Sindicato Nacional da Indústria de
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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017






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Indicadores

Indicador de preços recua em sete capitais na terceira prévia deste mês. Conforme o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), da Fundação Getulio Vargas (FGV), na terceira quadrissemana de fevereiro em relação à segunda de janeiro, em Salvador, passou 1,71% para 1,14%; em Brasília, de 1,60% para 1,27%; em Belo Horizonte, de 1,62% para 1,36%; no Recife, de 1,97% para 1,75%; no Rio de Janeiro, de 1,32% para 0,87%; em Porto Alegre, de 1,34% para 1 23%, e de 1,17% para 0,87% em São Paulo.

Na terceira prévia do mês, IPC-S desacelerou para 1,10% ante a leitura anterior (1,42%., Segundo a Fundação Getulio Vargas, das oito classes de despesas analisadas, seis apresentaram decréscimo em suas taxas: Alimentação (de 1,94% para 1,40%), Educação, Leitura e Recreação (2,57% para 1,50%), Habitação (0,97% para 0,78%), Transportes (1,91% para 1,60%), Comunicação (0,57% para 0,52%) e Despesas Diversas (1,51% para 1 27%).

A inflação em São Paulo deve variar 0,91% ao final deste mês, puxada por telecomunicação. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgou ontem que, na terceira medição, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), inflação na capital paulista desacelerou para 1% (ante 1,18%), mas ficou acima da taxa de 0,93% prevista pelo coordenador da Fipe, André Chagas.

DCI – 25/02/2016

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Resistente, inflação desafia recessão e meta

A inflação brasileira vem desafiando com fôlego raro a forte recessão que o país atravessa. Ontem, a prévia do índice oficial, o IPCA-15, deixou para trás até as piores expectativas dos analistas que acompanham os preços ao mostrar alta de 1,42% em fevereiro. O número não só é pior do que a projeção mais pessimista, que era de 1,38%, como também supera com folga a alta de 1,33% do índice em fevereiro do ano passado.

Importante lembrar que 2015 foi o ano do “tarifaço”, aquele em que o governo corrigiu integralmente os preços administrados que tinham tido aumentos represados em anos anteriores, como os de energia elétrica. À época, acreditava-se que haveria um choque inflacionário naquele momento, mas depois os preços desacelerariam e voltariam à ‘normalidade’.

Um ano depois, a inflação não dá trégua. Movida, é fato, por efeitos da desvalorização do real que se acentuou no segundo semestre do ano passado e por alguns fatores climáticos que pressionam os preços de alguns alimentos de forma mais pontual. Mas não é só. O que se observa é que o tarifaço deixou heranças e, apesar da atividade econômica fraquíssima, os repasses de custos ainda encontram espaço. Os reajustes de educação ficaram em média perto de 6%, mas essa média esconde altas maiores, que chegam a 11% em alguns níveis de ensino, a despeito da crise.

Mesmo após um ano que encerrou com uma queda real de 3,7% na renda média dos trabalhadores, com a taxa de desemprego dois pontos percentuais maior e 1,5 milhão de vagas formais de trabalho a menos, a alta dos preços de serviços ainda roda na casa dos 8%.

Até quando a inflação vai mostrar esse nível de resiliência é uma questão que vem dividindo hoje os economistas, como mostram as reportagens abaixo, mas o grupo que vê uma resposta pessimista a esta questão vem aumentando diante de surpresas negativas como a do IPCA-15 de fevereiro. É preciso acrescentar a este cenário o alto nível de indexação da economia brasileira – vale lembrar que o salário mínimo teve reajuste de 11,6% este ano – e a dificuldade enfrentada pelo Banco Central e o governo como um todo de coordenar expectativas.

O ano começou apontando a inflação como a possível ‘variável surpresa’ de 2016, e alguns ainda avaliavam que a surpresa poderia ser positiva, com o índice capitulando para o teto da meta diante de uma recessão inédita. Estamos ainda em fevereiro e o que os dados sugerem é que talvez fique claro mais cedo do que se imaginava que essa esperança poderá ser de difícil concretização.

