Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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A crise abalou a siderurgia

A recessão e os chineses elevam os estoques mundiais de aço e o setor enfrenta 30% de ociosidade no País

Vanderlei Campos

A siderurgia brasileira está no limite da sua resistência e busca medidas de proteção para preservar o seu parque produtivo. A maior crise já enfrentada pelo setor resultou até agora em mais de 30 mil demissões, 60 unidades industriais paralisadas, quase 30% de capacidade ociosa, redução de 16% no consumo interno em 2015 e depreciação generalizada dos preços internacionais.

Com investimento de 19 bilhões de dólares entre 2009 e 2014, o parque produtivo está atualizado tecnologicamente, mas os pagamentos do financiamento daquela modernização sobrecarregam o caixa das empresas, pressionado por sucessivas quedas dos preços internacionais e retração das vendas.

Com capacidade para produzir cerca de 50 milhões de toneladas por ano, as siderúrgicas do País não passaram de 33 milhões de toneladas no ano passado, em consequência principalmente da queda nas vendas internas. As exportações ganharam algum fôlego com a desvalorização cambial, mas conseguiram cobrir somente parte das perdas no mercado interno.

Segundo estimativas de Luiz Francisco Caetano, analista de investimento da Planner Corretora, no ano passado o volume vendido ao exterior aumentou 52,1%, mas a receita caiu 13,5%, por causa do declínio dos preços do aço.

“As usinas estão se esforçando para não demitir”, diz Marco Polo de Melo Lopes, presidente-executivo do Instituto Aço Brasil. Neste momento, diz, o setor sacrifica as suas margens para manter volume e preservar uma escala capaz de sustentar a indústria.

Desde o ano passado, a CSN paralisou três altos-fornos, um em Volta Redonda e dois em Cubatão (Foto: Andrew Harrer/Bloomberg News/Getty Images)

Hoje há um excedente entre 700 milhões e 800 milhões de toneladas de aço no mundo. Os planos de investimentos em siderurgia são de longo prazo, não permitem freadas bruscas e haverá um acréscimo de cerca de 100 milhões de toneladas na oferta neste ano. A formação dos estoques elevados começou entre 2001 e 2012, quando a produção dobrou de 800 milhões para 1,6 bilhão de toneladas.

A China participou com 84% daquela expansão. Representantes do setor nas Américas e na Europa apresentaram no mês passado à Organização Mundial do Comércio um alerta sobre o risco de se reconhecer a China como economia de mercado. Uma decisão nesse sentido impediria as ações anti-dumping, fundamentais para barrar a entrada nos mercados importadores de produtos chineses com preços artificialmente baixos.

A decisão sobre a mudança do status da China, prevista para o fim deste ano, coincidirá com o pico de produção e oferta, com maior risco de práticas anticompetitivas na indústria do aço, segundo o IABr. Em 2000, a China exportou para o Brasil 12 mil toneladas, 1,3% das importações do produto. Em 2014, forneceu 2,1 milhões de toneladas, 52% do total. “Ninguém cresce assim sem subsídio”, acredita Lopes.

Os Estados Unidos adotaram em dezembro medidas prejudiciais às exportações brasileiras para proteger as suas próprias siderúrgicas. O País deverá seguir o mesmo caminho para impedir danos irreversíveis ao setor. “No Brasil, poderá ocorrer alguma medida protecionista e isso traria algum alento à siderurgia nacional”, diz Caetano.

Em novembro, representantes do setor siderúrgico reuniram-se com a presidenta Dilma Rousseff, o ministro de Desenvolvimento Industrial e Comércio, Armando Monteiro, e o então ministro da Fazenda Joaquim Levy. Dilma determinou a criação de um grupo de trabalho com integrantes dos dois ministérios e da Casa Civil para analisar a situação da siderurgia. Ao lado de medidas de incentivo à exportação, a entidade propõe uma elevação da alíquota de importação, hoje entre 12% e 14%, para 35%, o que, segundo Lopes, está dentro dos padrões da OMC. A proposta gerou reação das indústrias consumidoras de aço, temerosas de aumentos dos preços do insumo.

O aguçamento da crise intensificou a movimentação dos empresários. No mês passado, os empresários Benjamin Mário Baptista Filho, presidente da ArcelorMittal Brasil e do Segmento de Aços Planos América do Sul, Benjamin Steinbruch, o principal executivo da Companhia Siderúrgica Nacional, e Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, reuniram-se com os ministros Jaques Wagner, da Casa Civil, e Armando Monteiro, do Mdic, para pleitear medidas em defesa do setor.

