Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

Filiado a FIESP

Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






Associe-se!
Clique aqui e conheça as vantagens

Mercosul marca reunião urgente para discutir crise no Brasil

Carlos E. Cué

Os chanceleres (ministros de Relações Exteriores) procuram combinar suas agendas para realizar uma reunião emergencial para tratar da crise no Brasil. A informação foi dada pela chanceler argentina, Susana Malcorra, que organiza o encontro. A Argentina, maior força do Mercosul além do Brasil, está tão preocupada com a crise da economia brasileira que defende que o Mercosul se reúna “mesmo que seja por meio de vídeo-conferência”, para prestar “apoio institucional” ao Brasil e transmitir uma mensagem de unidade. O encontro deverá se realizar antes da chegada do presidente dos EUA, Barack Obama, a Buenos Aires, segundo declarou a chanceler argentina. A urgência é total.

Durante entrevista coletiva no palácio de San Martín pautada pela visita de Obama à Argentina, Malcorra não escondeu a enorme preocupação na região com a situação brasileira. “A preocupação é evidente. É muito grave que um país com o peso, dimensão e importância regional do Brasil esteja sendo atingido por uma crise institucional. É algo que deixa a todos nós preocupados. É fundamental encontrar uma saída institucional da melhor forma dentro dos marcos democráticos. Queremos evitar uma desestabilização da região. Há um interesse profundo no sentido de que o Brasil solucione adequadamente sua situação retomando sua capacidade de crescimento. Isso é bom para o Brasil e para todos. O fato de o principal membro do Mercosul estar passando por uma situação difícil impacta em todo o Mercosul”, insistiu.

Questionada sobre a possibilidade da aplicação da cláusula democrática do Mercosul para excluir o Brasil temporariamente, Malcorra deixou essa porta aberta, mas apenas como uma hipótese, esclarecendo que não é esta a posição da Argentina neste momento. O Governo de Mauricio Macri chegou a colocar a possibilidade de aplicação da cláusula democrática no caso da Venezuela devido à manutenção na prisão de opositores, mas não chegou a ir adiante porque a Argentina se encontrava em minoria. Após as eleições de dezembro, em que o chavismo foi derrotado, Macri deixou de colocar a questão.

“Há uma cláusula democrática no Mercosul, e é preciso saber se as condições para sua aplicação estão colocadas”, explicou Malcorra, em resposta a uma pergunta direta sobre o tema. “Não estou segura disso, não discutimos o assunto, não está em nossa agenda por enquanto que seja aplicada alguma suspensão temporária do Brasil do Mercosul, mas isso poderia, eventualmente, acontecer. Acreditamos, sim, que qualquer passo a ser dado tem de estar dentro daquilo que os princípios democráticos e a Constituição do Brasil preveem. É complexo, claro, há muitas contradições. Nossa mensagem é no sentido de que não se pode fazer nada contra o que está previsto na Constituição brasileira”, insistiu, referindo-se ao processo político em curso no caso da presidenta Dilma Roussef.

Fonte: El Pais

continue lendo:

Argentina amplia proteção para conter déficit com o Brasil

O Brasil levou larga vantagem no intercâmbio comercial com a Argentina no primeiro bimestre. Um superávit mais de três vezes maior do que em igual período de 2015 animou exportadores e revelou o efeito do fim das restrições a produtos importados, implantada nos primeiros dias do governo do presidente Mauricio Macri.

Segundo analistas, nesse ritmo, o saldo em favor do Brasil poderá passar de US$ 6 bilhões este ano, cifra que supera o pico da série histórica entre os dois países. Mas o governo argentino começa a frear a euforia. Recente resolução, que passou despercebida por muitos, ampliou a lista de itens importados que requerem licenças não automáticas. A relação inclui veículos e peças, principais produtos comprados do Brasil.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento brasileiro, no primeiro bimestre as exportações brasileiras para o país vizinho cresceram 4,38% contra igual período do ano passado. Uma alta notável levando em conta a redução de 4,67% no total dos embarques brasileiros. No mesmo período, o superávit comercial com os argentinos ampliou-se de US$ 223 milhões para US$ 796 milhões a favor do Brasil. O resultado animou os analistas a prever para 2016 superávit superior a US$ 5,8 bilhões, recorde alcançado em 2011.

Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global, projeta superávit de US$ 5,3 bilhões em 2016 num cenário que considera a evolução da sazonalidade das séries. Numa projeção dinâmica, levando em conta evolução do PIB e câmbio, entre outros fatores, a previsão sobe para US$ 6,1 bilhões. José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), considera factível um superávit entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões. Para ele, os argentinos provavelmente aceitem um déficit na balança com o Brasil, mas talvez tentem evitar uma mudança de patamar muito forte e rápida. “O ponto é saber se o governo argentino tomará medidas para evitar um salto tão grande”, diz.

O resultado do intercâmbio entre os dois países logo após a posse de Macri não reflete, porém, só o fim das restrições no mercado vizinho, agora mais livre da pesada burocracia que prevaleceu nos últimos anos da gestão de Cristina Kirchner.

Aliada à crise política, a retração da demanda brasileira também pesou. A participação do Brasil na exportação total do país vizinho caiu de 18,8% em janeiro de 2015 para 13,3% em janeiro deste ano. Já fatia do Brasil na importação total da Argentina, no mesmo período, registrou um leve aumento, de 20,6% para 21%.

“O que acontece hoje no Brasil é uma catástrofe”, afirma o presidente da Câmara dos Exportadores da Argentina, Enrique Mantilla. Para ele, a crise brasileira agrava a desvantagem argentina em sua balança comercial geral, prejudicada pela recente queda nos preços das commodities.

O governo argentino deixou clara a sua preocupação por meio de uma recente medida. No dia 15 o Ministério da Produção publicou uma resolução que incluiu 83 novos itens à lista de produtos não contemplados pela licença automática de importação. Nos primeiros dias de governo, Macri havia substituído as chamadas declarações juradas antecipadas de importações por um sistema de monitoramento. Foram, no entanto, mantidas licenças não automáticas para produtos que o governo chamou de “sensíveis”.

A nova lista contempla produtos metálicos, de ferro, aço, laminados e máquinas, entre outros. Mas os que podem afetar o Brasil são do setor automotivo. É bem provável que tenha chamado a atenção da equipe de Macri os recentes volume das exportações brasileiras nesse setor. No primeiro bimestre, as vendas de veículos do Brasil para o outro lado da fronteira somaram US$ 519,63 milhões, crescimento de 82,3% contra mesmo período de 2015.

Em janeiro, primeiro mês completo do governo Macri, o valor dos embarques de veículos de passageiros produzidos no Brasil para o mercado argentino quase triplicou em relação ao mesmo período do ano anterior – de US$ 83 milhões, em janeiro de 2015, para US$ 231 milhões, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

Em boa parte o aumento no volume de exportação de carros brasileiros reflete uma compensação pelo que não foi embarcado nos últimos dias do governo de Cristina. Diante das dificuldades daquele momento, as montadoras suspenderam o envio de veículos para dar prioridade às autopeças, essenciais para as linhas de produção das fábricas argentinas.

Não foi, no entanto, somente o setor automotivo que contabilizou melhora nos embarques. Heitor Klein, presidente da Abicalçados, que reúne a indústria calçadista brasileira, conta que no primeiro bimestre houve aumento de 35% na exportação de calçados para o país vizinho, em termos de valores. Em número de pares, diz ele, o crescimento foi de 76%.

Klein não arrisca uma estimativa, mas diz que a expectativa é que 2016 seja um ano de início de recuperação dos embarques para o mercado argentino. “As licenças de importação do lado argentino estão sendo liberadas em prazo razoável e os problemas para recebimento foram superados.”

No caso do setor automotivo, na nova lista das licenças de importação não automáticas constam veículos com capacidade para dez passageiros. Isso tende a tornar mais lenta a entrada de alguns modelos produzidos no Brasil, como o Renault Master. Mas existe também uma preocupação com importados da Coreia do Sul, como o Kia Carnival.

Fontes da indústria automobilística interpretaram a inclusão desse tipo de veículo como uma forma de proteger modelos argentinos. A van Sprinter, da Mercedes-Benz, produzida há 20 anos em fábrica na província de Buenos Aires, recebeu recente investimento de US$ 250 milhões. O Ministério da Produção não respondeu à solicitação de informação sobre a questão das vans.

A inclusão de novos itens à lista de produtos não contemplados por licenças automáticas não preocupa a Câmara dos Importadores da Argentina (Cira). “O país está funcionando dentro dos requisitos da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a possibilidade de diálogo [com o governo], de ser atendido ao telefone, é um avanço”, diz o secretário da Cira, Ruben García.

