importado e ficou mais caro com a alta do dólar, além do custo da energia e da mão de obra”, explica Gouveia.

Ele diz que a Polyenka pertencente a um grupo de empresários brasileiros e busca alternativas para retomar atividades, seja para atender apenas sob encomenda, terceirizar parte das atividades ou apenas importar e revender. “Tudo vai depender dos rumos do País.”

Em Jacareí (SP), a Rhodia fechou a fábrica de fios têxteis de poliamida em abril do ano passado e concentrou a produção desse item na filial de Santo André (SP). Os 130 funcionários demitidos, segundo a empresa, receberam bônus extras de acordo com o tempo de trabalho.

A multinacional francesa informa que o fechamento “é resultado do cenário econômico de forte queda do consumo de produtos industrializados, que acarretou redução das vendas de fios de poliamida”. Também alega que, ao longo dos últimos anos, houve acréscimo substancial dos custos de produção, agravados em 2015 pelo aumento do preço da energia.

DUAS FÁBRICAS FECHADAS EM 2015

A queda das vendas de componentes elétricos (chicotes) para seus principais clientes – as fabricantes de caminhões, ônibus e tratores –, levou a PK Cables do Brasil a fechar, em dezembro, a fábrica de Curitiba (PR).

Em maio, o grupo de origem finlandesa que atua no Brasil há 17 anos já tinha encerrado as atividades da filial de Itajubá (MG). As duas unidades empregavam 1,1 mil trabalhadores (500 em Itajubá e 600 em Curitiba). Agora a companhia mantém apenas a fábrica de Campo Alegre (SC).

O Sindicato dos Metalúrgicos do Paraná informa que negociou a dispensa dos trabalhadores locais, que receberam participação nos resultados de R$ 12 mil cada um, além de três meses de vale mercado e plano médico. Nenhum representante da empresa foi localizado na semana passada para falar sobre o assunto.

Em junho, em entrevista ao Estado, o responsável pelo setor de Recursos Humanos da PK Cables, Celso Silva, havia confirmado o fechamento das duas unidades, mas, segundo ele, a fábrica de Curitiba seria mantida até março deste ano.

Na época, ele informou que as encomendas tinham caído 45% e não havia alternativa se não a concentração das atividades em um única unidade. “Passamos por dificuldades em 2008, mas a crise atual é muito mais forte”, disse ele.

No ano passado, a produção de caminhões caiu 47,1% em relação aos números de 2014, enquanto as de ônibus tiveram redução de 34,7%. O segmento de maquinas agrícolas apresentou recuo de 32,8%, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Nos dois primeiros meses deste ano o cenário segue crítico, com redução acumulada de 40,7% na produção de caminhões, de 45,2% na de ônibus e de 52% na de máquinas agrícolas.

ANTES DO FIM, RITMO DE PRODUÇÃO MAIOR

Não houve anúncio oficial de encerramento de atividades. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos, a direção da Eaton, fabricante de peças hidráulicas, só confirmou o fechamento da unidade após ser procurada pela entidade, no início do mês.

“Os trabalhadores perceberam um movimento fora da rotina na fábrica, pois estavam ampliando a produção num momento em que a própria empresa reclama da crise”, informa José Barros da Silva Neto, diretor do sindicato.

“Eles nos procuraram e fomos falar com o representante da empresa, que confirmou a transferência da produção para a unidade de Guaratinguetá, no interior de São Paulo”.

A fábrica está na cidade há 27 anos, mas pertence ao grupo americano Eaton desde 2001. Já teve entre 500 e 600 funcionários, mas atualmente emprega 140 pessoas, segundo Silva Neto. A empresa não comentou o assunto.

O grupo atua em diversos segmentos e também tem fábricas em Caxias do Sul (RS), Jundiaí, Mogi Mirim, São José dos Campos, Valinhos e Votorantim, todas no Estado de São Paulo.

