Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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Inflação pelo IPC-S desacelera na 3ª prévia de março

SÃO PAULO  –  A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) cedeu de 0,65% para 0,61% da segunda para a terceira quadrissemana de março, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). A queda na conta de luz e em alguns alimentos ajudaram nessa desaceleração.

No total, cinco das oito classes de despesas componentes do índice registraram taxas menores. A maior contribuição partiu do grupo habitação (0,03% para -0,07%), influenciado pelo item empregados domésticos, que saiu de alta de 1,12% para 0,74%, e tarifa de energia elétrica, de queda de 2,97% para recuo de 3,26%.

Também cederam transportes (0,79% para 0,64%), comunicação (1,20% para 0,98%), vestuário (0,43% para 0,36%) e despesas diversas (1,89% para 1,88%). Nessas classes de despesas, vale destacar, respectivamente, o comportamento da gasolina (0,62% para 0,47%), pacotes de telefonia fixa e internet (0,59% para 0,36%), roupas masculinas (0,67% para 0,41%) e serviço religioso e funerário (1,03% para 0,72%).

Em contrapartida, os grupos alimentação (1,14% para 1,20%), educação, leitura e recreação (-0,01% para 0,14%) e saúde e cuidados pessoais (0,70% para 0,71%) registraram taxas mais altas por conta de hortaliças e legumes (-2,13% para -0,20%), passagem aérea (-13% para -8,86%) e psicólogo (0,99% para 1,65%), respectivamente.

Nos alimentos, os preços de alguns itens – como tomate (-12,40%) e alcatra (-2,97%) – caíram e ajudaram a desacelerar a inflação do período, a despeito de o grupo todo ter subido.

Capitais

O IPC-S mede a inflação em sete capitais e em cinco delas hovue desaceleração da segunda para a terceira quadrissemana: Salvador (de 0,49% para 0,37%), Brasília (de 0,53% para 0,40%), Belo Horizonte (de 0,83% para 0,63%), Recife (de 0,75% para 0,59%) e Rio de Janeiro (de 0,53% para 0,50%).

Em contrapartida, houve aceleração em São Paulo (de 0,71% para 0,77%) e Porto Alegre (de 0,70% para 0,75%).

Valor Econômico – 23/03/2016

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Tombini: incertezas impedem corte de juros

Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse ontem que, apesar de a queda da inflação em 12 meses ter começado em fevereiro, as atuais incertezas no país em relação ao equilíbrio das contas públicas levam o BC a descartar a possibilidade de cortes de juros. Segundo ele, não se cogita a hipótese de flexibilização monetária no momento.

— Os riscos inerentes ao comportamento recente das economias e das taxas observadas de inflação, combinados com a presença de mecanismos de indexação na economia brasileira e de incertezas quanto ao processo de recuperação dos resultados fiscais e sua composição, não nos permitem trabalhar com a hipótese de flexibilização das condições monetárias — afirmou.

DEFESA DO AJUSTE
A queda dos juros era esperada por parte dos analistas, devido ao aprofundamento da recessão. Tombini explicou que há sinais benignos para a inflação. Ressaltou que a correção das tarifas públicas não deve pesar na inflação como em 2015, assim como o câmbio, porque o dólar tem caído e o consumo de importados tem diminuído com a recessão. Ele indicou que qualquer mudança nos juros tem de estar dentro do plano de levar a inflação para a meta.

— O Banco Central não se furtará, caso novos desenvolvimentos alterem o balanço de riscos da inflação, em adotar as medidas necessárias para assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas, ou seja, circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional, em 2016, e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5%, em 2017 — ressaltou.

Tombini defendeu o ajuste fiscal, que depende da aprovação do Congresso, e classificou de “crucial e imprescindível” a mudança nas contas públicas:
— Não há como sustentar conquistas econômicas e sociais se não houver confiança por parte da sociedade na gestão fiscal, sobretudo em um horizonte de médio e longo prazos.

