Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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Incerteza deixa o país à beira da depressão

O Brasil mergulhou de cabeça em uma recessão sem precedentes, mas corre o risco de enfrentar uma situação ainda mais tenebrosa, de depressão econômica, dependendo da evolução da crise política. Os economistas observam que é difícil fazer projeções nesse momento, mas são unânimes em reconhecer que o país nunca atravessou uma crise tão grave e que, se 2015 foi um ano ruim, com a economia encolhendo 3,8%, 2016 pode ser ainda pior. As estimativas de queda do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano variam de 3,5% até 6%. Em 2017, o nível de atividade poderá ter uma redução adicional de 1%, ou seja, serão três períodos consecutivos de queda, algo nunca antes visto na história do país. Durante a Grande Depressão da economia mundial que se seguiu à quebra da Bolsa de Nova York, no início do século passado, a produção brasileira se retraiu por dois anos seguidos — 2,1%, em 1930, e 3,1%, em 1931, conforme dados da Austin Rating.

Estimativas da Tendências Consultoria apontam que, de 2015 a 2020, o país poderá registrar uma taxa média negativa de 1,2% do PIB, desempenho abaixo do registrado nos anos 1980, a década perdida, quando houve queda em apenas dois anos. A economista Alessandra Ribeiro adianta que a equipe da consultoria, além do cenário base de queda de 4% neste ano, trabalha com uma versão pessimista, que considera uma retração de 6%. O quadro poderá ser melhor ou pior dependendo da situação política projetada. Dada a baixa credibilidade da presidente entre os agentes econômicos, a manutenção dela no Planalto e a possível entrada do ex-presidente Lula no governo reforçam as previsões mais desanimadoras.

“Nossa estimativa é que existe 70% de probabilidade de ocorrer o impeachment”, diz Alessandra. O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, trabalha com o mesmo percentual. “Contamos que isso aconteça até metade do ano, e aí o PIB cairia ‘apenas’ 3,8% este ano. Caso ela permaneça, nossa expectativa é de que a economia encolha 4,9%”, destaca.

Tombo profundo

Os especialistas costumam caracterizar uma recessão a partir do momento em que a produção de bens e serviços cai por três trimestres consecutivos — com dois trimestres de queda, ocorre o que se chama de recessão técnica. A depressão é um tombo mais profundo e prolongado na atividade econômica, em que a falta de confiança de empresários e consumidores é generalizada, o desemprego atinge níveis alarmantes, os preços caem e a recuperação se torna muito mais difícil.

A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics (PIIE), em Washington, avalia que o Brasil está entrando em uma crise de características ainda piores. Um quadro de depressão econômica não costuma conviver com inflação, já que a demanda cai a níveis tão baixos que não há espaço para aumento de preços. Pelas contas dela, no entanto, é provável que a carestia, no país, permaneça entre 10% e 20% até 2018. “Com uma inflação elevada e PIB despencando, o país não se encaixa em nenhum desses dois termos. Nunca se viu uma situação dessas na história mundial”, afirma.

Monica avalia que, ao chamar para o governo o ex-presidente Lula, que está sendo investigado pela Operação Lava-Jato, Dilma piorou as expectativas para a economia e praticamente contratou uma recessão de 5% neste ano. Ela adverte ainda para os efeitos negativos de medidas que tem sido discutidas no governo para reanimar a economia a qualquer preço, como o uso de reservas internacionais. “Seria um tiro no pé. Tudo o trabalho de equilibrar as contas públicas, que permitiu ao país conquistar o grau de investimento no passado, foi desfeito”, observa.

O economista e especialista em contas públicas Felipe Salto também critica o uso das reservas, que pode ser anunciado até a próxima terça-feira. “Essa ideia é uma maluquice. O país sofrerá outro rebaixamento das agências de classificação de risco”, alerta.

Guinada

Para o economista e professor da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (FGV-SP), Ernesto Lozardo, o desemprego vai superar 11% neste ano e 12% no ano que vem. “As alternâncias na política macroeconômica estão levando o país para uma depressão. Cada ano muda, e isso só piora o quadro. O país não consegue colocar de pé uma política sequer porque não tem uma âncora fiscal”, critica. Segundo ele, sem um ajuste nas contas públicas, a economia poderá entrar em uma depressão rapidamente, sem data para sair.

