Sindicato Nacional da Indústria de
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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






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Minério de ferro recua de novo na China com queda do aço

Minério de ferro: os contratos futuros do vergalhão de aço na bolsa de Xangai recuaram 2,89 por cento nesta sexta Marcelo Prates

Muitos analistas questionaram os ganhos, citando a continuidade dos riscos de desaceleração da economia chinesa e da demanda por aço, cujo consumo caiu pelo segundo ano consecutivo em 2015.

“Nós entendemos que a força dos preços do minério de ferro tem vida curta, já que os fundamentos permanecem fracos”, disseram analistas do Australia and New Zealand Banking Group em um relatório.

Os contratos futuros do vergalhão de aço na bolsa de Xangai recuaram 2,89 por cento nesta sexta.

O minério de ferro com entrega imediata no porto de Tianjin na China caiu 2,3 por cento nesta sexta-feira, para 56,10 dólares por tonelada, e acumula queda de 11,4 por cento desde atingir o pico de 63,3 dólares na terça-feira, segundo dados do The Steel Index (TSI).

“Eu sinto que os preços vão recuar ainda mais, após uma alta tão rápida. Os negociantes de aço compraram um grande estoque de aço nos últimos meses”, disse um operador de minério de ferro de Cingapura.

Fonte: Exame

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Japoneses pressionam Pimentel

Nippon critica até corrupção no país e crise para cobrar apoio do governo no aumento de capital O destino da Usiminas pode ser definido hoje, na reunião do Conselho de Administração, que ocorre em São Paulo. Na mesa de negociações, duas posições divergentes. Os japoneses da Nippon Steel querem aumentar o capital da siderúrgica mineira em R$ 1 bilhão, com ou sem a participação da Ternium/Techint. Para isso, pressionaram até o governador do Estado, Fernando Pimentel, em carta enviada no dia 8 de março, a apoiar o plano. No documento, acusaram o governo de não criar ambiente propício para a empresa, que teria sido prejudicada pela “corrupção no país, pelos juros, pela inflação, pela carga tributária e por questões trabalhistas”. No final do documento, solicitaram ao “senhor governador” que os apoie “para que no próximo Conselho de Administração da Usiminas seja tomada uma decisão de boa-fé sobre o referido aumento de capital”.

Na carta, a Nippon critica “a excessiva proteção do trabalhador, que resulta em um baixo índice de produtividade (na empresa), coloca todo o setor industrial (não se restringindo somente ao siderúrgico) em um ambiente de negócios muito desfavorável”.

Do outro lado da mesa, a Ternium é a favor da utilização de parte do caixa da Mineração Usiminas (Musa) e da operação de “stand still” (congelamento de dívidas) para renegociar alongamento com os bancos. A Musa poderia repassar cerca de R$ 700 milhões para o caixa da siderúrgica, evitando, assim, riscos de a Usiminas entrar em recuperação judicial. Mas os japoneses são contrários a essa proposta.

A reportagem entrou em contato com a Nippon Steel, mas eles disseram que não iriam comentar nem o teor agressivo da carta enviada ao governador do Estado, nem os planos para a reunião do conselho. Procurado, o governo também não se pronunciou. A Ternium também não quis comentar os fatos.

Nos bastidores, a insistência da Nippon Steel em defender o aporte de R$ 1 bilhão, mesmo sozinha, é uma clara intenção de obter o controle absoluto da empresa, diluindo a participação dos sócios minoritários que não acompanharem a chamada de capital. O plano da Ternium, de usar recursos da Musa e congelar dívidas, evitaria a concentração das ações. Assim, abriria a oportunidade de se chegar à melhor oferta para os dois majoritários liquidarem um ao outro, comprando pelo melhor preço o pacote integral de ações do oponente.

Os minoritários que apoiaram a virada de mesa e a saída dos argentinos ligados à Ternium, conforme apurado pela reportagem, tendem a recusar a proposta da Nippon, e, junto com a Ternium, retomar as rédeas da Usiminas. Assim, aprovariam a recapitalização com a transferência do caixa da Musa em cerca de R$ 700 milhões, dando sinal verde para um plano de recuperação.