RESERVA PARA PROTEÇÃO
Perguntado sobre o uso das reservas internacionais para outros fins que não ficar no BC como poupança para crises externas — como sugerido pelo PT —, Tombini disse que elas devem ser usadas como proteção.

Mesmo com um quadro melhor para a inflação, o presidente do BC ouviu duras críticas dos parlamentares da CAE. Para o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), Tombini nunca conseguiu entregar a inflação na meta e, mesmo assim, faz essa previsão todo o ano. Isso, afirmou, teria afetado a confiança no trabalho da autoridade monetária:

— O Banco Central se recusa a falar a verdade para a população, perdendo com isso um dos seus ativos mais importante, que é a credibilidade.

Tombini afirmou que somente em 2015, quando a inflação ficou em 10,7%, teve de escrever uma carta ao ministro da Fazenda (como prevê a lei) para explicar porque o índice oficial, o IPCA, ultrapassou o teto de 6,5% estipulado pela equipe econômica.

— Nos cinco anos em que estou à frente do Banco Central, apenas em 2015 escrevi uma carta aberta. (Quanto a) ajuste de metas, há controvérsias. Ajustar meta para quê? Para não escrever a carta? Para ajustar as expectativas? — perguntou o presidente do BC.

O Globo – 23/03/2016

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Governo corta mais R$ 21 bi do Orçamento

A forte queda na arrecadação tributária em função da recessão em que país está mergulhado obrigou o governo a anunciar o segundo corte no Orçamento de 2016 em apenas dois meses. De acordo com o Ministério do Planejamento, o contingenciamento adicional será de R$ 21,2 bilhões, com o objetivo de compensar a queda de R$ 20 bilhões na receita líquida deste ano e o aumento de R$ 1 bilhão nos gastos, conforme explica o “Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias” do primeiro bimestre, divulgado ontem pela pasta.

Somada essa nova tesourada à de R$ 23,4 bilhões anunciada em fevereiro, o governo fará um corte de R$ 44,6 bilhões no Orçamento deste ano. O decreto com o detalhamento dos ajustes por ministério será publicado no Diário Oficial da União até o próximo dia 30, informou o Planejamento. Com a medida, o governo manteve em R$ 24 bilhões, ou 0,49% do Produto Interno Bruto (PIB), a meta de superavit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) do governo central (que reúne Tesouro, Previdência Social e Banco Central).

No entanto, como acredita que a frustração de receita poderá ser pior, o Executivo pretende entregar ao Congresso projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para criar uma meta fiscal flexível, de modo a permitir um rombo de até R$ 60,2 bilhões nas contas públicas. A previsão era a de entregar a proposta ainda ontem ao Congresso. Mas, sem o novo corte de gastos, o deficit poderia alcançar até R$ 81,2 bilhões. Diante disso, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, adiou o encaminhamento do projeto, que deverá ser feito ainda hoje.

Desconfiança

O documento divulgado ontem é o segundo relatório de avaliação de receitas referente ao primeiro bimestre publicado este ano pelo governo. O anterior, denominado de “avaliação extemporânea”, foi anunciado em fevereiro. Ele já previa frustração em torno de R$ 13,6 bilhões na receita líquida prevista e aumento de R$ 9,7 nas despesas. A atualização das previsões, no entanto, não diminui a desconfiança dos analistas de que a situação das contas é pior do que a equipe econômica admite.

Nesse novo relatório, o governo prevê que vai obter R$ 71 bilhões em receitas adicionais e extraordinárias, montante bem superior aos R$ 47,5 bilhões estimados em fevereiro. Só que muita coisa pode não se concretizar, como a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que depende de aprovação no Congresso. A Fazenda pretende engordar os cofres em R$ 10,1 bilhões, neste ano, com a volta do tributo. A renda projetada com o programa de regularização de ativos no exterior, de R$ 35 bilhões, também é duvidosa, porque depende da adesão dos contribuintes. Além disso, dentro dos R$ 30,8 bilhões previstos com a venda de ativos, está incluída a abertura de capital da Caixa Seguridade, estimada em R$ 10 bilhões, operação foi adiada novamente e que não deverá ocorrer neste ano.