Lozardo alerta que a sinalização do governo de que pode dar uma guinada à esquerda, aumentar os gastos públicos e estimular o crédito subsidiado para elevar o consumo só agravam o quadro. “O país está à deriva. Tentar crescer via crédito neste momento é uma falácia. A sociedade não vai se endividar novamente porque aprendeu, em 2012, que perdeu o que não conseguiu pagar. Muitos já estão sem emprego e outros vão ser demitidos”, alerta.

Alessandra, da Tendências, também vê com preocupação a possibilidade de aumento do desequilíbrio fiscal. Se o governo quiser elevar os gastos com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e com crédito subsidiado, a dívida pública vai facilmente chegar a 80% do PIB e o encolhimento da economia será muito maior do que estávamos projetando no cenário base”, destaca. Pela mediana das projeções levantadas pelo Ministério da Fazenda para o boletim Prisma Fiscal, divulgado na última quinta-feira, a dívida pública bruta deve encostar em 80% até o fim de 2017. É um nível insustentável para um país emergente com as características do Brasil.

Cada vez pior

A deterioração da economia e da política tem levado especialistas a revisarem as estimativas para o desempenho econômico brasileiro. A equipe do Credit Suisse, liderada por Nilson Teixeira, subiu de 3,5%, para 4,2% a expectativa de retração do PIB neste ano, e de 0,5% para 1%, a previsão de queda em 2017. Neil Shearing, economista-chefe para mercados emergentes da consultoria britânica Capital Economics, informou que ainda mantém a previsão de queda de 3,5% no PIB brasileiro este ano, com inflação de 9%. No entanto, devido ao elevado nível de incertezas políticas, ele avisa que o país não deverá se recuperar antes de 2017. “Um agravamento nessa crise política pode lançar uma longa sombra sobre tudo”, diz Shearing.

O diretor para a América Latina do Eurasia Group em Washington, João Augusto de Castro Neves, não vê recuperação da economia brasileira enquanto não for definida a situação de Dilma no poder. “A nomeação de Lula para ministro da Casa Civil é um sinal de desespero”, avalia . No entender de Neves, o ex-presidente carrega um passivo tão pesado, com a investigação da Lava-Jato, que pode ajudar a afundar de vez o barco do governo. “Se Lula começar a tentar agradar a esquerda, tomando medidas populistas, engavetando a reforma da Previdência, por exemplo, ele daria um tiro no pé. Mas ele é capaz de fazer jogo duplo, flertar no início com a esquerda, mas se articular com o centro, tentando trazer de volta o PMDB para a base”, explica. “A solução seria por aí, mas, na conjuntura atual, a capacidade de articulação dele está reduzida”, completou.

“O país está à deriva. Tentar crescer via crédito neste momento é uma falácia. A sociedade não vai se endividar novamente. Muitos já estão sem emprego e outros vão ser demitidos”

Ernesto Lozardo,
Professor da Fundação Getulio Vargas

“Um agravamento nessa crise política pode lançar uma longa sombra sobre tudo”

Neil Shearing,
economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics

Correio Braziliense – 28/03/2016

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Mudança no PSI pode inabilitar Barbosa

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, minimizou o seu grau de responsabilidade sobre as operações do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), cuja sistemática foi considerada ilegal pelo Tribunal de Contas da União (TCU), no julgamento das “pedaladas” fiscais. Foi por esse motivo que, em relatório recém concluído, os auditores do órgão de controle recomendaram a inabilitação do ministro para o exercício de cargos públicos.

Ao lado de outras seis autoridades, Barbosa foi citado como responsável pelas operações de crédito ilegais que o TCU identificou no PSI. Encerrado após a rejeição das contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff, o programa oferecia empréstimos do BNDES em condições mais vantajosas do que o custo de captação do Tesouro. A diferença, chamada de equalização de taxa de juros, só era repassada ao banco federal 24 meses após a contratação.

