Sindicato Nacional da Indústria de
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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017






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Juros futuros recuam após Copom

As taxas dos contratos futuros de juros com vencimentos mais curtos fecharam em ligeira queda ontem na BM&F. Os investidores ajustaram as posições após a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), na qual a taxa Selic foi mantida em 14,25%, mais uma vez em uma decisão com placar dividido – o mercado discute quando deverá acontecer o esperado próximo passo, de corte da Selic.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com prazo em janeiro de 2017 recuou de 14,06% a 14,04% na BM&F. Os juros futuros refletem 97% de probabilidade de manutenção da taxa Selic na próxima reunião do Copom em abril. O DI para janeiro de 2018 caiu de 14,33% para 14,27%.

O fato de a decisão do Copom neste mês não ter sido unânime e do BC ter repetido praticamente o mesmo comunicado da reunião de janeiro reforçou a leitura no mercado de que não há um espaço para corte de juros no curto prazo, com o BC deixando a porta aberta para uma queda da Selic mais à frente. “O BC está procurando uma oportunidade para cortar juros mais para frente neste ano. No entanto, isso está longe de ser trivial e continuamos esperando que a taxa de juros fique estável ao longo de 2016”, aponta a Nomura Secutiries em relatório.

Os diretores Sidnei Corrêa Marques (organização do sistema financeiro) e Tony Volpon (assuntos internacionais) votaram a favor de uma alta de 0,50 ponto da taxa Selic, com o restante dos membros decidindo pela manutenção.

A Nomura destaca que eventuais cortes poderiam ser introduzidos apenas no segundo semestre, com o BC inclinado a esperar pela desaceleração da inflação se materializar antes de agir. O dado fraco do PIB é mais um elemento que reforça as apostas de que o BC pode cortar a taxa de juros ainda neste ano.

A economia brasileira contraiu 1,4% no quarto trimestre ante o terceiro trimestre e 5,9% frente ao mesmo período de 2014. Em todo o ano de 2015, a contração foi de 3,8% em relação a 2014, a maior da série histórica do IBGE, iniciada em 1996.

Para o Itaú Unibanco, à medida que a inflação em 12 meses começar a recuar e o cenário de recessão intensa em 2016 se consolidar, o Copom iniciará um processo de redução de juros. O contexto internacional mais incerto reforçam esse cenário. O banco espera uma taxa Selic a 12,75% ao fim deste ano, com três cortes de 0,50 ponto a partir da reunião de agosto. O maior risco para esse cenário, segundo o banco, seria uma depreciação mais intensa da taxa de câmbio (em função do risco fiscal), o que pressionaria a inflação.

Por ora, o câmbio tem favorecido a inflação diante do ambiente de menor aversão a risco no exterior e das especulações em torno de um aumento das chances de impeachment da presidente Dilma Rousseff, alimentadas pelo avanço das investigações da Lava-Jato.

Esse ambiente contribuiu para a queda das taxas dos contratos de juros de longo prazo. Ontem, o DI para janeiro de 2021 recuou de 15,3% para 15,01%.

Valor Econômico – 04/03/2016

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Aposta de Dilma, investimento não dá sinais de melhora no Brasil

Espécie de termômetro dos rumos da economia, os investimentos foram os primeiros a entrar na crise –são dez trimestres consecutivos de retração. Para 2016, eles ainda não apontam a saída.

Retomar os investimentos era a esperança do próprio governo para tirar o Brasil do atoleiro. Lançou ideias como ampliar as concessões e tornar mais atraentes linhas de crédito do BNDES.

Para economistas, porém, a tendência é que as medidas façam água. Com incertezas políticas, indústrias ociosas e empresários sem confiança, os investimentos seguirão em queda.

Na Rosenberg Associados, a expectativa é de contração dos investimentos de 11% neste ano. Quedas ainda maiores são esperadas pelas consultorias Tendências (12,5%) e MB Associados (15,1%).

As projeções significam que os investimentos terão três anos seguidos de retração. Já houve queda de 4,5% em 2014 e de 14,1% no ano passado. É algo sem paralelo desde 1996, início da série histórica do IBGE.

