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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017






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Recessão perde força para baixar inflação, diz estudo

O Banco Central fez uma aposta na força da recessão para levar a inflação ao centro da meta em 2017, mas analistas econômicos do mercado estão desconfiados que a desaceleração econômica tenha perdido seus poderes para conter reajustes de preços.

Um exercício matemático e estatístico bem simples feito pela Parcitas Investimentos, uma gestora de recursos de São Paulo, confirma esse ponto de vista de uma forma um pouco mais formal. A gestora calculou como evoluiu ao longo do tempo o número que mede exatamente isso: a força com que desacelerações econômicas baixam a inflação.

Tecnicamente, trata-se do coeficiente da chamada curva de Phillips para o hiato do produto. Ele caiu de 0,2 no período entre 2002 e 2010 para apenas 0,05 no período 2011 e 2015. Quanto menor esse número, menor o poder da recessão para conter os reajuste de preços na economia.

Grosso modo, o número significa que, entre 2002 a 2010, se o crescimento da economia ficasse 1% abaixo da capacidade de crescimento do país (o chamado PIB potencial), a inflação cairia 0,2 ponto percentual. De 2011 a 2015, essa mesma desaceleração da economia teria um efeito bem menor, de apenas 0,05 ponto.

“Isso é uma notícia ruim para o BC”, afirma o economista Marcelo Ferman, sócio da Parcitas. “Quando o BC sobe os juros, gera uma desaceleração da economia, mas ela já não provoca uma queda da inflação tão forte.”

Quanto menor o coeficiente, menos as expectativas explicam a inflação efetiva.

“Quando o BC sobe os juros, um dos objetivos é coordenar as expectativas, mas elas já não são tão importantes para baixar a inflação”, diz Ferman.

Os índices de preços são cada vez mais determinados pela chamada inércia inflacionária. Seu coeficiente aumentou de 0,52 para 0,72 de um período ao outro. Quanto maior esse coeficiente, maior é o peso da inflação passada na inflação futura.

A Curva de Phillips é uma equação matemática que mostra quais são os componentes que tiveram mais peso em explicar altas ou baixas da inflação, incluindo o grau de ociosidade da economia. A ideia básica é, investigando o passado, tentar prever como a inflação ficará no futuro.

A questão central é que, de acordo com o período do passado examinado, pode-se chegar a projeções diferentes para a inflação futura. Quem usa uma base de dados mais ampla, que vai de 2002 a 2015, por exemplo, chega a uma projeção de inflação menor, porque os dados mais antigos mostram um papel ampliado do hiato do produto e das expectativas para baixá-la.

A Parcitas, a título de exemplo, projeta a inflação de 2016 em 7,5%, quando usa como matéria prima dados recentes e antigos, de 2002 a 2015. Quando usa dados de 2010 a 2015, o IPCA projetado 2016 seria maior: 8,5%.

O que aconteceu entre os dois períodos é o que os economistas chamam de quebra estrutural, que no caso pode ser entendido como uma mudança na força com que cada um desses componentes influencia a inflação.

O estudo não investiga as causas dessa quebra estrutural, mas Ferman acha que o enfraquecimento do tripé macroeconômico é uma boa hipótese. A inflação sempre acima do centro da meta nos últimos anos pode ter reduzido o coeficiente das expectativas. A percepção geral de desancoramento fiscal pode ter atingido em cheio o coeficiente do hiato do produto.

Isso significa que a recessão atual não vai baixar a inflação? Ferman diz que uma novidade, nessa recessão, é o aumento forte do desemprego. “Será preciso ver como o desemprego vai afetar a inflação”, diz Ferman.

Valor Econômico – 29/02/2016

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Demanda fraca no país não sugere recuperação nos próximos meses

Demanda fraca nos mercados externo e interno, desconfiança de consumidores e de investidores, alto nível de endividamento das famílias e das empresas, dúvidas sobre a situação fiscal do país, incertezas no cenário político, erros na condução da política econômica…

São muitas as razões que levam especialistas a acreditar que a crise pode se aprofundar ainda mais antes de a economia iniciar uma retomada, não vislumbrada para os próximos meses. Para Fernando Rugitsky, por exemplo, economistas e governo cavam ativamente o fundo do poço .

Leia, abaixo, a análise de Carlos Kawall Leal Ferreira, economista-chefe do Banco Safra e professor da EESP/FGV, foi secretário do Tesouro Nacional e diretor do BNDES.

