Sindicato Nacional da Indústria de
Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos

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Sbado, 18 de Novembro de 2017






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Confiança da indústria recua ao menor nível em cinco meses, aponta FGV

SÃO PAULO  –  O Índice de Confiança da Indústria caiu 1,5 ponto em fevereiro para 74,7 pontos, menor nível desde setembro de 2015.

De acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV), o recuo ocorreu em 10 dos 19 setores pesquisados e foi puxado pelo indicador de expectativas (IE) que caiu 2,8 pontos para 72,6, menor nível da série.

O índice de situação atual (ISA) também reforçou a retração da confiança ao cair 0,5 ponto, para 77,1 pontos.

Para a FGV, o resultado do mês reforça a avaliação de que a recuperação da confiança nos últimos meses não se sustentaria até o fim do semestre.

“A queda do ICI devolve mais da metade da alta acumulada entre o mínimo histórico, ocorrido em agosto, e o mês passado. Além de sinalizações de que a demanda interna continua enfraquecendo, a pesquisa mostra uma piora expressiva das expectativas em relação aos próximos meses”, destacou, em nota, Aloisio Campelo Jr., superintendente adjunto para ciclos econômicos da FGV.

Entre os indicadores que derrubaram as expectativas, a maior influência veio do que mede o ímpeto dos empresários em contratar nos próximos três meses, que caiu 5,2 pontos. Para a FGV, o número indica a continuidade no ajuste de pessoal na indústria.

A maior contribuição para a queda do ISA foi a piora do indicador que mede a satisfação com o nível de demanda atual, que caiu 2,3 pontos, para 74,8 pontos, o mínimo histórico.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) recuou 0,5 ponto percentual em fevereiro, atingindo 73,6%, o menor nível da série histórica iniciada em 2001.

A sondagem da indústria de fevereiro coletou informações de 1.101 empresas entre os dias 1º e 24 deste mês.

Valor Econômico – 29/02/2016

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Com empresário mais conservador, estoque e confiança ficarão estáveis

Os principais setores econômicos afirmam que ainda não há nenhuma sinalização de retomada no curto prazo, mas que indicadores de confiança e de estoques ficarão mais estáveis por conta do conservadorismo do empresariado.

Vitor França, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), diz que ainda há um percentual relevante de empresas do comércio que estão com o estoque acima do desejado, mas que a tendência é de estabilização ao longo do ano.

Segundo ele, diferentemente do que ocorreu em 2015, o planejamento das empresas está mais adequado ao cenário recessivo.

“A gente espera que o fim do ciclo de ajuste nos estoques do varejo chegue ao fim em 2016. Porém, esse processo está se dando mais por um conservadorismo dos empresários, que estão reduzindo os seus pedidos junto à indústria, do que por motivos de retomada econômica”, esclarece França, destacando que nenhum indicador da entidade sinaliza recuperação nos próximos meses.

“Ao longo de 2015, foi bem mais difícil para o comércio desovar estoque, porque os empresários ainda não tinham ideia da magnitude da crise e os seus planejamentos refletiam essa postura. Agora, nota-se que a tomada de decisões já está levando em conta o cenário mais pessimista”, acrescenta França.

Dados da FecomercioSP mostram que, no varejo paulista, 35,7% das empresas estão com estoque acima do desejado neste mês, percentual menor do que o registrado em janeiro deste ano (37,3%). Porém, a proporção é maior do que em relação a verificada em fevereiro de 2015 (29,4%).

Na indústria

Renato da Fonseca, gerente de pesquisa e competitividade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), conta que o estoque da indústria também vem se ajustando e que isso pode ser bom quando a economia voltar a crescer. “Em momentos de retomada, a produção industrial responde mais rápido se o estoque estiver em baixa”, comenta Fonseca.

Os dados mais atualizados da entidade apontam que, em janeiro deste ano, houve recuo de 1,6 ponto (a 48,7 pontos) no nível do estoque da indústria em relação a dezembro. Quando este índice cai, significa que o estoque industrial está se ajustando à demanda.

Confiança

O representante da CNI também avalia que não há nenhum indicador que aponte recuperação, apesar do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) vir apresentado melhora desde dezembro. Naquele mês, o ICEI, que vai de 0 a 100 pontos, fechou em 36,0 pontos e, em fevereiro, avançou para 37,1 (abaixo de 50 pontos indica falta de confiança do empresário).

