Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 18 de Novembro de 2017






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Ociosidade fabril tem pior nível desde 2002

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) pela indústria caiu para 75,9% em janeiro deste ano. Esse é o pior patamar registrado desde o início da série história em 2002.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o nível de UCI caiu 1,1 ponto percentual (p.p.) na passagem de dezembro para janeiro. Na comparação com o início do ano passado, a queda na UCI é de 5,2 p.p.

O gerente executivo de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, lembrou que a ociosidade em alta inibe investimentos, com os industriais não vendo necessidade de ampliar o parque fabril instalado no País.

“O primeiro movimento na recuperação [do setor] será reduzir os estoques, depois voltar a produzir em ritmo normal e, em um terceiro momento, quando aumentar a produção, começam a ocorrer novos investimentos”, citou ele, em nota divulgada ontem pela entidade.

Embora o faturamento real (1,0%) e as horas trabalhadas na produção (2,9%) tenham apresentado leve alta na passagem de dezembro para janeiro, todos os indicadores da CNI mostram recuo na comparação com janeiro de 2015.

O emprego (-9,6%), a massa salarial real (-10,3%), o rendimento médio real (-0,8%), o faturamento real (-13,9%) e as horas trabalhadas na produção (-11,6%) apresentaram queda.

Para o gerente executivo da CNI, o avanço de apenas dois indicadores em janeiro também não sinaliza uma possível retomada da atividade nas fábricas, já que a confiança dos empresários permanece baixa.

“Os indicadores de confiança pararam de cair, isso de certo modo significaria que é possível estarmos próximos do fundo do poço, mas se esse poço está bem fundo, para voltar a ter um nível de atividade mais próximo da normalidade é preciso reorganizar a economia e, principalmente, equilibrar as contas públicas”, afirmou Castelo Branco.

Tendência

Na avaliação da economista da Markit, Pollyanna De Lima, os problemas econômicos do País continuaram a impactar o setor industrial, puxando para baixo a produção em fevereiro.

“Analisando as expectativas para o futuro, as restrições fiscais estão propensas a piorar e o PIB [Produto Interno Bruto] deve cair novamente em 2016. Em 19 de janeiro, o governo anunciou um corte no orçamento de R$ 23,4 bilhões para o ano como parte de tentativas para melhorar as finanças públicas. É também pouco provável que a política monetária altere as perspectivas de negócios, já que o Banco Central continua limitado pela inflação alta”, destacou ela.

Dados do Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês), elaborado pela Markit e o HSBC, sinalizam que a ociosidade nas indústrias continuou alta em fevereiro. O indicador antecedente de pedidos para a indústria mostrou a “décima terceira deterioração mensal consecutiva ao atingir um recorde de três meses de baixa de 44,5 em fevereiro e 47,4 em janeiro”, informou a Markit.

“Os dados de fevereiro destacaram a persistente capacidade ociosa no setor industrial do Brasil como um todo, com os níveis de negócios inacabados diminuindo pelo quinto mês consecutivo. Embora moderado no geral, o ritmo de diminuição de pedidos em atraso foi o mais acentuado desde outubro de 2013.”

O PMI mostrou ainda alta pelo terceiro mês consecutivo nas encomendas destinadas a outros países. O volume de negócios, entretanto, avançou em ritmo modesto.

DCI – 02/03/2016

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Jeep considera América Latina peça fundamental para expansão

A Jeep considera que tem um “grande potencial de crescimento” na América Latina e a vê como uma peça fundamental em sua estratégia de crescimento, quase um ano após a abertura de sua primeira fábrica na região, no Brasil, e no momento em que a marca comemora seu 75º aniversário.

O ano de 2016 representa um momento histórico para a Jeep, especialista em veículos off-road e SUVs do grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA): a marca completa seus 75 anos no meio do melhor momento de sua história e com planos de expansão por todo o mundo.

No ano passado, a Jeep teve um ano recorde com a venda de mais de 1,2 milhão de veículos em todo o mundo.

E a FCA acaba de revisar para cima as vendas previstas para 2018, que agora situa em cerca de 2 milhões de unidades.

A América Latina, em geral, e o Brasil, em particular, têm um papel fundamental nesses planos de expansão sem precedentes.

Como explicou à Efe o diretor da marca Jeep na América Latina, Sérgio Ferreira, “há um grande potencial de crescimento na região”.

