Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 23 de Setembro de 2017






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Para analistas, IBC-Br deve ter subido 0,1% em janeiro, após dez quedas

Após dez meses de quedas consecutivas, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) deve ter um respiro em janeiro, sustentado principalmente pela surpresa com o avanço da produção industrial no período. De acordo com a média das projeções de 18 instituições financeiras e consultorias ouvidos pelo Valor Data, o índice, que procura antecipar as oscilações mensais do Produto Interno Bruto (PIB), subiu 0,1% entre dezembro e janeiro, feitos os ajustes sazonais. As estimativas para o IBC-Br, que será divulgado hoje pelo Banco Central, variam entre queda de 0,5% e aumento de 0,5%.

Na comparação com igual período do ano anterior, porém, o índice continuará em trajetória descendente. Em dezembro, a variação sobre o mesmo mês de 2014 foi de -6,5%, queda que deve se acentuar para 7,1% em janeiro, na mesma base de comparação.

Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria, estima que o IBC-Br ficou estável em janeiro, na comparação com o mês anterior, na série dessazonalizada, melhor resultado para o índice desde fevereiro do ano passado, quando a alta foi de 0,5%. Para ele, a explicação para esse resultado um pouco melhor vem da indústria, que em janeiro surpreendeu ao aumentar a produção em 0,4% sobre o período imediatamente anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em sua avaliação, os demais indicadores que servem como base para projetar o IBC-Br – as vendas no varejo e a receita do setor de serviços – ainda mostraram comportamento adverso no primeiro mês do ano, reflexo da deterioração contínua do mercado de trabalho e do aperto nas condições de crédito.

O comércio ampliado, por exemplo, que inclui automóveis e material de construção, caiu 1,6% na passagem mensal, com retração em oito das dez categorias pesquisadas. O volume do setor de serviços, ainda segundo o IBGE, também continuou em queda, com variação negativa de 5% na comparação com janeiro de 2015.

Apesar dos números fracos desses dois ramos de atividade, Bacciotti avalia que há indicadores econômicos que apontam alguma acomodação da atividade, como o início do processo de ajuste de estoques na indústria, o fluxo de veículos pesados em rodovias pedagiadas e o aumento da confiança dos consumidores em fevereiro, por exemplo. “Mas é muito cedo para falar em tendência consistente de melhora. O que temos, por enquanto, é um indício de que podemos ter parado de piorar”.

Para o Bank of America Merrill Lynch (BofA), ainda não há sinais de recuperação no curto prazo, apesar da surpresa positiva com a indústria em janeiro. Em relatório, o Itaú faz a mesma avaliação. O índice de atividade calculado pelo próprio banco, chamado de PIBIU, aumentou 0,5% em janeiro, mas não o suficiente para apagar o recuo de dezembro (de -0,7%) e nem para mudar a tendência de declínio do indicador. O banco projeta queda de 0,2% do IBC-Br em janeiro.

Para Bacciotti, de fato não há expectativa de alta da atividade nos próximos meses. O que deve acontecer, diz, são quedas menos intensas do PIB nos próximos trimestres. Depois do recuo de 1,4% nos últimos três meses do ano passado, por exemplo, a expectativa da consultoria é que o PIB recue 0,6% entre janeiro e março deste ano, sempre na comparação com o trimestre imediatamente anterior. No segundo semestre, a queda deve se reduzir para 0,2%, mas na média de 2016 a retração ainda deve ser muito significativa, de 4%.

Valor Econômico – 14/03/2016

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Medidas podem ser aprovadas, avalia Barbosa

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou na tarde da última sexta-feira que é possível para o governo aprovar medidas no Congresso mesmo no atual momento de turbulência política.