Fonseca explica que a alta no indicador não aponta uma recuperação do otimismo, mas uma “estabilidade do pessimismo”, tendo em vista que o índice já caiu bastante nos últimos dois anos. Em fevereiro de 2014, por exemplo, o ICEI registrava 52,4 pontos e, no mesmo mês de 2015, caiu para 40,2. “O que está acontecendo é que a percepção do empresário está piorando menos do que há seis meses atrás. A falta de confiança ainda permanece. De qualquer forma, o ICEI é único indicador nosso que está variando positivamente”, completa Fonseca, lembrando que já se percebe uma recuperação da exportação de manufaturados, o que é positivo para a indústria neste momento.

No comércio, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) também vem avançando desde novembro, quando registrou 72,76 pontos. Em fevereiro de 2016, o indicador subiu para 74,53.

O maior ajuste, entretanto, ocorrerá no mercado de trabalho, diz Vitor França, indicando que o Brasil deve perder mais 2,8 milhões de postos formais de emprego. No ano passado foram 1,5 milhão. Grande parte das demissões acontecerão no primeiro semestre, o que deve provocar uma reestruturação das empresas.

DCI – 29/02/2016

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Setor de construção civil ainda está sem perspectivas de retomada

Os números são impactantes e dão uma dimensão da crise que está atingindo de forma bastante intensa a construção civil brasileira

Ana Maria Castelo

Em 2015, o total de empregados com carteira na construção caiu 11,2% em relação ao ano de 2014, configurando o segundo pior resultado entre os setores. Na comparação de dezembro contra dezembro, houve a redução de mais de 480 mil postos de trabalho. O PIB da construção deve ter sofrido queda da ordem de 8% no ano passado.

Os números são impactantes e dão uma dimensão da crise que está atingindo de forma bastante intensa a construção civil brasileira. Quer dizer, atingiu em 2015 e deve continuar em 2016, uma vez que de acordo com a percepção dominante dos empresários, a atividade continuou se retraindo nos dois primeiros meses do ano.

A sondagem da construção da FGV/IBRE indicou que em janeiro e fevereiro, o índice deconfiança das empresas seguiu recuando: seus dois componentes, o índice de situação atual (ISA) e o de expectativas (IE) atingiram o piso da série histórica iniciada em julho de 2010.

Vale notar que a queda mais intensa tem sido mostrada pelo ISA, que em 12 meses caiu 17,7 pontos. Uma carteira de contratos muito abaixo do normal tem determinado uma avaliação bastante negativa em relação aos negócios. Assim, a maioria dos empresários mostra intenção de continuar demitindo seus trabalhadores nos próximos três meses, ou seja, omercado de trabalho continuará se retraindo.

A percepção negativa da situação dos negócios atinge todos os segmentos da construção, mas mostra-se mais forte entre os empresários do segmento de edificações, que tem o pior índice de Situação Atual. Renda das famílias em queda e condições de crédito mais difíceis estão contribuindo para que os estoques no mercado imobiliário permaneçam elevados. Os distratos têm crescido, complicando ainda mais o cenário. Na área corporativa, a combinação estoques altos e retração severa da atividade torna o quadro também bastante difícil.

Entre os empresários da infraestrutura, os sucessivos cortes nos investimentos públicos explicam a percepção bastante ruim da situação dos negócios. Vale notar que em fevereiro, 64% dos empresários indicaram que a atividade diminuiu nos últimos três meses.

Enfim, diversos indicadores mostram que a percepção dominante dos empresários é muito negativa, o que sinaliza a continuidade do movimento de encolhimento do setor para os próximos meses. Ou seja, não se vislumbra ainda uma acomodação da atividade, mesmo que em patamar baixo.

Entre as dificuldades sinalizadas pelos empresários nos últimos 12 meses, o item Demanda Insuficiente se mantém como o mais assinalado (54,6%).

Vale notar que tem se destacado o item Outros, que assumiu a segunda posição entre as assinalações dos empresários. Nesse grupo, vem tendo destaque a citação à Incerteza no Cenário Macroeconômico. Em contrapartida, a preocupação com a Escassez de Mão de Obra Qualificada, refletindo a menor demanda por trabalhadores, atualmente está entre os itens de menor importância – há dois anos, era o maior fator impeditivo ao crescimento dos negócios das empresas da construção.