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Diante da contundente queda do nível da atividade econômica, uma pergunta frequente tem surgido: chegamos ao fundo do poço?

Apesar da desvalorização cambial, a contração da demanda doméstica não sugere uma recuperação econômica nos próximos meses, dado o nível muito deprimido da confiança de empresários e de consumidores.

De modo a aferir o quão próximos estaríamos do “fundo do poço”, a equipe de economistas do Banco Safra construiu um índice de atividade a partir de uma gama de indicadores antecedentes e coincidentes de atividade econômica, como demanda por energia elétrica, produção de veículos, fluxo de veículos em estradas pedagiadas, indicadores de consumo, crédito, confiança e também ligados ao setor de serviços.

Em uma primeira análise, saltou aos olhos o grau de deterioração da atividade econômica observada até o fim do ano passado: estávamos quase três desvios-padrão abaixo da média histórica, pior do que vivemos em 2008-2009. Porém, a boa notícia é que se constatou também que a velocidade da queda parece estar diminuindo, sinalizando uma queda do PIB neste ano em torno de 3%.

Contudo, há uma característica da crise atual que difere daquelas que vivemos desde os anos 1990.

Desde a criação do Plano Real, observou-se uma paulatina expansão da relação crédito/PIB. As crises econômicas vividas em 1998/99 ou 2002/03 não ocorreram em contexto de elevado endividamento de empresas e famílias, o qual se situava em torno de 25% a 28% do PIB. Desde então, a relação crédito/PIB praticamente duplicou, atingindo 54% do PIB.

Para 2016, a expansão dos ativos dos bancos, segundo o Banco Central, pode situar-se em 5%, patamar abaixo da taxa de inflação esperada e muito abaixo da taxa de juros média que corrige o estoque de ativos de crédito (29,8% ao ano ao final de 2015, segundo o BC), resultando em uma forte contração do crédito. Ou seja, a desalavancagem das empresas e das famílias dificultaria a recuperação da economia.

Para avaliar essa questão, criamos um indicador de condições financeiras (curva de juros, índice Ibovespa, câmbio, concessões de crédito e os desembolsos do BNDES).

Esse indicador tem mostrado grande retração desde o final de 2014, situando-se aproximadamente três desvios-padrão abaixo da sua média histórica. Considerando esse indicador, reduzimos nossa estimativa para o desempenho do PIB de 2016 de -2,9% para -3,8%.

É importante também notar que as dúvidas ainda presentes no cenário com relação à situação fiscal, em um contexto de incerteza política, têm contribuído para manter deprimida a confiança empresarial e dos consumidores, mantendo a economia em trajetória de desaceleração.

É mister enfrentar o inadiável conjunto de reformas constitucionais que garantam a sustentabilidade fiscal e que permitam o aumento do produto potencial da economia. Medidas de estímulo fiscal, monetário ou creditício serão inócuas sem o ajuste estrutural.

Folha de S.Paulo – 29/02/2016

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Exportações para a Venezuela despencam

O recuo de 36% nas vendas brasileiras para a Venezuela no ano passado não é a única preocupação dos exportadores brasileiros: a falta de dólares no país tem atrasado pagamentos e a possibilidade de calotes continua real.

Welber Barral, ex-secretário de comércio exterior, explica que a escassez de dólares na Venezuela causa um problema de “liberação de recursos”. “Eles [o governo] demoram para entregar as divisas para os importadores, o que atrasa os pagamentos e as próprias exportações”.

Nos últimos anos, os empresários brasileiros têm exigido pagamentos antecipados ou garantias bancárias para, então, realizar negócios com a Venezuela. O movimento é uma forma de se defender de calotes.

Segundo Carlos Pio, professor da Universidade de Brasília (UNB), a possibilidade de o governo venezuelano não pagar suas dívidas existe e poderia afetar companhias brasileiras. “O BNDES financia empreiteiras que fazem obras no país e, caso o governo de lá não faça o pagamento pelos serviços, poderia surgir um problema”, exemplifica.

Entretanto, o especialista ressalta que não haveria grande impacto sobre a economia brasileira, já que as vendas para a Venezuela “tem pouca representatividade dentro da pauta de exportação”.

