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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






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Risco de saída de Tombini amplia tom negativo dos mercados

SÃO PAULO  –  A notícia de que o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, “tem dado sinais de que pedirá para sair na mexida ministerial que está sendo desenhada” provoca forte movimentação nas mesas de operação e repercute negativamente nos mercados financeiros. Essa informação embaralha ainda mais o cenário e amplia as incertezas sobre qual poderá ser a política econômica num cenário em que Luiz Ináco Lula da Silva assume o ministério. “A impressão que fica é que nem o Tombini gostou do que está sendo tramado”, afirma um gestor de um grande fundo de São Paulo.

Nem mesmo a especulação de que, em assumindo o ministério, Lula traria de volta à equipe econômica o ex-presidente do BC Henrique Meirelles ameniza o efeito negativo. Até porque, neste momento, há muitas dúvidas se Meirelles aceitaria assumir um cargo em um governo que pode ser transitório – uma vez que as chances de impeachment de Dilma não foram eliminadas. Mas, ainda que o ex-BC de fato voltasse, a leitura desta vez pode ser negativa: Lula e Meirelles, juntos, podem atrapalhar em muito uma troca de governo. “Não é tão difícil conseguir derrubar o impeachment e Lula e Meirelles têm habilidade política para isso”, define um agente.

Já sob efeito da notícia, o dólar iniciou a sessão em alta forte e opera acima dos R$ 3,80. Às 10h02, a moeda americana subia 1,36% para R$ 3,8129. Na máxima, alcançou R$ 3,8373. O Ibovespa, por sua vez, tinha queda de 0,27% logo na abertura, somando 47.003 pontos.

Valor Econômico – 16/03/2016

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Solução para crise passa por acordo político, afirma fundador da Cyrela

A solução para a crise do Brasil é a realização de acordo político entre todos os partidos, que tenha como objetivo o bem da nação. Esta é a avaliação do empresário Elie Horn, fundador da incorporadora Cyrela e presidente do conselho de administração da companhia. Segundo “seu” Elie, é necessário “esquecer partidarismos”.

“Tem de haver um acordo político. Se os políticos quiserem, conseguirão fazer. É só querer, mas querer do fundo do coração”, afirmou o empresário ao Valor, após evento da companhia sobre perspectivas para o Brasil e a importância do empreendedorismo, realizado na noite de segunda-feira em São Paulo.

A Cyrela é uma das maiores incorporadoras do país e teve receita líquida de R$ 3,3 bilhões de janeiro a setembro de 2015.

Questionado se sua percepção em relação à economia mudou após as manifestações de domingo contra a presidente Dilma Rousseff, ele preferiu não responder. “Não faço política. Minha opinião não vale nada, não serve para nada, não vai mudar nada. Então para que dar opinião?”, diz. “Nunca falei de política na minha vida”, acrescenta.

O empresário afirma estar otimista com a economia e considerar a crise atual “pequena e parte da vida”. “Sem crise, não tem vida, não tem amor. Se as mães adoram os filhos, é porque sofrem com os filhos. Quanto mais sofrem, mais amam”, compara o fundador da Cyrela.

Judeu ortodoxo, “seu” Elie conta que confia no trabalho e em Deus e que não tem medo de enfrentar problemas. “Sem problemas não há vida, sem vida não há evolução e sem evolução não tem eternidade”, diz o empresário.

A crise financeira internacional de 2008 decorrente do problema das hipotecas sub-prime dos Estados Unidos foi muito benéfica e “uma bênção”, conforme o empresário. “Eu pensei que o mundo ia quebrar, como em 1929. Parei tudo, e, no Brasil, não houve problemas. O fato de poder parar nos fez rever como enxergar a empresa e o país”, afirma. Graças àquele momento, segundo ele, a Cyrela pode se preparar para a crise de 2012, 2013 e 2014, por meio do enxugamento da companhia.

O empresário diz que o Brasil não é um país linear, mas de ciclos. “Não temos outra opção, esta é a melhor. Se estamos aqui, é porque nossa missão é aqui”, diz. Apesar de ter nascido na Síria, em 1944, o empresário – que veio para o país ainda criança – conta que se sente brasileiro por não ter memória de quando ainda não vivia no país e porque seus filhos nasceram no Brasil. “Estou aqui, ancorado aqui.”

Segundo o presidente do conselho da Cyrela, um grande líder empresarial precisa ter perseverança, visão, força de vontade, coragem, honestidade e foco, além de trabalhar muito. “Seu” Elie afirmou que, assim como o empresário Abilio Diniz, que também participou do evento, sempre precisou “ganhar ou ganhar”. “Não podíamos perder”, diz.

Ele considera que foi no governo de José Sarney que viveu a pior crise econômica no país. Naquela época, conta, se sentiu “totalmente ameaçado” ao ter juros e correções dos recebíveis congelados, mas, ao mesmo tempo, precisou lidar com aumento de custos de materiais. “Íamos morrer, nós e todo mundo”, diz. Segundo ele, só foi possível que a Cyrela e outras incorporadoras não quebrassem porque a regra que previa o congelamento de recebíveis foi revista.

Valor Econômico – 16/03/2016

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O mundo desacelera, o Brasil despenca

A longa sequência de frustrações com o notável processo de queda do produto interno brasileiro ensejou um importante debate sobre as suas causas. Um grupo de analistas alega que os motivos para tal insucesso seriam essencialmente externos. A desaceleração da economia mundial, especialmente da chinesa, seria o motivo subjacente aos resultados econômicos adversos obtidos no período. Alguns partidários desta tese adicionam que, em 2015, o discurso do governo Dilma fixou-se em demasia no chamado ajuste fiscal, o que impactou negativamente a atividade, sem que os agentes conseguissem vislumbrar um futuro benigno, exacerbando, consequentemente, os problemas correntes.

Procuraremos argumentar que, apesar da desaceleração mundial ser uma questão adjacente e um ponto importante de risco para o cenário prospectivo, os fatores determinantes para a nossa verdadeira queda livre são, fundamentalmente, idiossincráticos, uma resultante de escolhas equivocadas de política econômica.

Os motivos da queda do PIB são idiossincráticos, uma resultante de escolhas equivocadas de política econômica

Três estudos publicados recentemente explicitam a complexidade e a periculosidade do quadro externo atual. O primeiro deles é um trabalho do FMI1 que nos ensina as principais características do rápido crescimento do crédito ocorrido no países emergentes nos últimos anos, bem como fornece estimativas de seu impacto sobre o crescimento, com direito a um estudo de caso para o Brasil. A conclusão é que a forte evolução do crédito teve impacto significativo sobre o crescimento no período analisado.