Nelson Barbosa foi responsabilizado por ter assinado, em outubro de 2012, a Portaria 357, que atualizou algumas diretrizes do PSI, entre as quais as condições para ressarcimento ao BNDES. Na defesa apresentada ao TCU, o ministro da Fazenda afirmou que apenas atualizou uma portaria anterior, na qual o então titular da pasta, Guido Mantega, estabeleceu o prazo de 24 meses.

“Cumpre esclarecer que a portaria foi mera republicação da portaria anterior, editada pelo então titular do Ministério da Fazenda, que igualmente estabelecia lapso temporal de 24 meses para pagamento da subvenção econômica ao BNDES”, diz a defesa de Barbosa, assinada por ele e pelo procurador federal Walter Baere de Araújo Filho, da Advocacia Geral da União (AGU).

Na época em que a defesa foi apresentada, o argumento levou auditores e ministros do TCU a avaliarem a inabilitação de Barbosa como uma sanção extrema. Mas a análise detalhada do caso mostrou uma realidade diferente. A portaria de Mantega, publicada em abril de 2012, estabelecia o prazo de equalização apenas para as novas operações, enquanto que o documento assinado por Nelson Barbosa retroagiu a regra para todos os contratos do PSI, que começou a emprestar dinheiro no final de 2009.

Como teve influência direta em uma operação que o TCU avaliou ser ilegal, o atual ministro da Fazenda se juntou às outras quatro pessoas que os auditores do tribunal querem inabilitar. Além de Barbosa, a recomendação recaiu sobre Mantega e outros três ex-funcionários do Tesouro Nacional: Arno Augustin, Marcos Pereira Aucélio e Marcelo Pereira de Amorim. Se os pedidos forem acatados pelo plenário do tribunal, eles podem ficar até oito anos longe do serviço público.

A recomendação foi feita ao relator do processo, o ministro José Múcio Monteiro. Antes de levar o caso ao plenário, o que deve acontecer em cerca de três semanas, ele vai ouvir a opinião da procuradoria do tribunal. Apesar da surpresa com o teor do relatório, a tendência entre os ministros continua sendo de, no máximo, multar Barbosa, mas não está descartada a hipótese de a crise política mudar esse roteiro.

Durante a análise das contas de Dilma, vários integrantes do TCU manifestaram desconforto com a pressão externa causada pela grande exposição do caso. Nos bastidores, alguns ministros chegaram a admitir que haveria grande dificuldade em se assumir publicamente qualquer linha contraditória à reprovação.

Ciente das movimentações no TCU, a defesa do ministro da Fazenda até reconhece que a portaria assinada por ele ampliou o alcance da regra estabelecida por Mantega, mas salienta que antes dessas portarias não havia nem sequer prazo para ressarcimento ao BNDES. Outro argumento mencionado é de que o tribunal de contas aprovou sem qualquer ressalva as contas da presidente Dilma de 2012 e 2013, quando as portarias já estavam vigentes.

Nessa linha, o entendimento é de que não há problema no fato de o TCU ter mudado sua avaliação sobre o PSI, mas que eventuais sanções só deveriam valer para o futuro. De qualquer forma, para sanar as irregularidades apontadas, uma nova portaria foi publicada em abril do ano passado, excluindo o prazo de 24 meses para o pagamento das equalizações ao BNDES.

Isso não quer dizer que os defensores do ministro estejam convencidos de que o BNDES fez empréstimos ilegais ao Tesouro, como entendeu o TCU. O argumento é de que os recursos em questão não foram disponibilizados para o governo usá-los como bem entendesse. “Facilmente se percebe que não houve transferência de domínio de recursos financeiros do BNDES para o Caixa da União”, sustenta a defesa.

Na avaliação de Barbosa e da AGU, se a lógica adotada pelo tribunal for levada ao pé da letra, “todos os anos a União realiza operações de crédito com milhares de contribuintes que permanecem no aguardo da devida restituição do Imposto de Renda”.

Valor Econômico – 28/03/2016

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Ajuste ocorre sem ‘anestesia’, diz analista

O ajuste doloroso enfrentado pela economia brasileira destrói empresas e empregos, avalia o diretor de pesquisas econômicas da consultoria GO Associados, Fabio Silveira. Uma forma de amortecer esse quadro, diz ele, seria a emissão de moedas, mas o Brasil não tem condições de fazer isso.