Existe também, segundo informações de bastidores, uma espécie de divórcio sendo costurada. A divisão dos ativos, proposta inicialmente pela Nippon, estaria sendo avaliada pela Ternium. Nesse caso, os japoneses comprariam ações dos ítalo-argentinos, que, por sua vez, comprariam os ativos da Cosipa, hoje paralisados. Essa operação elevaria o caixa da Usiminas sem aumento de capital e manteria o caixa da Musa como colchão para passar pelas crises de 2016 e 2017.

Ações despencaram na Bolsa

O valor necessário para socorrer a Usiminas deve ser conhecido hoje. A diretoria da empresa apresentará ao Conselho de Administração uma proposta sobre a melhor forma de capitalizar a siderúrgica, que registrou prejuízo de R$ 3,7 bilhões em 2015. A dívida, com vencimentos até 2018, é de aproximadamente R$ 7 bilhões.

A dívida é três vezes maior do que o caixa, que estava em pouco mais de R$ 2 bilhões em dezembro do ano passado, sendo que R$ 1,3 bilhão estão alocados na Mineração Usiminas (Musa) e não podem ser usados por resistência dos sócios japoneses.

A apresentação de alternativas está sendo aguardada desde meados de fevereiro. Em sua última reunião, o conselho convocou a diretoria para apresentar soluções no início de março. Uma das possibilidades esperadas é a divisão de ativos entre os controladores, ficando os ítalo-argentinos com a antiga Cosipa (Cubatão) e os japoneses com a unidade de Ipatinga.

A situação vem pulverizando o valor de mercado da empresa. O valor das ações ordinárias era de R$ 10,97 em 10 de setembro de 2015. Nesta quinta, fechou em R$ 4,91, mas já chegou a estar na casa dos R$ 3. A ação preferencial caiu de R$ 4,24 para R$ 2,11 no mesmo período, mas já chegou a cair para menos de R$ 1.

Fonte: O Tempo

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Governo faz primeira emissão externa após queda de rating

O governo brasileiro anunciou ontem que voltou ao mercado externo com a emissão de um título denominado em dólares com prazo de dez anos, na primeira emissão soberana desde que o País perdeu o grau de investimento pelas principais agência de rating.

A emissão do Global 2016, liderada pelos bancos Bank of America Merrill Lynch e JPMorgan, foi colocada ao preço de 99,066% do seu valor de face. No começo da noite de ontem, o Tesouro Nacional informou que captou US$ 1,5 bilhão, oferecendo aos investidores um retorno de 6,125% ao ano, o mais alto desde janeiro de 2009. Desta forma, depois de um ano e meio sem fazer operações desse tipo, o governo brasileiro encontrou uma janela de oportunidade, considerando a melhora do mercado externo nos últimos dias.

DCI – 11/03/2016

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Brasil paga mais caro para captar US$ 1,5 bi no mercado externo

Depois de um ano e meio fora do mercado global de dívida, o governo brasileiro voltou ontem a fazer uma emissão externa de bônus. A República captou US$ 1,5 bilhão em bônus com vencimento em dez anos, a uma taxa considerada boa, diante da recente perda do grau de investimento do Brasil pelos critérios das três principais agências de risco. Os papéis pagarão taxa de retorno (“yield”) de 6,125% ao ano. Trata-se, porém, do custo mais alto desde janeiro de 2009.

O sucesso da emissão do governo poderá abrir espaço para que grandes empresas brasileiras também voltem ao mercado nos próximos dias e semanas, segundo executivos de bancos ouvidos pelo Valor. Algumas instituições financeiras já procuram companhias para ver se há interesse em captar.

A oportunidade de fazer a operação se abriu de forma inesperada. Nas últimas semanas, os mercados globais experimentaram uma virada em relação ao pessimismo que marcou o início de 2016 e os investidores passaram a demonstrar apetite renovado por risco. Ironicamente, o Tesouro também acabou se aproveitando de uma melhora da percepção de risco do país a partir da leitura de que cresceram as chances de afastamento da presidente Dilma Rousseff.

A decisão de emitir os bônus foi tomada pelo Tesouro na terça-feira e a escolha da data teve também como objetivo se antecipar à aguardada emissão soberana da vizinha Argentina, que deve movimentar US$ 12 bilhões. Além disso, o momento da operação aproveitou a melhora no custo do Credit Default Swap (CDS, uma espécie de seguro contra calote) do Brasil, com prazo de cinco anos, que recuou oito pontos e foi para 393 pontos, rompendo a barreira dos 400 pontos, segundo a Markit.