Valor Econômico – 25/02/2016

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Triplamente rebaixado

O Brasil perdeu ontem o último selo de bom pagador e não é mais considerado grau de investimento por nenhuma das três principais agências de classificação de risco do mundo. Depois de Standard & Poor’s (S&P) e Fitch, foi a vez de a Moody’s suspender do país a chancela de bom pagador, conferida a economias com baixa probabilidade de dar calote em seus credores. A agência cortou a nota da dívida brasileira em moeda estrangeira, de uma só vez, em dois degraus: de “Baa3” para “Ba2”. A decisão era esperada por analistas há semanas, mas a dupla redução surpreendeu parte do mercado financeiro. A perspectiva negativa foi mantida, o que indica que novos rebaixamentos podem ser anunciados nos próximos meses.

A Moody’s baseou sua avaliação na piora do cenário fiscal do país, agravado pela “desafiadora dinâmica política”, informou a agência em comunicado. Um dos indicadores observados com preocupação é a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB), que ajuda a medir a capacidade de pagamento de um país. A expectativa da agência é que essa proporção supere 80% a partir do ano que vem. No ano passado, fechou em 66,2%.

‘PERDER DOIS PONTOS É DESCONFIANÇA PROFUNDA’
A agência calcula que, para estabilizar esse cenário, o Brasil terá de crescer entre 2%e 3% ao ano. Além disso, terá que fazer superávits primários (economia para pagar os juros da dívida) na mesma dimensão. Desempenho bem diferente do esperado pelo mercado, que projeta que o crescimento somente voltará à casa dos 2% em 2019.

A Moody’s afirma que, para evitar novos rebaixamentos, o governo precisa fazer reformas estruturais. Uma das preocupações manifestadas pela agência diz respeito à indexação que existe no Orçamento e à rigidez em sua execução.

— São, principalmente, reformas que reduzam a rigidez orçamentária, a indexação das receitas e o crescimento mandatório de várias categorias de despesas apesar do fraco desempenho das receitas — avaliou Samar Maziad, analista sênior da Moody’s, que destaca ainda a necessidade de reduzir incertezas em relação a possíveis passivos da Petrobras.

A analista afirmou ainda que é possível que o atual impasse no cenário político, que pode ser agravado pelo avanço do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, limite a capacidade do atuação do governo e, consequentemente, o avanço das reformas:

— Esses fatores continuarão limitando a capacidade do governo de avançar com as agendas fiscal e econômica no Congresso.

O movimento da agência veio com atraso, na avaliação de economistas. A primeira a retirar o grau de investimento do Brasil foi a S& P, em setembro. Em dezembro, a Fitch também tirou do país o selo de bom pagador. Naquele mês, a Moody’s colocou a nota brasileira em perspectiva negativa, mas manteve o rating “Baa3”, definido em agosto. A redução dupla de ontem pode ter sido uma forma de compensar essa demora em reavaliar o país, destaca o economista Istvan Kazsnar, professor da Fundação Getulio Vargas ( FGV). Mas também evidencia o quadro frágil da economia brasileira:

— Rebaixar é uma coisa, mas perder dois pontos com viés de baixa é uma demonstração de desconfiança profunda. A agência pode ter saltado uma etapa porque não foi ágil o suficiente.

Para Sérgio Vale, economista- chefe da MB Associados, a piora no quadro político nos últimos dias pode ter contribuído para a decisão, mas a situação econômica já era suficiente para que a agência rebaixasse o país:

— Enquanto a crise política se mantiver, nada conseguirá melhorar. Isso significa especialmente que o perfil fiscal do país vai piorar muito e veremos mais empresas entrando em falência.

Já o economista Carlos Thadeu de Freitas, exdiretor do Banco Central, observa que boa parte do impacto da decisão já estava na conta do mercado. Ontem, o dólar chegou a superar os R$ 4, mas perdeu força e fechou em queda de 0,12%, a R$ 3,956. O Ibovespa recuou 1,03%.