“Foi a emissão de moedas e o crédito que impediu o desmonte da indústria americana na crise de 2008 e 2009”, afirma Silveira. “Com isso, o governo amorteceu o tombo de montadoras, de empresas da construção civil e do mercado financeiro”. O Brasil, diz, “não pode se dar a esse luxo, até porque a inflação poderia ser ainda maior”.

Para o economista, o País não tem outro mecanismo de regulação da economia e de amortecimento desse forte ajuste e, portanto, “não tem como escapar do aumento do desemprego e do fechamento de empresas”.

Além disso, no ambiente atual, com a crise econômica sendo agravada pela crise política, “os empresários não vão colocar seu dinheiro para reativar o nível de atividade”, acredita Silveira. “Estamos conhecendo um dramático ajuste feito via mercado sem anestesia.”

Lava Jato. A operação Lava Jato, da Polícia Federal, também tem efeitos indiretos na indústria. O presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Pedro Wongtschowski, lembra que a Petrobrás reduziu dramaticamente seus investimentos, o que afeta um setor imenso de fabricação de bens de capital, serviços de engenharia e de apoio marítimo.

“Uma parte considerável da economia brasileira anda em torno da Petrobrás, que chegou a representar, no pico, mais de 10% da formação de capital bruto no Brasil”, ressalta o executivo. A estatal, afirma ele, arrasta um grande conjunto de setores industriais – construção civil, montagem mecânica, fabricação de bens de capital, manutenção, serviços marítimos, e mesmo indústrias que não estão diretamente ligadas a ela, como as empresas de componentes para a produção de papel e celulose, química e farmacêutica.

Na opinião do executivo, “a queda da demanda da Petrobrás e a redução dos investimentos em geral está fazendo com que muitas indústrias que se estabeleceram no País há alguns anos fechem as portas”.

Segundo ele, o Brasil vai voltar a ser importador desses componentes pois a maior demanda vinha da indústria de petróleo. “Na medida em que essa fonte secou, os produtores perdem escala, a despeito do câmbio, e já tem muita gente saindo do Brasil.”

O presidente do Iedi ressalta ainda que os investimentos das empresas de óleo e gás também pararam – exceto os que já tinham sido contratados –, em razão da falta de novos leilões da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

“Os investimentos em infraestrutura (portos, aeroportos, rodovias e ferrovias) reduziram dramaticamente por força da dificuldade do governo de fazer essas licitações. E isso, indiretamente, também é efeito da lava jato, afirma Wongtschowski. Ele ressalta, contudo, ser “obvio que a purificação do sistema dos negócios brasileiros tem de ser feita”.

Para Silveira, uma mudança no quadro político pode induzir a uma melhora da percepção econômica e uma melhora, ainda que mínima, em 2017. “É preciso fazer um ajuste aceitável pela sociedade e desenvolver uma política orientada a fortalecer as exportações para que o País não fique a mercê da China e da alta das commodities”.

O Estado de S.Paulo – 28/03/2016

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Gasto do governo com juros quase dobra em um ano e chega a R$ 540 bi

Os gastos com juros do setor público atingiram R$ 540 bilhões nos 12 meses até janeiro, o equivalente a 9,1% do PIB, um salto expressivo em relação aos 5,5% do PIB registrados em 2014. Nesse período, as despesas financeiras foram infladas especialmente pela alta da taxa de juros, o aumento da inflação e a desvalorização do câmbio.

No acumulado de 2016, esses gastos devem ser menores como proporção do PIB, devido à inflação mais baixa e às perspectivas para a trajetória do real, que podem fazer o Banco Central ter ganhos com os swaps cambiais. Ainda assim, continuarão muito superiores aos dispêndios com juros nominais de outros emergentes.

A conta com juros subiu 3,6 pontos percentuais do PIB entre o acumulado de 2015 e os 12 meses até janeiro. Desse total, os gastos relacionados a taxas de juros (como Selic, prefixadas e a Taxa Referencial) responderam por um terço dessa alta, passando de 3,3% para 4,5% do PIB, diz o economista-chefe da corretora Tullett Prebon, Fernando Montero. A indexação de títulos a índices de preços contribuiu com 0,7 ponto percentual dessa alta, para 2,5% do PIB, enquanto os gastos com os swaps cambiais subiram de 0,3% para 2% do PIB no período, devido ao impacto da forte desvalorização do câmbio, afirma Montero.