Inicialmente, o yield pretendido na captação era de 6,5% e, com essa taxa, houve demanda de US$ 6 bilhões. Para o Tesouro, porém, era mais importante estabelecer uma taxa mais baixa para ser usada como parâmetro de novas emissões da República e de empresas, do que levantar um volume maior. Assim, optou-se por reduzir a taxa aos investidores, o que levou à retirada de algumas ordens de compra.

O governo brasileiro estava acompanhando diariamente as condições de mercado e percebeu no último mês que o yield dos bônus de referência do Brasil em dólares (“benchmark bonds”) recuaram e atingiram os níveis de outubro e novembro, de acordo com Max Volkov, responsável por mercado de capital de dívida para América Latina do Bank of America Merrill Lynch (BofA), banco que estruturou a operação ao lado do J.P. Morgan. Os indicadores mostravam que, apesar dos recentes cortes de rating, o mercado começou a olhar para a frente e esperar um cenário melhor para a economia do país, afirma.

“A República decidiu rapidamente captar nessa ótima janela e demonstrou que tem acesso ao mercado a um bom custo financeiro, com demanda para seus papéis, e que há espaço para outros emissores nas próximas semanas”, diz Volkov. O executivo afirma ainda que mais de 200 investidores fizeram ordem de compra para os bônus, incluindo todas as grandes instituições globais. A expectativa é que companhias brasileiras sigam o Tesouro e captem no mercado global.

A última emissão soberana foi em setembro de 2014, com reabertura do título de referência (“benchmark”) de dez anos em dólar, o bônus Global 2025, no valor de US$ 1,05 bilhão. Na ocasião, os papéis saíram com yield de 3,888%. Após essa emissão, o Brasil perdeu o grau de investimento pelas principais agências de classificação de risco. A primeira delas foi a Standard & Poor’s, com o rebaixamento em setembro do ano passado. A decisão foi seguida pela Fitch, que cortou o rating em dezembro, e pela Moody’s, em fevereiro.

O Tesouro escolheu um ótimo momento e os investidores internacionais estão mais receptivos para papéis de economias emergentes, diz Cid Oliveira, diretor de renda fixa da XP Advisory, braço de administração de fortunas da XP Gestão. “Tivemos nas últimas semanas uma virada no mercado de commodities e alguns gestores aumentando o apetite pelos mercados emergentes. Com isso, o Tesouro resolveu testar o mercado”, afirma o especialista.

Os estímulos anunciados ontem pelo Banco Central Europeu (BCE) também contribuíram para a composição do cenário. A instituição europeia cortou as taxas de empréstimo e de refinanciamento e também reduziu a taxa de depósito. Além disso, expandiu seu programa de compra de ativos para incluir dívida corporativa. “Com o anúncio do BCE, vemos que cada vez menos o investidor deve ter retorno positivo em posições seguras. Com isso, vemos tentativas de aumentar a escala de risco para se ter maior remuneração no capital”, diz Oliveira, da XP. (Colaborou Edna Simão, de Brasília)

Valor Econômico – 11/03/2016

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Pacote é insuficiente se governos não agirem, diz ex-consultor do FMI

O pacote de estímulos dos Banco Central Europeu (BCE), anunciado ontem, é mais simbólico do que decisivo para combater um crescimento medíocre na zona do euro, segundo Charles Wyplosz, professor de economia internacional do Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra, diretor do Centro Internacional de Estudos Bancários e Monetários, e ex-consultor do FMI e do BCE.

Para ele, os governos precisam fazer sua parte, com política fiscal expansionista, para sustentar a recuperação da atividade. Na sua avaliação, o reforço no programa de compra de ativos (“quantitative easing”, ou QE), que passou de € 60 bilhões para € 80 bilhões por mês, adicionando € 240 bilhões até março de 2017 nesse programa, tampouco é potente.

Valor:O novo pacote de estímulos do BCE é suficiente para reativar a atividade na Europa?

Charles Wyplosz: O BCE chegou ao máximo que podia fazer. Baixaram mais os juros (que) já estavam negativos. Mas o que fez agora é mais simbólico do que outra coisa. O “quantitative easing” não é um instrumento tão potente como se pensa, como ficou claro nos EUA. As autoridades do BCE são corajosas, bons pequenos soldados, mas não há mais grande coisa que funcione no seu arsenal monetário.