Para García, o fato de não haver crescimento tanto no Brasil como na Argentina aumenta a preocupação dos governos com o emprego. A Argentina, diz, precisa das importações, porque 83% dos produtos estrangeiros que entram no país são usados na produção.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior no Brasil, lembra que a Argentina não deve tomar medidas drásticas de restrição à importação por conta da recente decisão da OMC, que determinou a eliminação das licenças antecipadas de importações e da exigência de declarações juradas, marca da gestão de Cristina. Apesar das exportações prejudicadas, o Brasil, lembra ele, não chegou a contestar as medidas no órgão multilateral. “As restrições foram contestadas por EUA e União Europeia, e a Argentina alega que já cumpriu o laudo de arbitragem.”

Além da pressão de outros países, diz Barral, o retorno de medidas altamente restritivas à importação vai contra as propostas apresentadas pelo presidente Macri durante a campanha eleitoral. “Não há clima político nem base legal para isso.” E o que geralmente acontece, diz ele, é que a abertura comercial de um país sempre acaba gerando pleitos dos demais parceiros comerciais. E no caso de Brasil e Argentina, há várias restrições sanitárias feitas pelo Brasil à importação de produtos argentinos, principalmente alimentícios.

Barral também chama a atenção para o fato de que a Argentina não pode fechar tudo de uma vez. “Há muita complementaridade de produção entre os dois países.”

Valor Econômico – 23/03/2016

continue lendo:

Recuperação das exportações vai ajudar saldo do país em 2016

Analistas apontam que a dinâmica para a geração de saldo nas trocas comerciais com a Argentina deve mudar este ano. De 2014 para 2015 o superávit a favor do Brasil nesse comércio bilateral cresceu de US$ 139 milhões para US$ 2,5 bilhões. Nesse período a recuperação do saldo para o Brasil esteve muito mais associada à queda das importações brasileiras. Em 2016, as importações ainda devem ter queda, mas a expectativa é de que as exportações iniciem sua recuperação. Uma reação maior, porém, é esperada somente para o próximo ano.

“A queda das importações brasileiras da Argentina foi puxada pelo efeito renda interna e câmbio, com a desvalorização do real ante o peso argentino”, diz Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners. Em 2016, o superávit, diz Velho, continuará a ser puxado de forma preponderante pelo recuo das importações. “O diferencial será a recuperação das exportações.” No acumulado até fevereiro as compras brasileiras de produtos argentinos caíram 30,9% enquanto as importações totais recuaram 35,2%, sempre contra igual período do ano passado.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), também avalia que as importações de produtos argentinos devem manter queda, mas em ritmo menor que os desembarques totais, em razão da complementaridade de produção, principalmente no setor automotivo. Em relação às exportações o que se espera é crescimento, diz, num desempenho que também tende a ser melhor que o total da exportação brasileira.

Para Velho, a expectativa maior está em 2017, quando um esperado crescimento da economia argentina poderá contribuir positivamente, principalmente via comércio exterior, para o PIB brasileiro. Juan Barboza, economista do Itaú Unibanco, diz que o banco estima para este ano retração do PIB argentino entre 0,5% e 1%, por conta da queda de salários reais ainda golpeando o consumo doméstico. Mas o ajuste de preços relativos e as medidas de incentivo aos investimentos diretos no país devem garantir acesso a crédito mais barato e facilitar a recuperação da economia argentina. O banco avalia que em 2017 a economia argentina tenha expansão de 3%.

Os segmentos calçadista e alimentício brasileiros já apontam melhora nos embarques para o país vizinho, diz Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e sócio da Barral M Jorge. Para ele, a desvalorização do real frente ao dólar pode permitir também um começo de recuperação da corrente de comércio bilateral. “Isso tende a ter efeito rapidamente na Argentina, país com o qual o Brasil já mantém tradicionalmente relações comerciais, diferentemente dos Estados Unidos, onde é preciso ainda construir isso.”

Em Buenos Aires, Mariano Lamothe, economista da consultoria Abeceb, lembra que o Brasil aumentou sensivelmente sua capacidade de produção industrial, além de ter ganho maior competitividade em razão do câmbio. Isso, diz, leva o país a buscar outros mercados. “A proximidade da Argentina faz com que o Brasil busque nesse mercado uma compensação para a queda na sua demanda interna”. Ele lembra que a Argentina “mudou o seu formato” em relação à forma de lidar com a importação. Mas a margem de manobra é limitada. Ele diz que alguns setores na indústria argentina – como parte do setor petroquímico e têxtil – também se sentiam protegidos pelas declarações juradas.