O segundo trabalho2, um pormenorizado discurso do diretor-geral do BIS na London School of Economics, tem o mérito de organizar os estudos da casa, oferecendo uma leitura abrangente do quadro internacional. Segundo esta narrativa, a queda e frustração com o crescimento econômico, as variações substanciais nas taxas de câmbio (especialmente dos emergentes contra o dólar americano) e a queda dos preços das commodities estão intrinsicamente relacionadas ao processo de desalavancagem das economias emergentes.

Os dados de crédito como proporção do PIB deixam claro o crescimento do endividamento privado nos mercados emergentes no período pós-crise, principalmente por parte das empresas não financeiras. O nível médio do crédito privado nos emergentes passou de 75% em 2009 para cerca de 130% do PIB. Os riscos ressaltados pela instituição concentram-se, principalmente, no alto endividamento de empresas do setor de bens não transacionáveis que, portanto, têm a maior parte de suas receitas concentradas em moeda local, e no segmento mais endividado, que se presume ser de crédito de pior qualidade.

Num período de dólar forte, como o que vivenciamos hoje, essas firmas, que contraíram dívidas na moeda americana, passam a optar pela desalavancagem, girando a roda na direção contrária. Em outras palavras, as firmas tomam decisões individuais que acabam apertando as condições financeiras locais e diminuindo o crescimento.

O terceiro trabalho3, publicado em janeiro deste ano pelo FMI, trata do custo fiscal potencial associado aos chamados passivos contingentes. A materialização desses episódios, cujo custo médio na amostra reunida pelo estudo é de 6% do PIB, está relacionada à ocorrência de eventos que exigem aportes de recursos por parte do governo central, e engloba uma lista bastante familiar, como o socorro a entidades subnacionais, a fundos de pensão, capitalização de empresas estatais com problemas de endividamento insustentável, dentre outros.

São episódios que tendem a ocorrer subsequentemente a períodos de alto crescimento, sendo provocados pela queda momentânea – mas profunda – do crescimento econômico (que cai fortemente por dois anos, até começar a reverter à tendência) e estão associados a uma piora do déficit nominal (queda, em média, de 2 pontos percentuais do PIB) e ao aumento da dívida pública (em média de 15 pp do PIB). Será que essas características nos lembram as de um certo país?

Em suma, a conjuntura internacional é verdadeiramente complexa e incerta. O processo de desalavancagem dos países emergentes, ao reverter as condições financeiras locais, diminuiu o ritmo de crescimento com respeito à fase anterior. No limite, pode até mesmo culminar em um processo não organizado, uma crise de crédito, na qual os governos precisem incorrer em substanciais e inesperados custos.

No entanto, será que foi esse contexto mundial conturbado o elemento determinante dos péssimos resultados colhidos durante os cinco anos de gestão Dilma? Não é o que sugerem os dados. Existem algumas formas estatisticamente oportunas de se abordar a questão. Porém, o ponto é que o leitor não precisa de treinamento avançado em métodos quantitativos para perceber a discrepância entre o desempenho do nosso país e o de seus pares.

Em que pese a crítica ao uso do PIB como base de comparação da performance entre países, a figura ilustra a realidade capturada em diversas métricas: enquanto o mundo desacelera, o Brasil despenca. A explicação para o nosso estado atual de regressão acelerada é encontrada nas políticas equivocadas implementadas recentemente (intervenção excessiva no sistema de preços, direcionamento equivocado do crédito, uma gestão fiscal “criativa” e opaca, populismo cambial, política monetária hiperativa, etc), o que acabou minando a confiança da população. A chance de saída deste enrosco passa pela mudança completa do paradigma econômico vigente nos último anos. Se e como esse processo se dará está nas mãos da Justiça e do sistema político. A ver.

1. “Credit Expansion in EM: Propeller of Growth?”, FMI working paper 15/212.

2. “Credit, Commodities and Currencies”, BIS, fev/2016.

3. “Fiscal Costs of Contingent Liabilities: A New Dataset” IMF working paper 16/14.

Patricia Stefani é economista da Ideias Consultoria.

Samuel Kinoshita é economista e sócio da Bozano Investimentos.

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Internacionalização do direito brasileiro

Há muito tempo o Brasil é visto como um país cujo ambiente é bastante hostil aos negócios. A burocracia não é desprezível, o sistema tributário é caótico e a legislação é vista como ultrapassada em vários aspectos. Tal realidade torna-se ainda pior quando um estrangeiro tenta fazer negócios aqui. Nesse caso, a burocracia é ainda maior e, por exemplo, o tempo e a quantidade de documentos necessários para constituição de sociedade no Brasil são barreiras muito difíceis de serem transpostas.

O Brasil jamais ocupa local de destaque positivo em rankings internacionais que aferem a burocracia e a facilidade de fazer negócios. Como se ouve bastante por aí, o Brasil não é para os fracos.

Também há muito tempo as autoridades brasileiras parecem ignorar os efeitos negativos que o excesso de burocracia traz para a economia e para a geração de empregos. A necessidade de tributar cada vez mais leva à criação de registros e declarações fiscais sem fim, o que inviabiliza negócios de menor porte, mesmo aqueles classificados como micro e pequenas empresas.

A adesão do Brasil à Convenção da Apostila reduz a burocracia desnecessária, mas não a encerra

Mas, apesar de o legislativo brasileiro passar, hoje, por turbulências que não podem ser ignoradas, um recente surto oblíquo indica que, em relação a alguns poucos e isolados aspectos, estamos caminhando para o lugar correto, com vistas a facilitar a celebração de contratos e o fazimento de negócios com partes estrangeiras.

Tais aspectos podem ajudar a reinserir o Brasil no contexto do comércio internacional e a atrair investimentos para o nosso território. Exemplo disso é a inclusão, no novo Código de Processo Civil, em vigor a partir desta semana, de norma que considera válida a cláusula de eleição exclusiva de foro estrangeiro em contratos internacionais. A partir do momento que tal norma entrar em vigor, o Brasil deixará de ser o único país a não permitir tal escolha.

Mais recentemente, foi editado o Decreto nº 8.660, de 29 de janeiro de 2016, que promulgou a Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros, também conhecida como “Convenção da Apostila”, celebrada em 1961 (e início da vigência em 1965). Agora, com mais de cinco décadas de atraso, passa a integrar o corpo de normas do direito brasileiro. A adesão do Brasil à Convenção da Apostila deu-se com base no artigo 10, que permite aos retardatários aderir ao seu texto e participar do sistema de desburocratização.