“No ano passado, o Congresso sempre se dispôs a discutir. Eles têm aprovado as coisas na direção apresentada pelo governo. Existem mudanças aqui e ali, de intensidade, mas no ano passado as reformas que encaminhamos foram aprovadas e creio que o mesmo possa acontecer este ano”, disse após reunião com membros do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

“Estamos ouvindo sugestões sobre onde podemos avançar, independentemente de leis ou mudanças que têm de passar pelo Congresso. Existe uma série de mudanças administrativas, de desburocratização, simplificação, que a gente pode adotar. Vamos trabalhar nisso nas próximas semanas”, afirmou o ministro Barbosa.

Questionado se ouviu críticas, Barbosa disse que no encontro foi expressado um “anseio” por medidas que melhorem o funcionamento da economia, além de uma concordância geral de que é preciso adotar ações para estabilizar a atividade no curto prazo, preservando emprego e renda, e ao mesmo tempo encaminhar solução aos problemas estruturais, garantindo a estabilidade fiscal e controle da inflação.

Entre os empresários reunidos com Barbosa estavam representantes da Suzano Papel e Celulose, Confecções Guararapes, M. Dias Branco, Klabin, Totvs, Natura, Embraer, Ultrapar, Odebrecht Agroindustrial e Camargo Corrêa.

Questionado sobre o que acha da proposta do PT de usar as reservas para promover investimentos, o ministro disse que esse “seguro” dá autonomia de política econômica para o Brasil. “As reservas são um ativo importante. É pela acumulação de reservas que hoje temos uma maior estabilidade no balanço de pagamentos. É um seguro importante contra flutuações no câmbio e tem de ser preservado”, ressaltou o ministro.

DCI – 14/03/2016

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Queda nos serviços foi menos intensa que no varejo

A desaceleração também se aprofundou no setor de serviços, mas o ritmo de retração na virada de 2015 para 2016 foi menos intenso que no varejo. Os dados sugerem que após um primeiro ajuste no orçamento doméstico mais focado na redução dos serviços contratados (menos manicure, menos lavanderia, menos refeições fora de casa, etc.), as famílias ampliaram o controle sobre o consumo, incluindo alimentação.

No conjunto, a retração acumulada no volume de serviços prestados às famílias passou de 5,3% em dezembro para 5,5% em janeiro, enquanto a queda no varejo se ampliou de 4,3% para 5,2% na mesma comparação (segmento restrito) e de 8,6% para 9,3% no conceito ampliado, que inclui automóveis e materiais de construção.

Assim em 12 meses, a queda do varejo restrito (que responde mais à renda) e dos serviços às famílias se aproximaram, mas a desaceleração começou antes em serviços e essa é uma das razões para sua curva ser mais suave. Em janeiro do ano passado, o volume prestado em serviços às famílias já era negativo. Sempre olhando para o acumulado em 12 meses, em janeiro de 2015 o setor acumulava queda de 2,2%, enquanto as vendas no varejo restrito eram positivas em 1,8%. Ou seja, olhando no prazo de dois anos, o setor de serviços já viu sua demanda encolher em 8%, enquanto o volume de vendas do comércio restrito diminuiu 3,5%.

A inflação de fevereiro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sugere que a retração na demanda por serviços começou a afetar mais fortemente os preços do setor. Os preços de educação, que tradicionalmente sobem naquele mês, subiram 5,9%, na média dos outros anos, apesar de pressionados por uma inflação passada muito maior. No total de 37 serviços mais influentes na inflação, segundo o IBGE, 21 subiram menos em fevereiro que em igual mês do ano passado, sugerindo que a indexação informal do setor, ditada pela inflação passada e pelo reajuste do salário mínimo, foi afetada.

A expectativa é que o desemprego crescente e a renda familiar em queda continue a afetar a demanda por serviços, talvez de forma menos intensa dada a retração já acumulada, mas o sinal continua para baixo.