“O ano de 2016 será de consolidação na liderança do modelo Renegade no Brasil e o do lançamento deste veículo em vários mercados da América Latina. O próximo passo será o lançamento de outro veículo Jeep produzido em Goiana, Pernambuco”, declarou.

O otimismo de Ferreira se baseia no fato de que, em 2015, o segmento de off-roads representou apenas 15,3% das vendas na América Latina, e 12,5% no Brasil, muito abaixo da média mundial de 25%.

“Vemos um grande potencial de crescimento nos mercados da região, especialmente para os SUVs, algo comparável com alguns mercados asiáticos” acrescentou.

“O Brasil já está alcançando excelentes resultados para a marca. Em 2015, a Jeep ficou entre as 10 principais no país, superando montadoras estabelecidas há décadas”, argumentou.

“O Renegade agora representa 3,2% das vendas totais no mercado. Argentina, Chile, Colômbia e Peru também têm boas condições de crescimento para a marca”, prosseguiu.

O presidente da Jeep, Mike Manley, disse à Efe que o objetivo de vender cerca de 2 milhões de unidades até 2018, é um desafio monumental, mas alcançável devido aos planos de crescimento global da empresa.

“Se executarmos bem e seguirmos acertando com o produto adequado nas próximas gerações de veículos como fizemos com o Renegade, acredito que tudo funcionará e em 2018 estaremos alcançando cerca de 2 milhões de unidades. O que será formidável se pensarmos que em 2009 vendemos 330 mil”, declarou Manley.

Embora a economia mundial esteja destinada a um arrefecimento em 2016, Manley considera que a Jeep ultrapassará neste ano o recorde de 1,2 milhão de veículos vendidos em 2015, graças em grande parte ao mercado chinês.

O principal diretor da Jeep considera que, em 2016, o mercado americano crescerá ligeiramente, assim como o da Europa, após um ano recorde no qual foram vendidos mais de 17,5 milhões de veículos novos.

“O que também nos ajudará é que neste ano começamos a produção local, na China, do Cherokee, o que nos permitirá superar o ano passado”, explicou.

“Em nosso 75º aniversário, temos que bater o recorde mundial de 2015, que foi um grande ano para a marca e do qual estou muito satisfeito”, acrescentou Manley, que lembrou que 2016 também será o ano do lançamento de um novo Jeep do segmento C que substituirá os modelos Compass e Patriot.

Na Europa, o cenário é similar. Steve Zanlughi, diretor da marca Jeep na Europa, no Oriente Médio e na África (EOMA), destacou o sucesso do novo Renegade, que é produzido na Itália para esta região.

“Em 2015, o sucesso da Jeep foi propulsado pelo Renegade, um SUV compacto que entrou no mercado em setembro de 2014 em todos os países da região. O Renegade representa 49,8% de nossas vendas”, explicou.

“A Jeep está crescendo em todas as regiões, e em EOMA mais que em qualquer outro lugar. A marca teve seu melhor ano na região em 2015, com 117.620 unidades, 55,7% de crescimento, o que a transformou na segunda região com mais vendas no mundo, atrás da América do Norte”, acrescentou.

Mark Allen, diretor de design da Jeep, e Jim Morrison, responsável de Marketing do Produto, consideram que o sucesso que a Jeep está vivendo em seu 75º aniversário é fruto de sua gama de produtos e seu legado histórico.

“A chave do sucesso da Jeep se resume em seus produtos. Uma gama de produtos sólida que continuou sendo ampliada e se tornando cada vez mais relevante para um crescente número de clientes como fizemos aqui nos Estados Unidos”, disse Morrison.

Por sua vez, Allen destacou que os novos produtos da Jeep estão enraizados em seu passado.

“Somos a única marca que faz isto. Todos os Jeep que produzimos têm um componente do nosso primeiro Jeep. Desde a grade de ranhuras aos arcos trapezoidais das rodas”, disse.

“Em termos de estilo, voltar ao primeiro veículo de uma marca que nunca teve a intenção de ser uma marca, e utilizar essas ideias… muito pouca gente, de fato ninguém mais faz isso”, frisou.