Valor:O que fazer, então?

Wyplosz: Quando a política monetária não tem mais o mesmo poder de fogo, resta a política fiscal. No rastro da crise, a Europa passou por austeridade, agravou a situação, e essa política agora é neutra. E é totalmente incompreensível que o BCE continue agindo sozinho, enquanto os governos não se interessam, não reagem, deixam a autoridade monetária brigar sozinha. A maior parte dos analistas olha o BCE como o único salvador disponível. Mas há outros, que são os governos, e nenhum deles até agora sugeriu por um único segundo fazer algo mais.

Valor: O que os governos deveriam fazer de imediato?

Wyplosz: Gastar mais ou reduzir os impostos. A escolha entre os dois tem aspectos técnicos, mas sobretudo aspectos político. O que se explica é que é completamente impossível aumentar o déficit público. Isso é incompreensível, ainda mais agora que estamos num cenário de juros negativos ou muito baixos. Os governos [na Europa] estão numa situação em que podem ser pagos para pegar dinheiro emprestado. Podiam com isso financiar muitos projetos para reativar mais a atividade, reduzir o emprego, mas não vemos sinal disso. Os governos têm que assumir seu papel de apoiar o crescimento, não há nenhuma razão para que fiquem de braços cruzados.

Valor:O que esperar então para a zona do euro no médio prazo?

Wyplosz: Ela [a região] está se recuperando, muito lentamente, é verdade, mas não sou tão pessimista. Nos EUA, o crescimento é sólido, na Grã-Bretanha é correto, e a Europa vai se aproveitar disso. Mas é verdade que seu crescimento continuará insuficiente para reduzir o desemprego.

Valor:O euro pode baixar mais, com o pacote de hoje do BCE?

Wyplosz: O euro começou a se desvalorizar depois do anúncio do BCE, depois Draghi disse algo e a cotação subiu de novo. Acho que o euro vai se desvalorizar ligeiramente. Mas tampouco se deve esperar muita consequência por aí. Há muitos bancos centrais que baixam os juros e suas taxas de câmbio, e nem tudo mundo pode ter moeda fraca ao mesmo tempo.

Valor:O BCE tenta reduzir o impacto dos juros negativos sobre os bancos, praticamente aceitando pagar para que peguem financiamento por meio do Targeted Long-term refinancing operations (TLTROs). Isso ajudará realmente os bancos?

Wyplosz: Juros negativos é ruim para os bancos. A medida do BCE pode ajudar um pouquinho nos lucros, mas muito pouco. O BCE fez algo como aplicar remédio para um fim, que causa problema no estômago, e ao mesmo tempo aplicar anti-remédio contra problema no estômago.

Valor Econômico – 11/03/2016

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Expectativa melhorou, mas efeito Macri ainda não acelerou economia

A troca de governo na Argentina parece ter causado uma ponta de inveja em muitos brasileiros. Em rodas de amigos e conversas informais, são comuns os comentários de que o novo presidente foi a tábua de salvação, percepção reforçada toda vez que chega uma boa notícia do país vizinho. Em três meses de governo, completados ontem, Mauricio Macri tomou uma série de medidas que tiraram o país da hibernação. O cenário indica, no entanto, que será uma transição lenta. Restam muitos obstáculos antes de a população saber se a troca radical na linha política do chefe de Estado vai colocar o país de volta aos trilhos.

O ritmo acelerado do novo presidente mudou o humor de empresários e da fatia da classe média contrária ao estilo populista de sua antecessora, Cristina Kirchner. Em 90 dias, Macri tirou travas à exportação, à importação e à compra de moeda estrangeira no país, deixou o câmbio flutuar, começou a cortar subsídios nas tarifas públicas, demitiu milhares de servidores públicos e praticamente fechou acordo com credores externos.

Algumas das mudanças se refletem até no padrão do conforto de quem precisa simplesmente comprar um livro pela internet. Há poucos dias, foi autorizada a entrega de compras on-line na porta do consumidor. O governo anterior exigia que o produto fosse retirado na alfândega.