— Não é ideal que haja o corte. Mas, como temos um índice muito bom de reservas cambiais, não é um problema imediato — disse o economista.

O governo brasileiro já esperava o rebaixamento e teria recebido uma sinalização da própria agência na semana passada, segundo uma fonte ligada ao Palácio do Planalto. Nos bastidores, integrantes do governo se queixavam de que as agências assumiram informalmente o papel do Fundo Monetário Internacional (FMI) e “ficam no cangote dos países emergentes”.

A equipe econômica avalia que o mercado e as agências de classificação poderão ter uma visão mais favorável a partir de abril, quando o governo vai enviar ao Congresso sua proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017, traçando um cenário para os principais indicadores da economia nos próximos anos.

Para a área econômica, a decisão não levou em consideração medidas anunciadas na semana passada, pois não houve tempo para uma análise da reforma fiscal proposta. Segundo técnicos, o movimento da agência já era esperado, após S&P e Fitch.

— Não será a curto prazo (a recuperação do grau de investimento), mas, quando o mercado conhecer os números e a estratégia, o humor já poderá mudar — afirmou um integrante do governo.

Em nota à imprensa, o Ministério da Fazenda afirmou que está adotando medidas estruturais para reverter as incertezas do mercado em relação à trajetória da dívida pública. Entre elas, cita as propostas de reforma da Previdência e fixação de um teto para os gastos públicos.

Ao divulgar, ontem, o valor da dívida pública federal em janeiro — R$ 2,74 trilhões, com queda de 1,54% ante dezembro — o coordenador- geral de operações da dívida pública, José Franco, ressaltou que o mercado já havia se antecipado após os dois rebaixamentos anteriores.

O Globo – 25/02/2016

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A recuperação da nota vai demorar provavelmente entre 4 e 5 anos’

Sócio e diretor de Análise da Southern Pulse está otimista com o Brasil a médio prazo e ressalta que muitos investidores veem oportunidade no país.

A nota do Brasil foi reduzida em dois graus de uma só vez. O que isso significa?
Não é comum. Antes, as agências de classificação de risco concediam as notas de crédito de acordo com a capacidade de pagamento de um país. Hoje, o que conta é a situação geral tanto da economia quanto da política. O Brasil está em recessão, e mesmo em 2017 o crescimento deve ficar em torno de zero.

O que espera de recuperação?
Estou otimista com o Brasil a médio prazo, em um horizonte de cinco a dez anos. A economia só deve se estabilizar em 2017, e o endividamento é elevado. Mas o Brasil tem uma classe média grande e é uma grande economia. É um lugar onde as companhias estrangeiras vão querer estar, é um mercado doméstico grande. O cenário é desafiador para todas os emergentes, mas é claro que o Brasil está em recessão, e outros não.

Quanto tempo o Brasil pode demorar para recuperar a nota de crédito?
A crise política deve se amenizar no fim deste ano ou no início de 2017, mas a recuperação da nota demora mais, provavelmente entre quatro e cinco anos. À medida que a economia voltar a crescer, administrar a dívida será mais fácil.

Sua consultoria ajuda interessados em investir no Brasil. Houve perda de interesse?
Há uma reação mista à desaceleração recente. Muitas empresas com foco em bens de consumo, varejo e indústria certamente reduziram suas operações e gastos no Brasil. Ao mesmo tempo, vemos investidores financeiros e de companhias de tecnologia com a avaliação de que a atual turbulência é uma oportunidade para investimentos e aquisições, na expectativa de que haverá lucro quando o Brasil retomar o crescimento.

A perda do selo de bom pagador pode afetar futuros investimentos no país?
Muitos fundos só podem colocar recursos em economias com grau de investimento. Mas há muitos investidores que não precisam seguir as agências e veem o Brasil como oportunidade.

O Globo – 25/02/2016

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‘O governo está perdendo a batalha das expectativas’

Para o diretor de América Latina no Eurasia Group, o Brasil tem sido errático e ambíguo em sua política econômica, devido à crise política.

O que significa a perda do grau de investimento pela Moody’s?