“Os juros continuarão pressionando. Em contrapartida, a tendência da inflação é cair e a dos swaps, de reverter”, resume ele. Segundo Montero, é possível que as despesas do Banco Central (BC) com os swaps sejam zeradas em março no acumulado em 12 meses, devido à recente valorização do real. Nos 12 meses até janeiro, esses instrumentos, ofertados pelo BC para dar proteção cambial e moderar a desvalorização da moeda, custaram R$ 117 bilhões.

Pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), José Roberto Afonso lembra ainda outro fator que explica o aumento dos gastos com juros em relação ao tamanho da economia: o PIB nominal aumentou em 2015 bem menos do que os índices de preços. Além da recessão – a economia encolheu 3,8% no ano passado -, o deflator implícito do PIB (uma espécie de “inflação do PIB”) aumentou muito menos do que o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). Com isso, quando expressas em proporção do PIB, indicadores como os gastos com juros ficam maiores, diz Afonso.

O economista destaca também a alta da taxa Selic, que aumentou de 11,75% no fim de 2014 para 14,25% ao ano em julho de 2015, nível em que se encontra atualmente. Isso impactou os gastos com juros, assim como o aumento da inflação, que corrige hoje uma parte significativa da dívida pública federal – algo próximo a um terço dela.

Afonso aponta ainda outro fator para o crescimento dos gastos com juros – o forte crescimento do estoque da dívida pública. No ano passado, a dívida em títulos do governo federal, por exemplo, aumentou quase 18%, bem acima da alta de 7,7% do ano anterior. Num cenário de incerteza como o atual, os investidores e empresas dão prioridade à liquidez, diz ele. Com isso, correm para títulos públicos, que também oferecem um rendimento elevado.

Como Montero, Afonso vê espaço para gastos menores com juros como proporção do PIB neste ano. A inflação será menor do que os 10,7% registrados pelo IPCA em 2015, e a perspectiva de um dólar mais barato poderá fazer o BC ter ganhos com os swaps cambiais. O mercado espera que o setor público gaste o equivalente a 7,5% do PIB com juros em 2016, pelo que se infere com base nas projeções dos analistas consultados pelo BC para o déficit nominal (que inclui gastos com juros) e o déficit primário (que exclui essas despesas). Não há uma estimativa direta para os dispêndios com juros. A Selic pode cair no segundo semestre, segundo parte dos analistas, mas não se esperam quedas muito significativas. A taxa média neste ano pode ficar um pouco acima da média do ano passado, de 13,58%, ou bastante próxima.

A diferença entre a remuneração dos créditos e débitos do setor público também contribui para explicar as despesas elevadas com juros nominais, diz Afonso. O ponto é que o volume expressivo de reservas e os empréstimos do Tesouro aos bancos públicos como o BNDES elevaram a distância entre os juros pagos e os juros recebidos pelo setor público. Para fazer aportes ao BNDES, por exemplo, o Tesouro emite títulos em grande parte atrelados à Selic, hoje em 14,25%, ficando com créditos junto ao banco corrigidos pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em 7,5% ao ano. Nos 12 meses até janeiro, o custo efetivo da dívida líquida, medido pela chamada taxa implícita, ficou em 31,9%, muito acima da Selic. Os 9,1% do PIB acumulados até janeiro são a diferença entre juros pagos e recebidos pelo setor público consolidado, que engloba União, Estados municípios e algumas estatais (sem Petrobras e Eletrobras).

Na comparação internacional, os gastos com juros do Brasil superam em muito o de outros emergentes. Na Índia e na África do Sul, que têm despesas financeiras mais elevadas que vários outros integrantes desse grupo de países, os dispêndios em 2015 foram de 4,4% do PIB e 3,1% do PIB, pela ordem. No Chile, ficaram em 0,6% do PIB.