Mas uma das notícias mais aguardadas por investidores foi dada ontem pelo Ministério da Fazenda. Em janeiro, primeiro mês completo do governo Macri, houve uma redução de 90,5% no déficit primário e de 80% no déficit fiscal em comparação com o mesmo mês de 2015. No período, a arrecadação aumentou 29,7%, enquanto os gastos subiram 22,6%. Segundo os dados oficiais, em 2015 o país registrou um déficit primário equivalente a 5,4% do Produto Interno Bruto, o que representou um avanço de 1,6 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Por outro lado, a pressão inflacionária continua. O IPC da cidade de Buenos Aires subiu 4% em fevereiro. Esse índice é usado como referência até que fique pronta a metodologia para calcular um IPC nacional. A inflação de Buenos Aires reflete, sobretudo, o primeiro mês de impacto da retirada do subsídio à energia elétrica, que incidia na cidade e municípios do entorno.

O acumulado da taxa inflacionária no primeiro bimestre foi de 8,3%. O governo fixou como meta inflação de 25% no máximo neste ano. Mas os economistas preveem mais. “O primeiro semestre deve terminar com 20% e no segundo pode baixar para 15%, o que daria uma média entre 30% e 35 no ano”, afirma Diego Burzaco, economista-chefe da Inversor Global.

Na área externa, Macri faz uma aposta arriscada. Para recuperar a atividade econômica, a Argentina depende de financiamento externo. Mas, para tirar o país do “default”, o governo precisa do aval do Congresso para a emissão de mais de US$ 11 bilhões em títulos. O dinheiro servirá para pagar os detentores de papéis da dívida não reestruturada. A Justiça americana fixou 14 de abril como prazo para quitar o compromisso com os que venceram a disputa judicial.

Se a estratégia der certo Macri conseguirá evitar maiores ajustes, maiores cortes de gastos e maior emissão monetária, segundo a equipe de economistas da Management & Fit destacou em seu último relatório. O Banco Central tem feito intervenções para evitar mais desvalorização do peso, que já acumula depreciação de 36% desde o início do governo.

Para o analista de estratégia política Sergio Berensztein, no caso argentino a troca de governo veio acompanhada de uma mudança de expectativa, o que não está claro do que pode acontecer no caso da crise política no Brasil. Para ele, apesar de ainda identificado pela maior parte da população como um empresário liberal, Macri, na verdade tenta alcançar um equilíbrio entre Estado e mercado. “Ele adota cautela e gradualismo em algumas questões, como o combate à inflação, e política de choque em outras, como o câmbio”, destaca. Trata-se de um estilo totalmente novo na Argentina que o analista chama de “neo-keynesiano”.

Para Berensztein, Macri começa a surgir como “uma alternativa numa região desgastada pelo populismo que prevaleceu durante o auge dos preços das commodities, mas ainda resistente a um total liberalismo”.

Mas a imagem do presidente só será defintivamente traçada com as decisões na esfera econômica. Além da inflação e da pressão das negociações salariais, a atividade ainda não deu sinais de recuperação. Segundo apuração elaborada pela consultoria Orlando Ferreres, em janeiro a maior parte dos setores registrou estagnação ou retração. Indústria, comércio e construção acumulam, nos 12 últimos meses, quedas de 2,3%, 4,0% e 5,3%, respectivamente. A indústria sofre o impacto da crise no Brasil.

“Sair do ‘default’ é condição necessária, mas insuficiente para o êxito da política econômica”, afirma Matías Carugati, economista-chefe da Management & Fit. Quem lida com os investidores alerta para atrair capital o governo precisa dar sinais mais claros na política macroeconômica.

Para Burzaco, da Inversor Global, o governo precisa deixar claro, principalmente, que não cometerá erros do passado, quando o dinheiro da dívida externa era usado para gastos correntes. O analista lembra que, se no governo anterior o gasto público se sobrepôs ao privado, a nova gestão precisa estimular o contrário.

Valor Econômico – 11/03/2016

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Subsídios mantêm petróleo e gás rentáveis na Argentina

Empresas de petróleo e gás natural vêm reduzindo drasticamente suas atividades de exploração e demitindo milhares de trabalhadores no mundo todo.

Menos na Argentina, onde a indústria petrolífera opera dentro de uma bolha de subsídios estatais e os contribuintes e motoristas vêm gastando bilhões de dólares para impedir que o mesmo ocorra por lá. Um barril de petróleo é vendido na Argentina por mais que o dobro do preço nos Estados Unidos, e os preços do gás natural podem ser até quatro vezes maiores.