Já era uma ação prevista. Quando uma agência tira o grau de investimento, as outras seguem. É muito difícil reverter a curto prazo uma recessão profunda, a piora nas contas públicas e uma crise política que não dá sinais de esfriamento.
Não há uma medida mágica para reverter isso.

O governo deve reagir mais fortemente para colocar as contas em ordem?

Não, é um problema político. Não há muito o que o governo possa fazer porque muito pouca coisa vai passar no Congresso. O trabalho de recuperação da credibilidade do Brasil no mercado é muito lento, vai demorar. É pouquíssimo provável que ocorra ainda no governo Dilma.

Por quê?

Há dois fatores. Primeiro, o governo parece muito mais disposto a aumentar imposto que a cortar gastos. E mesmo que estivesse disposto, há a batalha do impeachment. O segundo fator é a situação do mercado global, que prejudica muito os países emergentes. Esses fatores dificultam a recuperação do crédito.

Como vocês veem o cenário de impeachment? A prisão de João Santana muda algo?

Achamos que a presidente Dilma tem 60% de chance de sobrevivência. Não muda a questão do impeachment. No entanto, aumenta a probabilidade de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral por novas eleições.

Há risco de novos rebaixamentos?

É um ciclo. A relação entre a dívida e o PIB vai aumentar até 2018 e pode chegar a 80%. A questão é como o governo vai explicar seu plano para as agências, como vai ancorar as expectativas. Só que o governo tem sido errático e ambíguo. Quanto maior for a percepção de ações erráticas de política econômica, mais difícil é. O governo está perdendo a batalha das expectativas, e tudo indica que vai continuar. O foco do ano será o impeachment. Como levar à frente uma reforma da Previdência?

A crise ainda vai piorar?

O fundo do poço ainda está por vir.

O Globo – 25/02/2016

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Empresas triplicam dívida com bônus em 10 anos

Com a perda do grau de investimento pela terceira agência de classificação de risco de crédito, desta vez pela Moody’s, o Brasil retrocedeu uma década e voltou para o mesmo patamar de risco que tinha em 2006. Mas agora, a situação econômica é muito pior. Há dez anos, a perspectiva para a economia era de crescimento, amparada pelo aumento dos preços das commodities exportadas pelo país. Hoje, a perspectiva é de recessão. Na última década, as empresas triplicaram o endividamento no mercado internacional usando os recursos para investimentos locais. Agora, elas devem diminuir essa dívidas, recomprando os títulos que estão no mercado, evitando novos financiamentos no mercado de capitais internacional.

Segundo dados do Banco Central (BC), a dívida externa bruta do setor privado alcançou US$ 211,5 bilhões no terceiro trimestre do ano passado. Em 2006, o total era de US$ 71 bilhões. O aumento do endividamento acendeu a luz amarela entre analistas econômicos de organismos internacionais. No fim do ano passado, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) divulgou um relatório em que considerava excessivo o aumento das dívidas corporativas de países emergentes como China, Brasil e Rússia.

De acordo com o documento, entre 2009 e 2013, as empresas desses países emitiram US$ 554 bilhões em bônus corporativos. Os economistas Stefan Avdjiev, Michael Chui e Hyun Song Shin, que produziram o relatório, escreveram que esse aumento no endividamento pode ser uma fonte de instabilidade financeira para as economias. Alguns analistas econômicos discordam.

Apesar de ter havido um aumento significativo na dívida corporativa, as empresas brasileiras estão mais protegidas contra eventos inesperados do que há uma década, disse Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria. “Muitas companhias já têm hedge natural, que são as exportações, e outras usam mecanismos financeiros de proteção. As empresas brasileiras não estão em uma situação delicada por conta do endividamento em dólar”.

Dados do Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado pelo BC, em outubro do ano passado, mostram que o fortalecimento dos fundamentos econômicos nas últimas duas décadas aumentou a resiliência das empresas a choques externos e os mercados financeiros ampliaram os instrumentos de hedge. Além disso, as reservas internacionais do país, que funcionam como um colchão de segurança em momentos de crise, quadruplicaram na última década. Segundo o BC, o país tinha US$ 371 bilhões em reservas financeiras, em fevereiro. No fim de 2006, as reservas estavam em US$ 85 bilhões.