A produção acelerada nas últimas semanas, na visão do sindicalista, é para garantir estoque de peças no período de transição. “A mudança é uma estratégia para reduzir custos, não é em razão da crise”, acredita Silva Neto.

Na semana passada, os trabalhadores decretaram greve pois reivindicam um pacote de benefícios na demissão, como seis salários extras.

De acordo com o sindicalista, a Eaton queria pagar apenas os direitos normais da rescisão, mas, após a greve, ofereceu R$ 3 mil extras para cada trabalhador, sendo que R$ 1,2 mil já estava acertado anteriormente como participação nos lucros. “Nesse momento de crise não podemos aceitar só isso”, afirma o diretor do sindicato.

APÓS VENDA, GRUPO FECHA AS PORTAS

Para tentar salvar a metalúrgica Corneta, fundada em São Paulo por seu avô há 80 anos, o empresário Christian Bennecke contratou, no fim do ano passado, uma consultoria de gestão para administrar a empresa, que emprega atualmente cerca de 280 funcionários, e colocar as contas em ordem.

O trabalho culminou com a venda da fabricante de ferramentas e autopeças de Osasco (SP) em agosto, ao grupo de investidores BL Investimentos.

“Inicialmente eles disseram que iriam investir na empresa, mas fizeram o contrário”, afirma Jorge Nazareno, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco. Segundo ele, os funcionários entraram em férias coletivas no início de dezembro e, ao retornarem em janeiro, foram informados de que a fábrica seria fechada.

A Corneta fornecia componentes para grandes fabricantes de motocicletas, como Honda e Yamaha. O setor de duas rodas registrou queda de 11% nas vendas no ano passado.

Os funcionários estão sem receber salários desde dezembro, assim como os valores da rescisão. Em reunião na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) ficou acertado o pagamento dos valores em até 22 parcelas, que começaram a ser pagas neste mês. A BL não quis falar sobre o caso.

Em janeiro, outra metalúrgica, a Unimol, fabricante de molas de compressão e outros itens em São Paulo, fechou as portas e não pagou salários e rescisão de seus 35 funcionários.

Fundada em 1985, a empresa tinha grandes grupos entre seus clientes, como Alcoa, Dana, Siemens e TRW. O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Francisco de Assis do Nascimento, afirma que, ao serem dispensados, os trabalhadores foram orientados pela chefia a buscar seus direitos na Justiça.
A entidade move atualmente ação na Justiça do Trabalho. Nenhum representante da empresa foi localizado.

O Estado de S.Paulo – 28/03/2016

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Ocupação em fábricas fechadas

Após processo de recuperação judicial mal sucedido, a Mabe, fabricante de linha branca, pediu falência em fevereiro e fechou as fábricas de geladeiras Continental em Hortolândia e de fogões Dako em Campinas, ambas no interior de São Paulo. Os 2 mil funcionários estão com salários atrasados desde dezembro e também não receberam as rescisões. Há mais de um mês, um grupo deles ocupa as fábricas.

“Só vamos sair se a massa falida (a Capital Administradora) pagar todos os direitos ou retomar a produção com o efetivo completo”, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sidalino Orsi Júnior. Só a dívida trabalhista soma R$ 19 milhões.

A Capital pretende retomar a produção, mas só com 500 funcionários. A Justiça determinou a desocupação da fábrica de Hortolândia e a qualquer momento a Polícia pode entrar no local para retirar os trabalhadores.

O Estado de S.Paulo – 28/03/2016

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Novo código reforça conciliação para resolver litígio de empresas

Métodos alternativos para resolver conflitos, a conciliação e a mediação ganharam reforço com o novo CPC (Código de Processo Civil) –que entrou em vigor na sexta (18) e traz a obrigatoriedade da audiência de conciliação.

A conciliação entre empresas, assim como a mediação, é indicada para as que mantêm uma relação continuada e tendem a não romper a parceria –a diferença é que a mediação é usada quando as partes têm um vínculo ainda mais profundo, como sócios.