Fonte: Infomoney

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Recuperação vira ‘atalho’ para falência

A forte retração da economia brasileira acelerou a quebra de várias empresas que entraram em recuperação judicial no ano passado. Sem acesso ao crédito e com consumo em queda, elas não conseguiram aprovar seus planos de recuperação – ou não cumpriram as regras previstas em lei – e entraram em falência, segundo levantamento feito pelo Instituto Nacional de Recuperação Empresarial (INRE). A fatia de empresas que fracassaram na recuperação judicial aumentou de 25%, em 2014, para 38%, em 2015.

No ano passado, 1.267 empresas recorreram à Justiça para tentar se recuperar e entrar num acordo com os credores – um aumento de 45% comparado ao ano anterior.

Segundo o Instituto, os setores mais afetados foram comércio, serviços e indústria. “O ambiente empresarial piorou muito no último ano, com a escassez de crédito e a queda na confiança do brasileiro. Além disso, grandes projetos pararam (criando uma onda de inadimplência)”, observa o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Carlos Henrique Abrão, conselheiro fundador do INRE.

Ele avalia que o cenário para 2016 é de contínua alta do número de empresas em recuperação judicial e falência. “O retrato dos dois primeiros meses do ano, comparado a 2015, mostra que já houve um aumento de 17% nas recuperações e 25% nas falências.” O desembargador afirma que, no último ano, um movimento que surpreendeu foi o da falência de empresas maiores em recuperação judicial.

Normalmente, diz ele, essas companhias têm mais “gordura” para queimar num processo de recuperação.

A Operação Lava Jato, que investiga corrupção em contratos da Petrobrás, ajudou nesse movimento. A construtora Schahin, por exemplo, corre o risco de entrar em falência depois que uma classe de credores não aceitou seu plano de recuperação judicial. Outras empreiteiras em recuperação também podem ter problemas, pois não estão conseguindo se desfazer de ativos importantes para ajudar a fortalecer os negócios da companhia e também pagar os credores. “Há bons ativos à venda e que não estão sendo comprados por causa da crise interna e da falta de confiança dos investidores”, afirma o advogado da Emerenciano, Baggio & Associados, Sergio Emerenciano.

Apesar desse crescimento, as empresas menores continuam sendo as que têm menos sucesso no processo judicial – são responsáveis por cerca de 80% das falências. Além de uma situação financeira mais frágil e menos recursos para recorrer, como a venda de ativos, essas companhias não estão preparadas para um processo judicial.

“Os prazos da recuperação são curtos. As empresas têm 60 dias para apresentar o plano de recuperação, com todas as condições para o pagamento dos credores e para se reerguer”, afirma o advogado Paulo Nasser, sócio da área cível do escritório Miguel Neto Advogados. Segundo ele, muitas vezes, as empresas começam a negociar com os bancos e não pensam que podem ter de recorrer a uma recuperação judicial. “Quando acordam, já estão com pouco tempo para todo o processo.”

Na avaliação do advogado Fabio Braga, sócio da área bancária e reestruturação da Demarest Advogados, a complexidade das negociações de uma recuperação judicial dentro de uma empresa pequena é bem maior. “Numa companhia grande, há uma visão mais organizada.” Segundo ele, no entanto, uma recuperação judicial é difícil para qualquer empresa se o cenário não é favorável, como ocorre hoje no Brasil.

“Se o mercado não reage, a recuperação da empresa fica mais difícil e os credores, mais exigentes”, diz Braga.

O gerente executivo de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, afirma que, num ambiente de encolhimento da demanda, não é nada fácil uma empresa em recuperação de competir com uma saudável. “Não temos levantamento sobre falência no setor, mas nas sondagens percebemos que condições financeiras, como faturamento e lucratividade, são as piores dos últimos tempos.”

O Estado de S.Paulo – 29/02/2016

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Recessão reduz rotatividade da mão de obra

Os brasileiros trocaram menos de emprego no ano passado. A combinação de recessão e endurecimento das regras para concessão de seguro-desemprego, na avaliação de alguns especialistas, provocou queda de quase dez pontos percentuais na taxa de rotatividade em 2015 -de 52,5% para 42,9%. Ainda que parte dessa retração seja conjuntural, decorrente da desaceleração da atividade e do número menor de oportunidades, a dinâmica representa economia expressiva para as empresas, que cortam gastos com treinamento e retêm mão de obra mais qualificada.