Mesmo com o rebaixamento da nota de crédito do país, os bônus emitidos pelas companhias no mercado internacional continuam sendo atrativos para os investidores. “Os bônus de empresas como Petrobras, Vale, Gerdau, Itaú Unibanco e Caixa, com vencimentos no curto prazo, entre 2017 e 2018, estão com juros altos e, em tese, não têm risco de calote. São boas opções de investimento”, disse Carlos Gribel, chefe de renda fixa da corretora Andbanc Brokerage, em Miami.

Além disso, os fundos de investimento global que investem em bônus de empresas de países emergentes não devem se desfazer dos papéis brasileiros por conta do rebaixamento da nota de crédito do país. Esses fundos só podem manter em carteira bônus de companhias que tenham a avaliação de bom pagador concedida por duas agências de crédito. Como o país já havia perdido o grau de investimento na métrica da Standard & Poor’s e da Fitch Ratings, os ajustes já foram feitos. “Não deve haver oscilações agora”, diz Cid Oliveira, diretor de renda fixa da XP Advisory, braço de administração de fortunas da XP Gestão.

Os principais fundos de índice de bônus do mercado global, o J.P. Morgan GBI e o Barclays EM Corporate Strategy, também já haviam ajustado suas carteiras ao possível novo rebaixamento do país e não devem efetuar mudanças. Por outro lado, os fundos de índice que aplicam recursos em empresas consideradas “high yield”, com alto risco de crédito, podem ampliar a participação das companhias brasileiras em suas carteiras.

As emissões de dívidas no mercado local também devem encolher após o rebaixamento da nota de crédito do país. “As empresas estão evitando novos endividamentos e quem vai ao mercado paga mais caro e precisa oferecer mais garantias”, afirma Valdery Albuquerque, responsável pela originação, distribuição e estruturação de negócios do Banco Fator. Para Marcelo Michaluá, diretor-executivo da RB Capital e responsável por estruturação de títulos de securitização, os investidores ficarão ainda mais avessos aos títulos de dívida e vão querer preservar a liquidez. “O custo mais alto deve desestimular o tomador das dívidas”, disse.

Valor Econômico – 25/02/2016

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Amargo regresso

O Globo – Míriam Leitão – 25/02/2016

País está fora do mercado de dívida de qualidade. A terceira empresa rebaixando o Brasil não é mais do mesmo. A última porta se fechou ontem, depois da expulsão do país do mercado de dívida de qualidade. A Moody’s demorou mais, mas fez um movimento eloquente: o Brasil caiu dois degraus de uma vez e foi colocado em perspectiva negativa. No alerta, a agência apontou o dedo para o risco de crescimento da dívida.

Este ponto é nevrálgico, uma espécie de resumo dos males econômicos do país neste momento. O governo tem déficit primário, e isso eleva a dívida. Como o PIB está caindo, o índice sobe mais rápido. Com a inflação alta, a taxa Selic tem que permanecer elevada, aumentando o gasto público com juros e piorando o perfil da dívida.

A nota do Ministério da Fazenda, diante do que aconteceu ontem, é constrangedora. Diz que o corte “não altera o comprometimento com o ajuste fiscal”. Ora, se as agências rebaixaram o Brasil é porque não acreditam nesse comprometimento, ou ele não tem sido suficiente. A nota cita ainda como soluções, que o governo estaria encaminhando, a reforma da Previdência — que não está sequer formulada —e o limite de gastos — que não passa de um esboço de ideia.

Parece que o governo não tem noção da trilha de riscos em que colocou o país. A administração Dilma assumiu quando a dívida estava em 52% do PIB, levou- a a 66%, e as projeções são de que em 2018 estará em 80%. Não é um aumento inesperado. Era previsível, e a presidente Dilma escolheu correr este risco.