A Convenção da Apostila tem como função simplificar o trâmite burocrático para que os documentos considerados “públicos” e emitidos em um país sejam tidos como válidos em outro. Documentos públicos, segundo a Convenção da Apostila, são aqueles emitidos por autoridades, agentes estatais e administrativos, notários, bem como os de natureza privada que possuam certidões ou reconhecimento de firma.

Assim, o documento de origem de um país signatário e devidamente apostilado será considerado válido em outro que também tenha aderido à Convenção da Apostila, sem a necessidade de qualquer intervenção consular. A dispensa de legalização consular é uma via de mão dupla: serve tanto para documentos estrangeiros terem validade aqui, como para os brasileiros atingirem o mesmo status perante os demais signatários.

O fim da exigência de legalização será ainda mais benéfico nos casos em que o Brasil não tenha representação consular próxima ao domicílio do interessado. Peguemos, como exemplo, o consulado brasileiro em Berna, na Suíça. Tal repartição é competente para legalizar os documentos oriundos de Liechtenstein, além daqueles originários de vários cantões suíços. Assim, bastará que a autoridade designada pela lei do Principado apostile os documentos, para que tenham validade no Brasil, sem necessidade de remetê-los para Berna.

Outro passo importante que já foi dado por alguns países é a possibilidade de a apostila ser feita de maneira eletrônica. É a chamada “e-Apostille”. Podemos citar a Colômbia, a Nova Zelândia e a Espanha como exemplos de países que já o fazem. Assim, o processo e o prazo para tramitar documentos foram sobremaneira reduzidos.

Para que o sistema de dispensa de legalização funcione adequadamente, caberá às nossas autoridades ordenar que as repartições consulares brasileiras no exterior deixem de legalizar documentos apostilados.

Além disso, no âmbito doméstico, haverá necessidade de normatizar e informar as repartições públicas, cartórios e tribunais, acerca do novel sistema. Nos termos do artigo 6º da Convenção da Apostila, o Brasil terá liberdade para designar as autoridades competentes para, aqui, emitir apostilas em documentos que serão direcionados ao exterior. Pelo que informa o Conselho Nacional de Justiça (apesar de ainda não ter sido oficialmente normatizado), as autoridades competentes serão cartórios e juízes.

Note-se, entretanto, que a adesão do Brasil à Convenção da Apostila reduz a burocracia desnecessária, mas não a encerra. Nos termos do artigo 18 do Decreto nº 13.609, de 21 de outubro de 1943, documentos exarados em língua estrangeira somente terão validade perante órgãos públicos se estiverem acompanhados de versão para a língua portuguesa feita por tradutor público juramentado, não bastando, como em diversos outros países, uma tradução simples que a própria pessoa que a apresente declare estar correta.

Além disso, nos termos do artigo 129, 6º, da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, os mesmos documentos e as respectivas traduções deverão ser levados a registro no Registro de Títulos de Documentos, para que tenham validade perante terceiros, algo que praticamente não se vê em outros países.

Assim, apesar de terem sido dados importantes passos que poderão ajudar na desburocratização de nosso ambiente de negócios, várias outras medidas ainda são necessárias.

Marcelo Godke Veiga é sócio de Godke Silva & Rocha Advogados (São Paulo e Miami), LLM pela Universiteit Leiden (Países Baixos) e LLM pela Columbia University (EUA).

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

Valor Econômico – 16/03/2016

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IGP-10 desacelera para 0,58% em março

SÃO PAULO  –  A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) cedeu para 0,58% em março, após se situar em 1,55% em fevereiro, informa a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com isso, a taxa acumulada em 2016 está positiva em 2,84%. Em 12 meses, o IGP-10 registra alta de 11,78%. Em março de 2015, o índice de preços subiu 0,83%.

A desaceleração de preços tanto ao produtor quanto ao consumidor, puxada pelos alimentos, permitiu que a inflação cedesse no período. No atacado, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) – que tem peso de 60% nos IGPs – avançou 0,56% em março, variação bem menor que a de fevereiro (+1,69%). Os preços industriais deixaram alta de 1,27% em fevereiro para apenas 0,06% um mês depois, enquanto os preços dos produtos agropecuários saíram de um aumento de 2,72% para 1,78%.

No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) passou de incremento de 1,64% em fevereiro para 0,61% em março, com seis de suas oito classes de despesa registrando variações mais baixas. O destaque coube à Alimentação (2,06% para 0,96%), em que hortaliças e legumes saíram de alta de 15,19% para queda de 3,88%.

Ainda com aumentos menos marcados, apareceram Educação, leitura e recreação (3,60% para 0,16%), Transportes (2,26% para 0,72%), Habitação (1,05% para 0,12%), Saúde e cuidados pessoais (0,72% para 0,70%) e Vestuário (0,43% para 0,31%) por causa de cursos formais (6,51% para 0,05%), tarifa de ônibus urbano (6,69% para 0,19%), tarifa de eletricidade residencial (1,09% para -2,76%), serviços de cuidados pessoais (1,06% para 0,46%) e roupas femininas (0,36% para 0,30%), respectivamente.

Com taxas de variação mais acentuadas, ficaram Comunicação (0,65% para 1,13%) e Despesas diversas (1,55% para 1,73%) em decorrência dos itens tarifa de telefone móvel (0,02% para 2,11%) e cigarros (2,36% para 3,67%), respectivamente.

Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou, em março, elevação de 0,60% em março, ante 0,37% um mês antes. O índice relativo a materiais, equipamentos e serviços subiu 0,45% e aquele que representa o custo da mão de obra registrou variação positiva de 0,72%.

Valor Econômico – 16/03/2016

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Monitor da FGV indica que economia pode ter parado de piorar em janeiro, diz pesquisador

A economia brasileira “pode ter parado de piorar” em janeiro, segundo Claudio Considera, ex-secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A afirmação foi feita com base no Monitor do PIB, que acompanha mensalmente as contas nacionais. Pelo segundo mês seguido, o indicador mostrou leve alta na atividade (0,13%). Em dezembro, na comparação, com novembro, havia subido 0,06% ante novembro.

Considera, no entanto, fez uma ressalva. A piora no cenário político em fevereiro e, principalmente neste mês, traz perspectivas negativas para os próximos resultados do indicador, porque a incerteza dificulta novos investimentos que poderiam ajudar na recuperação do Produto Interno Bruto (PIB).

