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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






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Aposta estaria nos aços planos especiais e mini-mills

Reestruturação do setor é essencial. Com produção de ações especiais, a Aperam é uma das poucas que está tendo lucros entre as siderúrgicas brasileiras/

Leonardo Francia e Tatiana Lagôa

O futuro da siderurgia tupiniquim passa necessariamente pela retomada do crescimento econômico do País, por investimentos pesados em infraestrutura e por medidas capazes de aumentar a competitividade do Brasil. Porém, há alternativas que podem viabilizar a sobrevivência e a prosperidade do parque siderúrgico nacional do portão para dentro das usinas. Uma delas é a reestruturação do setor com foco na produção de aços planos especiais e mini-mills

“A escala na siderurgia é muito importante e o País sai perdendo nisso. Já existe ociosidade no mercado mundial e fazer investimentos em grandes usinas não faz sentido. Por isso defendo uma nova política siderúrgica para o Brasil, através de aços especiais e mini-mills”, defende o diretor de Desenvolvimento Regional e Infraestrutura do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi), César Medeiros.

Para ele, além do minério com elevado teor de ferro, o Brasil e particularmente Minas Gerais têm níquel, cobre, nióbio, titânio, silício, todos minerais necessários para a criação de ligas especiais de aço. Outro diferencial é que esse tipo de insumo pode ser fabricado em mini-mills, que podem usar o carvão vegetal, mais barato e abundante no País e no Estado.

Medeiros, que também foi presidente da antiga Acesita (hoje Aperam South America), explicou que uma grande usina de aço plano comum usa altos-fornos que exigem o coque como conversor. Mas o preço do insumo é dolarizado e os volumes importados são grande, o que encarece a produção. “Só vejo uma alternativa e os números não mentem. A siderurgia brasileira tem que se especializar em aços planos especiais”, reforça.

Para o diretor do Indi, prova disso é que a própria Aperam é uma das únicas que está tendo lucros entre todas as siderúrgicas. A empresa faz dois tipos de aço: o inox, cada vez mais utilizado em escala mundial; e o silicioso, para fins elétricos, como em transformadores, compressores, turbinas de hidrelétricas.

Segundo Medeiros, o Estado como maior interessado, uma vez que tem o maior parque siderúrgico do País, deveria liderar essa discussão através do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que, para ele, é o encontro entre governo, empresários e trabalhadores. Esses conselhos funcionam bem em alguns países da Europa, como na Alemanha”, destaca.

Consolidação – Para o consultor e ex-presidente da Usiminas Wilson Nélio Brumer, hoje seria muito difícil promover a consolidação da siderurgia brasileira, convergindo para qualquer direção que fosse, devido à quantidade de players no mercado nacional. “Mas acho que essa pode ser uma tendência mundial devido ao excesso de capacidade e às várias plantas fechadas. Vai chegar um momento em que o Brasil terá que repensar isso”, pondera.

Uma outra visão, do chão de fábrica para fora, é que a siderurgia precisa ser competitiva no mundo globalizado. “Mas é muito difícil ter empresas competitivas em um País que não é competitivo”, alerta Brumer. Assim, o futuro do setor no Brasil está intimamente ligado ao futuro da economia brasileira.

O presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, faz o mesmo retrato. “Por isso a necessidade de medidas emergenciais para o setor. O impacto no desemprego, investimentos adiados, equipamentos parados pode ser ainda pior se este quadro de problemas estruturais e conjunturais não for revertido”, afirma.

Fonte: Diário do Comércio

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Setor vive a pior crise da história

Inversão do ciclo virtuoso impacta toda a cadeia produtiva e municípios de Minas

Leonardo Francia

O consumo de aço está ligado ao crescimento da economia de um país. A indústria siderúrgica gera empregos, renda, arrecadação e tecnologia em toda a cadeia produtiva. Desde o minério de ferro, seu principal insumo, passando pela silvicultura, pela indústria de máquinas e equipamentos, pelas fundições, até itens de uso diário, pessoal ou coletivo, envolve toda a infraestrutura.

Em Minas Gerais, o desenvolvimento do setor fez surgir cidades, deu nome a regiões, como o Vale do Aço, trouxe o crescimento de outras atividades industriais, do comércio e dos serviços a reboque. O setor viveu seus anos dourados, mas hoje, nas palavras do presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, vive o pior momento da sua história. A inversão desse ciclo virtuoso trouxe consequências desastrosas para municípios e economias dependentes da siderurgia.

A siderurgia tem efeitos diretos e indiretos muito grandes onde atua. São modificadores de crescimento, mas quando a atividade declina o efeito negativo é enorme. Minas é o Estado mais interessado na elaboração de um plano estratégico para recuperar o setor, mas está difícil?, lamenta o diretor de Desenvolvimento Regional e Infraestrutura do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi), César Medeiros.