Valor Econômico – 14/03/2016

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Crise faz economia recuar meia década

A crise fez a economia brasileira recuar pelo menos meia década. Computadas as perdas de 2015, os principais indicadores macroeconômicos – em especial os de produção e de vendas – anularam os ganhos recentes e voltaram aos níveis em que se encontravam entre 2009 e 2011. Especialistas consultados pelo Valor acreditam que a tendência é de piora este ano, podendo levar a regressão dos índices a um passado ainda mais distante.

A pior situação é a da produção industrial. Ao diminuir 8,3% no ano passado, o desempenho da indústria voltou a operar em patamar semelhante ao de janeiro de 2009. A produção da indústria encerrou 2015 quase 20% abaixo do pico histórico.

Mesmo após a alta de 0,4% da produção de dezembro para janeiro, feitos os ajustes sazonais, a indústria recuperou apenas parte da perda de 8,7% acumulada de junho a dezembro de 2015, e encerrou o ano com queda de 19,5% em relação a junho de 2013, o ponto alto da série histórica desse indicador.

Medido pela Fundação Getulio Vargas, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor de transformação mostra um quadro igualmente desanimador: marcou 75,1% em dezembro, apenas 0,5 ponto percentual acima de seu mínimo histórico, atingido em novembro. A série atual do Nuci é calculada pela FGV desde outubro de 2005.

Dentro do Produto Interno Bruto (PIB), a indústria também regrediu a níveis do fim de 2009, assim como os investimentos, medidos pela formação bruta de capital fixo (FBCF). Considerando o índice trimestral com ajuste sazonal, o próprio PIB recuou ao ponto em que se encontrava no início de 2011.

Já o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que tenta reproduzir mensalmente o desempenho do PIB, recuou 4,08% no ano passado, maior retração da série histórica, iniciada em 2003, e voltou aos patamares próximos ao de meados de 2010. Recuo da mesma proporção foi observado nas vendas no comércio varejista.

O nível do volume de vendas do varejo ampliado (inclui veículos e material de construção) retornou a setembro de 2010, ao encolher 8,6% em 2015. No comércio restrito – em que a influência dos setores mais dependentes de crédito é menor – a queda de 4,3% levou o patamar das vendas a abril de 2012.

Para Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho do Brasil, incentivos fiscais e creditícios ao consumo no âmbito da chamada “nova matriz econômica” provocaram desequilíbrios econômicos, descolando os desempenhos da produção e das vendas, o que explica a piora mais acentuada na indústria do que no varejo. Em sua visão, medidas como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) tiveram efeito apenas pontual sobre a atividade industrial, porque anteciparam a demanda pelos produtos beneficiados.

Além dos estímulos que surtiram efeito maior sobre a demanda do que sobre a oferta, Rostagno diz que a defasagem de resposta do mercado de trabalho à desaceleração da atividade também proporcionou uma resistência maior ao consumo. “Primeiro as empresas cortam a produção e as horas trabalhadas”, diz. “O emprego demora um pouco mais para incorporar a recessão, porque é custoso mandar funcionários embora e contratar depois.”

André Muller, economista da AZ Quest, avalia que os principais índices devem seguir recuando ao menos até o fim do primeiro trimestre. Em seus cálculos, a produção industrial vai diminuir 6% neste ano, retornando ao nível de abril de 2004. No caso do varejo restrito e do ampliado, o quadro não deve piorar muito em relação a 2015: as reduções esperadas de 4% e 4,5% vão levar os indicadores para os patamares de março de 2012 e agosto 2010, respectivamente.

Em função da reação lenta do mercado de trabalho, Muller estima que apenas 40% do ajuste esperado no emprego ocorreu até agora. Nos cálculos dessazonalizados da AZ Quest, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas chegou a 7,8% em dezembro, mesmo percentual de setembro de 2009. “O desemprego ainda vai piorar pelos próximos dois anos”, afirma ele, o que fará a taxa de desocupação retornar a níveis de 2004. Naquele ano, o percentual de desempregados em relação à População Economicamente Ativa (PEA) foi de 9,6%.