“O quadro fiscal é preocupante, e, com certeza, as estimativas de receita ainda estão superestimadas. A tendência é que a situação seja muito pior do que a mostrada pelo governo”, alertou o professor de administração pública da Universidade de Brasília (UnB) José Matias-Pereira.

Cenário pior

O ceticismo dos especialistas se torna ainda maior diante do agravamento das situação econômica. No novo relatório fiscal, o próprio governo piorou as previsões para 2016. A queda do PIB passou de 2,94% para 3,05%. A inflação subiu de 7,10%, para 7,44%. O dólar aumentou de R$ 4,11 para R$ 4,18. E o ganho da massa salarial encolheu de 4,07% para apenas 2,97%. Diante desses números, o economista Marcel Caparoz, da RC Consultores, avalia que o quadro fiscal será muito pior do que o previsto oficialmente. “Não tem mágica. A arrecadação está diretamente relacionada com a atividade econômica. Os parâmetros que o governo está usando ainda são otimistas e ele não conseguirá a receita que está esperando. O mercado está prevendo, em média, uma retração de 3,6% do PIB neste ano, mas, se a crise política se agravar, a queda poderá ser maior”, avaliou.

Rombo da Previdência aumenta

O governo elevou em R$ 6,3 bilhões a previsão do rombo da Previdência Social deste ano “dada a alteração na estimativa de arrecadação líquida para Regime Geral da Previdência Social (RGPS)”, conforme o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do primeiro bimestre, divulgado ontem. Com isso, a estimativa do deficit passou para R$ 136 bilhões. Em fevereiro, a projeção era a de que o pagamento de benefícios superaria a arrecadação do sistema previdenciário em R$ 129,7 bilhões em 2016. Mas a estimativa de receita líquida, que era de R$ 366,7 bilhões, caiu agora para R$ 360,4 bilhões. Enquanto isso, a expectativa de despesa foi mantida em R$ 469,4 bilhões.

Correio Braziliense – 23/03/2016

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Para analistas, mudanças terão pouco efeito sobre as contas

De pouco significado. A frase resume a forma como economistas e analistas de mercado receberam o anúncio do governo de que vai realizar um corte adicional de R$ 21,2 bilhões no Orçamento de 2016 para tentar assegurar o cumprimento da meta de superávit primário do governo central de R$ 24 bilhões. “Nem mesmo com a aprovação da CPMF o governo alcançaria superávit em suas contas, quanto mais um superávit de R$ 24 bilhões”, diz Bruno Lavieri, sócio da Consultoria 4E.

Para o economista-chefe da JGP, Fernando Rocha, a promessa de entregar um superávit de R$ 24 bilhões não significa nada em um momento de forte frustração de receitas e de recessão econômica. “O governo vai usar os abatimentos e, na prática, vai entregar um déficit de 1% [do PIB], que pode até vir a ser revisado para maior.”

Fábio Klein, especialista em contas públicas da Tendências é mais cético. Segundo ele, ainda que o governo contingenciasse 100% de suas despesas discricionárias, não seria possível entregar um superávit em 2016. Klein explica que para atingir uma meta de primário ao redor de 0,5% do PIB neste ano, o contingenciamento mínimo necessário seria de R$ 145 bilhões, ou 14% da despesa total. O valor passa o máximo de despesas discricionárias contingenciáveis no orçamento em 2016 – em torno de R$ 132 bilhões, ou 11% da despesa total estimada pelo governo.

“Logo, o contingenciamento adicional anunciado faz pouca coisa em termos de melhoria das contas públicas e não impede que se encerre o ano com déficit”, diz Klein. A Tendências espera déficit primário de 1,5% do PIB em 2016, podendo chegar a 2% dependendo do nível de frustração de receitas.