O cálculo, feito pelo Valor com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), sinaliza uma tendência, já que a base usada pelo Ministério do Trabalho, a Relação Anual de Informação Sociais (Rais), ainda não tem dados atualizados de 2015.

No ano passado, mesmo diante de saldo negativo de 1,5 milhão de vagas com carteira assinada, lembra o professor da Universidade de Brasília Carlos Alberto Ramos, o total de desligamentos no país caiu 9,5%, somando 19,3 milhões de separações. Foram as contratações, que encolheram 18,3%, as principais responsáveis pela redução do estoque de trabalhadores formais para 39,6 milhões, nível parecido ao registrado em 2012.

Esse duplo movimento, explica o professor, tende a aumentar o tempo médio de serviço dos trabalhadores que se mantiveram empregados – algo que será visível na divulgação da Rais, no segundo semestre – e, portanto, reduzir a rotatividade. “Mas a pergunta é: por que os desligamentos estão caindo?”, questiona Ramos.

Para ele, há duas explicações possíveis. De um lado, muitas empresas tentam preservar os quadros de funcionários para evitar os custos de demissão e recontratação durante a retomada. Diante de uma recessão mais longa, contudo, crescem as chances de que esses desligamentos se concretizem.

O tipo de demissão que tende a continuar caindo é o feito com a anuência do trabalhador – a pedido dele ou por meio de acordo com a empresa. “Os assalariados estão mais prudentes e temerosos na hora de pedir desligamento porque sabem que encontrar outro emprego com carteira está difícil”.

Essa foi a explicação encontrada pela empresa de telemarketing AlmavivA para a redução do “turnover” mensal de uma média de 5% para 1,8% nos últimos meses de 2015. “Muita gente sai nesse período para trabalhar no comércio, ganhar um dinheiro extra. Mas o que vimos no ano passado foi algo diferente”, diz Francesco Renzetti, presidente da empresa, ao falar sobre a queda no número de desligamentos a pedido.

Em expansão no país, a companhia italiana tem aqui cerca de 32 mil funcionários, 18 mil só no Nordeste, e tem intensificado desde o fim de 2014 as políticas de fidelização, com ênfase em cursos de formação e desenvolvimento de planos de carreira. “A queda da rotatividade, para nós, não é só reflexo da crise”, comenta. A matriz na Itália acompanha de perto o indicador, que é levado em conta durante o planejamento orçamentário.

Para o professor da PUC-Rio Gustavo Gonzaga, a legislação trabalhista incentiva a rotatividade no Brasil, fazendo com que ela seja crônica e artificialmente elevada e reduzindo a produtividade da economia. Em estudo publicado recentemente, ele afirma que há uma percepção tanto das firmas quanto dos trabalhadores que ela gera ganhos de curto prazo.

Do lado dos empregados, há o FGTS, que é remunerado a taxas negativas e cuja forma mais fácil de acesso é através da demissão sem justa causa. Ainda que o trabalhador não receba a multa de 40% – caso tenha feito um acordo com a empresa -, o desligamento também lhe dá acesso às parcelas do seguro-desemprego, mais um incentivo, um ganho de renda, destaca o economista.

No caso das empresas, os desligamentos acompanhados pelo Caged aumentam nos períodos de introdução de custos trabalhistas, como o fim do contrato de experiência, em 90 dias, e a obrigatoriedade de homologação da demissão nos sindicatos – com consequente aumento do risco de fiscalização -, em 12 meses.

Parte desses incentivos, contudo, foi reduzida após o endurecimento das regras para concessão do seguro-desemprego em março do ano passado. Entre outras mudanças, a Lei 13.134 elevou o período mínimo para o pedido do benefício de 6 para 12 meses para quem o requere pela primeira vez.

Em 2015, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) habilitou 7,6 milhões de novos segurados, volume 9,6% menor do que o registrado em 2014. A queda teve impacto importante nas contas do fundo, que viu os gastos com o seguro crescerem 3,6% em termos nominais – percentual distante da inflação acumulada no período, de 10,67% -, para R$ 34,4 bilhões. O aumento deve-se basicamente ao reajuste do piso do seguro, que acompanha o salário mínimo, de R$ 724 para R$ 788.