Sem crescimento econômico, a siderurgia não decola. Sem investimentos em infraestrutura, a demanda não existe. Com vários players brigando por um mercado interno enxuto, de 10,5 milhões de toneladas no ano passado, segundo o IABr, a fatia de cada um é pequena e a competição é grande.

Os principais consumidores estão todos em retração. O setor automotivo viu sua produção cair 22,8% em 2015. A construção civil se encontra praticamente parada. Os fabricantes de máquinas e equipamentos assistiram suas vendas encolher 14,4% só no ano passado. Juntos esses segmentos consomem 80% do aço produzido no País.

Política industrial – Especialistas consultados pelo Diário do Comércio são unânimes ao afirmar que no chão de fábrica as usinas brasileiras são competitivas, se considerados equipamentos, processos e tecnologias. É claro que há espaço para aperfeiçoamento, mas é do portão da fábrica para fora, onde se depende do governo, que a situação é desastrosa.

Não existe fórmula mágica, destaca o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Junior. ?O problema da siderurgia é o mesmo de toda a indústria: falta política industrial no País. Não há dúvidas de que a competição mundial é acirrada e o excesso de aço no mundo mexe nos preços, mas se tivéssemos uma política de desenvolvimento, de investimentos em infraestrutura, a situação poderia ser diferente?, avalia.

No cenário externo, um excedente de 700 milhões de toneladas de aço por ano, 14,3 vezes mais do que a capacidade das usinas brasileiras, de 48,8 milhões de toneladas anuais, gera uma concorrência predatória. E, se o País não é competitivo, com uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo, energia cara, custos trabalhistas altos, logística deficitária e incapacidade de proteção do mercado, a siderurgia nacional não consegue competir mundo afora, ainda mais sem escala produtiva.

Os problemas são estruturais e conjunturais. Estruturais porque o País não cresce mais, não investe em infraestrutura, a economia estagnou e as previsões do último boletim Focus do Banco Central são de queda de 3,4% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2016. Conjunturais, devido às sobras de aço no mercado global, à enxurrada de produtos siderúrgicos chineses no mundo e ao preço baixo do aço.

A crise de hoje esbarra nas empresas descapitalizadas. É a pior que vi na história brasileira. Já foram enfrentadas crises que aconteciam em função de um fato específico. Agora é uma crise de fundamentos da indústria mundial do aço?, pontuou o ex-presidente da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) e da Vale S/A e ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Wilson Nélio Brumer.

Há alternativas dentro e fora das usinas, mas o fato é que a siderurgia enfrenta uma maré de maus resultados. No Brasil, o cenário é agravado pela crise econômica. A demanda interna por aços planos caiu 30% nos dois últimos anos. Nos últimos quatro anos, a Usiminas perdeu 84% do seu valor de mercado; a Gerdau, 75%; e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), 73%.

Todas citam em seus relatórios a influência da China para a deterioração do setor no Brasil e no mundo. As companhias chinesas responderam por 49,5% da produção mundial no ano passado, com 803,8 milhões de toneladas de aço bruto. A capacidade chega a algo próximo de 1 bilhão de toneladas, aproximadamente 40% das 2,6 bilhões de toneladas da capacidade mundial.

Fonte: Diário do Comércio

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PF deflagra nova fase da Zelotes com foco na siderúrgica Gerdau

BRASÍLIA  –  (Corrigida às 9h. Quem vai depor é o presidente executivo do grupo, André Gerdau) A Polícia Federal deflagra na manhã desta quinta-feira nova etapa da Operação Zelotes, que investiga um esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). O foco desta sexta fase é a siderúrgica Gerdau, que teria sonegado, segundo a PF, R$ 1,5 bilhão em impostos. A operação investiga um dos maiores esquemas de sonegação fiscal da história do país.

O presidente executivo do grupo, André Gerdau, será ouvido pela Polícia Federal em São Paulo. Também estão sendo cumpridos 40 mandados, sendo 18 de busca e apreensão e 22 de condução coercitiva nos Estados de Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco, além do Distrito Federal.

Os investigadores ouvem ainda dois presos no complexo da Papuda, em Brasília, sobre o suposto envolvimento da Gerdau no esquema. Na Papuda está o grupo os seis lobistas presos em outubro pela Zelotes.

Nesta manhã, a PF realizou operações de busca e condução coercitiva na sede da Gerdau em Porto Alegre, na usina do grupo em Sapucaia do Sul (RS) e em três endereços residenciais. Quatro pessoas foram conduzidas para depor, mas os nomes não foram informados.

Em nota, a Gerdau negou envolvimento em qualquer tipo de ilegalidade e garantiu estar “colaborando integralmente” com as investigações da Polícia Federal. Também confirmou a presença da Polícia Federal em suas instalações nesta manhã para o cumprimento de mandados de condução coercitiva, busca e apreensão.