Fonte: EFE

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Fábrica da Bridgestone é ampliada em Camaçari

A fábrica de pneus Bridgestone vai ampliar sua unidade de Camaçari e criar um Centro de Distribuição que deverá gerar 270 novos empregos, com investimento de R$ 262 milhões, sendo R$ 252 milhões no incremento da produção de mais 2,5 mil unidades por dia, e R$ 10 milhões na construção de um Centro de Distribuição.

O protocolo foi assinado ontem entre o governador Rui Costa e o presidente da companhia Fábio Fossen, na Governadoria. Participaram ainda do evento o diretor financeiro da Bridgestone, Maurício Crestincov, e os secretários de Estado Manoel Vitório, da Fazenda, e Jorge Hereda, do Desenvolvimento Econômico.

Um segundo protocolo também foi assinado, objetivando garantir a aplicação do programa Primeiro Estágio, que gera o primeiro emprego para jovens egressos do segundo grau. Na oportunidade, o governador acentuou que “não existe qualquer tipo de pressão sobre a iniciativa privada para concordar com esse programa e a adesão da Bridgestone será para que ela gere esses empregos com o seu formato.”

Porém, Rui Costa destaca que o governo faz questão, no programa, de que o critério para a absorção da mão de obra seja baseado na meritocracia, ou seja, “ninguém indica ninguém. Os jovens conquistarão o trabalho através dos méritos adquiridos ao longo dos três anos de estudo no segundo grau”.

Educação

Rui Costa disse ainda que o objetivo do seu governo, entre outros, é o de fazer valer cada vez o mérito com base na educação e “com isso, estamos na luta para elevar cada vez mais os indicadores educacionais da Bahia”.

Ao lado do incentivo ao emprego via estudo, o governador informou ainda que tem trabalhado para facilitar cada vez mais o acesso às áreas industriais da Região Metropolitana de Salvador e anunciou que levará o VLT, por exemplo, até Camaçari e Simões Filho, bem como melhorará as rodovias, “tudo para reduzir atrasos e dar conforto e segurança ao transporte dos trabalhadores.”

Já a diretoria da Bridgestone, através do seu presidente, Fábio Fossen, disse “assinar em baixo” de tudo que o governador disse elogiou a produtividade da mão de obra na Bahia, anunciando que pretende aumentar dos atuais 8.100 para até 10 mil pneus/dia a sua produção em Camaçari, distribuídos para todo o País e fabricados na mais moderna fábrica do gênero na América Latina e uma das cinco mais modernas do mundo no setor.

Sobre a influência da crise nos ânimos da indústria, a diretoria da Bridgestone disse que em nada vem afetando a sua produção “e continuamos em plena produção em Camaçari, em ritmo de três turnos de trabalho e tentando aumentar ainda mais, com previsão de fabricarmos até 18 mil pneus dias em futuro próximo”.

Alex Ferraz

Fonte: Tribuna da Bahia

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Simples tem pouco peso sobre a produtividade e o emprego, diz estudo

Com a proposta de elevação de limite, destaca Veloso, a Receita Federal estima que haverá redução adicional de arrecadação de R$ 12,7 bilhões em 2017 e de R$ 16,1 bilhões anuais a partir de 2018 – cálculos que foram refutados pelo presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Guilherme Afif Domingos, em reportagem publicada pelo Valor no início de fevereiro.

Afif lembrou que o governo faz a conta oficial da renúncia levando em conta o que as empresas do Simples pagariam se estivessem no lucro presumido, o que seria um “sofisma” porque se as empresas não estivessem no Simples não haveria essa arrecadação. Procurado novamente, a assessoria de imprensa do Sebrae informou que Afif só se manifestaria após conhecer o conteúdo do livro.

Dados do Sebrae indicam que o número de empresas optantes pelo Simples Nacional, incluindo o microempreendedor individual (MEI), cresceu 38% ao ano desde 2009. Segundo o Sebrae, de 2014 para 2015 a arrecadação do Simples cresceu 2,92% em termos reais enquanto a arrecadação total administrada pela Receita caiu 4,66%. De 2011 a 2015, as micro e pequenas empresas geraram 4,75 milhões de empregos, enquanto nas médias e grandes empresas foram extintas 1,36 milhão de vagas.

Em outro artigo do livro, os economistas Carlos Henrique Corseuil e Rodrigo Leandro de Moura mostram justamente o impacto do Simples sobre os indicadores de emprego nas empresas que estão em torno do limite de faturamento estabelecido pelo programa. A ideia foi verificar o impacto de cada mudança no limite de faturamento do sistema. Por isso houve avaliação em 1997, 1999, 2006 e o Super Simples, em 2007.