Além disso, os resultados do indicador divulgado pela FGV ainda são fortemente negativos na comparação com igual período no ano passado. No confronto com janeiro de 2015, houve queda de 6,1%, a maior nesse tipo de comparação desde o início da série, em 2000.

Os resultados do Monitor mostram também que os diferentes segmentos da economia ainda operam em nível muito reduzido, no começo do ano, disse o pesquisador. Pelo lado da oferta, foram observados aumentos discretos na comparação de janeiro com dezembro, como no agregado da indústria (0,56%), influenciado pelo bom resultado do segmento de transformação (3,87%) e no comércio (0,06%). Por outro lado, o agregado de serviços, de maior peso no PIB, teve queda de 0,64%, resultado afetado por transportes (-2,07%) e outros serviços (-1,28%).

No lado da demanda, o consumo das famílias aumentou 1,92% em janeiro ante dezembro, depois de ter recuado 1,61% em dezembro. O consumo do governo subiu 4,18% e a formação bruta de capital fixo avançou 8,39%. As exportações caíram 2,28% e importações subiram 7,48%.

Na comparação com janeiro do ano passado, das 12 atividades que compõem o PIB, apenas a agropecuária (1,5%) e a eletricidade (2,7%) não apresentam taxas mensais negativas. Os piores resultados são da indústria de transformação (-14,4%), comércio (-13,1%) e transportes (-10,5%). O consumo das famílias cai 5,4% nessa comparação, e o do governo sobe 1,7%. A formação bruta de capital fixo recua 15,5%. A exportação sobe 5,8% e a importação cai 24,5%.

Valor Econômico – 16/03/2016

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Standard & Poor’s corta ratings de bancos do País

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s anunciou ontem a revisão dos ratings das instituições financeiras brasileiras. As notas dos principais bancos do País – Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil, BNDES e Caixa, além de outras 15 instituições – foram mantidas. Mas 13 bancos tiveram a nota rebaixada em escala nacional e, desses, sete também tiveram o rating reduzido em escala global. Cinco tiveram a perspectiva alterada para baixo e dois mantiveram a perspectiva negativa.

A explicação da agência para a mexida é a mudança do cenário econômico e político do País. “Nós agora esperamos um processo mais prolongado de ajuste – uma correção mais lenta na política fiscal e outro ano de acentuada contração econômica”, disse a S&P em relatório, prevendo impactos sobre o sistema financeiro brasileiro.

A Standard & Poor’s foi a primeira agência de classificação de risco a tirar do Brasil, em dezembro do ano passado, o selo de grau de investimento – que significa que um país pode ser considerado bom pagador e, por isso, pode ter acesso a crédito mais barato. Depois disso, em fevereiro, a agência ainda cortou a nota do País em mais um degrau. Além disso, ainda deixou o rating em perspectiva negativa, o que significa que um novo rebaixamento, em breve, não está descartado.

O Estado de S.Paulo – 16/03/2016

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Rendimento real cai mais no Norte e Nordeste

A desaceleração forte das economias do Norte e Nordeste no ano passado pesou sobre o mercado de trabalho das duas regiões. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, elas registraram as maiores perdas salariais do país na comparação com 2014, com retrações de 3,3% e de 2,2% na renda média real, respectivamente, e de 2,7% e de 1,6% na massa de rendimentos, na mesma ordem.

Apesar da deterioração mais forte, que reverteu o cenário de 2014, quando os rendimentos avançavam nas regiões acima da média geral, as perdas no mercado de trabalho no ano passado foram disseminadas, com a taxa de desemprego crescendo em todo o território. As cinco regiões sofreram perda expressiva de vagas com carteira assinada, com retrações que variaram de 1,7% a 4,1% sobre 2014, e um incremento expressivo do trabalho por conta própria – um indicador importante de precarização do mercado.

No total, a taxa de desemprego média avançou de 6,8% para 8,5% em 2015- elevando o total de desocupados de 6,7 milhões para 8,9 milhões -, o volume de vagas formais encolheu 2,5% e a renda média real recuou 0,1%, com resultados bastante negativos no último trimestre – 1%, 1,3% e 2% nos trimestres móveis encerrados em outubro, novembro e dezembro, respectivamente.

A piora mais expressiva da renda no Norte e Nordeste, segundo Igor Velecico, economista do Bradesco, está em parte ligada à estrutura do mercado de trabalho nessas regiões, com grande importância do emprego informal – composto por vagas com custos menores de desligamento, já que excluem os gastos com verbas rescisórias. A participação do estoque de ocupados sem carteira nos setores privado e público e dos trabalhadores domésticos informais passa de 20% em ambos os locais, contra média de 17,9% no país.

“O trabalhador informal, o conta própria, sente na hora o peso da desaceleração do mercado de trabalho”, concorda Adriano Pitoli, da Tendências Consultoria, lembrando que o nível de formalização nas duas regiões não chega a 30%, contra 41,9% na média geral.

Além da contração dos salários, lembra o economista, o Nordeste experimenta uma queda significativa na massa de rendas alternativas, entre elas a do Bolsa Família, que encolheu 6,6% em termos reais no ano passado, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento Social compilados pela consultoria. “A participação do Bolsa Família na renda geral das famílias é de 1% na média do país, de 0,5% no Sudeste e de 2,9% no Nordeste. ”

Nesse sentido, o tombo nos investimentos públicos decorrente do ajuste fiscal contribuiu para esfriar a economia da região e para reduzir a quantidade de postos de trabalho disponível, avalia Alexandre Rands, sócio do Datamétrica. “A dependência da região do setor público é grande”, afirma o economista, que calcula que entre 45% e 50% da renda domiciliar no Nordeste é gerada, de forma direta ou indireta, pelo setor público.

Apesar de avaliar que há um descolamento entre os dados de renda da Pnad Contínua e os demais indicadores de atividade – a estabilidade da massa de rendimentos ante uma queda de 8,6% no varejo mostrada pela PMC, exemplifica -, Pitoli avalia que a estrutura do mercado de trabalho ajuda também a explicar a alta de 1,7% da renda média e de 1,6% na massa salarial do Sudeste – único resultado positivo na variável regional no ano passado.

A economista-chefe da Rosenberg Associados, Thais Zara, lembra que a região conta com número expressivo de sindicatos tradicionais, que podem ter amealhado algum reajuste com aumento real no ano passado. Diante do aprofundamento da recessão, entretanto, que continuará agindo sobre o mercado formal, o Sudeste, para Pitoli, da Tendências, deve experimentar uma desaceleração mais contundente da renda em 2016.