Os embarques diminuíram 36% no ano passado, para US$ 2,986 bilhões, ante US$ 4,632 bilhões no período anterior. Assim, a receita obtida pelo Brasil com exportações para a Venezuela, em 2015, foi a menor dos últimos dez anos.

“Não existe perspectiva de melhora, a economia venezuelana é muito dependente da exportação de petróleo e a queda das cotações limita a capacidade de compra do país”, analisa Barral.

Já Pio destaca um desarranjo no setor público venezuelano. “Eles não têm uma economia dinâmica. A participação privada foi reduzida, a produtividade é baixa e também existe um grande caos nas contas públicas.”

Para o professor, uma saída para empresários brasileiros é buscar “mercados alternativos ao venezuelano, que não se encontrem em uma situação de quase default”. Pio diz que outros países latino americanos, “como Peru e Chile”, são possibilidades interessantes para os exportadores.

Credores

A Venezuela realizou um pagamento de US$ 1,5 bilhão a seus credores internacionais na última sexta-feira, no momento em que o país com dificuldades de caixa reúne fundos para evitar um default. Os preços do bônus em questão, emitido pelo país há uma década, subiram para o valor de face na sexta-feira, segundo operadores, o que sugere que o governo venezuelano realizou os pagamentos por meio de uma agência de compensação.

Ainda que o pagamento não tenha sido uma surpresa para analistas e investidores, mostra novamente a disposição do governo em continuar a rolar os US$ 120 bilhões de dívida externa, temendo que um default possa levar o país a perder o controle da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). A companhia provê quase toda a moeda estrangeira que a Venezuela necessita para importar todo o tipo de mercadorias, de leite a partes de máquinas.

DCI – 29/02/2016

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Brasil precisa fazer lição de casa

O que for feito no G-20 para impulsionar a economia mundial ajudará o Brasil, mas o país precisa fazer seu dever de casa. Esse era o sentimento entre importantes participantes no G-20 em Xangai.

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, considerou que o Brasil está em linha com as conclusões do G-20 sobre ações pela recuperação do crescimento e que não precisa de medidas adicionais. “No caso do Brasil, as medidas estão sendo colocadas”, disse, em referência ao plano de reforma da Previdência, ao limite dos gastos e ao aumento da receita com a CPMF. “O desafio é encontrar consenso político em torno dessas medidas.”

Para Barbosa, cooperação no âmbito do G-20 é fazer reformas que sejam mutuamente positivas, dando como “exemplo claro” a Argentina. Lembrou que a decisão do novo governo, de fazer maior abertura e mais flexibilidade cambial, tem efeito positivo na América Latina e ajuda a normalizar e aumentar o comércio com o Brasil.

No G-20, houve manifestação positiva de todos com o governo de Maurício Macri. Vários ministros fizeram sinalizações favoráveis para a Argentina, o que poderá ajudar o país na volta aos mercados financeiros internacionais.

Mas o IIF avalia que a recessão no Brasil vai se aprofundar e, como a Argentina é altamente exposta à contração no Brasil, isso tornará “as correções de políticas mais duras” em Buenos Aires.

Valor Econômico – 29/02/2016

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Não há um novo acordo de capital no radar, diz Tombini

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, cobrou no G-20 mensagem clara de que não existe nenhum “acordo de Basileia 4” em discussão, que ampliaria a regulação sobre os bancos.

No debate sobre reforma regulatória, em Xangai, a ênfase de Tombini foi de que as maiores economias do mundo devem manter o foco no que já foi decidido e divulgado, como a adoção completa do “acordo de Basileia 3”, o conjunto de reformas que fortaleceu a regulação, supervisão e gestão de riscos dos bancos.

O presidente do BC considerou ser preciso dissipar incertezas sobre possibilidade de novas medidas na área de regulação bancária, enfatizando a inexistência de discussão sobre um futuro acordo de Basileia 4, conforme relato de seu porta-voz.

Para o presidente do BC, os avanços na regulação bancária e financeira, no rastro da pior crise dos últimos tempos, foram importantes para dar maior solidez e resiliência ao sistema financeiro em escala global.

Mas ele alertou que incertezas sobre a ampliação da agenda regulatória poderiam resultar num comportamento eminentemente defensivo das instituições bancárias, e isso acabaria dificultando a recuperação econômica global.