A siderúrgica Gerdau atua em 14 países. De acordo com a investigação, a empresa teria celebrado contratos com escritórios de advocacia e consultoria que atuaram de maneira ilícita, manipulando andamento, distribuição e decisão do Carf.

De acordo com a PF, mesmo após a deflagração da Zelotes, em março de 2015, a Gerdau continuou atuando com o grupo de maneira irregular.

A Gerdau surgiu no contexto da primeira fase da Zelotes, deflagrada em março de 2015. Ao longo do ano, a investigação da Zelotes se ampliou e ganhou novos focos, como negociação de medidas provisórias e compra de caças suecos pelo governo federal.

Há outras empresas que surgiram na primeira fase da Zelotes e cujos inquéritos ainda estão em andamento.

Valor Econômico – 25/02/2016

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Desenvolvimento mineiro pautado no aço
Rica em minério, água, florestas e com uma logística bem desenhada por meio de estradas de ferro, Minas Gerais pautou seu desenvolvimento industrial na produção do aço. Durante muitos anos, a estratégia de aproveitar as vantagens competitivas trouxe divisas, investimentos e notoriedade no cenário mundial para o Estado. Nesse contexto, muitas cidades surgiram e cresceram ao redor do fortalecido parque siderúrgico instalado.

Mas, sem um processo de diversificação da economia adequado e com a recente reversão do ciclo virtuoso do setor, a nova realidade instaurada não é nada animadora. Menor arrecadação, desemprego, falência de empresas são apenas uma parte da história. A outra, tão triste quanto, mostra um verdadeiro desespero em municípios onde a economia gira em torno do resultado das siderúrgicas.

Em 2015, 1,23% do total arrecadado de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) em Minas Gerais foi proveniente do setor siderúrgico, que está entre os dez mais importantes para o Estado. O que parece ser uma participação relativamente alta, na verdade fica abaixo dos 2,41% de representatividade que tinha em 2014. Em apenas um ano, o setor teve baixa em termos de geração de ICMS de 40%, ao passar de R$ 781,908 milhões para R$ 468,897 milhões, segundo dados da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF).

Para se ter uma ideia de quanto o setor está parado no tempo, ou melhor, regredindo, a arrecadação de ICMS em 2010 havia ficado em R$ 700,508 milhões. Ou seja, até 2014, havia andado de lado, mantendo praticamente o mesmo nível. Quando comparado com 2015 é que o quadro fica desastroso, com variação negativa de 33%.

Opções – Se para o Estado, que conta com várias outras opções de arrecadação, o mau momento do setor siderúrgico trouxe reflexos sensíveis, em cidades que nasceram em função do desenvolvimento do setor a situação é ainda pior. A queda na arrecadação das prefeituras é apenas a ponta do iceberg. Com uma visão um pouco mais aprofundada, é possível ver toda uma cadeia em agonia. Fornecedores de matéria-prima e prestadores de serviços para o setor já sentem o impacto de forma imediata. E, indiretamente, segmentos como o comércio e o mercado imobiliário também sentem forte retração em seus negócios.

Apenas no Vale do Aço, onde estão a Usiminas e a Aperam South America, centenas de empresas localizadas no chamado “colar metropolitano”, que concentra 23 municípios, sentem o baque da crise no setor siderúrgico. “Estamos falando de um elo que está descarrilando. Nesse grupo de cidades, existem diferentes perfis econômicos. Mas é fato que elas são fortemente afetadas pelo que ocorre com a siderurgia.

A cadeia produtiva do setor siderúrgico representa cerca de 50% da economia regional”, afirma o presidente da regional Vale do Aço da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Luciano Araújo. Até mesmo aqueles municípios que são fornecedores de alimentos sentem os impactos do mau momento do setor, uma vez que a demanda reduz de forma generalizada, em face ao aumento do nível de desemprego e redução das compras das próprias empresas do setor e da prefeitura.

O Vale do Aço foi apenas um exemplo mas os efeitos da crise no setor siderúrgico perpassam por várias outras regiões. Na porção do Estado apelidada de “Quadrilátero Ferrífero”, uma área vizinha a Belo Horizonte com algo em torno de 7 mil quilômetros na região Centro-Sul, o momento também é de apreensão.

Da mesma forma do que ocorre nas cidades do Vale do Aço, os municípios localizados no Quadrilátero também estão em fase de reorganização da estrutura. É o momento de busca de alternativas para manter a economia de pé em um momento em que tudo indica que ela poderia ruir. A diversificação das atividades nessas cidades deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade.

Fonte: Diário do Comércio

Redação On fevereiro - 25 - 2016
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