Segundo Klein, esse quadro não muda, a menos que haja uma surpresa muito grande com receitas extraordinárias. Ele dá como exemplo o valor esperado com a repatriação de recursos do exterior, de R$ 11 bilhões, o que não seria suficiente para alterar as projeções fiscais para o ano. “Mas já há quem fale em R$ 80 bilhões, o que melhoraria bem o quadro”, diz. “De qualquer forma, não é tarefa fácil transformar um déficit esperado acima de R$ 100 bilhões em superávit de R$ 24 bilhões”.

A descrença dos analistas se estende ao pacote fiscal anunciado na segunda-feira pela Fazenda, visto como um conjunto de medidas não necessariamente ruim, mas sem efeito prático e colocado na mesa num momento inoportuno. “Qualquer tentativa que possa ser lida como de afrouxamento tende a gerar mais estresse”, diz Lavieri.

Para Rocha, da JGP, o problema de um teto para despesas é que os mecanismos de ajuste são muito concentrados no funcionalismo. “O ajuste em cima do funcionalismo tem um limite, pois vai gerar grande insatisfação. O ideal seria reformar a Previdência em conjunto com essa medida”, diz.

Já um sistema de limite adicional nas despesas sempre que o PIB em quatro trimestres for inferior a 1%, diz Rocha, é uma tentativa de criar um mecanismo de compensação automático que permite ter resultados fiscais piores quando o crescimento é baixo. “Também evita emendas à Lei do Orçamento para aprovação no Congresso durante o ano fiscal, o que desgasta o governo”, diz. “Mas tem a desvantagem de mandar uma sinalização ruim para os investidores, pois o resultado fiscal pode ser qualquer coisa se o crescimento for baixo”.

Rodrigo Melo, economista-chefe da Icatu Vanguarda, diz que, na questão do teto para gastos, a dúvida é qual será o patamar de gastos que será colocado na proposta. O regime especial de contingenciamento é visto com reservas, pois abriria espaço para um descompromisso maior com o ajuste. “Na cabeça do governo, é preciso mais crescimento para depois o ajuste ficar mais fácil. Mas é um ajuste fiscal crível que faz com que a confiança dos agentes jogue a favor”.

Já o refinanciamento da dívida dos Estados com a União, diz Melo, libera, no curto prazo, espaço para Estados gastarem mais. Para Lavieri, nada mais é do que “moeda de troca” para obter algum apoio político em votações que sejam de interesse do governo.

Valor Econômico – 23/03/2016

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Fraudes podem aumentar em cenário de crise e tornar crédito mais restrito

A alta no número de fraudes, comum em momentos de crise, pode tornar o crédito ainda mais restrito. Mesmo com modelos de prevenção, cenário difícil impulsiona o crime, de pequenas a grandes proporções, dizem especialistas.

De acordo com o diretor de business information do Serasa Experian, Victor Loyola, os critérios aplicados para prevenção da fraude, muitas vezes, podem justamente acabar restringindo a concessão.

“As fraudes do mundo digital, hoje, correspondem à ampla maioria, mas ainda há os casos em que os criminosos se apossam da identidade de alguém. E, principalmente nesses casos, há, sim, a possibilidade de influência na concessão de crédito, principalmente porque você aplica critérios similares de contenção, para prevenir a fraude, já no começo”, afirma, em entrevista ao DCI.

Segundo a última Pesquisa Global sobre Crimes Econômicos, divulgada pela PwC, apesar de o número de empresas brasileiras que reportaram terem sido vítimas de fraudes ter caído 15 pontos percentuais nos últimos 24 meses (de 27% em 2013 para 12% em 2015), o controle de identificação desses crimes caiu de 52% para 30% na mesma base de comparação.

Para o professor João Roberto Peres, consultor especialista em planejamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), a falta de identificação é uma das questões mais alarmantes para o País.