Em uma análise mais geral, Bruno Campos, da LCA Consultores, avalia que a piora que o mercado de trabalho vem experimentando deve se estender pelo menos até 2017. Neste ano, a retração dos ganhos reais seguirá impulsionando a oferta de mão de obra – que cresceu 1,9%, contra 1,1% em 2014 -, enquanto a nova contração da atividade aprofundará a queda da ocupação. Essa combinação, segundo as projeções da LCA, elevaria a taxa de desemprego dos atuais 8,5% para 11,7% em 2016.

Valor Econômico – 16/03/2016

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Proposta de usar reservas preocupa mercado

A proposta em discussão no governo de usar as reservas internacionais para reduzir a dívida pública tem preocupado os investidores e ajudado a aumentar a pressão de alta do dólar no mercado local. Segundo economistas, o momento atual não é adequado para o governo adotar esse tipo de medida, uma vez que não há um avanço fiscal e nem estrutural para incentivar o crescimento.

Até mesmo especialistas que chegaram a defender essa proposta em outros momentos, como o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, e o professor do Departamento de Economia da PUC-Rio, Márcio Garcia, afirmam que o cenário não é apropriado para a adoção dessa medida que, segundo eles, agravaria a confiança dos investidores em meio à crise política, aumentando a pressão sobre o câmbio. “Tenho recebido muitas ligações de investidores preocupados com essa medida, que está gerando grande intranquilidade no mercado. A melhor coisa que o governo poderia fazer é desmentir essa notícia”, diz Kawall.

Apesar de descartar o uso das reservas internacionais para financiar investimentos, como vinha sendo defendido pelo PT, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou, na segunda-feira, que o governo ainda estuda usar as reservas para reduzir a dívida e, consequentemente, ter um esforço fiscal menor para o pagamento de juros, dinheiro que poderia ser usado, por exemplo, para financiar a ampliação do crédito para investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa Minha Vida.

“Se o Brasil não está passando por uma crise cambial agora é porque tem reservas internacionais elevadas, que são um seguro muito caro, mas são importantes neste momento de falta de credibilidade do governo. Gastar esses recursos neste momento passará um sinal muito ruim para o mercado”, diz Garcia. Segundo ele, o problema do Brasil hoje é fiscal e não do balanço de pagamentos, o que necessita de um forte ajuste do orçamento do setor público, além de reformas estruturais para o Brasil voltar a crescer. “Sem esses ajustes não adianta nada tentar reduzir a dívida usando as reservas”, diz.

Para Kawall, adiar o ajuste estrutural necessário para a retomada do crescimento aumenta a incerteza e prejudica a retomada da confiança na economia.

As reservas internacionais, que somam US$ 372,438 bilhões, são vistas como um colchão de liquidez, que ajudam a reduzir a vulnerabilidade externa ao permitir que o Brasil se tornasse credor externo líquido. As reservas também são consideradas lastro para as operações com contratos de swap cambial, que funcionam como venda de dólar no mercado futuro e cujo estoque é de US$ 108,113 bilhões. “O mercado já considera um nível menor de reservas, uma vez que incorpora as operações de swaps cambiais”, diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Para Vale, caso o governo venha a usar as reservas para abater a dívida pública haverá um aumento da pressão de alta do dólar frente ao real. “Se fizerem isso, o câmbio vai chegar rapidamente a R$ 4,50, pois será uma sinalização também de guinada à esquerda na política econômica. Espero que revertam essa ideia temerária o quanto antes”, diz.

Segundo Kawall, o uso das reservas para reduzir a dívida pública em princípio não teria problema, dado o elevado estoque das reservas internacionais e o alto custo do carregamento desses ativos. “Em outro momento, quando estabilizar a sangria, se as reservas são excessivas e geram custo elevado, pode ser uma discussão relevante. Mas agora, queimar reservas e não fazer um ajuste fiscal é um péssimo sinal e só vai agravar a instabilidade no mercado de câmbio”, diz Kawall. “Tenho convicção que isso vai ser negado pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central”, completa o economista do Safra.

Valor Econômico – 16/03/2016

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Investidores reagem mal a Lula

Os mercados financeiros encerraram seus dias de bom humor. A notícia de que o ex-presidente Lula pode assumir o cargo de ministro da Secretaria do Governo desagradou os investidores, que apostavam em uma melhora da política econômica numa eventual ruptura do governo Dilma Rousseff. Eles temem que o ex-presidente possa tentar retardar o processo de impeachment da presidente, que começa a ser analisado hoje na Câmara dos Deputados. Lula também poderia incentivar políticas de crédito expansionistas para reanimar economia, e sugerir mudanças na condução da política econômica que aumentem o déficit fiscal.

A mudança nas expectativas com a política causou um forte ajuste de preços nos ativos locais. O Ibovespa fechou em baixa de 3,56% aos 47.130 pontos, a menor pontuação desde 2 de lmarço. O dólar comercial subiu 3,05%, negociado a R$ 3,76 para venda, a maior alta percentual desde 13 de outubro de 2015. As taxas de juros também avançaram na BM&FBovespa.

Questionado sobre a ida do ex-presidente Lula para um cargo ministerial, o presidente do Itaú Unibanco afirmou se tratar de uma “última cartada para recuperar um governo impopular”. Na visão dele, é difícil, porém, que a iniciativa dê certo. Setubal participou do evento “Economia na mesa 2016”, promovido pela FEA-USP, em São Paulo. Também presente, José Olympio, presidente do Credit Suisse no Brasil, disse não ver “a menor chance” de que essa manobra dê certo.

A respeito de um eventual impeachment da presidente Dilma, Setubal comentou que “no cenário político do Brasil, tudo é possível, nada é provável”.

Apesar das correções, o mercado ainda não excluiu totalmente a possibilidade de um impeachment. “O Ibovespa, por exemplo, não voltou aos patamares de apostas pré-ruptura do governo”, disse Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

Mesmo assim, a queda na bolsa de valores, a alta do dólar e dos juros só não foram mais expressiva porque foram divulgados trechos da delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral (PT). Ele acusa o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, de ofelrecer ajuda financeira ao senador para que não fechasse acordo com a Justiça. No depoimento de Delcídio, além de integrantes da base do governo, o senador ainda cita outros políticos, inclusive da oposição como o senador Aécio Neves (PSDB), o que torna ainda mais incerto o cenário político. Em entrevista coletiva, Mercadante negou as acusações de Delcídio.