O desemprego nas seis maiores áreas metropolitanas deve se elevar de forma rápida e intensa neste ano e também em 2017, concorda Fabio Romão, da LCA Consultores, mas não vai se aproximar das taxas de dois dígitos observadas no início da última década. A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE terá sua publicação encerrada em 2016, mas, caso continuasse sendo divulgada, terminaria o ano em 8,5%, estima Romão. No ano seguinte, subiria para 9%.

Mais do que o desalento, que atenua a pressão da PEA sobre o contingente de desempregados, o economista da LCA avalia que o avanço da proporção de trabalhadores formais e do mercado consumidor nos últimos anos são fatores que impedem uma deterioração mais forte do mercado de trabalho agora.

Isso não significa, no entanto, que os efeitos da crise sobre o emprego serão pequenos. No cenário da consultoria, após o fechamento de 1,6 milhão de postos de trabalho com carteira em 2015, mais 1,16 milhão serão destruídos em 2016. “Antes do boom de contratações, o estoque de empregados formais girava em torno de 20 milhões. Agora estamos em 40 milhões. Tem muito mais vagas para fechar.

Valor Econômico – 14/03/2016

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Crise fiscal segue no radar do mercado

A melhora do humor dos mercados com o noticiário político camufla, mas nem de longe encerra, o debate que segue sobre os riscos vindos do lado fiscal. Os juros de longo prazo despencaram, com agentes ajustando suas posições diante da maior probabilidade de uma mudança de governo. O contrato DI (Depósito Interfinanceiro) para 2021, por exemplo, recuou de 15,26% para 14,66% em uma semana, após tocar a máxima do ano, de 16,81%, no dia 20 de janeiro.

Mas os fundamentos não mudaram a preocupação com os riscos de insolvência. Ela segue no radar e, a menos que surjam novidades, pode voltar a influenciar os negócios. Para vários analistas, aliás, a incerteza crescente no cenário político deverá fazer a crise fiscal piorar antes de começar a melhorar.

Ainda que afastem o risco de insolvência clássica do radar – aquela em que o governo central deixa de pagar seus credores -, economistas veem crescer o risco de que o ajuste das contas públicas seja feito via inflação. Esse cenário, que também é considerado uma situação de insolvência, afeta os preços dos ativos e limita a disposição dos investidores em aplicarem em papéis de longo prazo. Quanto mais tempo levar para que haja uma solução no quadro político, mais esse risco se exacerba.

“Não acredito que haverá um default explícito do governo central, que tem canais e meios para sustentar a dinâmica explosiva da dívida”, diz o economista da PUC-Rio e da gestora Pacífico, Tiago Berriel, lembrando que o governo tem, por exemplo, cerca de R$ 1 trilhão depositados na conta única do Tesouro. “Não estamos discutindo uma situação limite, em que o governo diz que não vai mais pagar, mas sim uma situação em que o valor real da dívida diminui, dada a inflação.”

O economista explica que esse processo derivaria da falta de perspectiva de ajuste na trajetória da dívida em relação ao PIB e implicaria no aumento no prêmio de risco exigido pelos ativos e, como consequência, na desvalorização cambial – que, em sua visão, ainda deve prosseguir em 2016, diferentemente dos cenários apresentados recentemente pelo Banco Central. “Insolvência é uma questão de definição: pode ser explícita, seletiva ou inflacionária. O que vemos hoje é a terceira hipótese ganhar probabilidade”, diz.

Para Berriel, um ajuste nas contas públicas via inflação não seria uma escolha do governo, mas sim uma reação inevitável da inflação diante de um quadro de desequilíbrio entre a receita e as despesas. “Estou cada vez mais cético com a capacidade de implementação de ajustes como o da Previdência, assim como não acredito que teremos a CPMF”, afirma. “Estou muito pessimista porque, com o passar do tempo, fica mais interessante para o governo deixar para que o próximo faça as reformas, uma vez que o atual não deverá se beneficiar dessas medidas”, explica. Assim, em seu cenário, sem medidas de ajuste no radar, a dívida bruta pode alcançar um patamar de 85% do PIB em 2018, quando, em seu cenário, o déficit primário deve ser de 0,5% do PIB.