O governo não descarta o reajuste das alíquotas de importação, mas a posição do governo é “examinar alternativas ao aumento de taxação”. Os empresários querem também tornar as exportações sustentáveis e pleiteiam uma compensação à redução de Reintegra, que devolve parte dos tributos aos exportadores, reduzido entre 1% e 3%.

As indústrias dos setores metalomecânico, automotivo e de construção, equivalentes a cerca de 80% das empresas consumidoras de aço, calculam que as siderúrgicas nacionais representam 90% da oferta e praticam preços 35% superiores à média internacional. “Já disse aos empresários da siderurgia que o problema é demanda. Todos precisamos vender mais e não se consegue isso aumentando o nosso custo”, resume Carlos Pastoriza, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos. “Não vemos razão para aumentar a alíquota”, afirma José Romeu Ferraz Neto, presidente do Sindicato da Indústria de Construção Civil do Estado de São Paulo.

As pequenas e médias empresas do segmento de construção civil não costumam buscar fornecedores externos e a importação, portanto, estaria restrita às companhias de grande porte, hoje com poucos contratos de obras nas suas carteiras. Ferraz Neto reconhece as dificuldades do setor, mas lembra que nos momentos de aquecimento a indústria ficou mais exposta ainda aos fornecedores externos. “Se o concorrente estrangeiro cumpre as normas técnicas e não faz dumping, não há por que taxar mais”, defende.

Segundo Luiz Moan, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, grande parte das importações da indústria automotiva se deve à necessidade de atender a características específicas dos produtos e pouco tem a ver com a busca de preços atrativos. Assim, um aumento de alíquotas incidiria sobre itens que não competem com o aço brasileiro. “No mundo há um excesso de aço e de veículos e estamos em situação difícil. A saída é política, é preciso recuperar o grande patrimônio do País, que é o seu mercado interno.”

Neste momento, a maior parte das grandes siderúrgicas posterga investimentos e reduz operações. No começo do ano, a CSN paralisou um alto-forno na Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda.

Em 2015, a Usiminas desligou dois altos-fornos e desativou a produção de toda a área primária, inclusive da aciaria, nas suas instalações em Cubatão. A companhia conseguiu redirecionar 300 empregados para outras atividades da usina. Ainda assim, demitiu 1,8 mil. Para o presidente Rômel Erwin de Souza, as dispensas foram necessárias para manter os empregos remanescentes, incluídos aqueles das laminações da usina de Cubatão, que permanecerá em operação.

Em plena crise, entrará em operação neste semestre a Companhia Siderúrgica do Pecém, no Ceará, a única construída fora da China nos últimos anos, com investimentos de 5,4 bilhões de dólares. Segundo Sérgio Leite, presidente da CSP, o plano da empresa para o período de 2017 a 2019 prevê “margem suficiente para operar com competitividade nos próximos anos e atravessar com segurança e inovação este momento menos favorável”.

Além de contar com localização estratégica e as vantagens logísticas do Porto do Pecém, no Ceará, a CSP está instalada em uma zona de processamento de exportação, com acesso a incentivos fiscais para 80% da produção voltada à exportação.

*Reportagem publicada originalmente na edição 892 de CartaCapital, com o título “Fornos desativados”

Fonte: Carta Capital

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Pequenas mineradoras podem falir

Novo patamar de preços do minério de ferro deve inviabilizar a produção nessas empresas

Tatiana Lagôa

O novo patamar de preços do minério de ferro – que deverá girar entre US$ 40 e US$ 50 a tonelada por um longo período – poderá levar à falência uma série de mineradoras com custos mais altos de produção ao redor do planeta. Na China, esse processo já está em curso e a tendência é que as empresas brasileiras comecem a sentir o baque, com a reconfiguração do mercado nacional em um prazo estimado de cinco anos. No Brasil, apenas a Vale S/A teria condições de se manter competitiva graças, principalmente, às operações do Pará, na visão de especialistas.

Nesta semana, os preços da tonelada do minério de ferro chegaram à casa dos US$ 58, mas não é esperado que fiquem nesse patamar. A elevação foi impulsionada pela alta do aço em Xangai devido a uma recuperação nos preços dos imóveis residenciais na China. Mas, para os analistas de mercado consultados pela reportagem foi uma variação sazonal, sem perspectiva de permanência.