“Não há chance, neste momento, de recuperação. Ela se dará no momento que tivermos clareza no cenário político. Quando isso acontecer, o investimento será o primeiro a reagir”, disse Sérgio Vale, da MB Associados.

O desânimo dos empresários é um grande desafio. O índice de confiança da indústria está no menor patamar desde 2001, o ano de racionamento de energia. A crise política também agrega incertezas sobre o futuro.

Outro desafio é o impacto da Operação Lava Jato. Nas contas da Tendências, Petrobras e empreiteiras foram responsáveis por dois terços da queda de 14,1% do investimento, ao precisar adiar ou paralisar grandes obras.

Por dentro dos números, o tombo dos investimentos em 2015 foi liderado pela combinação de menor importação e produção de bens de capital (como máquinas e equipamentos para indústria e agropecuária).

“A construção civil também teve um peso importante tanto por causa das obras no ramo imobiliário quanto nas da área de infraestrutura”, afirmou Rebeca Palis, gerente das Contas Nacionais trimestrais do IBGE.

O próprio setor público contribuiu para a retração em 2015. Os investimentos foram as principais vítimas dos cortes de despesas promovidos pelo governo federal, pelos Estados e pelas prefeituras no ano passado.

No ajuste fiscal do governo Dilma Rousseff, esses gastos foram reduzidos em 34,3% em 2015, considerada a inflação. Nessa conta estão obras nas rodovias, projetos de urbanismo e desembolsos do Minha Casa, Minha Vida.

Segundo Luis Otávio Leal, economista do banco ABC Brasil, tão ruim quanto a queda em si é que ela sinaliza uma menor capacidade potencial de crescimento para os próximos anos.

“O PIB potencial brasileiro, que é a capacidade de o país crescer sem gerar inflação, estava na faixa de 4% há poucos anos e na atual conjuntura ficou menor, algo como 1,5%”, disse Leal.

Para Adriana Ribeiro, economista da Tendências, a retomada dos investimentos e da economia dependeria de um “gatilho” capaz de mudar a confiança dos empresários e consumidores com o futuro da economia.

“Precisamos de algum gatilho. Esse gatilho ainda não apareceu. Quem sabe com interrupção do mandato presidencial. É um dos gatilhos que poderiam mudar as coisas”, disse Ribeiro.

Folha de S.Paulo – 04/03/2016

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Desinflação pode demorar, mas deve ocorrer, diz Mesquita

A queda de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e a estimativa de outro tombo semelhante em 2016 deve, em algum momento, ter efeito sobre os preços, apesar da inflação alta vista nos últimos meses. Essa é a avaliação de Mário Mesquita, sócio do Banco Brasil Plural e ex-diretor de política econômica do Banco Central.

Segundo Mesquita, a indexação, por aumentar a inércia, torna esse processo um pouco mais lento. “Temos economia em recessão profunda, mas na qual o salário mínimo sobe 11%. Isso ajuda a manter o poder de compra das famílias, mas por outro lado prolonga o processo inflacionário. Mas vamos acabar tendo essa desinflação”. O economista projeta IPCA de 8,2% em 2016 e de 6% em 2017.

A recuperação da atividade também vai demorar. Mesquita avalia que só a partir do início de 2017 o PIB deve voltar a crescer. Para ele, ainda falta uma retomada convincente da confiança, o que depende, em última instância, de sinais positivos vindos de Brasília.

Mesquita afirma que a reforma fiscal que o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, deve apresentar tem pontos positivos, mas precisa de apoio político. “Os empresários parecem estar esperando uma coalizão reformista para dar direcionamento à política econômica.” Mais importante do que saber quem conduzirá esse processo, diz, é a força e coesão dessa possível coalizão. A seguir, trechos da entrevista:

Valor: O Brasil teve a maior queda do PIB desde 1990. Como o senhor avalia esse resultado?