Durante a campanha de 2010, numa entrevista na rádio CBN, eu perguntei à então candidata se as suas ideias fiscais, já exibidas em entrevistas e nas brigas internas do governo Lula, não elevariam a dívida bruta do país. Ela afirmou que eu estava errando “no número e no conceito”. Estamos agora no quinto ano em que ela usa seus números e seus conceitos. O Brasil está em recessão, com inflação em dois dígitos, déficit primário, foi rebaixado pelas três principais agências que, além disso, apontam o dedo para o crescimento da dívida como sendo o principal risco que corremos. Administrações sérias evitam o crescimento do endividamento, exatamente porque isso tem um alto poder desestabilizador.

Os rebaixamentos levaram o Brasil ao mercado de segunda classe do financiamento mundial. Como consequência, empresas estão tendo dificuldades de rolagem dos seus bônus porque os credores exigem mais juros e concedem condições piores.

Felizmente, as companhias e instituições financeiras brasileiras, ou com base no Brasil, estão conseguindo pagar seus papéis no vencimento. Foi o que o “Valor Econômico” mostrou na manchete de ontem, dando alguns exemplos, como o Banco Votorantim e o Banco Santander, que acabaram de resgatar, cada um, US$ 1,2 bilhão de bônus que venceram nos dois primeiros meses do ano.

O governo estava ontem mostrando ou alienação total do que está de fato acontecendo — como expõe a nota da Fazenda — ou subestimando o corte da Moody’s, porque esta é a terceira agência que nos rebaixa. O evento teria, segundo se diz no governo, um impacto “marginal”. A bolsa e o dólar podem ter pequenas alterações, mas isso não é termômetro. O efeito maior se dá ao longo do tempo, em que o Brasil ficará sem ser considerado “bom pagador” por nenhuma das três agências grandes e por isso perderá investimentos. É a derrota do projeto que nos levou a trilhar um longo caminho de mudanças e reformas. Se o grau de investimento foi alcançado no governo Lula, a caminhada até ele começou muito antes e teve como marco fundador o plano que encerrou o período de hiperinflação no Brasil. Só a partir do real o país pôde buscar a melhora da reputação na economia internacional que nos levou a subir lentamente os degraus da classificação do nível de risco. E é deste caminho que estamos agora fazendo um amargo regresso.

O que precisa ficar claro para este governo é que não se trata apenas do custo dos empréstimos externos ou do interesse que os investidores possam ter em nós. Os grandes financiadores da dívida pública brasileira somos nós mesmos, por isso, a mudança da trajetória do endividamento, a estabilização da dívida/ PIB e sua posterior redução têm que ocorrer para garantir as economias e o patrimônio dos próprios brasileiros.

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Berzoini admite que será difícil cumprir prazo de reforma

Coordenador da reforma da Previdência Social, o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, afirmou em entrevista ao Valor que não garante o envio da proposta até abril ao Congresso Nacional, como a presidente Dilma Rousseff sinalizou a líderes partidários. “Não é fácil cumprir o prazo porque existe ainda muita confusão de informação sobre o que se pretende fazer”, disse.

Berzoini reencarna o papel que desempenhou em 2003, no primeiro ano do governo Lula, quando conduziu a reforma da previdência dos servidores públicos. “No PT foi muito polêmico, no Congresso, quebraram vidros da chapelaria”, relembra. Ele compara a previdência com um transatlântico – “faz curva suave” -, e diz que o governo busca um modelo solidário, mas “que pare de pé”.

Seguindo outras lideranças do PT, defende que o modelo de exploração do petróleo não seja alterado agora, embora a presidente Dilma aceite negociar a medida. O ministro falou, contudo, antes do Senado aprovar o projeto que altera o modelo do pré-sal. Ele diz que a prisão do marqueteiro João Santana foi “esquisita”, faz críticas à Operação Lava-Jato, ao juiz Sérgio Moro e afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é vítima de uma “tentativa de impeachment cautelar”.