Isso está ajudando a isolar das oscilações do mercado os produtores e trabalhadores que exploram os vastos depósitos de gás de xisto espalhados por uma ampla área deserta, chamada Vaca Muerta, no oeste da Patagônia.

Desde que assumiu a presidência da Argentina, em dezembro, Mauricio Macri vem revertendo medidas populistas da sua antecessora, Cristina Kirchner, que vão de controles de câmbio a impostos de exportação. Mas ele está expandindo os programas que ela usou para manter os preços dos combustíveis desconectados dos mercados globais – e que custam caro ao governo.

“Isso é muito importante, estrategicamente”, diz Miguel Galuccio, diretor-presidente da petrolífera estatal da Argentina, a YPF SA. Com o preço do petróleo leve a US$ 67 o barril e o do gás natural a US$ 7,50 por milhão de BTUs – ante menos de US$ 2 nos Estados Unidos -, essa política tornou a Argentina um dos poucos lugares no mundo onde as empresas de petróleo querem expandir suas operações. Galuccio, que foi indicado para o cargo por Cristina Kirchner em 2012, deixará a empresa em abril, conforme anunciado nesta semana.

Alguns analistas do setor dizem que os altos custos de produção do país tornam o sistema insustentável. Mas os defensores ressaltam que, desde dezembro, a Dow Chemical Co. e a American Energy Partners LP – que era comandada por Aubrey McClendon, pioneiro da exploração de xisto nos EUA que morreu na semana passada – divulgaram planos de investir em uma parceria com a YPF para desenvolver petróleo e gás de xisto. A YPF também afirmou que planeja, em breve, formar uma joint venture com a russa PAO Gazprom.

“Você tem que incentivar as pessoas a fazer exploração e desenvolvimento, principalmente quando os preços estão baixos”, diz Ali Moshiri, diretor-presidente na América Latina e África da petrolífera americana Chevron Corp., que tem uma joint venture para exploração e produção com a YPF. “Se a Argentina continuar com esses incentivos, irá encorajar outros a vir para o país.”

Nesse trecho árido da Patagônia, a YPF está operando sondas de 350 toneladas que perfuram a mais de 2.700 metros em busca de gás. Muito abaixo das rochas avermelhadas e da vegetação desértica estão 27 bilhões de barris de petróleo tecnicamente recuperáveis e 22,7 trilhões de metros cúbicos de gás aprisionados em uma camada de xisto de até uns 365 metros de espessura, de acordo com a Agência de Informação sobre Energia dos EUA.

No principal projeto de gás de xisto da Argentina, o El Orejano, há tantos tubos de fraturamento hidráulico se cruzando no solo que os trabalhadores da YPF e da firma de serviços Schlumberger Ltd., sediada em Paris e Houston, têm que tomar cuidado para não tropeçar neles. Tanques fornecem água que é misturada a químicos e areia e, então, injetada a alta pressão no fundo do poço, rompendo as formações rochosas e liberando o gás.

Se pudermos acessar apenas 7% dos recursos que temos em Vaca Muerta, poderemos dobrar a produção de gás na Argentina”, diz Pablo Bizzotto, que comanda as operações regionais não-convencionais da YPF.

No mundo todo, petrolíferas cortaram seus gastos de capital em cerca de 20% em 2015, com a retração chegando a 40% nos EUA, segundo a Moody’s Investors Service. Já a YPF aumentou seus investimentos em 4%.

“Isso mostra o forte desejo do governo de ampliar a produção doméstica de petróleo e gás e manter os empregos”, diz Matt Blomerth, analista da Wood Mackenzie, uma consultoria especializada em petróleo.

A Argentina, porém, não está imune à desaceleração global. O número de sondas em operação foi 39% menor em fevereiro do que no mesmo mês de 2015, segundo a empresa de serviços Baker Hughes Inc., que coleta esses dados. As empresas que atuam no país têm demitido ou dado férias coletivas a trabalhadores e a YPF planeja reduzir gastos em até 25% neste ano. Mas a diminuição no número de sondas em operação não foi tão drástica como em outros países. Nos EUA, por exemplo, a queda foi de 59%.