“Há dois anos, se você falasse sobre calote, seria chamado de doido”, diz o economista Mansueto Almeida, especialista em contas públicas. Hoje, porém, as pessoas tratam do assunto, fazendo cálculos sobre a trajetória da dívida, nota ele, para quem o endividamento bruto, atualmente em 67% do PIB, pode bater em 82% a 90% do PIB em 2018. Se houver a capitalização da Petrobras e da Caixa, por exemplo, o indicador poderia alcançar os 90% do PIB, afirma Mansueto. A trajetória é claramente insustentável, se nada for feito para revertê-la.

O economista, contudo, também não vê um risco de calote no curto prazo. Antes de uma reestruturação ou renegociação da dívida, uma inflação mais alta pode ser a alternativa. Mansueto diz que o Brasil aprendeu a conviver com inflação mais elevada. Poderia haver um cenário com encurtamento cada vez maior dos prazos, com uma parcela cada vez maior da dívida pós-fixada.

Para Mauro Schneider, economista da MCM Consultores Associados, o risco de a inflação virar um instrumento de ajuste para as contas está na pauta, embora hoje essa situação não faça parte de seu cenário base. “Não é algo fácil de fabricar, porque é preciso que a inflação surpreenda consistentemente para que ela ajude o governo de alguma maneira”, afirma. A ideia, explica, é que a inflação suba muito mais do que o Orçamento do governo esteja prevendo e, com isso a arrecadação suba muito mais do que as previsões de despesa. “Assim, com obrigações prefixadas, o governo acabaria pagando esses compromissos com desconto”, afirma ele. “Mas é uma situação a que eu atribuo baixa probabilidade.”

O economista reconhece, no entanto, que o grau de convicção em qualquer projeção hoje é baixo, dada a recente e intensa deterioração que se viu nos dados. “Hoje, projetamos uma dívida bruta perto de 80,6% do PIB para 2018, o que não parece algo tão assustador, mas que há seis meses parecia impossível de ocorrer”, afirma, lembrando que as estimativas para esse indicador estavam ao redor de 55% do PIB há alguns meses. “Não dá, portanto, para ter qualquer segurança nos cenários traçados hoje.”

Um risco mais próximo, diz Schneider, é que a dificuldade do governo em implementar medidas de contenção de gastos é que a taxa de juros do país não consiga ser reduzida. “O crescimento contínuo de despesas obrigatórias e a indexação de gastos à receita geram um ônus muito grande para o setor público, que tem que retirar mais da economia para pagar seus custos”, explica. “Tudo mais constante, aumenta a demanda por dinheiro público e os juros tendem a ser mais altos”, explica. Trata-se de um efeito a ser percebido não apenas sobre os juros básicos mas, principalmente, nas taxas em toda a estrutura de financiamento, público e privado. “O custo do dinheiro sobe porque há uma dívida maior para carregar, para financiar.”

Professor da Escola de Economia de São Paulo (EESP) da Fundação Getulio Vargas (FGV), Bernardo Guimarães destaca o aumento do risco país, que subiu com força desde o começo do ano passado, chegando a superar 500 pontos. “A questão da solvência está no radar”, diz Guimarães. Com a melhora dos mercados nas últimas semanas, o risco país caiu para um pouco abaixo de 400 pontos.

Para ele, embora o financiamento via inflação seja menos traumático do que uma reestruturação da dívida, a opção tem mais problemas do que parece à primeira vista. Um ponto é que o imposto inflacionário a ser obtido com a aceleração dos índices de preços seria bem menor do que nos tempos anteriores ao Plano Real, quando ele chegava a cerca de 3% do PIB, diz Guimarães.