A pesquisa aponta que em dezembro de 2006 as empresas do Simples tinham, em média, um quadro com 19,2 trabalhadores formais a mais do que as empresas não optantes. No ano seguinte, em 2007, porém, há evidência de que as empresas do Simples contrataram menos trabalhadores. De acordo com o estudo, foram 30,4 empregados a menos que as demais empresas.

Como o efeito sobre as demissões foi considerado estatisticamente nulo, os autores consideram possível que o saldo líquido das contratações das empresas do Simples tenha sido desfavorável nesse período.

O estudo também analisou o impacto em relação a outras variáveis ligadas a emprego, como o rendimento do trabalho de todos os trabalhadores e o salário médio dos empregados (os rendimentos excluindo o dos sócios). Para esses itens, porém, o impacto foi considerado estatisticamente nulo.

A exceção ocorre novamente para o ano de 2006, em que as empresas optantes do Simples para essa amostra restrita pagaram, em média, R$ 525 a mais para os funcionários – excluindo os sócios- do que as empresas não optantes. Ou seja, em 2006 o Simples gerou aumento do emprego formal e do salário médio dos seus empregados.

O próprio estudo, faz, porém, uma ressalva em relação esses dados. As estimativas precisam de uma hipótese mais forte do que para outros anos para serem interpretadas como efeito do Simples porque, naquele ano, a mudança no limite de enquadramento do programa foi definida somente em maio, contrastando com o ocorrido nas mudanças anteriores, que ocorreram em dezembro.

O estudo sugere ainda que o debate sobre formalização é mais amplo do que o do sistema tributário e está ligado ao grau de escolaridade do empreendedor. Dados da Pnad, argumenta Veloso, mostram que a escolaridade dos empreendedores formais é superior à de empreendedores informais.

Dentre os empreendedores por conta própria formalizados – ou seja, com CNPJ – aqueles com mais de 15 anos de estudos representam 21,5%. Nos empreendedores sem CNPJ essa parcela é apenas de 5,7%. Veloso destaca ainda que há estudos que revelam como é difícil a transição de empresas do setor informal para o formal. A grande maioria das firmas formais, diz, já nasce formal.

Os economistas Luiz Gustavo Barbosa e Sergio Gustavo da Costa e o advogado Felipe Shöntag, do FGV Projetos, que coordenaram os estudos que sustentam a proposta de elevação do teto, ao lado do então consultor e atual ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, avaliam que há um erro “conceitual” nas críticas feitas ao Simples. “O Simples não é algo que dependa da vontade do governo. As micro e pequenas empresas devem receber tratamento diferenciado segundo a Constituição”, diz Gustavo Barbosa.

A partir dessa constatação, diz Costa, o estudo coordenado por eles buscou aprimorar o Simples para que as empresas deem resultados melhores sem medo de crescer. Entre as principais medidas estão o estabelecimento de uma tabela progressiva de alíquotas, redução das faixas para que as empresas tenham mais facilidade para planejar seu crescimento e caminhar, gradualmente, para o lucro presumido.

Valor Econômico – 02/03/2016

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Venda de veículos cai 21%

O mercado brasileiro de veículos novos terminou fevereiro com uma queda de 21,06% nas vendas em comparação com igual mês do ano passado, informou ontem a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Foram 146.783 unidades comercializadas no segundo mês de 2016. Em relação a janeiro, também houve retração, de 5,47%.

Fruto da queda do poder de compra e da menor confiança dos consumidores nos rumos da economia, o recuo é mais um resultado negativo para o setor automotivo. Em janeiro, as vendas haviam caído 38% na comparação com igual mês de 2015. Com isso, no primeiro bimestre de 2016, o comércio de veículos novos teve baixa de 31,31% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. Em 2015, a queda foi de 26,5% ante 2014, o terceiro recuo anual seguido.

A forte retração acumulada no bimestre coloca em dúvida a previsão de entidades do setor automotivo para o fechamento do ano. A Fenabrave, por exemplo, diz esperar recuo de apenas 5,9% nas vendas. Representando as montadoras, a Anfavea projeta queda de 7,5%.