Carlos Henrique Corseuil, coordenador de estudos de trabalho e renda do Ipea, admite que a legislação pode incentivar os acordos e fraudes, mas diz acreditar, com base nos dados do Caged, que ela não explica sozinha a rotatividade elevada no Brasil.

Entre outros fatores, a própria estrutura do mercado de trabalho no país, baseada em uma maioria de postos de baixa remuneração e com baixas exigências de qualificação, não estimula o desenvolvimento de uma relação duradoura entre empregadores e funcionários. “Há uma desconfiança natural das duas partes. O empresário não tem interesse em treinar a mão de obra, oferece condições ruins de trabalho. O funcionário também não vê grandes oportunidades para subir na carreira”.

Ramos, da UnB, também enfatiza a postura das empresas, destacando que boa parte delas, mesmo sabendo que o país tem um problema “conhecido” de baixa qualificação de mão de obra, não investe em formação ou em políticas de fidelização. “A variável rotatividade não é exógena, depende também do empregador, de sua forma de administrar os recursos humanos. Se a falta de formação é tão relevante, por que não utilizam políticas para reduzir a rotatividade?”.

Foi pensando nisso que o grupo Trigo, dono das marcas Spoleto, Domino’s, e Koni Store, passou a investir em iniciativas como o “programa nhoque da fortuna” e o “programa de desenvolvimento trigo”, ambos voltados para o crescimento profissional em todos os níveis. Segundo Claudia Pombal, gerente corporativa de gente e gestão da companhia, o “turnover” da empresa gira em torno de 40%, contra 120% na média do varejo alimentício.

A rotatividade manteve-se estável em 2015, ela afirma, mas em muito por conta dos desligamentos feitos pela própria empresa. As demissões a pedido, conta Claudia, desaceleraram de forma expressiva no ano passado, distanciando-se do período, algum anos atrás, em que a empresa perdia empregados inclusive para o setor da construção civil. O grupo conta 33 lojas próprias com mil funcionários e outras 630 franquias com mais de 7 mil colaboradores.

Valor Econômico – 29/02/2016

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Mais de 46 mil afetados pela crise da mineração

Único setor industrial a fechar com números positivos em 2015, a indústria extrativa sucumbiu à crise e desabou, com o preço das commodities no mercado internacional, ameaçando milhares de empregos no país. Em Goiás, duas grandes mineradoras anunciaram medidas drásticas. A Votorantim Metais está fechando uma unidade com cerca de 1 mil funcionários e 3,5 mil terceirizados. E a Anglo American colocou à venda todas as minas e plantas que mantêm no estado, onde trabalham 7,1 mil empregados diretos e indiretos. A preocupação é com o futuro incerto para mais de 46 mil brasileiros, uma vez que cada emprego, em média, garante o sustento de quatro pessoas.

O temor ronda quatro cidades — Niquelândia, Barro Alto, Catalão e Ouvidor —, nas quais a indústria extrativa tem forte participação econômica. A situação é mais crítica em Niquelândia, município de 42 mil habitantes, no Norte de Goiás, onde a Votorantim já começou a demitir. O presidente do sindicato dos trabalhadores nas indústrias extrativas da cidade, o Sitien, Geraldo Lopes, explica que 140 mineradores perderam os empregos em fevereiro, quando a empresa encerrou o processo de lavra. Até maio, mais de 600 funcionários devem ser desligados. “Mas não é só isso. São 3,5 mil terceirizados de empreiteiras e cooperativas que vão perder contratos. Até o padeiro é atingido por essa situação”, assinala.

Lopes ressalta que serão mantidos cerca de 150 funcionários para a manutenção da empresa. “A proposta da companhia é que, se a tonelada do níquel atingir US$ 13 mil, o processo volta a ser rentável e eles retomam as operações”, explica. “A tonelada chegou a US$ 56 mil e desabou para US$ 8,5 mil”, emenda Lopes.