“Muitas fraudes ainda não foram descobertas. Em outras áreas, como no caso de cartões de crédito, a gente vê um crescimento da prática ilegal só nos primeiros meses de 2016, o que já é muito significativo. E é a mesma coisa quando olhamos para o mundo atual, onde a gente vê projeções alarmantes. Para a América Latina, por exemplo, a previsão é que haja uma perda de até U$ 2 trilhões até 2019”, identifica.

Já outro estudo publicado pela Kroll, no entanto, mostra que, em 2015, cerca de 77% das companhias entrevistadas no Brasil sofreram pelo menos um tipo de fraude, número dois pontos percentuais acima da média mundial (75%).

Desse total, os maiores problemas apontados foram relacionados a desvios financeiros internos, com 23% dos casos (a maior taxa dos oito países abrangidos pelo relatório).

Segundo Odair Oregoshi, gerente de controle, compliance e governança corporativa do Banco Volkswagen, uma das principais causas desse fenômeno pode ser associada diretamente à crise econômica.

“Na crise de 2008, foi feita uma pesquisa nas empresas americanas, a qual mostra claramente que, em momentos de crise, há o aumento de incidência de fraudes. E aí entra o comportamento, a pressão, e a necessidade. Às vezes o sujeito está em uma dívida e, com a oportunidade, ele comete fraude. O fato é nítido no Brasil: na situação que estamos hoje, o ambiente fica cada vez mais propenso pra esse tipo de ação”, ressalta Oregoshi.

Prevenção

De acordo com os especialistas, um dos principais fatores que tornam o País predisposto é a falta de informação e o perfil do empresário brasileiro.

“A segurança é uma questão muito difícil no Brasil por causa da nossa cultura. O problema, é que o empresário brasileiro não tem a percepção de ver a segurança como um investimento, mas como um custo, e só procuram esse tipo de serviço quando já foi gerado um prejuízo”, alerta Daniel Nascimento, consultor de segurança da informação.

Segundo Oregoshi, para resolução do problema, quanto mais cedo a fraude for detectada, melhor será o resultado.

“A duração de cada tipo de fraude está diretamente relacionada aos impactos financeiros que isso vai causar na instituição. Quanto mais tempo a empresa demora pra ter uma reação de prevenção ou de detecção do crime, mais ela perde mais dinheiro. Aqui, por exemplo, a gente traz um dado interessante: a partir do monitoramento preventivo, é possível mitigar por volta de 60% dessas perdas”, afirma.

Para Loyola, no entanto, mesmo em meio à contenção de gastos, as empresas tendem a investir no combate à fraude.

“Apesar das empresas terem que cortar investimento, a área de fraudes será poupada. Não é uma área que você pode se dar ao luxo de reduzir recursos nesse momento”, diz.

Ele ainda ressalta que, nesse quesito, as empresas precisam estar atentas às transações.

“Como no crédito, é preciso cuidado para não colocar critérios muito rigorosos e impedir boas transações. É uma otimização. Se você previne 10 fraudes e deixa de fazer 100 transações, por exemplo, talvez não valha a pena. Não é simplesmente barrar a fraude, mas fazer isso com inteligência”, conclui o diretor.

DCI – 23/03/2016

 

 

Rolagem de swap diminui e mercado vê piso para dólar

O Banco Central tem aproveitado o alívio do câmbio com o cenário político para acelerar a redução do estoque de derivativos cambiais. Ontem o dólar fechou em queda de 0,32%, para R$ 3,5983.

A autoridade monetária oferta hoje mais um lote de 20 mil contratos de swap cambial reverso – que equivalem a uma compra futura de dólar -, cuja operação poderá somar até US$ 1 bilhão. Além disso, o BC reduziu ainda mais o volume da rolagem do lote de US$ 10,092 bilhões em swap cambial tradicional que vence em abril, de 3.600 para 2.500 contratos no leilão diário.