O ponto é que o Brasil tem uma dívida mais alta e mais cara do que a de outros emergentes, como costuma ressaltar Mansueto Almeida, especialista em contas públicas. Estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que a dívida bruta dos emergentes em 2015 ficou em média em 44,6% do PIB, enquanto a do Brasil fechou o ano passado em 66,2% do PIB. A dívida líquida brasileira, por sua vez, terminou 2015 em 36% do PIB, muito acima dos 11,6% do PIB projetados pelo FMI para a média desse grupo de países.

Há economistas que não veem com bons olhos o uso do resultado nominal das contas públicas. Professor da Escola de Economia de São Paulo (EESP) da Fundação Getulio Vargas (FGV), Bernardo Guimarães diz que a medida é “muito pouco relevante”, por não levar em conta o efeito da inflação. Dizer que a carga de juros nominais ficou em 9,1% do PIB significa muito pouco, segundo ele, uma vez que boa parte das taxas está apenas corrigindo seu valor considerando a evolução dos índices de preços.

O melhor conceito, para Guimarães, é o operacional, que leva em conta o efeito dos juros reais (descontada a inflação) sobre a dívida. Embora o BC não divulgue mais estatísticas do resultado operacional das contas públicas, ele estima que os juros reais em 2015 ficaram na casa de 2,5% a 3% do PIB. Esse número tem mais relevância do que a carga de juros nominais, diz Guimarães. Para Afonso, o resultado operacional é importante e deve ser olhado, mas o conceito nominal também é relevante, por facilitar comparações internacionais, por exemplo.

Valor Econômico – 28/03/2016

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Estados registram queda de nota em avaliação de risco

Nenhum dos Estados do país está em situação fiscal “muito forte”, de acordo com um ranking de contas públicas criado pelo Ministério da Fazenda. Desde 2012, o governo federal analisa os dados fiscais para fazer uma espécie de classificação de risco de cada governo.

Em 2015, governo algum conseguiu se aproximar das notas máximas. Em um índice que vai de A+ até D-, o melhor colocado foi o governo do Pará, com conceito B+.

O ranking foi calculado por pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), utilizando os critérios estabelecidos pelo Ministério da Fazenda em portaria federal. Apesar de fazer o cálculo, a Fazenda não publica esses resultados.

Por essas regras, são levadas em conta fatores como endividamento, gastos com pessoal e investimentos.

O objetivo da nota é avaliar a viabilidade da concessão de novos empréstimos, que precisam ter aval do governo federal.

Quem recebe conceitos A ou B é classificado em uma situação de risco “quase nulo” ou pequeno.

O Estado que ganha o conceito C depende do aval do secretário do Tesouro para obter dinheiro emprestado.

O histórico desse ranking escancara a deterioração das contas dos Estados. Em 2009, de acordo com os cálculos do Ipea, oito Estados receberam notas A. Em 2013, dois ainda se mantinham no patamar mais elevado.
No ranking de 2015, que levou em conta dados do período entre 2012 e 2014, 13 governos estaduais tiveram notas C ou D.

Estado mais rico do país, São Paulo ficou com o conceito C-, que significa “situação fiscal muito fraca”. A lanterna da lista é de Minas. Segundo os pesquisadores, Tocantins e Roraima não tinham informações disponíveis.

EMPRÉSTIMOS EM SÉRIE

Um dos autores do cálculo, o economista do Ipea Aristides Monteiro diz que a avaliação dá um peso grande para o endividamento. Com a série de empréstimos tomados no início da década, houve uma consequente piora do conceito dos Estados.

Outro autor, Alexandre Manoel, defende que os dados do ranking sejam divulgados periodicamente como forma de aumentar a transparência sobre as contas públicas.

O pesquisador do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) José Roberto Afonso diz que a metodologia tem a vantagem de ser essencialmente quantitativa e analisar indicadores precisos. Mas peca em ignorar mudanças de cenário e esforços para equilibrar as contas. “O rating oficial da Fazenda desqualificaria a própria União”, diz.

Procurados, o Ministério da Fazenda e o governo de Minas não responderam. O governo paulista diz que cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal e que o Senado tem autorizado a contratação de empréstimos pelo Estado.