Mário Mesquita: Houve uma combinação de fatores, com piora grande da confiança das famílias e das empresas, dificuldade de equacionar a questão fiscal e problemas setoriais notórios, como petróleo e construção. No fim do ano, houve ainda o desastre [da Samarco ] em Mariana [MG], que afetou a produção industrial. Esse setor vem em dificuldade há bastante tempo. No ano passado, a desvalorização do câmbio devolveu certa competitividade, mas o fato é que o PIB industrial está em contração desde 2014. Uma recessão industrial dessa profundidade acaba levando junto o setor de serviços, dado que transportes e logística, por exemplo, são ligados à atividade industrial. Houve ainda impacto sobre a renda da correção de preços relativos. A conta dos subsídios em energia elétrica e combustíveis acabou chegando, e o consumidor pagou no ano passado. Sem dúvida foi resultado ruim, e foi uma recessão feita em casa, determinada por fatores domésticos. O que preocupa mais é que 2015 vai ser seguido de outro ano de forte queda do PIB.

Valor: A economia ainda não chegou ao fundo do poço?

Mesquita: No início do ano, alguns indicadores de confiança melhoraram e tivemos um comportamento um pouco mais favorável dos estoques na indústria, mas são evidências muito tênues de recuperação. Só espero crescimento positivo do PIB trimestral no início de 2017. A economia deve se contrair em ritmo mais lento ao longo de 2016 e avançar 0,2% em 2017. Isso reflete não só fatores estatísticos, mas um comportamento fraco da absorção doméstica. Há um destaque positivo, que é o comportamento do setor externo, com exportações começando a ganhar mais dinamismo. A favor, há ainda o realinhamento de preços relativos e o fato de que a recessão está eliminando o déficit em conta corrente, que era um desequilíbrio importante. São pré-condições para eventual retomada. Falta ver uma volta da confiança que leve à aceleração mais forte do investimento e do consumo.

Valor: Por que a inflação parece não responder à recessão?

Mesquita: Essa demora não é nova e nem exclusiva do Brasil. Um fator que retarda a resposta da inflação à recessão, porém, é a indexação, que faz com que o IPCA fique menos sensível às oscilações da atividade econômica, uma vez que vários preços apenas reproduzem a inflação passada. Temos economia em recessão profunda, mas o salário mínimo sobe 11%. Isso ajuda a manter poder de compra, mas por outro lado prolonga o processo inflacionário. Indexação aumenta inércia, mas vamos acabar tendo desinflação, ainda que mais lentamente do que muita gente gostaria.

Valor: Como o sr. avalia a dinâmica da dívida pública?

Mesquita: A dívida está em trajetória insustentável, que caminha para acima de 80% do PIB em 2017 e perto de 90% em 2018. Essa trajetória não pode se estender indefinidamente. A dívida ainda encontra demanda porque os investidores acreditam que haverá correção de curso na política fiscal. Só que tarefa é árdua: para estabilizar a dívida é preciso de um ajuste fiscal de quatro pontos do PIB, ou até mais, o que requer série de iniciativas, algumas das quais estão aparentemente sendo contempladas pelo governo, mas que dependem de apoio político. O mercado acredita que entre agora e 2019 surgirão condições políticas para fazer essa correção de curso. Temos situação fiscal grave, que não se agudiza porque há expectativa de maior efetividade em seu controle. No momento em que a confiança na disposição e na capacidade política do governo de tomar essas medidas for questionada, a rolagem da dívida vai ficar mais difícil.

Valor: O BC fica numa encruzilhada, entre inflação alta e recessão. Qual deve ser o próximo passo?

Mesquita: Mesmo com as quedas esperadas para o consumo e investimento, o fato é que a inflação está muito elevada e as expectativas já se deslocaram para cima desde a última reunião do Copom. Nesse ambiente, fica mais difícil o BC flexibilizar a política monetária. De qualquer forma, acho que o próximo movimento da taxa básica de juros vai ser de queda. A tendência é que as projeções do BC caminhem no fim deste ano e início de 2017 para um cenário que sustente inflexão. Por enquanto, o debate dentro do Copom ainda é sobre manutenção ou alta de juros. Acho que nos próximos meses esse debate vai ser alterado, na direção de manutenção ou corte de juros, e depois deve vir o movimento.

Valor: Um eventual corte da Selic seria, então mais no fim do ano?