Segundo analistas, a ação reforça a leitura de que um câmbio abaixo de R$ 3,60 já começa a incomodar o BC e pode colocar em risco o ajuste das contas externas, que tem ajudado a economia brasileira.

O aumento das apostas em uma mudança de governo tem levado os agentes a reduzir as posições em contratos de derivativos, abrindo espaço para o BC reduzir o estoque de swaps cambiais, que soma US$ 108,113 bilhões.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou ontem, em depoimento no Senado, que há uma demanda menor por proteção cambial pelos agentes do mercado.

O BC vendeu ontem 10 mil papéis do lote total de 14.500 contratos de swap cambial reverso ofertados no leilão. Paralelamente à operação de compra futura de dólar, o BC vem reduzindo o volume da rolagem dos contratos que estão vencendo. Se mantiver o ritmo atual, o BC deve renovar cerca US$ 7,325 bilhões, ou seja, 72,58% do lote total que vence em abril.

“O anúncio de um novo lote de contratos de swap cambial reverso diminui a dúvida de que era apenas uma ação pontual do BC e mostra que ele está disposto a reduzir a oferta de ‘hedge’ no mercado”, afirma um gestor.

O presidente do BC defendeu ontem que o câmbio é flutuante. “O segredo é acreditar na taxa de câmbio flutuante como a primeira linha de defesa. Não temos uma taxa de câmbio [de preferência] aqui […] usamos a política monetária para desinflacionar”, disse.

Apesar de descartar uma flexibilização da política monetária no curto prazo, o enfraquecimento da atividade e o dado pior que o esperado do fechamento de vagas divulgados ontem pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) abriram espaço para a aposta em uma antecipação do corte de juros neste ano.

A taxa do Depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 caiu de 13,78% para 13,71%, com a curva de juros já refletindo a probabilidade de corte de 0,965 ponto neste ano. “O BC sinalizou que no momento a taxa de juros deve ficar estável em 14,25%, mas existem sinais do lado da atividade que abrem espaço para um corte de juros mais à frente”, afirma Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, que espera um corte de 1 ponto percentual da Selic, para 13,25%, no fim do ano.

Já as taxas de juros com prazos mais longos seguem influenciadas pelo cenário político.

Ontem, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber negou o recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para anular a decisão do ministro Gilmar Mendes, que suspendeu sua posse na Casa Civil. Isso ajudou a reforças as apostas no impeachment da presidente Dilma Rousseff, acelerando a queda do dólar e dos juros longo

Valor Econômico -23/03/2016

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Quanto mais o Federal Reserve poderá ajudar o Brasil?

Na virada do ano os juros futuros nos Estados Unidos apontavam uma probabilidade dominante (mais de 60%) de que o Federal Reserve (Fed) fosse promover pelo menos duas altas de 0,25% na taxa básica de juros este ano. O mercado reavaliou consideravelmente os cenários e atualmente considera muito provável (mais de 75% de chance) que ocorra no máximo uma alta de juro em 2016. Em sintonia com esse movimento, a taxa de juros de 10 anos do Tesouro americano caiu de cerca de 2,3% no fim do ano passado para a faixa de 1,9% ao ano atualmente, o que não está distante das mínimas registradas (perto de 1,50%) durante o auge do estímulo quantitativo em 2012.

Não apenas se alterou a visão sobre a postura de aperto monetário do Fed, mas também os programas de estímulos quantitativos do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco do Japão vêm surpreendendo as projeções do mercado. O juro de 10 anos do governo alemão também voltou para perto das mínimas históricas, com taxa de juros de 0,20% ao ano (versus 0,60% no final do ano passado).

A perspectiva de um maior relaxamento das condições monetárias nos principais bancos centrais e em particular do Fed (que se imaginava até pouco tempo que subiria o juro sistematicamente após alta de dezembro passado) ajudou a interromper a trajetória de apreciação do dólar americano, favorecendo assim as moedas emergentes. Tendo em vista as preocupações com as saídas de capitais da China (com consequente perda de reservas internacionais) e seus efeitos potenciais na taxa de câmbio daquele país, a reversão da tendência de apreciação do dólar traz alívio para boa parte das moedas asiáticas e mesmo para o mercado de commodities. Também contribuiu para estabilizar o prêmio de seguro cobrado nos títulos soberanos (CDS) dos emergentes.