Mas ele considera que a probabilidade de que se promova o ajuste fiscal é maior do que uma saída via financiamento inflacionário, ainda que ele exija medidas impopulares, como a reforma da Previdência. A tolerância da sociedade brasileira com a inflação não seria alta. “Uma inflação de 20% ao ano derruba o governo antes do que um ajuste fiscal mais duro”, acredita ele, reconhecendo, porém, as dificuldades do governo de conseguir aprovar medidas para reverter o aumento de gastos.

Valor Econômico – 14/03/2016

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Bradesco revisa sua projeção para a Selic para 12,25%

O Bradesco revisou na sexta-feira sua projeção para a Selic no fim deste ano de 13,25% para 12,25%, o que implicaria em um corte de 2 pontos percentuais em relação ao nível atual, de 14,25%. A mudança ocorre após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central.

DCI – 14/03/2016

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Empresários comparecem à manifestação contra o governo em SP

SÃO PAULO  –  Empresários compareceram à manifestação contra o governo Dilma Rousseff, que ocorre neste domingo (13), em diversas cidades do país.

A Federação das Associações Comerciais de São Paulo convocou seus associados a ir para às ruas. “Melhor renunciar do que ser banida”, afirmou Alencar Burti, presidente da organização, que compareceu ao ato na avenida Paulista, em São Paulo.

Na cidade de São Paulo, algumas dezenas de empresários dos ramos de comércio e serviços se reuniram na sede do Club Homs, na Paulista. Eles levaram suas famílias, almoçaram o bufê a R$ 66,50 da churrascaria Bovinu’s, ganharam camisetas amarelas e tiraram fotos da manifestação.

O presidente de um importante banco estrangeiro, que pediu para não ser identificado, também compareceu a manifestação na principal avenida de São Paulo. “A manifestação é bonita, empolgante, mas só tem classe média, o povão não veio”, avaliou.

Já o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, também compareceu. Ele, que é filiado ao PMDB, afirmou que o partido deve escolher um lado entre oposição e governo.

“Eu acho que o PMDB tem que sair de cima do muro, eu defendi isso ontem [na convenção do partido, neste sábado]. O PMDB deveria romper com o governo e retirar todos os seus ministros. Lamento que ontem não tenha acontecido mas sinto que vai acontecer em breve”, disse.

Skaf afirmou ainda que o partido deverá se posicionar em breve. “A minha interpretação é que se preferiu aguardar mais uns dias esperando mais segurança e unanimidade, mas eu acredito que não vai passar de 15 dias”, concluiu.

Convocação

Nesta semana, a rede de lanchonetes Habib’s lançou campanha na qual convoca seus clientes a participarem dos protestos.

Apesar da convocação, o Habib’s diz não apoiar nenhuma partido ou legenda e afirma que não “acredita em siglas ou coligações partidárias, mas em homens e mulheres que possam fazer a diferença e trazer as oportunidades para cada brasileiro”.

A grife Reserva, presidida por Rony Meisler e que tem o apresentador de TV Luciano Huck como um dos sócios, chegou a anunciar no Facebook o lançamento de uma camiseta de homenagem ao juiz Sergio Moro, responsável pela operação Lava Jato — o item, anunciado a R$ 39, seria entregue a tempo dos protestos, segundo a publicação.

“A Reserva é apartidária e sempre a favor da transparência das investigações sobre atos ilícitos de qualquer brasileiro. Somos a favor dos que lutam em trazer a verdade dos fatos”, dizia o post da companhia, que já foi alvo de polêmicas envolvendo racismo.

Na tarde desta sexta-feira (11), entretanto, o post foi apagado do perfil da marca na rede social. A Folha procurou a empresa para saber o motivo, mas não teve resposta.

Valor Econômico – 13/03/2016

Redação On março - 14 - 2016
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