Na Bovespa, as incertezas políticas acionaram as vendas de ações, principalmente por parte dos investidores estrangeiros. Desde segunda-feira, eles vêm reduzindo as posições compradas (apostando na alta) no Ibovespa futuro, que saiu de 190 mil contratos para 100 mil contratos, ontem. “O Ibovespa já havia subido bastante e agora está ocorrendo um movimento de realização de lucros diante da incerteza política”, disse Christian Laubenheimer, gestor da Platinum Investimentos. Apesar da queda de ontem, o índice ainda acumula valorização de 10,13% no mês e de 8,72% no ano. Entre as bolsas de países emergentes, o Ibovespa só perde para o mercado acionário da Argentina. O índice Merval já subiu 25,75% neste ano.

As maiores baixas foram das empresas estatais. Por outro lado, a desvalorização do real em relação ao dólar favoreceu as ações de empresas exportadoras. Os papéis da Suzano Papel e Celulose tiveram a maior alta do dia, de 9,01%, seguidos pelas ações ON da Fibria, que subiram 8,03%, e da Embraer ON, com ganhos de 3,90%. As ações PNA da Vale ganharam 1,85% e os papéis ON tiveram alta de 1,41%.

No mercado internacional, o dólar subiu em relação às principais moedas emergentes, movimento sustentado pela queda do petróleo e pelas expectativas em torno da decisão de política monetária nos Estados Unidos, que será divulgada hoje ao fim da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc).

A baixa nos preços das commodities também afetou as ações na Bovespa. O contrato com vencimento em maio do petróleo tipo Brent caiu 2% para US$ 38,74, em Londres. Com isso, as ações da Petrobras PN – maior exportadora de petróleo do país – fecharam em baixa de 10,81% e Petrobras ON caiu 7,23%.

As taxas de juros de longo prazo encerram o dia em alta, sinalizando a aversão do investidor ao risco. “Não temos visto uma resposta do governo em termos de uma política mais radical, conforme o processo político e jurídico em torno do impeachment avança. Portanto, isso aumenta a probabilidade de ‘sell-off’ nos mercados”, escreveram Mario Robles e David Wagner em nota a clientes da Nomura. Os juros de curto prazo tiveram oscilações mais brandas, mas também refletiram as incertezas dos investidores.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) negociados na BM&FBovespa para janeiro de 2017 saiu de 13,79% para 13,87%. Os contratos para janeiro de 2018 subiram de 13,62% para 13,82%, enquanto o DI para 2021 avançou de 14,24% para 14,6%.

Valor Econômico – 16/03/2016

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Lula no ministério afeta projeto de Barbosa

A eventual nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Secretaria de Governo traz novos desafios para o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Se o convite a Lula para integrar o governo Dilma Rousseff for aceito, ele virá com a missão de reequilibrar a base de apoio político. Para tanto, terá que encontrar soluções para a economia. Segundo o palácio do Planalto, não haverá mudanças no comando da política econômica com a chegada do ex-presidente, ao menos por ora. Mas terá que haver medidas que reanimem a atividade econômica ao mesmo tempo que se faz a travessia para o ajuste fiscal de mais longo prazo.

Da conversa que teve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, quando se discutiu a política econômica em curso, Barbosa concluiu que há 90% de concordância de objetivos e os 10% de discordância seriam por conta da reforma da previdência. O PT é contra a reforma que o ministro advoga, mas ele próprio já deu um passo para o lado. Não há no governo quem, em sã consciência, acredite na possibilidade de tramitação da reforma da previdência no Congresso diante da adversidade política e do risco de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

No encontro Lula pouco falou, mas seus colaboradores do partido mencionaram várias propostas e cada uma delas foi comentada por Barbosa. De aumentar os recursos de investimentos do PAC ao uso de reservas cambiais para abater dívida bruta, passando pelo incentivo à expansão do crédito e a redução da taxa de juros, tudo foi abordado.

Barbosa acha, por exemplo, factível apartar uns US$ 50 bilhões a US$ 80 bilhões das reservas cambiais para abater dívida. Essa não é uma ideia de aplicação imediata, principalmente em momento de grave crise, mas para ser implementada em tempos de maior normalidade. A vantagem da medida, quando e se vier a ser adotada, seria reduzir o custo de carregamento das reservas que é muito elevado.

O ministro está fazendo o que é possível, disse uma fonte do governo. Ao colocar cerca de R$ 83 bilhões nos bancos públicos e no FGTS, a título de pagamento das “pedaladas”, ele criou condições para o sistema bancário federal expandir a oferta de crédito. Na sexta feira o Conselho Monetário Nacional reduziu as taxas de juros dos fundos constitucionais.

São medidas de impacto modesto mas que poderiam ajudar a animar um pouco a economia, comenta-se na Fazenda.

Está avançada a renegociação das dívidas dos Estados com a União que vai dar um alívio nas finanças dos governos. Menos de duas décadas da ampla renegociação de bilhões em dívidas dos Estados, os governadores novamente puseram as finanças em risco e há administrações praticamente em situação falimentar. A recessão agravou o quadro.

São medidas de impacto modesto mas que poderiam ajudar a animar um pouco a economia, comenta-se na Fazenda.

Está avançada a renegociação das dívidas dos Estados com a União que vai dar um alívio nas finanças dos governos. Menos de duas décadas da ampla renegociação de bilhões em dívidas dos Estados, os governadores novamente puseram as finanças em risco e há administrações praticamente em situação falimentar. A recessão agravou o quadro.

O ministro da Fazenda está sob ataque do PT e de Lula por não conseguir interromper a recessão e o desemprego. Com a provável nomeação de Lula para o cargo de ministro, a situação de Barbosa fica mais incerta.

O PT quer milagres. Quer medidas fortes de retomada da atividade econômica para, com isso, conseguir superar inclusive a imagem do partido e de Lula, manchadas pelas investigações da Operação Lava Jato. O limite de ação do governo, porém, está dado pela profunda deterioração fiscal. Não é possível desconhecer que não há mais dinheiro para fazer políticas contra cíclicas, levadas à exaustão nos últimos anos do primeiro mandato de Dilma Rousseff.

Valor Econômico – 16/03/2016

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Efeito Lula: dólar vai a R$ 3,76 e bolsa desaba

A possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fazer parte do ministério e controlar a política econômica do governo Dilma Roussef acelerou ontem as perdas do mercado financeiro. A Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) despencou 3,56%, para 47.130 pontos. O dólar subiu 3,03%, fechando a R$ 3,763 para a venda, na maior alta diária desde 13 de outubro. Em apenas dois dias, a moeda norte-americana subiu 4,79%, tirando poder de compra do real. Na semana passada, acumulava no mês queda de 10,3%.