Cobra alternativas à CPMF: “Se alguém tiver uma solução melhor que apresente”. E sobre impeachment, diz que “mais importante é estar preparado para governar”. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Valor:O governo deu abril como prazo de envio da reforma. É possível cumpri-lo?

Ricardo Berzoini: Não é fácil cumprir o prazo porque existe ainda muita confusão de informação sobre o que se pretende fazer, mas trabalhamos firmemente com esse objetivo. Não queremos passar imagem que é coisa fácil, de mera vontade política.

Valor: Como será a reforma?

Berzoini: Não quero tratar de assuntos específicos porque sempre gera a ideia que tem prato feito. O governo acha que tem que ter regras de acessos aos benefícios coerentes com a realidade demográfica. Previdência é como um transatlântico. Barquinho pequeno você faz curva fechada, mas com transatlântico você faz curva suave, até para respeitar direitos adquiridos e a expectativa de direito. Ela tem que ser protetora, mas não pode ser paternalista, não pode aposentar quem não pode ser aposentado.

Valor:A discussão da reforma aliena as centrais?

Berzoini: Não queremos alienar. Queremos demonstrar que um governo com a nossa característica é capaz de fazer uma proposta que preserve o pressuposto social da previdência, não aquela previdência com visão meramente financeira. Nós queremos manter uma previdência de repartição, solidária, pública, mas que pare de pé. Seria muita irresponsabilidade oferecer algo que não vai se consumar no futuro. É bom lembrar que quando o orçamento não contempla tudo que cabe nele, a fatura é cobrada na forma de inflação.

Valor:Há tempo útil para aprovar no Congresso?

Berzoini: O tempo é curto, não sei qual vai ser nossa capacidade de acelerar esse tempo político. Na reforma de 2003, nós conseguimos. Na época conversei com vários governadores, com membros do Judiciário. Não passou no Congresso tudo que queria, houve muita polêmica. No PT foi muito polêmico, fiz inúmeras reuniões com bancadas. No fim, conseguimos aprovar no Congresso em menos de um ano.

Valor:Qual é o prazo para chegar no limite do sistema com as regras atuais?

Berzoini: Temos estudos que mostram que em dez anos. O orçamento não é totalmente elástico, ele tem um limite. Se crescer muito as despesas de um setor, significa inviabilizar outros setores como saúde, transporte ou educação.

Valor:Mais uma agência de risco rebaixou a nota do Brasil. Como recuperar a credibilidade do país?

Berzoini: A Moody’s fechou um ciclo e vamos reverter esse quadro no médio prazo. Evidentemente, a gente acha um exagero, o Brasil tem reservas cambiais que asseguram a solidez do ponto de vista cambial e um governo responsável com a gestão fiscal.

Valor:Qual o lado do governo sobre o projeto que tira a Petrobras como operadora única do pré-sal?

Berzoini: Esse assunto divide a base, mas a maioria, na minha opinião, acha que não é tempo de se mexer em nada. Melhor esperar para ver para onde vai o petróleo no mundo. Embora a empresa tenha sofrido com a Lava-Jato e com as cotações de petróleo, está bem posicionada para sustentar essa exploração.

Valor:Como o governo viu a prisão do marqueteiro da campanha à reeleição de Dilma, João Santana?

Berzoini: Achei muito esquisita. Um cidadão que comunica que está à disposição para prestar esclarecimentos, depois é detido para quê? Algumas coisas no Brasil estão sendo tratadas de maneira precipitada.

Valor:A prisão dele levanta suspeitas sobre a campanha de Dilma?

Berzoini: Os esclarecimentos dele vão mostrar que não tem relação entre isso e a presidente. A campanha da presidente foi feita estritamente dentro da lei, não há irregularidade.

Valor: O senhor faz críticas ao juiz Sérgio Moro e à Operação Lava-Jato?

Berzoini: Sem dúvida. A lógica desse processo está comandada por uma visão midiática e uma tentativa de criar clima de constrangimento no país. Existe a determinação em focar em algumas pessoas e em um partido, o PT. O combate à corrupção tem de ser objetivo nacional, permanente, mas em nome de nenhum poder se pode ignorar os pressupostos do Estado Democrático de Direito.