A Votorantim Metais afirma que vai suspender “temporariamente” suas operações de níquel no país. “Os preços das commodities atingiram os piores patamares desde 2003. O do níquel, por exemplo, caiu 40% em 2015. A suspensão está sendo realizada de forma gradual e, no mês de maio, todo o processo deve ser concluído”, afirma a companhia, em nota.

O sindicalista explica que a mineradora prometeu aproveitar mão de obra qualificada. Em nota, a Votorantim diz que 204 pessoas foram entrevistadas para 87 vagas em outras unidades. “É pouco, para o contingente que vai ficar desempregado. De agosto para a frente, quando finalizarem os processos de demissões, a cidade vai sentir muito mais”, preconiza Lopes, presidente do Sitien.

Com 11 anos de trabalho na Votorantim Metais e outros 13 transportando os funcionários da companhia, o motorista Roberto Araújo Ferreira, 56 anos, nota que o clima no ônibus está cada vez mais pesado. “Só se fala em demissão, em desemprego. As pessoas estão tristes”, conta. Passageiro de Ferreira e funcionário na Votorantim Metais, Cleiciomar Soares Teixeira, 24, diz nem saber o que fazer. “Estou procurando outro emprego, mas aqui na cidade não encontrei nada. Vou levando, estou meio perdido”, lamenta.

O rastro de desemprego atingiu as terceirizadas. “Na minha empresa, 40 pessoas foram para rua”, diz Alex Ferreira, 25, operador da Isojato, companhia que presta serviço de isolamento térmico e pintura para a Votorantim. “Todo mundo está com medo, gente deixando Niquelândia. O que mais se vê por aí são caminhões de mudança. Eu também terei que me mudar se sobrar para mim porque, nessas horas, a gente tem que ir na frente, deixar a família, até se estabilizar. Uma decisão difícil”, pontua.

Debandada
Com a debandada geral, o comércio e os serviços do município sentiram o baque. No hotel Vale do Níquel, a recepcionista Giseli Abreu dos Santos, formada em turismo, conta que o movimento caiu 90%. “A gente hospedava muito os terceirizados da Votorantim e executivos. Já teve momentos em que faltavam vagas nos 10 hotéis da cidade. Ninguém mais está vindo desde que a companhia anunciou que vai fechar”, revela.

O gerente do posto de gasolina central da cidade Djalmir Costa, 42 anos, afirma que o abastecimento caiu 30%. “O estabelecimento recebia muitos terceirizados da Votorantim, que vinham fazer negócios na cidade e abasteciam aqui. O movimento caiu e deve piorar daqui para frente”, avalia.

O vendedor Lázaro Teixeira Rodrigues, 76, 30 deles à frente da barraca de raízes, ervas e remédios caseiros no centro de Niquelândia, diz que o movimentou despencou 70%. “A crise é geral, mas, em Niquelândia, a agricultura é fraca e a situação está pior porque a indústria daqui está morrendo, a mineração já era, está demitindo. O governo não faz nada para diversificar a economia, tem que criar uma alternativa para essa gente”, observa.

Cai o pano

Único setor positivo em 2015, indústria extrativa sucumbe à crise

Produção industrial
Variação em dezembro de 2015 ante igual período do ano anterior

Setor Acumulado no ano (em %)
Extrativa 3,9
Produtos alimentícios -2,3
Bebidas -5,9
Indústria geral -8,3
Borracha e plástico -9,1
Têxteis -14,6
Veículos -25,9
Informática e eletrônicos -30,0

Demissões e risco
Mineradoras fecham minas em Goiás

* Na unidade da Votorantim em Niquelândia são cerca de 1 mil funcionários diretos e 3,5 mil indiretos, dos quais 140 já foram demitidos e mais 600 devem ser desligados até maio

* A Anglo American quer vender as unidades de Niquelândia, Barro Alto, Catalão e Ouvidor, nas quais emprega aproximadamente 3,5 mil funcionários e 3,6 mil terceirizados

* São 11,6 mil empregos em jogo, sendo que cada um deles garante o sustento de quatro pessoas, o que coloca a situação de 46,4 mil pessoas em risco

Minérios
Confira os principais produtos extraídos nas quatro cidades goianas

* Níquel é usado em celulares, carros, equipamentos cirúrgicos e dentários, eletrodomésticos e em produtos de aço inoxidável