Propostas recentes do Comitê de Basileia de Supervisão Bancária (CBSB), para restringir, por exemplo, o uso pelos bancos de modelos internos para determinar seus requerimentos de capital e limitar sua liberdade para medir riscos, provocaram forte reação entre instituições financeiras, que passaram a ver nisso uma antecipação de Basileia 4.

O presidente do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês), Mark Carney, já veio a público dizer que algumas medidas que ainda precisam ser tomadas, como a constituição de fundos próprios dos bancos, significam apenas a continuação de Basileia 3 e não o ponto de partida de uma nova onda regulatória.

Mas isso parece não ter atenuado o temor dos bancos.

No G-20, em Xangai, o FSB incluiu a inovação em tecnologia financeira na sua lista de monitoramento. O orgão vai começar a examinar se o crescimento desse segmento trás riscos para o sistema financeiro, seus intermediários e consumidores.

Em carta aos ministros das finanças e presidentes de BCs do G-20, Mark Carney avalia que certas dificuldades no setor financeiro também refletem preocupações de que vários bancos tenham feito mais para ajustar seus modelos de risco de curto e longo prazo à baixa de juros do que ao reforço da regulação bancária internacional.

Para ele, as recentes turbulências nos mercados servem para ilustrar a importância de seguir avançando na construção de instituições e mercados resistentes.

“Autoridades também precisam permanecer vigilantes a novos riscos e vulnerabilidades para assegurar que os mercados sejam apoiados por infraestrutura financeira robusta”, diz Carney.

Na participação no G-20, na sessão sobre arquitetura financeira internacional, Tombini destacou a recente ratificação das reformas de 2010 do FMI pelo Congresso americano. Isso permitiu ao Fundo dobrar seus recursos próprios e ampliar a representação de países emergentes. Mas o presidente do BC cobrou que a 15ª revisão geral de cotas do FMI seja concluída até outubro de 2017, o que daria mais recursos ao Fundo e maior representatividade dos países emergentes e em desenvolvimento.

Valor Econômico – 29/02/2016

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OCDE pede mais reformas para evolução

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apelou à aplicação de reformas estruturais para relançar o crescimento mundial “lento”, num relatório apresentado em Xangai na reunião do G-20, durante o encontro entre ministros das Finanças/Fazenda e membros de bancos centrais

Durante o encontro, os líderes fizeram muitos comentários tranquilizadores, mas não houve sinais de que estímulos de política econômica realmente podem estar a caminho. Por isso, num contexto de perspectivas económicas moderadas há uma boa argumentação para dar prioridade às reformas que, além de estimularem o emprego e a produtividade, possam apoiar melhor a actividade económica a curto prazo, avalia a organização.

Para a OCDE, não basta aumentar “os investimentos em infraestruturas públicas” para relançar a economia.

A Organização defende a redução dos obstáculos à entrada nos setores de serviços com menos procura, a introdução de alterações nos direitos relacionados com os benefícios de saúde e pensões e também nas políticas de habitação e nos programas de procura de emprego. A OCDE sublinhou também que para que as reformas estruturais dêem frutos a curto prazo há que resolver as “disfunções pendentes do setor financeiro”. Na Europa, a organização defende maior sincronização das reformas na zona euro que “contribuam para reduzir os custos de transição e permitam maior margem de manobra”.

DCI – 29/02/2016

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China se compromete com G-20 a não desvalorizar yuan

A China saiu da reunião do G-20, realizada neste fim de semana, com um novo voto de confiança dos principais parceiros comerciais globais, ao anunciar que não vai desvalorizar significativamente o yuan.

O premier chinês Li Keqiang, e o presidente do banco central do país, Zhou Xiaochuan, atuaram para dissipar as preocupações entre os ministros de finanças e presidentes de bancos centrais do G-20, de que a sua estratégia econômica depende do corte da taxa de câmbio do yuan.

A mensagem de que Pequim não tem “qualquer intenção, qualquer determinação, qualquer decisão de desvalorizar o yuan” foi ouvida “alta e clara”, disse Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), após as reuniões do G-20 em Xangai, na China.

A ansiedade global cresceu nas últimas semanas, com a expectativa de que a China faria uma desvalorização mais forte do yuan, por conta do mais lento ritmo de crescimento da economia do país dos últimos 25 anos.