Mesquita: No nosso cenário, no início de 2017. O risco é o Copom antecipar a decisão, se as autoridades considerarem que o comportamento mais favorável da inflação a partir de abril, que nós esperamos, signifique perspectivas melhores para os preços. Ninguém faz política monetária olhando a inflação corrente, mas ela tem influência sobre o processo de formação de expectativas. Por que dessa vez esse vale [do IPCA] em meados do ano pode ter importância maior? Porque a inflação tem surpreendido para cima por tanto tempo, que no mercado criou-se certo ceticismo quanto a eventual redução do IPCA. Que não concordo, mas entendo que surja na esteira de várias surpresas inflacionárias.

Valor: O investimento caiu muito. O Brasil pode sair dessa crise com PIB potencial menor?

Mesquita: A queda do investimento acumulada entre 2014 e 2016 deve superar 30%. O PIB potencial depende, entre outras coisas, dos investimentos, então sim. Agora, PIB potencial não é DNA, é algo que se pode mudar com políticas econômicas que deem ao empresário mais ímpeto para investir, como maior tranquilidade em relação à evolução da carga tributária. Isso tem a ver com controle de gasto público. O governo está correto em querer introduzir esse teto. Sem isso, não consegue ter limite para a carga tributária.

Valor: Essas medidas podem acontecer neste governo?

Mesquita: O ministro [da Fazenda, Nelson] Barbosa está trabalhando em reforma fiscal que tem vários elementos interessantes, que tendem a contribuir para retorno da confiança do empresariado. Teto para gasto, reforma da Previdência… Agora, a gente sabe que qualquer reforma desse porte requer apoio do Legislativo. O que o empresariado parece esperar para poder retomar investimento é sinalização de que haveria cooperação entre Legislativo e Executivo para levar adiante uma agenda que de fato encontre esses anseios, de previsibilidade, segurança jurídica, aspectos básicos, mas importantes. O empresariado parece estar esperando essa coalizão reformista para dar direcionamento à política econômica.

Valor: Essa coalizão fica mais difícil a cada semana?

Mesquita: Não sou cientista político, mas a situação é complexa. O mercado está mais preocupado com a força e coesão de eventual coalizão governista em torno das reformas do que com nomes específicos para conduzir esse processo.

Valor Econômico – 04/03/2016

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‘Com Dilma no poder, recuo do PIB em 2016 pode chegar a 4,9%’, avalia economista

A economia brasileira deve repetir em 2016 a queda de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) registrada em 2015, na avaliação do economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. O especialista destaca que esta projeção contempla uma melhora do atual impasse político e “alguma solução qualquer que envolva necessariamente a saída da presidente Dilma Rousseff”, seja por meio do impeachment ou da cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Não se acredita mais que haja uma solução viável. Depois de 5 anos, já se perdeu a esperança de uma coalizão comandada por ela. Com a Dilma no poder, o recuo no PIB pode chegar a 4,9%”, estimou, ao comentar os dados da economia brasileira divulgados há pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O especialista destaca que uma melhora nos investimentos e na indústria, por exemplo, ocorreu após a saída de Fernando Collor da Presidência, no início da década de 1990. “No período dos escândalos e do processo de impeachment, a queda na produção industrial chegou a 17% na comparação interanual. Na hora em que foi decidida a saída de Collor, o setor passou a crescer entre 15% e 20%”, disse. Para ele, a estabilização da situação política tem um efeito muito positivo sobre as expectativas e seria capaz de reverter a atual desaceleração da economia brasileira.

Vale ressalta ainda a intensificação do ritmo de queda da atividade econômica no País, como indica a retração de 5,9% no PIB do quarto trimestre ante igual período de 2014. No resultado fechado de 2015, a peculiaridade desta recessão, segundo o economista da MB Associados, é o fato de os recuos serem generalizadas tanto do lado da oferta como na demanda.

“Diferentemente de outros momentos de recessão no passado recente, como em 1999, 2003 e 2008, desta vez poucas coisas se salvaram”, afirmou, em referência ao “crescimento baixo” de 1,8% do PIB da Agropecuária no ano passado e à elevação de 6,1% nas exportações, “reflexo do câmbio positivo”, ambos na comparação com 2014.