Os rumores de que Lula pode substituir Ricardo Berzoini na Secretaria de Governo, ou Jaques Wagner na Casa Civil, com poderes ampliados, fizeram a bolsa paulista ter o pior pregão desde 2 de fevereiro. Nem mesmo a homologação da delação premiada do senador Delcídio do Amaral pelo Supremo Tribunal Federal e a acusação de que o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, tentou calar o delator — dois movimentos contra o governo, que animariam os investidores — conseguiram acalmar o mercado.

Para Ricardo Kim, analista da XP Investimentos, desde o início da manhã, o movimento do pregão refletiu as especulações de que Lula iria para o ministério. “A delação e o Mercadante só serviram para dar mais incerteza e volatilidade”, explicou. O especialista pontuou que, com Lula no governo, fica mais difícil emplacar o processo de impeachment. “Além disso, o ex-presidente já indicou que sua política econômica seria mais expansionista e que as discussões sobre reformas estruturais ficariam de lado”, destacou Kim.

Na opinião de Roberto Indech, analista da corretora Rico, o efeito Lula foi dominante no mercado sobretudo porque há a certeza de que ele não assumirá uma posição de figurante no governo. “Ele será o protagonista e isso traz mais incerteza sobre a economia”, ressaltou. Indech lembrou que a Bolsa também sofreu impacto da queda das commodities no mercado internacional. “Minério e petróleo recuaram. Isso afetou os papéis mais negociados do Ibovespa”, disse, referindo-se aos ativos da Petrobras. As ações ordinárias da estatal caíram 6,60% e as preferenciais, 10,68%.

O noticiário político teve impacto também nas negociações de títulos de empresas brasileiras no exterior. Entre os principais American Depositary Receipts (ADRs), papéis que representam ações de companhias nacionais, listados na Bolsa de Valores de Nova York, os da Petrobras baixaram 8,24% e os da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) despencaram 16,16%. Também tiveram perdas significativas Gol (-13,76%), JBS (-8,98%), Bradesco (-8,41%), Eletrobras (-11,92%) e Gerdau (-11,89%).

No câmbio, a alta do dólar levou a moeda ao entorno de seu preço técnico, de R$ 3,75, na avaliação do presidente da FB Capital, Fernando Bergallo. “Qualquer coisa abaixo de R$ 3,70 é uma forte especulação de que as coisas vão melhorar, pois não há fundamentos para isso. A economia está no mesmo patamar de meados de janeiro, quando o dólar valia R$ 4,16”, afirmou. Cotações acima de R$ 3,80, para Bergallo, também são uma aposta de que haverá forte agravamento da recessão.

O economista Fernando Barroso, responsável pela mesa de produtos estruturados da CM Capital Markets, ressaltou que a presença de Lula no ministério já é dada como certa pelo mercado e resultou na forte alta do dólar frente ao real ontem. “A interpretação é de que isso levará ao prolongamento da agonia do governo, ainda que o impeachment venha”, disse. Ele destacou que a cotação dos Credit Default Swap (CDS), principal referência para o risco Brasil, subiu 8,23% ontem, para 423 pontos.

Câmbio

Para o economista-sênior do banco Haitong, Flávio Serrano, “pelo menos 85%” do movimento do mercado de câmbio foi devido ao cenário doméstico. “Ainda que a delação do senador Delcídio do Amaral enfraqueça o governo, a interpretação é de que o quadro está conturbado, sem definição do que acontecerá nem quando.”

Do campo externo, a influência veio do aumento das perspectivas negativas para a economia mundial, o que derrubou bolsas de valores em todo o mundo. Hoje, haverá reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos). Se a instituição não indicar adiamento da elevação de juros, o dólar poderá se valorizar ainda mais diante do real.

Bergallo, da FB Capital, suspeita de atuação de especuladores nos últimos dias: quando as notícias políticas favorecem a queda, como ocorreu na semana passada, alguém entra vendendo um grande lote da moeda norte-americana, levando a cotação mais fortemente para baixo. “Quando o dólar cai muito, eles aproveitam para comprar”, explicou.

Segundo o presidente da FB Capital, só quem tem escala para influenciar as cotações hoje são os operadores de grandes bancos. “Há alguns anos, uma operação de US$ 50 milhões influenciava a cotação. Hoje, é preciso de algo em torno de US$ 300 milhões”, disse.

BTG atingido

As ações do BTG Pactual recuaram 3,39% no pregão de ontem da Bolsa de Valores de São Paulo. Os investidores começaram a se desfazer dos papéis depois da divulgação de que, na delação premiada, o senador Delcídio do Amaral afirmou que André Esteves, ex-controlador do BTG Pactual, teria interlocução frequente com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o senador Romero Jucá. Segundo Delcídio, Esteves é um dos principais mantenedores do Instituto Lula e se reuniu com o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy para tratar da Medida Provisória 668, que aumentou alíquotas de PIS e Cofins.

Correio Braziliense – 16/03/2016

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Salário mínimo em São Paulo sobe 10,5% e vai para R$ 1.000 em abril

A partir de 1º de abril, o salário mínimo estadual paulista passará de R$ 905 para R$ 1.000, com reajuste de 10,5%. O novo valor foi fixado pela Lei nº 16.162, assinada pelo governador Geraldo Alckmin e publicada no “Diário Oficial do Estado” desta terça-feira (15).

O novo piso vale, entre outros, para os trabalhadores domésticos, de serviços de limpeza e de manutenção, de higiene e saúde, auxiliares de serviços gerais e motoboys. O valor não se aplica a categorias que tenham outros pisos definidos em lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho.

Com o novo valor, um empregador doméstico terá de desembolsar R$ 280 com as contribuições mensais ao INSS e ao FGTS de seu empregado. O novo valor terá de ser pago até 6 de maio, através do eSocial.

A segunda faixa do piso paulista passou de R$ 920 para R$ 1.017 (também com aumento de 10,5%) e vale para os trabalhadores de serviços de higiene e saúde, chefes de serviços de transportes e de comunicações, supervisores de compras e de vendas, agentes técnicos em vendas e representantes comerciais, entre outros.

O salário em São Paulo se mantém acima do nacional, que é de R$ 880.