Folha de S.Paulo – 28/03/2016

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Custo da construção da FGV acelera para 0,79% em março

SÃO PAULO  –  Puxado pelo aumento do custo da mão de obra, o Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) subiu 0,79% em março, acima do resultado de fevereiro, de 0,52%, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com esse resultado, o INCC-M acumulou alta de 1,65% no primeiro trimestre e de 7,30% em 12 meses.

A inflação referente à mão de obra foi de 1,16% em março, devido aos reajustes salariais registrados em Belo Horizonte e Recife e, ainda, pela antecipação salarial em Porto Alegre. No mês anterior, a taxa de variação tinha sido 0,51%. No ano, a mão de obra aumentou 1,83% e, em 12 meses, 8,24%.

Já a inflação de materiais, equipamentos e serviços desacelerou para 0,38%, seguindo taxa de 0,53% apurada em fevereiro. No ano, a alta correspondeu a 1,44% e, em 12 meses, a 6,27%.

O índice referente a materiais e equipamentos teve elevação de 0,38% em março, após ficar em 0,39% em fevereiro. A parcela relativa a serviços passou de uma taxa de 1,06% em fevereiro, para 0,38% em março.

Capitais

Em março, duas capitais apresentaram aceleração em suas taxas de variação: Brasília (de -0,01% para 0,30%) e Belo Horizonte (0,37% para 4,72%). Em contrapartida, houve desaceleração em Salvador (de 0,72% para 0,32%), em Recife (de 2,34% para 2,03%), no Rio de Janeiro (de 0,41% para 0,29%), em Porto Alegre (de 1,42% para 0,33%) e em São Paulo (de 0,22% para 0,08%).

Valor Econômico – 28/03/2016

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Coluna

O golpe da menoridade

Celso Rocha de Barros – 28/03/2016

Seria interessante saber se a turma teria batido panela quando foi divulgada a lista da Odebrecht. Mas nunca saberemos. O tempo dedicado à notícia nos telejornais foi tão pequeno que não deu tempo de ir à cozinha e voltar com as panelas. Nenhuma das revistas semanais deu capa à lista da Odebrecht. O juiz Sergio Moro decretou sigilo sobre as informações.

É possível argumentar que tudo isso foi razoável.

Não é possível ainda saber quais nomes na lista de fato recebiam subornos. Há casos esquisitos. O site de fact-checking “Aos Fatos” achou, por exemplo, candidatos que receberam dinheiro em anos em que não disputaram eleições.

Mas é difícil descobrir quais das contribuições eram legítimas, porque o esquema pelo qual doações (mesmo as legais) são feitas é tortuoso.

Deve haver inocentes na lista.

A novidade da semana passada, entretanto, foi que voltamos a falar sobre devido processo legal, benefício da dúvida e direito de defesa. Não houve nenhum desses cuidados quando vazou a delação de Delcídio, ou quando o juiz Sérgio Moro divulgou os áudios de Lula. A diferença se explica pelo fato de que dessa vez nem todos os acusados eram petistas.

Essa simples volta à normalidade institucional que vimos semana passada é o que desejam os deputados que votarão o impeachment. Depois de assistirem a mudança de tom dos últimos dias, reforçarão a convicção já formada: roubar sem o PT como cúmplice dá muito menos problema.

A sobriedade da semana passada, portanto, foi uma jogada tão agressiva pelo impeachment quanto a gritaria das semanas anteriores.

Por essa e outras razões, o impeachment de Dilma é quase inevitável. O PMDB segue fazendo ameaças de rompimento cada vez mais entediantes; todos sabem que os pemedebistas já fugiram. Sem o PMDB, a queda de Dilma é quase certa.

Os placares de votos contra e a favor do impeachment ainda não dão um resultado conclusivo, mas podem apostar: isso é porque muitos deputados estão esperando para aderir no último minuto. O voto decisivo sem dúvida será mais caro.

Só resta a Dilma uma jogada, resistir no cargo e esperar as delações. Talvez uma delas atinja Temer irremediavelmente. Talvez atinja tanta gente na oposição que a correlação de forças mude.