* Fosfato é a base para fertilizantes usados na agricultura

* Nióbio é uma liga que torna o ferro mais leve, maleável e resistente à corrosão e a temperaturas extremas

Fontes: IBGE, Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Extrativa de Niquelândia e Anglo American

Sem aviso prévio
O prefeito de Niquelândia, Luiz Teixeira (PSD), afirma que o impacto do fechamento da mineradora é perceptível no comércio, nos cofres públicos e na autoestima da cidade. “Não tivemos aviso prévio. Foi uma decisão abrupta”, diz. Ele está preocupado com a unidade da Anglo American, colocada à venda. “O carro-chefe da nossa economia é mineração, e a arrecadação está caindo”, anuncia. “Vamos perder R$ 1,5 milhão por mês com a queda no ICMS”, estima. Os royalties da mineração (Cefem) caíram de R$ 400 mil para R$ 150 mil por mês. Com menos terceirizados, o Imposto sobre Serviços (ISS) recuou de R$ 350 mil para R$ 100 mil por mês. “Quando fechar definitivamente, a queda será de R$ 700 mil na arrecadação, ou seja, 10% da nossa receita líquida mensal, de R$ 7 milhões”, explica.

Correio Brasiliense – 29/02/2016

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Sem consenso sobre proposta de flexibilizar as leis trabalhistas

A tese de que as negociações entre patrões e empregados devem prevalecer sobre o garantido em lei, defendida pelo presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Filho, em entrevista exclusiva publicada ontem no GLOBO, encontra eco na Confederação Nacional da Indústria (CNI), representante dos empresários, e em parlamentares da oposição e de alguns partidos da base aliada, mas é criticada por dirigentes das centrais sindicais e representantes do PT, partido da presidente Dilma Rousseff. Na entrevista, Gandra Filho também afirma que a Justiça do Trabalho é muito paternalista.

O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), diz que respeita, mas discorda.
— A solução para a crise não pode ser precarizar o trabalho. Discordo que a Justiça trabalhista brasileira seja paternalista. Acho que ela preserva direitos.

Claro que podemos ter mudanças na lei, mas a solução não é reduzir direitos trabalhistas e sim fazer com que o rico pague imposto e permitir a retomada dos investimentos públicos e privados — disse o petista. — Discordamos da solução que ele apresenta de redução de direitos.

Para o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), a reflexão de Gandra Filho contribui para ajudar os trabalhadores neste momento de crise econômica.
— No regime presidencialista, cabe ao governo a iniciativa do debate e da apresentação de propostas de reformas estruturantes, inclusive a reforma trabalhista comentada pelo presidente do TST. Nesse momento de crise, tudo o que for necessário para reduzir a tragédia do desemprego deve ser examinado e aprovado, sem atingir direitos trabalhistas — afirmou Imbassahy.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende a valorização da negociação coletiva entre patrões e empregados.

— A experiência de países como a Alemanha na crise de 2008 mostra que a negociação coletiva pode ser um importante instrumento para minimizar os impactos da crise sobre o mercado de trabalho. A negociação permite que empresas e trabalhadores ajustem as condições de trabalho, de acordo com a conjuntura nacional, por tempo determinado, e contribui com a manutenção de empregos — afirma a gerente-executiva de Relações de Trabalho da CNI, Sylvia Lorena.

Já dirigentes das centrais sindicais do país veem as propostas com reservas, exatamente por serem apresentadas num momento difícil para os trabalhadores.
— Discutir qualquer reforma numa crise é complicado. Essas posições mais liberais não vão prosperar e haverá oposição das centrais sindicais — diz o deputado e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira, o Paulinho.
Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah, o momento é inoportuno:

— Colocar as teses que o ministro Gandra defende traz mais vulnerabilidade e pode resultar em perda de direitos do trabalhador. Por que não se colocou em debate essas ideias, quando o país vivia em condição de pleno emprego? — questiona Patah.

O senador Romero Jucá (PMDB- RR) comenta que, na regulamentação do trabalho do empregado doméstico, o Congresso avançou na flexibilização de regras, como a possibilidade de o trabalhador reduzir o horário do almoço e sair mais cedo do trabalho e ir para sua casa:
— São ações que ajudam a preservar a sustentabilidade do emprego.

O Globo – 29/02/2016

Redação On fevereiro - 29 - 2016
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