Na avaliação do economista, sob a ótica da oferta, é natural ver quedas mais intensa da indústria em períodos recessivos, mas a retração de 2,7% observada no PIB de Serviços no ano passado é novidade. Esta foi a primeira queda registrada na série histórica do IBGE, que tem início em 1996.

Do lado da demanda, Vale aponta o declínio de 4,0% no consumo das famílias o destaque negativo. “Estes são os dois itens de cada lado que respondem por mais de 60% do PIB. E por isso, têm o impacto muito negativo que vimos sobre a economia ao longo de 2015”, afirmou.

Estado de São Paulo – 04/03/2016

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‘Jornada será longa no deserto de sol escaldante’, afirma Silvia Matos

Nas previsões da economista Silvia Matos, a recessão brasileira deverá se prolongar pelos próximos trimestres, num ambiente de dificuldade política. Para 2016, ela estima queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,4%. Em 2017, o recuo esperado é de 0,4%. “A questão é que a crise política torna o cenário mais prolongado, fazendo as recessões mais dolorosas. Tudo leva a crer que teremos uma longa jornada nesse deserto de sol escaldante”, afirma Silvia, coordenadora técnica do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado.

Como a sra. analisa o resultado do PIB de 2015?

Estávamos um pouco mais otimistas. Esperávamos uma queda de 1,2% (no quarto trimestre) e veio uma retração de 1,4%. Este ano vai ser ruim também. É uma recessão das mais longas. Em geral, quando um país sai de uma recessão, espera-se uma recuperação mais rápida. Mas essa retomada, no caso brasileiro, ainda está em risco.

Qual é a projeção para 2016?

Nós estamos com recuo de 3,4%. E não vamos alterar esse número no momento. Continuamos num processo de queda, mas a gente avalia que são quedas menores que as registradas no ano passado. Para o primeiro trimestre, a estimativa é de uma retração de 0,5% (na comparação com o quarto trimestre de 2015).

Pode haver uma recuperação no segundo semestre?

O segundo semestre está em dúvida, porque há pouco espaço para novas quedas expressivas do PIB. Os nossos números são negativos para o segundo semestre e ainda não acreditamos em números positivos.

E para 2017?

A previsão é de recessão de 0,4%.

São três anos de recessão.

Na verdade, a recessão começou lá em 2014, então são mais de três anos. E, para sair da recessão, é preciso um número positivo e forte. Só que, no cenário atual, ainda vemos um ano de ajuste, o que prolonga ainda mais a recessão. Por causa desse cenário de ajuste, não vemos queda de juros e o crédito não retoma.

Quais serão as consequências para o País com mais de três anos de recessão?

Do ponto de vista das famílias, tem um efeito severo no mercado de trabalho, porque é uma crise longa. E também tem o ciclo de crédito. Houve um boom de consumo no passado por causa de um cenário favorável de renda e crédito, mas agora estamos pagando a conta pelo excesso de crédito num cenário de baixa poupança. Em algum momento, chegaria o tempo de vacas magras.

E o cenário piora porque a crise política parece longe de acabar.

A questão é que a crise política torna o cenário mais prolongado, fazendo a recessão mais dolorosa. Tudo leva a crer que teremos uma longa jornada nesse deserto de sol escaldante. Esperamos que, depois da travessia, a gente possa atingir terras mais férteis. A forma política de conduzir esse processo poderia atenuar essa jornada. O País começa a entrar num cenário em que a questão social pode ficar mais insustentável. É difícil imaginar que não vá ocorrer uma reação da sociedade e dos políticos diante do quadro que estamos vivendo. O importante é como isso vai ser conduzido, de uma maneira ordenada ou não, e se haverá uma agenda positiva. A classe política precisa endereçar essa agenda de reformas.

Como a reforma da Previdência, por exemplo?

Todos os estudos são muito relevantes e mostram que as pessoas que se aposentam mais cedo são as de classe mais elevada. Vai ter mais custo social se o Brasil não fizer isso. E precisa de classe política para endereçar essas discussões tão difíceis, mas ninguém quer assumir isso.