Confira algumas das categorias abrangidas pelo novos mínimos estaduais em SP:

1ª FAIXA: R$ 1.000

Trabalhadores domésticos
Trabalhadores agropecuários
Pescadores
Motoboys
Cabeleireiros, manicures e pedicures
Garçons
Operadores de telefone e de telemarketing

2ª FAIXA: R$ 1.017

Administradores agropecuários e florestais
Trabalhadores de serviços de higiene e saúde
Operadores de estação de rádio e de estação de televisão
Técnicos em eletrônica

Folha de S.Paulo – 16/03/2016

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Risco político extremo no horizonte do Copom

Os riscos de impeachment e de eventual guinada na política econômica, encorpada pelas articulações para a entrada do ex-presidente Lula no governo, são tão extremos que não fazem parte dos cálculos do Banco Central na condução de sua política monetária e cambial. Apesar das incertezas, o BC tem mantido a sua estratégia anunciada de manter os juros básicos em 14,25% ao ano.

A queda do dólar ocorrida nas últimas duas semanas, precificando uma chance maior de a presidente Dilma Rousseff deixar o governo antes do fim do mandato, em tese favorece o cenário de cumprimento da meta de inflação em 2017.

Isso por uma questão meramente técnica: o dólar é um dos principais insumos que alimentam os modelos de projeção do Banco Central. Quanto menor o dólar, menor a inflação projetada. A inflação projetada, por sua vez, é o início de qualquer conversa do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre juros.

Impeachment dita a cotação do dólar e cenário da inflação
No BC, essa valorização da taxa de câmbio não é tida como garantida ou permanente. Há um risco de reversão, caso não se confirme o cenário político traçado pelo mercado. Ontem, o dólar subiu 3,05%, para R$ 3,76, embora não tenha devolvido todos os ganhos das últimas semanas. O câmbio não é uma bala de prata, num cenário inflacionário ainda bastante desafiador.

Desde janeiro, o Banco Central vinha contando com um dólar mais fraco para ajudar a cumprir a meta de inflação em 2017. Nesses cálculos, porém, o grande vetor do câmbio seria o baixo crescimento mundial e a continuidade da política monetária acomodatícia nos países desenvolvidos.

Se fossem apenas esses dois fatores, provavelmente a cotação do dólar ante o real estaria na casa dos R$ 4,00. Só caiu abaixo disso, batendo na casa dos R$ 3,60, porque as chance de impeachment aumentaram recentemente.

Do ponto de vista atual do BC, há dois desfechos possíveis, no caso de impeachment. No primeiro, a presidente deixa o cargo, o que poderia tornar permanente o movimento de valorização do real. Isso em tese ajudaria no combate da inflação, mas provavelmente o Banco Central não seria mais comandado pelo atual presidente, Alexandre Tombini. Essa seria uma decisão que caberia a outro comandante do Copom.

No outro extremo, a presidente segue no cargo, e os mercado poderão não apenas devolver a baixa do dólar, como pressioná-la mais, possivelmente bem acima de R$ 4. Nesse caso, Tombini provavelmente seguiria no cargo e seria o responsável por lidar com um ambiente inflacionário mais desfavorável.

Desde a semana passada, quando foi divulgada uma ata do Copom que o mercado considerou muito “dovish”, o Banco Central vem procurando corrigir sua comunicação, sinalizando que uma baixa na taxa básica de juros não está nos seus planos. A mensagem é claramente do lado conservador. Há membros da diretoria colegiada do BC que consideram que seria até possível cortar os juros, mas eles acomodaram suas posições, unificando o discurso.

Tombini exerce nesse momento a liderança dentro do Copom, com sua visão de que esse não é o momento para baixar a guarda. Para ter juros menores, seria necessário não apenas a queda da inflação observada em 12 meses, mas também que as projeções de inflação do BC apontem o cumprimento da meta e que as expectativas de inflação estejam ancoradas.

No fim deste mês, o Banco Central divulga o seu Relatório de Inflação, revelando suas projeções mais recentes para o IPCA neste e no próximo ano. É bem provável que as projeções indiquem dois mundos bastante distintos. O cenário de referência, que deverá usar a taxa de câmbio mais valorizada, refletindo as chances de impeachment, deverá mostrar uma inflação mais próxima da meta. Já o cenário de mercado ainda aponta uma cotação do dólar bem acima de R$ 4,00 e também inclui o início de um ciclo de corte de juros a partir de janeiro de 2017. Nessas condições, a inflação tenderia a se afastar das metas do BC. Ambos os cenários – referência e mercado – parecem não dar margem a corte de juros.

Outra questão é quando poderia haver uma queda mais consistente das expectativas de inflação. Na última semana, elas já recuaram, de 7,59% para 7,46%. Analistas econômicos do mercado dizem que, em parte, isso é apenas um ajuste à surpresa inflacionária de fevereiro. Mas poderia ser também um ajuste à revisão das projeções do mercado para o dólar, que antes da animação causada pelo impeachment chegavam a R$ 4,70 para 2016. Muitos acham que, seguindo o dólar, as expectativas podem cair também nas próximas semanas. Uma terceira força importante para baixar as expectativas seria o próprio recuo da inflação corrente. A ala mais moderada do Copom acredita que essa será uma força dominante.

Essa visão otimista, embora possível, não está sendo comprada pelo Copom como um todo. Por isso o cuidado de sinalizar que os juros serão mantidos em 14,25% ao ano por um período incerto, que será reavaliado a cada reunião do colegiado, com base nos dados novos que forem surgindo.

O outro risco extremo seria uma eventual guinada na política econômica, com uma maior interferência dentro do Banco Central para executar políticas mais extremas, como uma redução artificial na taxa básica de juros ou o uso das reservas internacionais para políticas desenvolvimentistas.

Ainda há muitas dúvidas se essas políticas mais extremas, que foram defendidas pelo PT como bandeira no palanque contra o impeachment de Dilma e as investigações contra Lula, serão de fato implementadas pelo governo. Uma coisa é a retórica política, outra a prática de governo.

De qualquer forma, como no caso do impeachment, esse é um risco, não um fato consumado que exija uma revisão da estratégia do Banco Central. É bem possível que o Copom continue com o grau de autonomia atual, seguindo o roteiro traçado de combate à inflação. Claro que, para o mercado financeiro, um risco extremo é o governo substituir Tombini, e nesse caso outros decidirão as novas políticas monetária e cambial.
Alex Ribeiro é repórter especial
E-mail: alex.ribeiro@valor.com.br
Valor Econômico – 16/03/2016

Redação On março - 16 - 2016
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