Na comparação com janeiro, as vendas do mês passado foram prejudicadas pelo menor número de dias úteis, em razão do feriado de carnaval. Foram 18 dias úteis em fevereiro contra 20 no primeiro mês do ano. Tanto que, na média diária, as vendas cresceram 3,52%.

Correio Braziliense – 02/03/2016

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‘Voltaremos ao período da escravidão, sem expediente predeterminado’

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, considerou “lamentável” a ideia de flexibilização das leis trabalhistas defendidas pelo novo presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Filho, em entrevista ao GLOBO no último domingo. Para o dirigente da CUT, o ministro quer voltar “ao período da escravidão” e “anular as conquistas dos trabalhadores”. Com o intuito de esclarecer o assunto, a CUT protocolou ontem um pedido de audiência com Gandra Filho.

Como o senhor vê a proposta do presidente do TST de flexibilizar as leis trabalhistas do país?

É lamentável defender a flexibilização. Achei lamentáveis as declarações dadas pelo presidente do TST sobre esse assunto. Ele mostrou ter uma visão ultrapassada e reacionária. Por ele, voltaremos ao período da escravidão, sem tempo de expediente predeterminado, por exemplo. Ives Gandra Filho também defende a terceirização. Um total absurdo. Isso é anular todas conquistas dos trabalhadores.

O presidente do TST afirma que a Justiça trabalhista é paternalista…

Realmente não entendi o que ele quer dizer com esse termo. Ele quis dizer que o trabalhador é beneficiado? Sugiro que antes de afirmar qualquer coisa, que ele faça uma auditoria ou averiguação nas sentenças já concedidas. Estou assustado com essas declarações. Vamos ter muito trabalho nessa nova presidência.

Que tipo de atitude a CUT pode tomar caso ocorra a flexibilização?

De início, protocolamos um pedido de audiência com o novo presidente para esclarecer o que ele realmente defende. Se ele reafirmar para nós o que disse na entrevista, vamos nos opor duramente, com greves e manifestações, porque ele quer rasgar a CLT defendendo a terceirização, por exemplo. Outros países, como Chile e México, tomaram atitudes similares às defendidas por ele, e não houve benefício.

Nem para o trabalhador nem para o empregador e menos ainda para a economia. Todos os lados perdem.

O Globo – 02/03/2016

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Crise faz acordos trabalhistas aumentarem

A recessão fez aumentar os acordos trabalhistas no país. Segundo dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), dos 737 dissídios coletivos apresentados aos tribunais regionais do trabalho no ano passado, 228 — ou 30,9% — foram decididos com acordos entre as partes. O percentual é o maior desde 1995, quando a taxa havia chegado a 33,7%. O número se refere às negociações feitas entre sindicatos e patrões quando já há uma discussão em andamento na Justiça, mas sem que o juiz precise dar a palavra final.

Esse crescimento dos acordos mostra, na prática, proposta defendida pelo novo presidente do TST, Ives Gandra Filho, em entrevista ao GLOBO, no último domingo, na qual defendeu que os juízes priorizem o acordo. “A primeira coisa que um juiz deveria fazer é tentar conciliar, depois ele vai julgar. O TST pode começar a estimular as conciliações”, afirmou Gandra Filho.

PERDA DE PODER DO TRABALHADORES
Para analistas, o crescimento dos acordos mostra que os trabalhadores perderam poder de barganha, diminuindo as demandas dos sindicatos. Tanto que também houve redução do número de dissídios. Em 2014, haviam sido apresentadas 1.089 demandas, ou 47% a mais que o número registrado no ano passado.

— Com o aumento do desemprego, os sindicatos acabam aceitando ofertas mais facilmente. Quando o desemprego é baixo, o sindicato se acha em condições de demandar dissídio, porque acredita em um reajuste maior — avalia o economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos e professor da PUC-Rio.

Segundo a presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT- 2), Silvia Devenoid, a recessão de 2015, estimada em mais de 3%, explica a mudança nas negociações. No ano passado, 205.638 acordos foram realizados nas varas paulistas, alta de 3,75% frente a 2014. Também aumentaram os casos de conciliações, realizadas antes da apresentação das ações judiciais. Em 2015, 35,42% das audiências foram solucionadas com conciliação — contra 32,97% no ano anterior.

— Quando se está em pleno emprego, as demandas dos trabalhadores crescem por aumento real, participação nos lucros. Na recessão, se quer manter o emprego e algum aumento real — afirma a desembargadora.