Logo antes de as conversações formais começarem, Zhou foi diretamente ao ponto, em inglês: “Não há nenhuma base para persistente depreciação (do yuan), a partir da perspectiva dos fundamentos econômicos”, falou durante fórum de investidores. Em seguida, o premier expôs os planos de uma reforma estrutural durante uma videoconferência com o G-20 no sábado.

Os comentários ganharam elogios do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jacob Lew. “Havia uma necessidade real de que esse comunicado fosse feito, porque as conversas particulares não ajudaram a esclarecer muitos observadores, que queriam saber o que a China estava tentando realizar”, disse ele.

Neste domingo, Lew fez questão de ressaltar que tal franqueza não deve ser um evento único, e completou, durante uma reunião com o vice-premiê Wang Yang, em Pequim, que é fundamental que a política cambial da China seja transparente, e que Pequim precisa “comunicar claramente suas ações para o mercado”.

O G-20 apontou a volatilidade nos mercados de capitais, a queda dos preços das commodities e uma saída potencial da Grã-Bretanha da União Europeia como ameaças que poderiam provocar uma recessão global. O grupo não mencionou explicitamente a China. Os chefes financeiros prometeram acelerar as revisões econômicas e “usar todas as ferramentas políticas, monetárias, fiscais e estruturais” para reforçar o crescimento, aumentar o investimento e garantir a estabilidade dos mercados financeiros.

Os mercados globais passam por turbulências nos últimos meses, em meio a uma perspectiva de piora no crescimento mundial, a fraca demanda global e as dúvidas sobre a economia da China, que pode estar em um ritmo de desaceleração mais rápido do que Pequim reconhece. O FMI alertou, na semana passada, que provavelmente vai rebaixar ainda mais a sua previsão de crescimento nos próximos meses. “Há claramente um sentido de urgência renovada”, disse Lagarde, depois da reunião.

O Estado de S.Paulo – 29/02/2016

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Falta de competitividade pode minar avanço das exportações

Os transformadores da cadeia petroquímica já começam, diante da retração da economia brasileira, a pensar em alternativas para aumentarem suas exportações, mas ainda citam uma série de entraves à competitividade que podem minar os esforços do setor.

“O câmbio atual traz a indústria nacional de volta para um patamar bom de competitividade. Isso tem efeitos sobre toda a cadeia, mas só esse movimento não basta, porque fechamos nossas portas durante muitos anos e perdemos nossos canais de saída para o mercado internacional”, avalia o diretor do negócio de polipropileno da Braskem, Walmir Soller. O executivo, responsável pela produção de uma das resinas mais utilizadas como matéria-prima pelo segmento, afirma que existe entre os empresários uma movimentação em busca de caminhos para exportar e um desejo de desenvolver oportunidades de diversificação, mas pondera que a efetivação do processo em escala ainda deve demorar a ser plenamente desenvolvida.

A Videolar-Innova, fabricante de polímeros termoplásticos, monômeros, solventes e filmes plásticos, é um exemplo de empresa que vem aumentando seu ritmo de exportações e investindo na substituição das importações para tentar manter o nível de utilização da capacidade instalada de suas fábricas. No ano passado, a companhia enviou a clientes do exterior cerca de 8% da sua produção, volume que pretende ampliar neste ano, afirma o presidente da empresa, Lírio Parissoto.

Segundo o executivo, o objetivo será alcançado por meio de uma estratégia de diversificação de produtos, de estímulos às vendas no mercado internacional e de aproximação com parceiros da América Latina para o fornecimento constante de materiais. A companhia se prepara agora para dar início em maio à sua fabricação de poliestireno expansível (EPS), tradicionalmente conhecido como Isopor, na unidade de Triunfo (RS). O grupo poderá embarcar parte das 25 mil toneladas que serão produzidas por ano do polímero e vender o restante para clientes internos, substituindo o produto importado.

A maior oportunidade para as exportações “é uma verdade, mas precisa ser entendida com a devida dimensão das dificuldades envolvidas na exportação de commodities petroquímicas”, avalia Parissoto. Ele cita como principal entrave à competitividade brasileira o preço da nafta negociada no País, matéria-prima mais utilizada pelo setor e que é mais cara do que algumas alternativas usadas no resto do mundo. “Ainda assim, é uma frente possível e um esforço que a Videolar-Innova está empreendendo”, garante ele.