O maior problema da balança comercial entre os dois países, diz Patricio Carmody, analista argentino de comércio exterior, é a crise brasileira. Com a desvalorização do real mais a crise política, avalia, a situação se complicou. “Liberar o acordo automotivo como chegaram a cogitar é muito perigoso. O mercado do Mercosul não tem sentido para a Argentina se o Brasil não cresce.” O governo argentino, diz Carmody, tem tentado se aproximar de outros países. A visita do presidente americano Barack Obama é um sinal de que o país poderia olhar para outras regiões, como a Alca. “A diversificação de parceiros é um caminho, mas isso é complementar. O mercado mais próximo é o brasileiro”.

Valor Econômico – 23/03/2016

continue lendo:

Em guinada política, Argentina se abre aos EUA

Em entrevista, Mauricio Macri diz que tem pressa para reformar o paísA inflação alta, hoje em 30% ao ano, e a crise política no Brasil, maior parceiro comercial do país, são desafios para o presidente da Argentina, Mauricio Macr

Taos Turner

O presidente Barack Obama chega hoje à Argentina para se encontrar com um novo aliado, o presidente Mauricio Macri, que está renovando os laços com os Estados Unidos em uma tentativa de impulsionar a economia do país em uma região que está enfrentando agitações econômicas e políticas.

Macri, filho de um industrial rico cuja vitória surpreendente nas eleições presidenciais de novembro encerrou mais de 10 anos de domínio do populismo na Argentina, disse em uma entrevista ao The Wall Street Journal que ele está correndo para desfazer as políticas nacionalistas e intervencionistas de Cristina Kirchner. Ela integrava o bloco de líderes latino-americanos de esquerda que se opunham significativamente aos interesses americanos. Macri, de 57 anos, disse que as políticas de sua antecessora prejudicaram a economia da Argentina, tornando o país um pária nos mercados financeiros internacionais, ao mesmo tempo em que destruía o potente setor agrícola argentino.

“Eu não acredito em populismo”, disse Macri em seu escritório no palácio presidencial. “Nós ficamos isolados do mundo por quase 12 anos.”

A vitória de Macri como presidente deste país de 42 milhões de habitantes sinaliza uma guinada no estilo de liderança em um momento em que governos estabelecidos da América do Sul estão sendo abalados por protestos e fortes quedas nos preços das commodities.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, tem visto seu poder ruir em meio a um escândalo de corrupção e tenta sobreviver a um pedido de impeachment. Na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro sofre para reverter um colapso econômico. Os dois países — junto com a Argentina durante a gestão de Cristina Kirchner e de seu predecessor, seu falecido marido Néstor Kirchner — lideraram no passado um grupo de países vizinhos que se aproximou de adversários dos EUA, como Cuba e Irã, ao mesmo tempo em que ia contra as posições de Washington sobre questões que vão desde comércio até direitos humanos.

A ascensão de Macri indica agora que o pêndulo está oscilando para o outro lado.

Macri, o mais popular entre os presidentes em exercício de qualquer grande país latino-americano, segundo pesquisas, disse que quer mostrar à Argentina e a outros países da América Latina que políticas mais amigáveis ao mercado e menos ideológicas podem criar mais empregos e tirar as pessoas da miséria.

Com este objetivo, Macri trabalhou em seus primeiros 100 dias no cargo para tornar a Argentina mais atraente para os investidores estrangeiros. Em fevereiro, ele concordou em pagar US$ 4,6 bilhões aos fundos de hedge para obedecer a uma ordem judicial de um tribunal de Nova York e encerrar uma disputa jurídica de quase 15 anos que fechou o acesso da Argentina aos mercados internacionais de crédito.

“Estamos melhorando nossa legislação e nos transformando em um país e uma sociedade mais confiáveis”, disse Macri. “Nós aprendemos o que precisávamos e estamos prontos para começar a crescer.”

Ter a Argentina, um membro do G-20 e um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, como aliada é importante para os EUA, dizem autoridades do governo de Obama.

“Estamos impressionados com a agenda ambiciosa de reforma do presidente Macri, a rapidez com que ele a está implementando e seu interesse em ter um papel de liderança em questões regionais e globais”, disse Mark Feierstein, diretor sênior de relações no hemisfério ocidental do Conselho de Segurança dos EUA.

Dias depois de assumir a presidência, Macri rompeu com outros líderes sul-americanos e advertiu a Venezuela, inimigo convicto dos EUA, que libertasse seus presos políticos e seguisse normas democráticas.