Caso seja confirmada a expectativa dos preços ficarem, no máximo, a US$ 50 a tonelada, muitas mineradoras não conseguirão se manter no mercado. “O mercado mundial de mineração deverá se manter em torno das três maiores que são Vale, Rio Tinto e BHP Billiton”, afirma o analista da Tendências Consultoria, Felipe Beraldi. Isso deverá ocorrer em função dos custos de produção.

Enquanto as empresas maiores investiram pesado para reduzir os custos de produção, as mineradoras menores não seguiram a mesma tendência. Pegando como referência o mercado brasileiro, a Vale consegue produzir minério a US$ 10 a tonelada em Carajás, no Pará. A mesma empresa possui minas mais dispendiosas, que chegam a custar algo em torno de US$ 20 a tonelada, principalmente em Minas Gerais, onde estão as operações mais antigas do grupo.

“Com um projeto como o de Carajás em mãos, a estratégia da Vale nesse momento de preços baixos no mercado tem sido colocar o pé no freio em operações de Minas Gerais. O Estado tem muita mina de custo elevado, que são interessantes em épocas de alta demanda. Até para atender os contratos. Mas agora não justifica manter operações caras”, afirma o analista da Galdi Investimentos, Pedro Galdi.

Outra empresa que teria condições de se manter competitiva nesse cenário seria a Samarco, que produz um minério de alto teor. Mas, conforme lembra Beraldi, no caso dessa empresa a grande questão é quanto terá que desembolsar para retornar ao mercado após o rompimento da barragem. Dessa forma, avaliar a relação entre os custos e os retornos financeiros sobre a produção se tornam inviáveis nesse momento.

Fora essas duas empresas, as demais estão em uma situação complicada. As estimativas do mercado são de que a maioria gaste em torno de US$ 45 e US$ 50 para produzir uma tonelada de minério de ferro. Com os preços no mercado spot nessa mesma faixa, muitas operações se tornarão economicamente inviáveis. Isso sem contar que as siderúrgicas que também atuam na produção do minério de ferro deverão abrir mão desse mercado, pelo mesmo motivo.

Porém, o impacto sobre a produção total do País não deverá ser tão grande caso algumas empresas deixem de atuar porque a Vale produz cerca de 80% do minério de ferro brasileiro.

“Em economia mineral, como em qualquer ramo, em situações em que ocorrem redução de demanda ou excesso de oferta há redução de preço. E nesse contexto as minas de baixo custo, que são chamadas tecnicamente de marginais, acabam se tornando inviáveis. Até que o mercado melhore e elas voltem a ser exploradas lá na frente”, afirma o consultor e presidente do conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), José Mendo Mizael de Souza.

Fonte: Diário do Comércio

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Governo fecha acordo com Mirabela Mineração e libera créditos de ICMS

Marcelo Villela

O governo do estado fechou acordo no final da tarde desta segunda-feira (21) com a Mirabela Mineração, empresa sediada em Itagibá, na região do Médio Rio de Contas. A mineradora estava em processo de fechamento, com previsão de demitir mil funcionários. Segundo informações do site Giro em Ipiaú, o acordo foi firmado na Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), em Salvador, com a presença do titular da pasta, Jorge Hereda, de representantes da companhia, de sindicalistas e de parlamentares, como os deputados estaduais Eduardo Salles, Fabrício Falcão, Fabíola Mansur e Euclides Fernandes; além de representantes dos deputados federais Bebeto Galvão e Davidson Magalhães.

Na reunião, o diretor financeiro da empresa, Milson Mundin, e o representante de 98,5% dos acionistas da Mirabela, Doug Flannery, explicaram que a Mirabela pretende explorar níquel laterítico (oxidado) em 2017, gerando mais de 200 postos de trabalho. A empresa afirmava ter um crédito em ICMS que ultrapassava R$ 40 milhões e em fevereiro desse ano, alegando estar sofrendo prejuízos por conta da queda do valor do níquel, anunciou que iria parar as atividades. Um acordo tem sido tratado desde o segundo semestre do ano passado.

A empresa chegou a dar aviso prévio a mais de 450 trabalhadores – na época, a libra do minério estava a U$$3,70; já nesta segunda-feira (21), a U$$ 3,95. Com a liberação dos créditos do ICMS, a multinacional conseguirá prosseguir com suas atividades na cidade, onde está instalada desde 2009.

Fonte: Bahia Notícias

Redação On março - 23 - 2016
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