Para Soller, da Braskem, também falta ao empresário brasileiro do setor petroquímico uma “cultura para a exportação”, que foi perdida nos anos em que a economia brasileira cresceu e o real estava muito valorizado. Falta para algumas companhias, de acordo com ele, uma maior capacitação e mais meios de se relacionar com potenciais compradores internacionais, problemas que começam a ser resolvidos, mas ainda devem tomar alguns anos para serem ultrapassados.

“Por mais que haja preços competitivos, e vemos isso em alguns segmentos, nem sempre o industrial sabe como exportar”, aponta o diretor. “Na área de transformação, temos ainda muitas empresas familiares, onde é mais difícil esse processo. Tudo isso traz uma complexidade que vai levar um tempo para ser vencida.”

Outro entrave apontado por ele é a falta de uma linha de financiamento que estimule as exportações, uma vez que o aumento recente dos juros elevou os custos de capital no Brasil. Como o processo de envio ao exterior demora mais do que uma venda interna, as empresas precisariam de mais recursos guardados em caixa caso aumentassem seus embarques, explica ele, o que se torna mais difícil com a economia em retração e exigiria a tomada de recursos a taxas mais competitivas do que as do mercado.

A Braskem, interessada nos ganhos que teria com o desenvolvimento da cadeia já que é a principal fornecedora de resinas no País, desenvolveu um projeto de estímulos à exportação dentro do seu programa de incentivos PICPlast. Soller conta que a iniciativa tem como principais eixos a formação de trabalhadores para que conheçam o processo de exportação, a pesquisa de nichos do setor nos quais os brasileiros podem se inserir o exterior e o estabelecimento de projetos com transformadores para a inserção de produtos em determinados mercados. Nos últimos dois anos, R$ 80 milhões foram investidos no programa, que atende cerca de 900 empresas.

Transformação plástica

Para as companhias que atuam na ponta da cadeia, produzindo plásticos que serão destinados para a indústria ou para os consumidores finais, o cenário é ainda mais difícil, sinaliza o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho. De acordo com ele, as exportações do segmento, de fato, têm aumentado, mas ainda representam um volume muito baixo na comparação com o total produzido pelas indústrias.

Na avaliação dele, a competitividade do setor fica muito comprometida diante da “proteção” que existe no mercado de matérias-primas. O fato de só existir uma empresa no País que fornece nafta e uma que produz as resinas termoplásticas utilizadas como insumo, aliado às tarifas antidumping colocadas no Brasil contra a importação de polipropileno e policloreto de vinila (PVC), faz com que a cadeia pague por um dos materiais mais caros do mundo.

Dificultando a situação, a Braskem assinou um acordo de cinco anos com a Petrobras no final do ano passado para o fornecimento de matéria-prima a um preço que a própria petroquímica considerou não condizente com a realidade da indústria. Após anos de negociação, empresa aceitou pagar à estatal uma nafta precificada pela cotação do mercado europeu, um dos mais caros do mercado.

Além disso, aponta Roriz, os custos da indústria petroquímica com energia elétrica aumentaram, em média, 80% no último ano. A alta mais do que neutralizou os benefícios da valorização do dólar, que teve alta de cerca de 40% frente ao real desde fevereiro de 2015.

“Estamos fazendo todo um esforço para exportar mais, buscando nichos de mercado, produtos onde custos envolvidos não tenham impacto tão grande sobre preço do produto a ser vendido”, afirmou o presidente da Abiplast, que é parceira da Braskem no PICPlast. “Em alguns setores, poderíamos exportar diretamente, como o de utilidades domésticas e brinquedos, mas ainda não temos competitividade para isso. Indiretamente poderíamos estar exportando plásticos por meio de indústrias que são nossas clientes, como a de automóveis, de produtos da construção civil, e de embalagens, mas esses segmentos estão passando por muitas dificuldades também.”

Dados

De acordo com dados da associação, as exportações do setor de transformados plásticos cresceram 8,8% em 2015, mas o resultado não foi capaz de mitigar a queda da produção, que recuou 8,7% no ano passado. No elo mais inicial da cadeia, de químicos e petroquímicos, os embarques aumentaram 10,6% no mesmo período, informou a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

O Brasil exportou em janeiro US$ 304 milhões em polímeros e produtos plásticos, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), uma alta de 15% na comparação com 2015.

DCI – 29/02/2016

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Redação On fevereiro - 29 - 2016
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