Não deve dar certo, porque os mecanismos no Congresso já foram postos em funcionamento acelerado. Os deputados estão tão empenhados em correr para derrubar Dilma que já demonstram serenidade diante do martírio de trabalhar de segunda a sexta.

O maior temor é que a megadelação da Odebrecht ocorra enquanto ainda houver a mobilização em torno do impeachment.

Porque se há algo que todos admitem é que a lista da semana passada foi só um aperitivo. Se a Odebrecht, de fato, divulgar tudo que sabe, teremos duas opções para decidir quem governará o Brasil.

A primeira é reeditar o “Golpe da Maioridade” de 1840 e eleger presidente alguém que ainda não tenha idade para ter feito nada de errado. Da última vez deu certo: Pedro 2º foi um governante razoável.

A outra alternativa é muito mais provável: decretar a menoridade penal do PMDB e da oposição, aplicar-lhes algumas medidas socioeducativas e incentivá-los a se reinserir na sociedade em alguma profissão respeitável, como a Presidência da República ou um ministério com um bom orçamento.

Folha de S.Paulo

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O PT, o russo e o chinês

Jaime Spitzcovsky – 28/03/2016

Liu, Ivan e José. Um chinês, um russo e um brasileiro, nascidos na década de 1980 e, hoje, com 35 anos de idade. Pertencem às chamadas “novas camadas médias”.

Do ponto de vista de liberdades individuais e acesso a consumo, os representantes dessa geração vivem melhor ou pior que seus pais, quando tinham a mesma faixa etária?

Vivem melhor. Naturalmente, não se trata de ignorar o deficit de liberdade política na China, o autoritarismo do putinismo ou as imperfeições da democracia brasileira.

O fundamental, para entender o momento histórico e o processo em curso nestes países tão distintos, é acompanhar as mudanças estruturais responsáveis por, em 30 anos, abalar os pilares sobre os quais, ao longo de séculos, tais sociedades se apoiaram.

O terremoto advém com o encontro de duas tendências. Livre da ameaça comunista, o capitalismo mergulha numa fase de expansão. Precisa de novos mercados, para vender bens em larga escala.

O capitalismo encontra então um Partido Comunista sedento por injetar economia de mercado em seu país. O líder chinês Deng Xiaoping, em 1978, pisoteia dogmas e decreta o início das reformas, para resgatar a China da miséria e do isolamento herdados do maoismo e manter o poder da elite governante desde a revolução de 1949.

China sedenta por dinamismo econômico e capitalismo em busca de mais consumidores compõem o ponto de partida da equação a modelar o século 21, do ponto de vista socioeconômico. O modelo se espalha, sobretudo com a debacle da URSS, em 1991.

A ideia de injetar doses cavalares de economia de mercado, nas últimas décadas, contaminou países tão distintos como Índia, Estônia, México e Indonésia, entre outros. No mundo dos países emergentes, o tecido social passa por plásticas indeléveis.

Um processo sem paralelos na história, em função da velocidade estonteante, resulta na criação de novas classes médias, conceito amplo, apoiado não em critérios econométricos, mas no fato de parcelas expressivas da população global se despediram da pobreza absoluta.

Adicione-se ao caldeirão mais dois ingredientes globais: urbanização acelerada e revolução tecnológica sem precedentes. Mais cidades e mais redes sociais significam maior fluidez em informação e em capacidade de exercer cidadania.

Em 1999, quando o PC chinês celebrava o cinquentenário da chegada ao poder, conversei em Pequim com um funcionário do Comitê Central. Tasquei a pergunta incômoda. Quando os chineses poderão eleger seus líderes por meio do voto?

Meu interlocutor disparou: “É uma questão para meus netos resolverem”. A resposta, embrulhada em simbolismo, abandonava o dogma marxista da eternidade do poder revolucionário e admitia a chegada de desafios ao PC chinês, que se intensificarão nos anos vindouros.

No caso brasileiro, repleto de diferenças com o mundo chinês, tenho a sensação de que o PT não soube ler as mudanças ocorridas nos últimos 30 anos. O tecido social se alterou drasticamente, a democracia avançou. Governar como se estivesse no século 20 é um equívoco colossal.

Folha de S.Paulo

 

Redação On março - 28 - 2016
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