O governo também está agindo para proteger a Argentina do tipo de demissão em massa que tem atingido o setor no mundo todo. Mais de 319 mil postos de trabalho desapareceram desde 2014, segundo a Graves & Co., consultoria especializada em transações no setor petrolífero.

Em janeiro, o Ministério do Trabalho da Argentina fechou um acordo com sindicatos e a província de Chubut, que também é produtora de petróleo, para elevar artificialmente em US$ 10 por barril o preço do petróleo pesado que o país exporta, para cerca de US$ 34 o barril. Dessa forma, as petrolíferas não perderiam mais dinheiro. O acordo de seis meses poderia salvar entre 3 mil e 5 mil empregos, dizem autoridades.

“Estamos fazendo isso para sustentar a atividade e o emprego”, disse o ministro do Trabalho, Jorge Triaca, em fevereiro.

A Argentina gastou US$ 11 bilhões no ano passado para sustentar os preços do petróleo e gás, de acordo com estimativas do governo. Os motoristas do país arcam com grande parte dessa conta ao pagar praticamente o dobro pelo litro da gasolina do que pagam, por exemplo, os motoristas americanos. O governo deve quase US$ 1,7 bilhão em pagamentos a empresas que produzem gás natural.

Para Fernando Navajas, que analisa questões energéticas na FIEL, centro de estudos econômicos da Argentina, os dados indicam que o custo de produção de um barril de petróleo supera o preço subsidiado. Ele diz que isso é “insustentável”, mesmo no melhor dos casos, a menos que os custos de produção despenquem e os preços do petróleo se recuperem. Galuccio, o diretor-presidente da YPF, porém, diz que os preços mantêm as operações de xisto da YPF ligeiramente rentáveis.

Autoridades argentinas dizem apostar que os preços vão subir, o que permitirá que o governo abandone os subsídios. “Se você acredita que este preço ficará em US$ 20 [o barril] nos próximos 50 anos, então o que estamos fazendo é errado”, diz Galuccio. “Se os preços se recuperarem”, diz ele, “seremos grandes vencedores.”

Valor Econômico – 11/03/2016

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Eleição amplia incertezas com a economia dos EUA

Boa sorte para quem tentar fazer uma previsão precisa para a economia dos Estados Unidos em 2017, quando o presidente americano poderá ser qualquer um dos atuais pré-candidatos, de Bernie Sanders a Donald Trump.

Da mesma forma em que a disputa presidencial deste ano tem desafiado os analistas políticos profissionais, ela também confunde os economistas. Mais de 75% daqueles consultados por uma nova pesquisa do “Wall Street Journal” dizem que a eleição deste ano está gerando mais incerteza do que é considerado normal durante um período de troca na Casa Branca.

Os mercados se recuperaram ao longo de fevereiro, puxados pela ideia, reforçada por dados econômicos recentes, de que economia continuará a crescer, embora de forma moderada. A média dos entrevistados prevê que a economia americana vai crescer aproximadamente 2,4% neste ano e no próximo e que a taxa de desemprego cairá para 4,6% em 2017.

Mas um novo presidente prometendo mudanças drásticas e imediatas poderia derrubar essas previsões rapidamente.

“É impressionante que os mercados não estejam mais preocupados com isso”, diz Diane Swonk, fundadora da DS Economics, empresa de gestão de risco econômico. A retórica de campanha está carregada de promessas “bastante surpreendentes – isolacionismo, nacionalismo, redução nos fluxos comerciais. Sabemos o que isso pode causar na economia”.

A média de participantes da pesquisa realizada pelo “Wall Street Journal” em fevereiro previa um crescimento de 2,3% e uma taxa de emprego de 4,7%.

Os economistas, profissionais das finanças e acadêmicos que participaram da pesquisa atual dizem que estão particularmente alarmados com a retórica proveniente de candidatos insurgentes, como o magnata do setor imobiliário Donald Trump, que lidera a corrida no Partido Republicano, e Bernie Sanders, senador do Partido Democrata que se diz socialista e que, embora tenha menos delegados que Hillary Clinton, continua a ganhar Estados nas prévias partidárias que vão escolher o candidato oficial dos democratas.

Mais de 80% dos economistas consideram a potencial eleição de Sanders ou de Trump um resultado que pode forçá-los a reduzir as suas previsões econômicas. Cerca de metade dos participantes da pesquisa avalia ambos os candidatos como riscos “significativos”.