“Ou você respeita a liberdade das pessoas ou não”, disse Macri ao WSJ. “E na Venezuela hoje elas não estão sendo respeitadas. Nós temos que ser claros sobre isso.”

Ele notou que durante a ditadura militar argentina entre 1976 e 1983, a Venezuela deu asilo para mais argentinos que qualquer outro país. “Nós devemos isso ao povo venezuelano”, disse Macri, que se encontrou com as famílias de presos políticos do país.

Na economia, Macri agiu rápido, eliminando impostos sobre a maioria das exportações agrícolas e de minérios, cortando impostos sobre a renda pessoal e trocando o presidente do banco central. Ele também acabou com um dos sistemas de controle cambial mais severos do mundo, que impedia os argentinos de comprar moedas estrangeiras livremente e proibia as empresas estrangeiras de enviar os lucros para suas matrizes no exterior.

“Temos que criar empregos e atrair investimentos”, disse Macri, cujo governo prevê um crescimento econômico de 4% em 2017. “Estou obcecado com tirar o maior número possível de argentinos da pobreza o mais rápido possível.”

Isso não será fácil. Macri citou os problemas econômicos do Brasil, que compra 40% das exportações argentinas mas deve ter uma contração econômica de pelo menos 3% este ano, dizem economistas. A economia argentina deve recuar 1% este ano. O país também registrou um déficit orçamentário de 7% em 2015, o maior desde 1982.

Macri deve cortar em breve bilhões em subsídios para o gás residencial, água e transportes, o que eleverá os preços dos serviços públicos. Sindicatos, furiosos com a possibilidade, estão exigindo maiores salários para compensar pela alta nos preços. O Ministério do Trabalho vem negociando com 50 sindicatos, empresas e associações comerciais diferentes para evitar greves e demissões.

A inflação também está subindo, e já atinge 30%. Nicolás Dujovne, economista argentino, diz que se a economia não se recuperar e a inflação não cair, a aprovação de Macri, atualmente em 69%, segundo a empresa de pesquisas Poliarquia, pode cair também. “Se isso acontecer, fará menos sentido para a oposição apoiá-lo”, diz Dujovne. “Mas eu acho que a possibilidade de tudo isso funcionar é muito elevada.”

Macri precisa do apoio da oposição no Senado para honrar seu compromisso em pagar os detentores dos títulos da dívida e encerrar a disputa originada na moratória do país de 2001 de US$ 100 bilhões. Se conseguir, a Argentina está confiante que poderá captar US$ 12 bilhões em crédito. Os governos das províncias e empresas privadas do país serão capazes de obter empréstimos também.

Além de políticas novas, Macri também trouxe um estilo diferente de governar a Argentina. Enquanto a ex-presidente Cristina Kirchner chamava seus críticos de traidores e comandava as ondas sonoras nacionais com discursos de horas de duração, o novo presidente se encontra frequentemente com partidos de oposição e pede ao seu gabinete para “agir com humildade” ouvindo os outros e admitindo erros.

“Este é um governo que não acha que tem todas as respostas”, disse Macri.

Fonte: The Wall Street Journal Americas

continue lendo:

Governo do Japão rebaixa avaliação da economia em relatório de março

TÓQUIO  –  O governo do Japão revisou em baixa a avaliação da economia do país, reconhecendo uma fragilidade mais abrangente do que a observada no mês anterior em áreas como consumo privado, lucros corporativos e nível de confiança dos agentes econômicos. A avaliação do governo sobre as condições econômicas no relatório deste mês foi quase tão pessimista quanto a de outubro de 2014, quando se seguiu elevada ampliação do programa de compra de ativos pelo Banco do Japão.

Na avaliação de março, o governo japonês considera que a economia continua a se recuperar moderadamente, “embora se observe, recentemente, certa fragilidade”. Em fevereiro, o governo reconheceu fragilidades “em algumas áreas”.

O governo japonês reduziu a avaliação sobre o consumo privado, lucros das empresas e confiança empresarial. Uma autoridade do governo disse em entrevista coletiva que a turbulência nos mercados no início desde ano deve estar afetando negativamente a confiança do consumidor e o abrandamento de ritmo das economias emergentes está pesando sobre os lucros das empresas.

(Dow Jones Newswires)/Valor Econômico – 23/03/2016

Redação On março - 23 - 2016
  • Central de atendimento
  • Telefone: (11) 3285-3522 / e-mail: sicetel@sicetel.com.br
Associe-se!
        Clique aqui
Cadastre seu e-mail e receba periodicamente notícias do SICETEL.