Vale notar, entretanto, que mesmo com a desaceleração projetada, os EUA poderão continuar crescendo acima de seu potencial este ano e isso deve sustentar a tendência de queda da taxa de desemprego que atualmente encontra-se em 4,9% – estimamos que esteja próxima a 4,5% no fim de 2016. Ou seja, a taxa de desemprego americana está perto da mínima atingida em 2006 (no auge da bolha imobiliária), que levou o Fed a subir o juro a 5,25%.

Ademais, embora a inflação permaneça baixa (1,4%) por conta principalmente do baixo preço de energia, a perspectiva é que, conforme os preços de commodities se estabilizem, a inflação cheia gradualmente se aproxime do núcleo de inflação, que já está em cerca de 1,7%. Ou seja, o juro real dos Fed Funds tende a ficar claramente negativo ao mesmo tempo que a taxa de desemprego se aproxima de patamares historicamente baixos.

Nos parece, portanto, que o mercado já antecipa um quadro bastante favorável no que diz respeito ao comportamento do Fed, tornando difícil uma surpresa muito favorável. Vale dizer que, para que o Fed possa descartar o cenário de alta de juros explicitamente (o que eventualmente seria positivo para os ativos de risco), será preciso, por exemplo, novas informações bastante negativas do lado da atividade e/ou uma queda mais intensa dos preços de commodities (“hard landing” na China?). Mas, nesse caso, inicialmente é bem provável que, antes de uma resposta do Fed, cresça a aversão ao risco em virtude do receio de uma recessão global e isso atinja negativamente os países emergentes, em particular países vulneráveis como o Brasil. Enfim, ajuda ainda maior do Fed além do que atualmente precificado pelo mercado de juros provavelmente apenas virá quando a situação já estiver pior para os países emergentes.

Isso sugere que o Brasil não poderá contar com grande alívio adicional dos mercados externos além do já registrado até agora, ficando dependente de melhorias internas para reverter o quadro atual. Infelizmente o contexto político atual sugere ser bastante difícil o avanço de reformas estruturais de que o país tanto precisa, o que manterá elevado o risco de novos rebaixamentos do rating brasileiro com implicações negativas para o ambiente macroeconômico e o custo de capital das empresas (e, portanto, dificultando a recuperação dos investimentos). Ou seja, acreditar que simplesmente com o passar do tempo a “economia vai se recuperar” no segundo semestre nos parece muito mais um desejo do que uma projeção, pois as condições externas podem se tornar mais desafiadoras do que atualmente. Isso significa que os agentes locais podem se animar com a perspectiva de uma política econômica mais amigável aos investimentos privados, porém para que qualquer melhoria tenha fôlego no médio prazo serão necessárias melhorias concretas, a maioria das quais passa por aprovação no Congresso Nacional – e demandam um consenso mínimo das forças políticas atualmente em conflito.

Mais uma vez, os investidores brasileiros precisão manter suas carteiras diversificadas e evitar o excessivo “home bias” e, mesmo quando o objetivo é manter exposição ao “risco Brasil”, o mercado oferece oportunidades que vão além das fronteiras nacionais. Note-se, por exemplo, os prêmios oferecidos pelos papéis de empresas brasileiras negociados no exterior, que ainda são, em geral, muito superiores àqueles negociados no Brasil (vide o caso emblemático da Petrobrás) e ainda com liquidez adicional.

Julio Callegari é estrategista e chefe da área de renda fixa do J.P. Morgan Asset Management no Brasil.

E-mail: julio.c.callegari@jpmorgan.com

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Valor Econômico – 23/03/2016

Redação On março - 23 - 2016
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