Valor:Como o senhor vê a investigação sobre o ex-presidente Lula?

Berzoini: Há uma campanha nacional contra ele, uma tentativa de impeachment cautelar.

Valor:Será possível aprovar aumento de impostos em ano eleitoral e com instabilidade política?

Berzoini: O governo acha que a CPMF é a melhor saída para dar fôlego fiscal a Estados, municípios e União. Mas nós já declaramos que não temos ideia fixa, se alguém tiver uma solução melhor que apresente.

Valor:O governo está preparado para enterrar o impeachment?

Berzoini: Mais importante é estar preparado para governar. O impeachment precisa de um terço dos votos para impedir que seja consumado na Câmara. Para aprovarmos um projeto de lei, ou a CPMF, precisamos de mais votos que isso (para a CPMF são três quintos dos votos).

Valor:A ação de cassação do mandato de Dilma no Tribunal Superior Eleitoral preocupa?

Berzoini: O governo pela sua responsabilidade tem de estar preocupado com tudo o que coloca em risco o mandato da presidente. Mas a ação não tem fundamentação, as contas foram aprovadas.

Valor Econômico – 25/02/2016

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Brasil precisa ajustar as contas, diz FMI

A recessão no Brasil está se mostrando mais longa e mais forte do que o esperado, e é “imperativo” que o país adote um conjunto de medidas econômicas apropriadas, afirma o Fundo Monetário Internacional (FMI), em documento que será apresentado na reunião do G20, o grupo que congrega as 20 maiores economias do planeta, nos próximos dias 26 e 27, na China. A recomendação é que o governo de Dilma Rousseff persiga a melhora das contas fiscais e continue com uma política monetária apertada.

“O governo deve prosseguir a consolidação fiscal, resolvendo a rigidez e mandatos insustentáveis no lado dos gastos públicos”, afirma o relatório do FMI, intitulado “Desafios de políticas econômicas e perspectiva global”, que contém uma série de recomendações de políticas econômicas. Além disso, o documento vê como essenciais as reformas estruturais no país, para melhorar a produtividade e a competitividade do país.

No caso da infraestrutura, o documento pede que o Brasil implemente programa de concessões de projetos e obras para a iniciativa privada. Nas contas fiscais, a instituição chefiada pela economista Christine Lagarde menciona a necessidade de reforma da Previdência, de medidas na área de impostos e de cortes de gastos discricionários, com o objetivo de melhorar a trajetória das contas públicas a curto prazo.

O documento que o fundo vai apresentar na reunião do G20 também dedica espaço à inflação brasileira e às medidas necessárias para aliviar o peso do custo de vida sobre a população. “A redução da inflação para a meta de 4,5% em 2017 vai exigir uma política monetária apertada”, afirma o FMI, ou seja, ainda não é hora de o Banco Central afrouxar as taxas de juros.

A avaliação do organismo é de que a deterioração da confiança de empresários e consumidores no Brasil, em meio a condições políticas difíceis, continua refreando a demanda doméstica. O fundo prevê que a economia brasileira vai encolher 3,5% este ano e terá crescimento zero em 2017. Nos dois casos, o desempenho é o pior entre as economias do G20, de acordo com uma tabela apresentada no relatório.

Pelas previsões da instituição, a economia mundial deve crescer 3,4% este ano e 3,6% no próximo. Os mercados emergentes devem ter expansão de 4,3% e de 4,7% em 2016 e 2017, respectivamente. Já para os países que fazem parte do G20, a previsão é de avanço de 3,4% e de 3,7% nesses dois períodos.

A Rússia, que deve encolher 1% este ano, deve voltar a crescer em 2017, com expansão prevista de 1%. A Argentina, outro país com recessão em 2016, também deve melhorar o desempenho no ano que vem, com avanço esperado de 2,6%, de acordo com as estimativas dos técnicos do FMI.

Correio Braziliense – 25/02/2016

Redação On fevereiro - 25 - 2016
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