“Na crise, o custo importa ainda mais”, aponta Daniela Gabbay, advogada e professora da FGV. A duração e os custos da conciliação são muito menores que os de uma ação na Justiça ou arbitragem –quando as partes indicam um árbitro para julgar o litígio em assuntos específicos.

A opção já vinha crescendo. Em 2015, a área cível do TJ-SP realizou 132.531 audiências de conciliação, alta de mais de 500% sobre 2012.

Enquanto o tempo médio de uma ação na Justiça é de 10 a 15 anos, “a conciliação pode resolver tudo em um único ato”, afirma Emmanoel Campelo, coordenador do Comitê Gestor Nacional pela Conciliação do CNJ.

O tempo de espera para marcar uma conciliação no Cejusc da cidade de São Paulo, o mais movimentado do Estado, é de 30 a 60 dias. Mas há alternativas mais rápidas.

SEM SAIR DE CASA

A Concilie Online usa o chat on-line. Segundo seu fundador, Agostinho Simões, o processo demora, em geral, sete dias úteis e o preço médio de sua conciliação é 60% mais baixo que o de um processo tradicional.

A eConciliador segue o mesmo princípio, mas propostas e contrapropostas são processadas por algoritmos.

Segundo Marcelo Valenzuela, sócio-diretor, o acordo leva em média quatro minutos e sete segundos. E a empresa contratante só paga se houver acordo.

O CNJ aprovou a criação do Sistema de Mediação Digital, uma ferramenta on-line para promover a resolução de conflitos a custo zero.

O foco são conflitos na área de seguros, consumo e processos de execução fiscal, na fase pré-processual.

André Gomma, juiz auxiliar da presidência do CNJ, afirma que, para ações já em curso, cabe a cada tribunal aderir à ferramenta.

Segundo ele, o sistema deve entrar em funcionamento em cerca de seis semanas e há planos ainda para a criação de um aplicativo.


EM DIÁLOGO
Saiba o que são e como funcionam as mediações de conflitos

MÉTODOS

‘1- Mediação*
*Similar à conciliação, mas usada quando as partes têm uma relação continuada, como conflitos entre sócios. O mediador atua de forma menos avaliativa e mais facilitadora

2- Arbitragem
Um árbitro ou mais (número ímpar) indicados pelas partes julgam o litígio. Indicada para conflitos muito específicos. Costuma ser mais cara que as outras modalidades

3- Conciliação
Uma terceira pessoa, neutra e imparcial, facilita o diálogo entre as partes para que elas construam, com autonomia e consenso, a solução. Usada em conflitos mais simples ou restritos

COMO CONCILIAR *

1- Intenção
A conciliação pode constar como cláusula contratual ou ser acordada com a ação já em processo -que fica suspensa durante o período da conciliação

2- Agendamento
Basta entrar em contato com uma câmara privada para marcar audiência. No Cejusc (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania) de São Paulo, o tempo de espera varia de 30 a 60 dias

3- Assistência
As partes podem ser assistidas por advogados ou defensores públicos, mas não é obrigatória a contratação de advogados nas causas com valor de até 20 salários mínimos

4- Audiência
É comum a resolução em uma sessão, mas pode haver outras, não excedendo 2 meses da data da primeira. O não comparecimento de uma das partes à 1ª sessão pode acarretar em multa

5- Resultado
Se houver acordo, o termo final de mediação constitui título executivo extrajudicial e, quando homologado judicialmente, título executivo judicial

GASTOS *
> Despesas administrativas, como taxa de registro
> Honorários do conciliador: ficam entre R$ 700 e R$ 900/hora. Normalmente, é acordado pagar 20 horas mínimas de trabalho
> Honorários advocatícios: média de R$ 500 por hora
> Honorários de eventuais peritos e assistentes técnicos

Folha de S.Paulo – 28/03/2016

Redação On março - 28 - 2016
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