De fato, parte do apelo de Trump e de Sanders para os eleitores é justamente o fato de rejeitarem a abordagem ortodoxa que Washington normalmente adota para a economia. Muitos eleitores querem mudar o status quo. Os economistas, por sua vez, não sabem como interpretar as propostas dos candidatos para limitar o comércio, restringir a imigração de forma significativa e fazer uma reforma drástica do código fiscal.

“A incerteza é tão grande que é difícil saber como reagir a isso”, diz Lou Crandall, economista-chefe da Wrightson ICAP, empresa especializada na previsão de dados econômicos de alta frequência, nas políticas do Federal Reserve e no valor de dívida que o Tesouro irá emitir.

O “Wall Street Journal” entrevistou 64 economistas entre 4 e 8 de março, embora nem todos tenham respondido todas as perguntas. Suas previsões econômicas não são todas otimistas: Em média, eles veem risco de cerca de 20% de uma recessão em 2017, um pouco abaixo dos 21% registrados na pesquisa anterior. Eles preveem que a economia continuará frágil demais para que o Federal Reserve aumente as taxas de juros antes de junho. E preveem ainda que a economia vai criar menos postos de trabalho este ano que em 2014 e 2015.

Os entrevistados dizem que seria mais fácil fazer previsões mais precisas com a eleição do governador republicano de Ohio, John Kasich, do senador republicano Marco Rubio (da Flórida) ou da ex-secretária de Estado Hillary Clinton. Várias das pessoas consultadas não preveem riscos às previsões caso esses candidatos forem eleitos.

Vários economistas acham que o senador republicano Ted Cruz (do Texas) criaria “algum” risco, mas não “significativo” se ele assumir a Presidência. Embora Cruz adote muitas políticas tradicionais do Partido Republicano, ele também liderou uma insurreição que paralisou o governo por várias semanas em 2013 e que muitos acreditam ter prejudicado a economia.

Seja quem for o ganhador, alguns acreditam que a economia mudará pouco no próximo ano, já que as políticas macroeconômicas levam tempo para serem sentidas na economia e muitas das grandes mudanças precisam ser aprovadas pelo Congresso antes de vigorar.

“Os presidentes não podem mudar a política rápido o suficiente para afetar 2017”, diz Ram Bhagavatula, economista da gestora de fundos Combinatorics Capital.

Muitas das mudanças drásticas propostas pelos pré-candidatos redefiniriam a economia de várias formas se entrarem em vigor algum dia, confundindo as previsões, mesmo para as pessoas que acreditam que são as políticas adequadas.

Os economistas geralmente acreditam que o livre comércio estimula o crescimento econômico, por exemplo, explicando seus temores com relação a Trump e Sanders, que prometeram reverter acordos comerciais. Mas mesmo um economista que acredita que a imposição de tarifas protegeria o emprego doméstico também deve levar em conta o aumento da inflação com a alta nos preços de produtos importados.

E se alguém acredita que reverter a imigração ajudaria a economia, essa medida com certeza reduziria o tamanho da força de trabalho americana.

Valor Econômico – 11/03/2016

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Desemprego recua nos EUA

O número de norte-americanos que entraram com pedidos de auxílio-desemprego caiu mais que o esperado na semana passada, atingindo seu menor nível desde outubro, indicando força sustentada do mercado de trabalho, o que deve afastar ainda mais os temores sobre uma recessão.

Na semana encerrada em 5 de março, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram em 18 mil, para 259 mil, segundo dados ajustados sazonalmente divulgados pelo Departamento de Trabalho ontem. Trata-se da menor leitura desde meados de outubro do ano passado. O número da semana anterior foi revisado para baixo em 1 mil pedidos a menos do que anteriormente anunciado.

Economistas consultados em pesquisa da Reuters projetavam queda para 275 mil pedidos na semana passada.

A perspectiva melhor de crescimento, junto com os sinais de que a inflação está em trajetória de alta, pode contribuir para que o Federal Reserve, banco central dos EUA, eleve os juros em sua próxima reunião em junho. O Fed elevou sua taxa de juros em dezembro pela primeira vez em quase uma década.

DCI – 11/03/2016

Redação On março - 11 - 2016
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