Já o economista João Saboia, professor do Instituto de Economia da UFRJ, considera o aumento do número de acordos um bom indicador:
— Conseguir acordo em momento de crise é muito positivo.

A piora do mercado de trabalho também provocou uma disparada no número de ações trabalhistas individuais. De acordo com o balanço do TST, os processos recebidos em todas as varas do trabalho (ou seja, processos de 1 ª instância) somaram cerca de 2,6 milhões no ano passado, uma alta de 11,7% frente a 2014. Foi o maior aumento desde 1995.

A ligação entre o aumento do desemprego e do número de ações está relacionada ao excesso de recursos à Justiça do Trabalho, na avaliação José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos.

— Quase todo trabalhador demitido entra na Justiça do Trabalho. Se tem muita demissão, acaba tendo mais ações. A relação entre trabalhador e empresário se transformou em um problema de Justiça, enquanto em qualquer lugar do mundo é uma questão de negociação — analisa Camargo.

Para a desembargadora Silvia Devenoid, as demissões em tempos de crise tendem a gerar mais conflitos. São Paulo respondeu por quase 20% das ações trabalistas do país, com 460,3 mil casos, contra 427 mil em 2014, alta de 7,8%. No TRT do Rio, houve alta de 3,7%, para 253.063 ações em primeira instância.

— Os trabalhadores têm mais acesso às informações. São mais conscientes de seus direitos, por isso entram com mais processos. De 2014 para 2015, o crescimento acima do normal foi causado pelo desemprego. Houve muita demissão, empresas entraram em processo falimentar, e outras simplesmente sumiram do mapa — afirma a desembargadora de São Paulo, que prevê nova alta em 2016: — Pelo que tenho conversado com representantes dos sindicatos patronais e de trabalhadores está havendo muita demissão. Isso tem impacto direto nas ações trabalhistas.

ECONOMISTAS DEFENDEM FLEXIBILIZAÇÃO
Segundo José Márcio Camargo, o risco de ser processado interfere na competitividade das empresas brasileiras, pois eleva o custo do trabalho. Flexibilizar a legislação, defende ele, ajudaria a aliviar os efeitos da recessão, embora não seja suficiente para eliminar o impacto da crise. É uma visão semelhante | à do presidente do TST, que destacou a necessidade de flexibilizar a lei.

— A lei trabalhista brasileira tem a seguinte característica: tudo se resolve com pagamento em dinheiro. Tudo tem um preço. O problema é que o custo de trabalho fica extremamente elevado. Com isso, as empresas brasileiras são muito pouco competitivas. Os salários são altos, não em termos absolutos, mas em comparação com a produtividade — diz Camargo.

Gabriel Ulyssea, professor da PUCRio, também diz que aumento de ações em tempos de crise é esperado e acredita que uma flexibilização da lei seria benéfica para o ambiente de negócios:

— (Para melhorar o mercado de trabalho), a economia precisa se recuperar. Mas a flexibilização pode tornar os efeitos adversos menores.

O Globo – 02/03/2016

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Produção reduzida

Após acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, a Mitsubishi Motors decidiu interromper a produção dois dias por semana na fábrica de Catalão (GO), na tentativa de evitar novas demissões de empregados. Segundo a empresa, a medida será mantida até junho. No período, a unidade passará a operar de terça a quinta-feira, no regime de banco de horas, sem desconto nos salários. “A diminuição da jornada de trabalho é válida somente para a produção. O setor administrativo continua trabalhando”, informou a empresa, por meio de nota.

Segundo Thiago Cândido Ferreira, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Catalão (Simecat), ao longo de 2015, devido à crise econômica, houve queda superior a 21% na produção de veículos. Na fábrica de Catalão, onde são montados 85% dos modelos da Mitsubishi vendidos no país, outubro foi o pior mês, com mais de 400 demissões. “De julho para cá, mais de mil pessoas foram cortadas. Por isso, concordamos em instituir o sistema de banco de horas, com o compromisso da empresa de não demitir”, contou.

De julho a dezembro, segundo os termos do acordo, os operários vão repor uma hora por dia, metade no início e metade no fim da jornada. A expectativa da empresa, segundo Ferreira, é de que as vendas voltem a se aquecer no início do segundo semestre.

Correio Braziliense – 02/03/2016

Redação On março - 2 - 2016
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