O Estado de S.Paulo – 04/03/2016

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Investimento despenca 14,1%

Derretendo há três anos, o investimento teve a queda mais expressiva, de 14,1%, entre todos os setores de oferta e demanda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um recuo nessa magnitude preocupa especialistas, pois a base de comparação é deprimida — retração de 4,5% em 2014 — e por comprometer o potencial futuro da produção. Períodos longos de queda tornam a estrutura produtiva do país obsoleta, o que afasta ainda mais do horizonte a perspectiva de uma retomada, sobretudo, no Brasil, país com uma taxa de poupança interna muito baixa, que fechou 2015 em apenas 14,4%.

O tombo da formação bruta de capital fixo (FBCF), que despencou de R$ 1,147 trilhão em 2014 para R$ 1,072 trilhão no ano passado, foi grande em função da retração de 26,5% na aplicação de recursos em máquinas e equipamentos. Com o resultado, a taxa de investimento em relação ao PIB caiu para 18,2%. “Não deve parar por aí. Sem poupança, o país precisa pegar dinheiro fora para investir. Mas perdeu o grau de investimento e o câmbio está muito elevado para contrair dívidas em dólar. Por isso, nossa estimativa é de que a taxa caia ainda mais, para 16,7% do PIB em 2016”, projeta o economista Alex Agostini, da Austin Rating.

Crise de confiança
Para especialistas, a crise de confiança é o principal motivo para o derretimento do investimento, mas a elevação da taxa de juros também contribuiu para a menor tomada de empréstimos. “O sinal é muito ruim lá para a frente. Mesmo que o país supere o quadro recessivo amanhã, a recuperação vai ser muito mais lenta porque a indústria trabalha com uma ociosidade muito grande e isso limita os investimentos”, destacou o economista-chefe da SulAmérica, Newton Rosa, para quem 2016 terá queda de 3,7% no PIB, índice muito próximo do recuo de 3,8% de 2015.

Jankiel Santos, economista-chefe do Banco Haitong, ressaltou que a participação dos investimentos no PIB, que foi de 17,7% em 2015, é a menor desde 2006. “Nem mesmo após a crise mundial de 2008 houve uma participação tão baixa. Naquela ocasião, foi de 18,6%. Isso dificulta o PIB potencial dos próximos anos”, afirmou Santos.

A queda brutal dos investimentos vai deixar uma herança maldita ao sucessor da presidente Dilma Rousseff, mesmo que ela consiga completar o mandato. Para o especialista em infraestrutura Fernando Marcondes, sócio do escritório L.O. Baptista-SVMFA, os gargalos do país vão continuar a se agravar por, pelo menos, cinco ou seis anos. “Primeiro, é preciso contornar a crise política para recuperar a confiança. Depois, serão mais dois anos para o país sair do vermelho”, calcula.

Correio Braziliense – 04/03/2016

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Edinho Silva diz que economia vai melhorar ainda em 2016

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, afirmou hoje que a economia brasileira vai se recuperar e que a melhora poderá ser vista ainda este ano.

“Todas as medidas foram tomadas para isso”, disse, ao ser questionado sobre o resultado do PIB de 2015, que encolheu 3,8%, na maior recessão desde 1990, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Apesar do otimismo do ministro, há interlocutores do Palácio do Planalto que não acreditam nessa melhora em 2016. Para eles, “a notícia do PIB não é boa, mas já era esperada”.

Esses interlocutores falam que “tão grave quanto 2015 é a perspectiva para 2016”. Diante disso, eles ressaltam a necessidade de o Congresso aprovar logo as medidas que o governo encaminhou para ajudar na recuperação da economia.

Dentre os setores, apenas a agropecuária (1,8%) apresentou expansão em 2015. Para a ministra da Agricultura Katia Abreu, o resultado não foi uma surpresa. “Crescimento já estava previsto. Contribuinte pode ficar tranquilo, cada real no agronegócio dá retorno “, afirmou.

Ainda assim, foi o pior desempenho do setor desde 2012. No ano passado, a soja registrou crescimento de 11,9% em seu volume produzido, enquanto o milho avançou 7,3%. Por outro lado, culturas importantes tiveram queda na produção agropecuária, como café e laranja.

O Estado de S.Paulo – 04/03/2016

Redação On março - 4 - 2016
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